A Microsoft liberou uma atualização grande do Windows 11. (E… bem, é isso, “uma atualização”; as atualizações do Windows não têm mais nomes.)

O carro-chefe da versão é a presença do Bing Chat, a inteligência artificial baseada no ChatGPT da OpenAI, embutido na barra de tarefas do sistema. Os caras estão viciados nisso.

Há outras novidades boas, como o aplicativo Assistência Rápida redesenhado, painel de widgets ocupando a tela inteira, interface mais adaptada a tablets, gravação em vídeo da tela com o aplicativo Captura e Esboço e abas no Bloco de Notas. Veja em vídeo.

Você pode esperar o Windows Update baixar a atualização em algum momento de março, ou forçar o processo fazendo uma verificação manual por atualizações. Via Microsoft (em inglês).

A grande ideia é que além de falarmos com nossos amigos e família todos os dias, vamos falar com a inteligência artificial todos os dias.

— Evan Spiegel, cofundador e CEO da Snap.

A frase foi dita por Spiegel ao The Verge no contexto do lançamento do “My AI”, um contato baseado no ChatGPT lançado dentro do Snapchat. (Por ora, apenas para assinantes do Snapchat+.) O ChatGPT do Snapchat tem mais salvaguardas e se parece com uma pessoa, característica desaconselhada por especialistas.

Estamos vivendo o momento “coloca blockchain em tudo” das IAs gerativas, com a diferença de que, até agora, há uma empresa, a OpenAI, passando o rodo no mercado. Via The Verge, Snap (ambos em inglês).

por Shūmiàn 书面

Pequim, além de ser a capital administrativa, está sendo considerada a capital chinesa da inteligência artificial (IA), liderando com o maior número de empresas do ramo (29% do total), como conta o SCMP.

Na segunda-feira (13), o Escritório Municipal de Economia e Tecnologia da Informação de Pequim publicou um white paper para incentivar o desenvolvimento de IA para carros autônomos, cidades inteligentes e de modelos parecidos com o ChatGPT.

Zeyi Yang escreveu para o MIT Technology Review sobre a obsessão com essa tecnologia e a corrida para criar a sua própria versão, como o Baidu anunciou. Importante lembrar que o ChatGPT não tem atuação na China — e que a versão em mandarim do modelo deixa a desejar.


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Não foi só o Bard do Google que cometeu erros durante a apresentação ao público. O chatbot do Bing, que usa a inteligência artificial (IA) da OpenAI, também pisou na bola, com erros até mais grosseiros que os do rival.

Eles foram detectados por Dmitri Brereton e divulgados em sua newsletter. Há informações desatualizadas de estabelecimentos mexicanos, características incorretas de um produto e, no erro mais surpreendente, o Bing errou dados do balanço da GAP — um tipo de dado estruturado e, em tese, mais fácil de serem processados por IAs.

O receio do Google em liberar ferramentas do tipo era bem fundamentado: IAs gerativas “falam” com tanta segurança que parecem estar certo, mas não há garantia alguma de que estejam. No estágio atual, são uma curiosidade fascinante.

Fosse um humano cometendo esses mesmos erros reiteradamente, sem jamais se ocupar de revisá-los ou desculpar-se, cairia em total descrédito. Por que uma inteligência artificial, prestes a ser posta à frente de bilhões de pessoas, não passa pelo mesmo escrutínio? Via DKB Blog (em inglês).

O JWST tirou as primeiras fotos de um planeta fora do nosso sistema solar.

— Bard, a inteligência artificial gerativa do Google.

O equívoco acima do Bard, o concorrente do Google para o ChatGPT, da OpenAI, apareceu no vídeo do anúncio do Bard, assinado por Sundar Pichai, nesta segunda (6).

A primeira foto de um exoplaneta foi feita em 2004 pelo VLT do Observatório Europeu do Sul, em Cerro Paranal, no Chile. Descobri isso clicando no primeiro link de uma pesquisa no DuckDuckGo. Via @IsabelNAngelo/Twitter (em inglês).

A resposta do Google ao ChatGPT veio mais rápido do que eu esperava. Nesta segunda (6), o CEO do Google, Sundar Pichai, anunciou uma versão de testes e acesso limitado do Bard, uma espécie de ChatGPT integrado ao buscador.

É exatamente o que alguém esperaria como resposta do Google, o que é meio decepcionante. Zero criatividade, apenas uma resposta apressada a uma ameaça incipiente, mas promissora, de uma rival muito menor, mais ágil e com nada a perder.

Em certo sentido, lembra a insanidade da Meta em enfiar conteúdo de gente que não seguimos nos feeds do Facebook e do Instagram.

Há diferenças, porém. A “inspiração” da Meta, o TikTok, é um negócio real, enorme e que já gera alguns bilhões em publicidade — uma grana que, dois ou três anos atrás, iria para a Meta.

Outra grande diferença é que o Google não está exatamente “correndo atrás” da OpenAI. Desde 2016 o Google se define como uma empresa “AI first”, ou seja, que prioriza inteligência artificial, e já havia demonstrado algo similar ao ChatGPT, o LaMDA, em maio de 2021. (O LaMDA é a base do Bard.)

O Google só não tinha colocado no mercado algo como o ChatGPT por receio do “risco à reputação” decorrente dos erros factuais que IAs gerativas do tipo cometem.

Agora que a OpenAI abriu a porteira, a concorrência será feroz. Além do Google, nesta terça (7) a Microsoft anunciou a versão de testes do Bing com a próxima geração da IA da OpenAI (“mais poderosa que o chatbot ChatGPT e desenhada para buscas”) e o Quora, o Poe, um chatbot em forma de aplicativo (iOS) que usa várias IAs gerativas para tirar dúvidas do usuário.

Existe outra discussão subjacente que é o papel que o Google tem na web aberta e a ameaça que essa mudança de foco representa para nós, aqui fora. Deixo esse papo para outra hora. Via Google (em inglês).

Pelo que entendi, o ChatGPT é basicamente o que você consegue quando pede a um supercomputador que se torne realmente bom em mansplaining. Muita autoconfiança, pouca precisão.

— Eli Pariser, ativista e autor do conceito de “filtro bolha”.

O que é “mansplaining”.

Via @elipariser/Mastodon (em inglês).

Às vezes acho que a minha preocupação com as inteligências artificiais (IA) gerativas, como o ChatGPT, são exageradas.

Aí leio que os co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, voltaram aos escritórios da empresa após três anos longe do dia a dia da empresa para ajudarem na estratégia de resposta à tecnologia da OpenAI, e… talvez não seja o caso?

Se o Google está preocupado — o Google, com recursos quase ilimitados e dono do DeepMind desde 2015, talvez o vice-líder na corrida da IA —, imagine o resto de nós?

Em tempo: a coluna da Jacque e este artigo da The Atlantic (em inglês) ajudaram a ver o lado bom dessa revolução que se avizinha. Ainda acho que haverá um estrago grande, porque os dividendos de novas tecnologia, em vez de promoverem o bem-estar coletivo, só aumentam o fosso social, mas… né, um pouco de otimismo sempre cai bem. Via New York Times (em inglês).

Perderemos nossos empregos para o ChatGPT?

O ChatGPT, inteligência artificial gerativa da OpenAI, foi lançada em novembro de 2022 e deixou todos de boquiaberto: ela cria textos coerentes a partir do nada. Nossos empregos, de quem vive da escrita, estão ameaçados?

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Ser otimista ao ver o ChatGPT exige criatividade

por Jacqueline Lafloufa

Tem sido um trabalho inglório ser otimista hoje em dia. Depois de dois anos no papel de pessoa que “pensa positivo” ou “vê algo bom” como co-apresentadora do podcast Guia Prático ao lado do Rodrigo Ghedin e em trocas frequentes com o Guilherme Felitti, tenho ficado cada vez mais sem argumentos, sem defesa.

Também pudera: junto com o avanço na carreira, veio também menos deslumbramento com o cenário de tecnologia. Se no passado olhava maravilhada para algumas novidades (um computador de bolso que vai mudar nossas vidas pra melhor, celebrava na época dos áureos lançamentos de Steve Jobs), hoje as novidades vêm um pouco mais agridoces.

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Meu trabalho em risco

Alguns séculos depois, sinto hoje o que artesãos e pequenos produtores ingleses devem ter sentido quando viram chegar as primeiras máquinas e serem inauguradas as primeiras fábricas durante a Revolução Industrial.

Tecnologia recente, as inteligências artificiais (IA) gerativas representam uma ameaça a trabalhos intelectuais que, até pouco tempo atrás — coisa de cinco anos — pareciam garantidos frente à automação avassaladora do trabalho.

Não mais. IAs como o ChatGPT, as do tipo LLM (de “large language model”), são capazes de gerar textos originais coerentes a partir de “prompts” (enunciados) curtos escritos por humanos.

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Não falha nunca: por trás de toda tecnologia de inteligência artificial, existem trabalhadores mal pagos e com estresse pós-traumático em países pobres. Desta vez é o ChatGPT, a IA gerativa de conversas da OpenAI, que explorou quenianos pagando US$ 2 a hora para rotularem conteúdo em texto tóxico. Via Time (em inglês).

O Product Hunt é um fórum muito popular entre startups para lançarem produtos e serviços. Em muitas situações, ele serve de termômetro para tsunamis que ainda estão longe de arrebentar em nós.

Diariamente, o Product Hunt envia um e-mail com os serviços/produtos mais votados do dia anterior. Nos dois primeiros dias úteis do ano, chamou a minha atenção o tanto de serviços que geram conteúdo com um clique usando inteligências artificiais nesses rankings:

  • TweePT3, um gerador de posts para o Twitter. Usa o GPT-3, da OpenAI.
  • Ansy, gerador de respostas para servidores no Discord. Usa GPT-3.
  • TweetEmote, outro gerador de posts no Twitter. Não especifica qual IA usa.
  • SuperReply, gerador de respostas para e-mails. Não especifica a IA usada.
  • Rizz, teclado para iOS gerador de respostas. Não especifica a IA.
  • LinkedIn Posts Generator, autoexplicativo, gera posts a partir de outros links, como se fossem resumos. Não especifica a IA.

Por um lado, a profusão dessas soluções acelera e pode até melhorar a comunicação. Por outro, em breve corremos o risco de estarmos falando com robôs o tempo todo, e de robôs estarem falando com robôs e… bom, onde ficamos nós, humanos?

Não é preciso uma bola de cristal para prever que, em 2023, inteligências artificiais “generativas”, que criam conteúdo do nada, serão uma tendência.

Segundo os sites The Information e Bloomberg, a Microsoft estuda usar o ChatGTP, da OpenAI, para fornecer conteúdo ao Bing, seu buscador web.

A Microsoft aposta que o tom conversacional e as respostas contextuais do ChatGPT podem ser mais assertivas que listas de links e, com isso, ganhar usuários do Google, líder disparado do setor.

O ChatGPT ganhou os holofotes desde que foi lançado, em novembro de 2022, pela sua capacidade de formular textos, códigos e até poesia a partir de enunciados curtos escritos por seres humanos.

Boa parte das respostas ainda contém equívocos e vícios, porém. Em dezembro, Sam Altman, CEO da OpenAI, disse que “é um erro confiar [no ChatGPT] para qualquer coisa importante no momento”.

A Microsoft já investiu US$ 1 bilhão na OpenAI e utiliza outras tecnologias similares da empresa em seus produtos, como o gerador de imagens DALL-E 2 no Designer, seu clone do Canva.

O Google, maior buscador do mundo, vem acompanhando o desenvolvimento dessa tecnologia (a deles é chamada LaMDA), mas descarta por ora o uso em produção devido ao “risco de reputação” decorrente de “problemas factuais” e outros do modelo, de acordo com Jeff Dean, líder da divisão de IA da empresa, em uma reunião interna vazada pela CNBC. Via Bloomberg, CNBC (ambos em inglês).

O ano da implosão

por Guilherme Felitti

Dois mil e vinte e dois não foi um ano bom para aquela sensação tecno-utópica que nos tomou nas últimas duas décadas. Quem defende a certeza quase religiosa de que tecnologia só serve para o bem teve que dar piruetas argumentativas dignas de Daiane dos Santos. Por outro lado, quem encara a questão com ceticismo — eu e toda a galera envolvida no Manual do Usuário — termina o ano com uma sensação de surpresa, de não esperar algumas implosões tão rápidas e definitivas como vistas em 2022.

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