É errado comparar Windows com iOS? Não quando eles disputam o mesmo consumidor

Uma simpática banca de laranjas e maçãs.

Benefict Evans fez um curioso exercício: comparou, em um gráfico, as vendas de Macs e dispositivos iOS (iPhone e iPad) com as de PCs e smartphones rodando Windows e Windows Phone, respectivamente. Resultado? As linhas e a barra ficaram bem próximas em dezembro último:

Vendas de PCs comparadas às de dispositivos iOS e Macs.
Gráfico: Benedict Evans.

A Quartz decretou: “É oficial: a Apple vende mais computadores do que todos os PCs Windows combinados”. Polêmica. Tem gente es estapeando em discussões online, defendendo seu ponto, seja pró-Apple ou contra ela.

Para mim esses números dizem mais sobre a Microsoft do que a Apple. Mais sobre PCs e dispositivos Pós-PC do que empresas específicas. Acredito que Evans tenha achado conveniente pegar dados de uma empresa que vende muitos dispositivos Pós-PC do que vasculhar e consolidar vários números esparsos de quem fabrica e comercializa gadgets que rodam Android — afinal, o sistema do Google vende mais que iPhones e iPads, e por uma grande margem.

A principal mensagem que se extrai da comparação é como a Microsoft está enrascada. O Windows não vende mais como antes, as reservas que analistas faziam do Windows 8 se foram, tem muita gente falando abertamente em “fracasso” e, para piorar, o Windows Phone ainda não decolou em market share — e lá se vão quase quatro anos tentando. É de se preocupar. É isso que o gráfico aponta.

É errado comparar smartphones e tablets com computadores completos? Para fins mercadológicos, não. A manchete da Quartz é meio sensacionalista, mas pense bem: tanto Apple quando as OEM que usam Windows disputam o mesmo consumidor. Pessoas que, em sua maioria, querem um dispositivo para navegar em sites, ver as fotos das férias, acessar o Facebook.

Coisas triviais, mas não só. O poder computacional da safra atual de smartphones e tablets está longe do de um PC capaz, mas é suficiente para fazer muito. Quer editar vídeo, áudio? Tranquilo. Jogos elaborados, com gráficos bonitos e dinâmicas inteligentes? Sem problema. Até aplicações comerciais, antes um terreno onde o Windows reinava, já se renderam à agilidade das telas sensíveis a toques.

Para uma parcela restrita de usuários, gente que trabalha com audiovisual, gamers hardcore e ambientes corporativos com um grande legado, usar Android ou iOS é, no mínimo, inadequado. O ponto é que, relativamente falando, esse público é pequeno. Para a maioria o GarageBand e o iMovie dão conta, o Flappy Bird é diversão na medida certa, nenhum aplicativo específico ou exclusivo do Windows é essencial.

É esse grosso da base de usuários que, nos EUA, já usa mais o smartphone do que PCs convencionais em seu tempo livre. É ele que aponta a computação pessoal para os dispositivos móveis, para a Era Pós-PC.

Este outro gráfico de Evans mostra as vendas de PCs Windows plotadas sobre as de dispositivos com Android e iOS entre junho de 2007 e junho de 2013:

Gráfico comparando as vendas de PCs com as de dispositivos móveis com Android e iOS.
Gráfico: Benedict Evans.

Computadores sumirão? Claro que não. Mas eles serão menos populares. Converse com várias pessoas com menos de 20 anos e você provavelmente encontrará algumas que não têm computador, mas que têm um smartphone. Esse cenário deverá ser cada vez mais comum futuramente.

A Era Pós-PC é sobre uma troca de papéis: de coadjuvante, o smartphone passa a ser protagonista. Ele troca de lugar com o PC que, ainda por aí, mas com as vendas estagnadas e margens de lucro baixíssimas, encontra refúgio em ambientes onde ele é imprescindível.

Foto do topo: WriterGal39/Flickr.

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102 comentários

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  47. Para mim essa comparação entre iOS X Windows é completamente cabível vendo do ponto de vista da nova forma que lidamos com tecnologia e novos métodos de entrada, a MS parou no mouse durante muito tempo assim como paramos todos esses anos pós disquete usando ele como ícone para salvar informação. Essas referencias simplesmente não existem mais para uma geração que cresce com kinect e wii e telas touch em todos os lugares.
    Na verdade a MS foi a pioneira e os caixas de banco agradecem pela interface touch do Windows XP, mas infelizmente se não fosse pela interface cheia de ícones grandes e simplificada dos caixas o touch do XP não teria nenhuma grande relevância pois o ele não tinha nada que facilitasse e promovesse essa inovação.
    Durante esse tempo temos um publico que se adaptou e cresceu com a “limitação de digitar na tela” que para a minha geração ainda é um pouco estranho. Mas fiz um teste em casa onde normalmente o PC era disputado pelas minhas irmãs e entreguei um tablet para cada uma delas para usar para o social e deixei o PC para fazer trabalho escolar, o que acabou nunca acontecendo pois elas se acostumaram com o copy & past no tablet e com o Google Drive e continuam fazendo trabalhos escolares bons apenas com o uso do tablet. Coisa que é praticamente impossível para mim.

    Concordo com o Ghedin que o caso não é a Apple e sim a MS e como ela se deixou ficar velha e ultrapassada e é isso que vemos ela tentar mudar nas propagandas do W8 e WPhone ao mesmo tempo vemos ela tentando fazer propagandas as contra o Google que soam patéticas para os mais novos e inteligente para quem não entende muito o que ela esta falando. A MS não pode perder os mais velhos que não conseguem usar o tablet para escrever mas também precisa ganhar desesperadamente resgatar os mais novos que foram criados na base do iPod. E isso fica cada vez mais difícil para ela o XONE não está um grande sucesso, a Nokia está tendo que recorrer ao Android para ganhar mercado, o Surface não foi, a diretoria tem mudado e o CEO também, o Bill teve que voltar da Africa.
    É Redmont sabe que o futuro está complicado mas pelo menos está acordada.

  48. Faz sentido a comparação e o entendimento.

    Em primeiro lugar, lembremos que o termo “PC” é “Personal Computer”, “Computador Pessoal”. Até propagandas já dizem que estamos em uma época que o computador é realmente pessoal. E paremos de hipocrisias e segregações deste tipo: smartphones são, de certa forma, computadores pessoais. Possuem um processador, sistema operacional, aplicativos/programas e pode ser ajustado pelo seu usuário. A única diferença de um computador comum, no sentido de arquitetura, é que tal aparelho faz ligação por sistema celular.

    Para “usuários comuns”, tenho que admitir que tenho visto o mesmo padrão: muitos preferem usar o telefone/smartphone pela comodidade e por “estar sempre a mão” do que um pc comum, este relegado apenas para abrir o site do banco (muitos não confiam no celular para tal :p ), digitar textos maiores ou tarefas que realmente um smartphone não faria.

    No caso do Windows, já notei que o foco é mais americano. No Brasil, devido ao fator preço, é meio difícil ver uma Apple mais onipresente. Sim, vemos muitos iPhones por aí. Mas não tanto quanto, e ainda por cima lembremos do “status” que o aparelho oferece.

  49. Achei essa comparação um tanto complicada. Me parece que são “grandezas” distintas para serem comparadas… Um computador Mac com um PC windows tudo bem, assim como entre tablets e entre smartphones.

    Minha irmã de 15 anos usa praticamente o smartphone, que segundo ela “faz tudo.” Tudo que ela precisa hoje, mas e daqui a três anos quando entrar na faculdade? Notas críticas e trabalhos acadêmicos extensos precisam de teclado e mouse (seja Windows ou Mac). Acho que computador ainda será tão popular quanto os smartphones no futuro. Talvez o fato de estes serem mais baratos permite que vendam mais. Só isso.

    Abraço.

  50. Acho descabida a comparação porque são coisas diferentes, simples. Dizer que servem pro mesmo propósito não é uma questão mercadológica razoável (um exemplo rápido: meu irmão de 14 anos usa o Xbox pra quase tudo no dia-a-dia DELE (leia-se, conversar com amigos, jogar e ver os programas dele de TV), mas, eu não sou louco de dizer que um Xbox pode ser comparado com um iPad ou iPhone. Porque? Porque são dispositivos diferentes. Foi dito alguns anos atrás que o iOS iria matar os games portáveis, mas, a Nintendo vende o seu DS/DS XL/3DS cada dia mais. Aparelhos podem realizar mais de uma tarefa, além da principal deles, mas isso não quer dizer que concorram com aqueles aparelhos dedicados.

    Achei bem estúpida a comparação de iOS x PC com Windows (+ Windows Phone).

    Sobre usar iPad* pra tudo e ele substituir o PC, duvido muito. Por melhores que sejam as tela de toque elas são muito ruins ainda para se escrever (pode ter-se a stylus que for) e um caderno nunca será substituído com um mínimo de produtividade. Ler no iPad* só é possível se for um texto curto ou um livro técnico (porque ainda é muito díficil reproduzir qualquer gravura no Kindle) afinal, depois de alguma páginas se torna cansativo ler no iPad*.


    *Usei iPad mas me refiro a qualquer tablet e/ou smartphone.

  51. Acho que o PC é imbatível para produtividade. Apesar de estar apanhando da Apple no que toca consumidores domésticos, nas empresas, escritórios, eles fazem tudo com o PC e o Office. A Microsoft ainda reina nesse ambiente.

  52. Eu tenho 23 e já não tenho mais computador! =P hahaha

    Smartphone pra tudo, Tablet pra leitura. Só recorro à algum PC quando preciso fazer slides mais elaborados. Mas isso é só questão de maturidade de software mesmo, penso que nesse ano já não vou precisar…

  53. Excelente tema.
    Veja meu caso: tenho 31 anos e resolvi este ano voltar a cursar uma faculdade. Optei por Ciências da Computação como bom geek que sou.
    Eu sou usuário de PCs desde meus 16 anos. Montei um super PC game para jogos.
    Eu tinha um super notebook de 17 polegadas a uns 2 anos atrás, troquei ele num ipad e desde lá não senti necessidade nenhuma de comprar outro (tenho PC em casa e no trabalho)
    Porém agora que vou ficar o dia todo fora de casa (aula e trabalho) comecei a cogitar a compra de um notebook novamente. Porém acabei vendo que o tablete suprirá muita coisa.
    Adoro Android. Mas analisando a qualidade dos apps do Ipad, vemos que muita coisa pode ser feita aí, muitas vezes até mais facilmente do Que num PC.
    Imaginem a situação de tomar notas numa aula. Como substituir o bom e velho papel e caneta? Essa tem sido minha grande questão.

    Cheguei a conclusão que um notebook é horrível pra essa tarefa.
    O que mais chega perto hoje deve ser um galaxy note ou um ipad com um bom app (recomendo o UPAD – U$ 5)

    Comprei um teclado wedge Microsoft, ele é Bluetooth e talvez ajude a digitar mais rapidamente no ipad, porém estou vendo que digito bem rápido com o teclado virtual do ipad. Se ele tivesse um swift key nativo em Pt-br então.
    Por último, como meu curso é específico em computação, não poderei ficar sem um notebook em várias situações. Creio que se eu estivesse em outro ramo deixaria de comprar um notebook. Biologia por exemplo.

    Minha última dúvida agora tem sido Ipad grande ou pequeno. Por mais que tenha adorado o peso e portabilidade do pequeno. A tela maior ainda é mais espaçosa pra comportar uma teclado maior e ter mais área útil pra escrever nos cadernos virtuais.

    Com um pouco mais de avanço tecnológico os PCs como conhecemos hoje (e notebooks – que não deixam de ser PCs tb) provavelmente serão coisa de nicho, assim como um tiozao gamer hardcore como eu.

    Resta saber como a Microsoft fará esta transição mercadológica. Até então eu vejo que ela vem perdendo muito espaço. Vamos ver o que este novo CEO pode fazer.

    1. Eu estou em uma situação parecida com a sua, estou cursando faculdade na área de computação também. Eu tenho um notebook, que fica quase sempre em casa mesmo (não tenho desktop). Só levo bem eventualmente para a faculdade. No dia a dia, levo para lá só meu iPad mini, que uso tanto como caderno virtual (uso outro app, o Noteshelf, e uma stylus Wacom Bamboo), como para acompanhar slides e grifar e rabiscar sobre eles, e ler livros e apostilas.

      Uma época tentei brevemente usar o notebook para anotar as aulas, mas também cheguei à conclusão de que ele é horrivel nessa tarefa. Primeiro porque na maioria das disciplinas não há só texto, é muito comum haver desenhos/esboços/diagramas complementando. Segundo porque apesar de a digitação ser muito mais rápida que a escrita cursiva, ela é mais superficial na fixação do conteúdo aprendido. Há estudos que demonstram isso, inclusive. Então abandonar totalmente a escrita cursiva não me parece um bom negócio quando estou em um lugar em que o que mais importa é justamente o aprendizado.

      O tablet não substitui totalmente o notebook, diria que substitui mais o caderno mesmo (e os livros, quando há uma versão em ebook ou PDF disponível, o que felizmente tem sido regra, não exceção :-) ). Mas nas aulas em que o notebook seria necessário, quase sempre o professor leva a turma a um laboratório, então quem não tem um notebook ou não o levou para a aula, pode usar os desktops do departamento, por isso já nem levo o meu mais. Depois da aula eu salvo os arquivos no Dropbox (ou em um pen drive se forem muito grandes) e pronto.

      Acabo usando o notebook mais para fazer os trabalhos a serem entregues, os estudos que envolvem programação ou banco de dados, e pesquisas mais aprofundadas (mas a leitura do material, depois de selecionado, eu prefiro realizar pelo iPad). Isso no âmbito da faculdade, é claro. Tenho outros usos pessoais para o notebook, mas posso dizer que para os estudos, ele pode perfeitamente ficar só em casa. Fora, o iPad atende totalmente, já que temos laboratórios.

  54. Eu só acho que essa matéria da Quartz foi totalmente sensacionalista, a começar pelo título.
    Com certeza não está errado a comparação, mas faltou deixar claro que estão comparando várias categorias de dispositivos.
    Aliás, seria interessante colocar as vendas de Android no gráfico. Junto com a frase “afinal, o sistema do Google vende mais que iPhones e iPads”, eu só posso chegar a uma conclusão: o ano do Linux já chegou e ninguém percebeu :P

  55. Sei lá, acho essas comparações complicadas.

    Muitas vezes eu tenho uma leve disposição a acreditar que o grande crescimento na venda de Macs vem principalmente de usuários de iPhone que eram donos de PC Windows e ao trocar de máquina optam por um Mac, nada mais natural e previsto.

    A era pós-PC está logo aí, não tenho dúvidas, mas ela vira para todos e a grande vantagem da Apple é exatamente ser a precursora disso tudo é oferecer um belo produto, mesmo que na minha opinião a um baixo custo-benefício.

    Considerar que a Apple vende um mais computadores é uma coisa asneira muito porca e desleal de se chamar a atenção para uma reportagem. Vejo mais como a Apple vendendo mais qualquer produto para usuários comuns/domésticos, não PC.

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