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Surface Pro 3: maior, mais fino e mais leve, agora de olho no MacBook Air

Surface Pro 3 com TypeCover e stylus.
Foto: Microsoft.

Nada de Surface Mini. No último evento da Microsoft, a empresa mostrou a nova versão do Surface Pro, ou Surface Pro 3. Desta vez o gadget mudou bastante, a ponto de alterar seu posicionamento. Agora vai?

Se do Surface Pro para o Surface Pro 2 tudo o que se viu foram atualizações incrementais, no Surface Pro 3 temos um gadget totalmente novo. A tela cresceu, de 10,6 para 12 polegadas, ele ficou mais fino e mais leve, e agora conta com ainda mais opções de configurações — além de RAM e armazenamento, dá para escolher o modelo do processador, Core i3, i5 ou i7. A pré-venda começa hoje em mercados selecionados (Brasil de fora), mas a entrega levará um tempo ainda; a versão intermediária (Core i5) chega em 20 de junho, as outras, em agosto.

Além de crescer, a tela ganhou mais resolução (2560×1440) e, mais importante, teve a proporção alterada para 3:2. Nunca entendi por que tablets Android e Windows vêm com telas 16:9; a área útil vertical fica tão limitada… Sem contar que normalmente utiliza-se esse tipo de gadget bem mais no modo retrato. Era uma escolha que não fazia lá muito sentido na prática. Pois bem, não é mais o caso, pelo menos com o Surface Pro 3.

Kickstand do Surface Pro 3.
Foto: Microsoft.

Outra crítica recorrente que parece ter sido sanada foi o Kickstand, o “pézinho” que segura o dispositivo de pé sobre uma mesa ou outra superfície. Agora, ele abre até 150º e não está limitado a posições pré-estabelecidas (uma no Surface Pro original, duas no seu sucessor). Qualquer ângulo dentro desse intervalo pode ser usado e, pelas impressões iniciais de quem esteve no evento, o mecanismo passa a confiança de que durará a vida útil do gadget sem “amolecer”.

Essas e outras mudanças, reforçadas pela apresentação em Nova York, reposicionaram o gadget. A sensação geral é de que a Microsoft desistiu de disputar espaço com o iPad e partiu em uma investida contra o MacBook Air. Como alguém disse por lá, o Surface Pro 3 não é um tablet em que você coloca um teclado, mas um notebook que permite que o teclado seja removido. Essa percepção dá uma nova dinâmica à aos números. Ele é pesado, com 800 g? Sim, mas comparando ao MacBook Air com mais de 1 kg… E esses 9,1 mm, o deixam muito grosso? Talvez, mas já viu a espessura de um Ultrabook? É o equipamento com Intel Core mais fino já criado, um feito da engenharia, mas isso não diz muito se você o encara como um tablet. E ele ainda tem ventoinha.

A TypeCover também passou por melhorias. Com o aumento físico do Surface Pro 3, ela também cresceu. O touchpad, muito criticado (e, convenhamos, inútil) nas iterações anteriores, ganhou mais atenção: está maior e mais sensível. Por fim, uma stylus continua presente no pacote e, além de ganhar variação de pressão, tem uns truques legais, como acordar o equipamento e salvar anotações do OneNote apenas apertando botões nela própria.

A Microsoft diz que o Surface Pro 3 é o tablet capaz de substituir notebooks, mas a grande questão, que não responde, é se alguém que use e confie em notebooks quer, de fato, trocá-lo por um tablet grandão. A TypeCover continua a ser vendida separadamente (US$ 129) e o preço base do Surface, de US$ 800, é da versão com Core i3. Junta, a dupla passa o valor do MacBook Air básico nos EUA (US$ 899), um aparelho consolidado e reconhecidamente bom.

Não sei se essa abordagem é melhor, e questiono, junto a outros, se é pelos híbridos que o público anseia. Essa é a premissa não só do Surface, mas do Windows 8, e uma que pouca gente tem comprado na prática. No review do ThinkPad 8 para o The Verge, David Pierce descreveu bem essa guinada nas expectativas quanto a gadgets de consumo tudo-em-um:

“(…) E o ThinkPad 8 pode ser um desktop, mas é mais um tablet. No geral, com algumas exceções notáveis, um bom [tablet].

Não acho que esse seja o futuro, porém. Não caminhamos para um mundo onde quando eu estiver saindo do escritório, desconecto meu tablet do mouse, teclado e monitor de 27 polegadas, para depois plugá-lo em um teclado-dock ou na minha TV quando chegar em casa. Em vez do hardware ser agnóstico em situações, nossas vidas estão se virando agnósticas em hardware.

Quando eu abri o ThinkPad 8 pela primeira vez, levei três minutos para deixá-lo do jeito que eu queria: fiz login, abri a Loja [do Windows], clique em ‘Selecionar tudo’ e ‘Instalar’, e o Windows cuidou do resto. Todas as minhas configurações, todos os meus dados, até mesmo minhas credenciais de serviços esperam por mim atrás de uma única senha.”

Sobram tentativas frustradas de consolidar vários gadgets em um só, do próprio Surface e todos os híbridos lançados nos últimos dois anos, passando pelo Ubuntu for Android, os lapdocks da Motorola… O mundo é “device agnostic”, nossos arquivos e configurações estão na nuvem; por que conviver com comprometimentos se podemos usar hardware específico para cada situação sempre sincronizados?

Alguns hands-on: The Verge, Engadget, AnandTech.

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6 comentários

  1. Ghedin, você disse que costuma-se utilizar os tablets em modo retrato? Isso confere?

    Todas as pessoas que possuem iPad usam mais ele em modo retrato, mas não é por causa da posição do botão home? Agora, todos que tem iPad e teclado o utilizam como? Modo paisagem. Os usuários de tablets Android de 10″ o utilizam muito obrigado mais em modo paisagem.

    Outro fato, utilizo tablets para consumo e vídeos, e um pouco de leitura a proporção 16:9 me parece muito mais usual, sem contar que migrei com muito mais tranquilidade da tela do PC para meu Nexus 10.

    1. Confere, Pedro. Como utilizo o iPad primariamente (nos últimos tempos, apenas para) leitura, é o formato que faz mais sentido: tem mais área para “correr” os olhos antes de arrastar o dedo para revelar a continuação do texto.

      Acho que perfis variam. Para o meu, telas 16:9 em tablets nunca fizeram muito sentido, com exceção de jogos e vídeos. E mesmo nesses casos, o formato 4:3 (ou 3:2, no caso do Surface Pro 3) não são exatamente excludentes, ou seja, dá para jogar e assistir coisas de boa no iPad. Já ler em 16:9 é complicado.

  2. O Surface Pro me parece uma boa alternativa para executivos e afins. Em empresas, é bem complicado fugir do ecossistema da Microsoft, muitas aplicações só funcionam bem no Windows. Um iPad pode ser meio ruim por isso.

    Dada a constante necessidade de reuniões e apresentações, um Surface parece prático para esse tipo de mobilidade: o uso constante como notebook e quebra-galho como tablet. Entretanto, esse preço é um pouco complicado.

    É um feito de engenharia e design, mas ainda acho que eles estão resolvendo um problema que não existe para maioria das pessoas.

  3. Achei bem interessante essa nova geração do Surface. Como estudante, a ideia de algo portátil, que facilite as minhas anotações em aula e me permita trabalhar ao plugar um teclado é algo extremamente atraente.

    Só queria um teclado portátil similar ao Type Cover do 1º Surface. Acho que isso aumentaria bastante o potencial produtivo do Surface.

  4. Eu ainda acho aquele “pezinho” como algo que deixa o Surface Pro 3 distante da mobilidade de um notebook. Não se trata só de poder botá-lo no colo. Meu Mac eu uso sentado na mesa, com ele no colo, deitado no sofá .. se tivesse um jeito de aumentar o ângulo da tela e “segurar” nessa posição sem precisar daquilo, acho que a idéia da Microsoft ia pegar mais fácil.

  5. Em teoria, achei o Surface Pro 3 meio grande demais para mim: uso o Eee PC 1015BX, um netbook de 10 polegadas da Asus, e já acho meio grande para carregar na mochila.

    Se eu for pegar um híbrido Windows 8, vou preferir um Iconia W4 da Acer. Isso se eu não comprar antes um iPad mini retina com Touch ID.

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