Na sexta (31) a equipe de design do Gnome lançou a versão estável da Libadwaita 1.0, nova biblioteca que implementa as diretrizes de interface humana (HIG, na sigla em inglês) para o GTK 4. Complicado? Em termos práticos, a Libadwaita define e de certa forma impõe consistência estética aos aplicativos baseados no GTK, como os do Gnome. (Aqui tem uma tentativa de explicação mais técnica, mas ainda assim acessível, em inglês).
O fim de ano foi generoso para quem faz arte digital em aplicativos de código aberto. Os projetos Krita, Darktable e Pinta lançaram atualizações grandiosas. Abaixo, uma lista delas — os links levam aos anúncios oficiais, todos bem detalhados (e em inglês):
Krita 5.0, em 23 de dezembro: Classificada como uma das “maiores e mais significativas atualizações que o Krita já teve”, traz melhorias em todas as partes do aplicativo de desenho digital. Para dar uma ideia, sistemas básicos como gradientes, paletas de cores e pincéis foram refeitos do zero e estão mais rápidos e consumindo menos memória. O Krita é um aplicativo de desenho digital, uma espécie de “Photoshop de código aberto”. Para Android/ChromeOS (beta), Linux, macOS e Windows.
Darktable 3.8, em 24 de dezembro: A segunda atualização de recursos do ano do Darktable, uma espécie de “Lightroom de código aberto”, reformulou os atalhos do teclado (e acabou com a personalização), documentação atualizada, novos módulos de processamento e outras novidades menores. Para Linux, macOS e Windows.
Pinta 2.0, em 31 de dezembro: A grande novidade é de ordem técnica, a saber, a transição da base do aplicativo para o GTK 3 e .NET 6, mas isso trouxe melhorias práticas também, como suporte a monitores de alta resolução, caixas de diálogo em formato nativo do sistema e facilidades na instalação em macOS e Windows (as dependências vêm no mesmo pacote). A mudança mais drásticas é a reforma no painel de ferramentas, que agora usa um leiaute em coluna única. Para Linux, macOS e Windows.
A System76 liberou a versão final do Pop_OS! 21.10, sua popular distribuição Linux. Dois destaques: uma nova Biblioteca de Aplicativos, que ao contrário da do Gnome Shell não ocupa a tela inteira, e uma versão especial para Raspberry Pi 4 e 400, chamada Pop_Pi. Ainda é um “tech preview”, o que significa que falhas podem ocorrer.
O Pop_OS! 21.10 vem com kernel Linux 5.15.5 e os drivers Nvidia mais recentes, Gnome 40 como base e outras melhorias, é gratuito e funciona em qualquer computador compatível — não é exclusivo para as máquinas da System76. Baixe-o no link ao lado. Via System76 (em inglês).
Se você está no Brasil e usa Linux, é bem provável que já tenha se deparado com um domínio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o c3sl.ufpr.br, ao atualizar seu sistema ou aplicativos. Trata-se do espelho do Centro de Computação Científica e Software Livre (C3SL), um grupo de pesquisa do pessoal da Informática da UFPR.
Já está disponível o novo Raspberry Pi OS baseado no Debian 11 “Bullseye”, lançado em agosto. Além das atualizações, melhorias e correções do sistema base, esta versão do Raspberry Pi OS traz mudanças importantes, como a atualização para o GTK+ 3 e a consequente mudança do gerenciador de janelas para o mutter (em dispositivos com +2 GB de RAM), um sistema de notificações globais e alertas de atualizações direto na barra de tarefas. Mais detalhes e links para instalador e imagens no link ao lado. Via Raspberry Pi (em inglês).
A versão final do Fedora 35, popular distribuição Linux, foi lançada nesta terça (2). Ela traz o Gnome 41, que tem como destaques a loja de apps reformulada, suporte a modos de energia e um novo app para conexões remotas, o Conexões; melhorias no servidor de áudio e vídeo PipeWire, no suporte a GPUs da Nvidia e outras novidades menores. Baixe a versão Workstation aqui. Via Fedora Magazine(2) (em inglês).
O Ubuntu 21.10 “Impish Indri” foi lançado nesta quinta (14) com algumas atualizações esperadas (Linux 5.13, Gnome 40) e outras menos óbvias, como a versão em Snap do Firefox e a remoção do tema “híbrido” do Yaru (o claro agora é padrão). Esta versão terá 9 meses de suporte e poderá ser atualizada para a próxima, 22.04 “Jammy Jellyfish”, que será do tipo LTS, ou seja, com suporte estendido, de no mínimo cinco anos. Via Canonical, OMG! Ubuntu! (em inglês).
A Pine64, empresa norte-americana especializada em dispositivos mais “abertos” como notebooks e celulares, anunciou que está desenvolvendo o PineNote, um tablet com tela e-ink de 10,3 polegadas, rodando Linux. Deve ser lançado no final do ano, pelo preço sugerido de US$ 399. Mais detalhes, fotos e vídeo, no link ao lado. Via Pine64 (em inglês).
No último sábado (14), o projeto Debian lançou a versão estável do Debian 11 “bullseye”.
Quem conhece o Debian sabe que o projeto trabalha com uma ideia diferente de “software atualizado”, dando preferência a versões não tão novas, mas testadas exaustivamente para serem seguras e estáveis. Não espere, por exemplo, ver o Firefox 91 ou o Gnome 40 no bullseye. (Ele vem com o Firefox 78.12 e Gnome 3.38.)
Ainda assim, há novidades interessantes como suporte ao sistema de arquivos exFAT, um novo protocolo para impressoras mais modernas, e milhares de pacotes novos, atualizados e removidos. O download é gratuito. Via Debian.
Demorou um bocado, quase três anos desde a 5.0 “Juno”, mas enfim saiu a versão final do elementary OS 6 “Odin”, uma das distribuições Linux mais amigáveis e apresentáveis disponíveis. Via elementary OS (em inglês).
A lista de novidades é longa. Alguns destaques:
Modo escuro e cores de destaque — similar ao macOS.
Todos os apps pré-instalados e distribuídos pela AppCenter agora usam o formato Flatplak. Todos os apps, até mesmo os instalados por fora (sideloaded), estão sujeitos a um sistema de permissões (“Portals”) similar àqueles de celulares.
Em notebooks, há um punhado de novos gestos para o trackpad.
Sistema de notificações reformulado.
Novo aplicativo de tarefas, Tasks, e vários padrões reformulados — Web, Mail, Calendário etc.
Novo instalado — que o Pop_OS! “estreou” antes do elementary OS.
O post que anuncia a nova versão do elementary OS traz essas e outras novidades em detalhes, junto com muitas imagens.
O elementary OS 6 “Odin” é gratuito, mas você pode escolher pagar uns trocados nele. A quem está rodando a versão anterior, 5.1 “Hera”, a má notícia é que não é possível atualizar para a nova, ou seja, é preciso fazer uma instalação limpa. Mais detalhes e download no site oficial.
Cesar Cardoso lembrou hoje, na newsletter Pinguins Móveis, o décimo aniversário do Nokia N9, “talvez o ápice do design da Nokia clássica, um nível de polimento que não se encontra em outro telefone Linux”, nas palavras dele.
Em 2012, por breves dias, eu tive um N9. O MeeGo, nome do sistema operacional que o equipava e fruto de uma parceria entre Nokia e Intel, era diferente de todos os outros, com interface baseada em gestos, uma central de comunicação que englobava apps de mensagens e redes sociais e outras boas ideias, umas esquecidas, outras incorporadas pelos sistemas sobreviventes. O N9 foi, também, a prova viva de que é possível fazer celulares de plástico (policarboneto, que seja) elegantes e de alta qualidade e o último suspiro antes dos finlandeses abraçarem a Microsoft e pularem no precipício.
Acabei devolvendo a minha unidade porque ela tinha vindo com os botões de volume meio frouxos e porque, a despeito da qualidade do sistema, a situação dos apps da plataforma já era ruim e a tendência, que se confirmou, era só piorar. Fui para o Android da Samsung, que tinhas os apps, mas em troca de uma interface feia e deselegante. Do N9, sobraram estas poucas e mal tiradas fotos.
A System76, fabricante norte-americana de computadores lindões com Linux e responsável pelo Pop!_OS, agora envia para o Brasil. Duro que é em dólar. E o frete não deve ser barato. E ainda tem os impostos. Esta talvez seja a pior hora para dar esta notícia, mas, de qualquer forma, uma boa notícia. Via @system76_com/Instagram (em inglês), @pinguinsmoveis/Telegram.
A versão final do Sublime Text 4 (macOS, Ubuntu e Windows) foi lançada. Trata-se de um editor de texto/código com foco em velocidade — e, de fato, fiquei surpreso com sua agilidade em comparação ao Atom, que costumo usar para fuçar no código do Manual do Usuário. As maiores novidades são a nova interface, suporte ao Apple M1 e Linux ARM64, uso da GPU para renderizar a interface e alguns novos recursos de manipulação de código. Via Sublime Text (em inglês).
Esta versão do Sublime Text traz uma mudança importante em seu licenciamento. Agora, a aquisição do aplicativo dá direito a uma janela de três anos de atualizações, sejam elas pequenas ou grandes (tipo um “Sublime Text 5”). Após esse período, o usuário perde direito às atualizações, mas mantém a última versão por tempo indeterminado. Segundo a empresa, esses termos permitem a ela “entregar atualizações mais frequentes e empolgantes assim que elas estiverem prontas”, dispensando-os de terem que esperar uma grande versão para entregá-las.
A licença do Sublime Text 4 custa US$ 80 (por tempo limitado; preço normal é US$ 99), mas, até onde sei, é possível usá-la gratuitamente em troca prompts periódicos para comprar a licença — como o WinRAR.
Imagem: 1Password/Divulgação.
Não é todo dia que um app popular comercial chega ao Linux. Nesta terça (18), foi a vez do gerenciador de senhas 1Password — segundo os desenvolvedores, uma versão para Linux era o pedido mais frequente dos usuários. E parece que a demora valeu a pena: é perceptível a atenção aos detalhes, da opção por criar um app nativo às integrações com ambientes e recursos do Linux. Via 1Password (em inglês).
A Canonical liberou nesta quinta (22) o Ubuntu 21.04. A nova versão da distro Linux traz poucas mudanças. As principais são a adoção do servidor gráfico Wayland como padrão e uma nova extensão do Gnome Shell que permite arrastar e soltar ícones na área de trabalho — por padrão, o Gnome não permite ícones na área de trabalho. O download é gratuito. Via OMG! Ubuntu (em inglês).