Às redes sociais, a culpa que lhes cabe

Logo após os eventos de 8 de janeiro em Brasília, a imprensa correu para noticiar que os terroristas haviam se organizado por redes sociais e aplicativos de mensagens.

Milhões de brasileiros, bilhões de pessoas usam redes sociais e aplicativos de mensagens todos os dias para se comunicar, trabalhar, cuidar das suas vidas e, também, cometer crimes.

Dito isso, estranho seria se os terroristas não tivessem se organizado no digital. Fariam como? Por cartas? Telefone? Sinais de fumaça?

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Para começar bem o ano, a Meta foi multada pela União Europeia (UE) em € 390 milhões (~R$ 2,25 bilhões) e obrigada a, em três meses, obter o consentimento dos usuários do bloco para continuar exibindo publicidade segmentada baseada em dados pessoais.

As decisões (duas, uma para o Facebook, outra para o Instagram) decorrem de reclamações feitas em 2018 pela noyb, uma organização europeia sem fins lucrativos de direitos digitais, representando a Áustria e a Bélgica. Foi justo quando o GDPR, lei de proteção de dados pessoais da UE, passou a valer.

A Meta, na ocasião, inseriu uma cláusula referente à publicidade em seus termos de uso atualizados a fim de burlar a obrigação, imposta pelo GDPR, de obter o consentimento dos usuários para usar seus dados pessoais na segmentação de publicidade.

Agora, o Conselho de Proteção de Dados da Europa (EDPB, na sigla em inglês), decidiu que a manobra foi ilegal. Por isso, além da multa, a Meta terá que obter o consentimento explícito dos usuários para continuar exibindo publicidade baseada em seus dados pessoais.

A decisão reverte uma mais branda tomada anteriormente pela Comissão de Dados Pessoais (DPC) da Irlanda, onde fica a sede europeia da Meta. As multas somavam pouco mais de € 60 milhões (~R$ 350 milhões).

E pode piorar (ou melhorar, né?): segundo a noyb, há uma terceira decisão pendente, referente ao WhatsApp, feita em nome da Alemanha. Ela deve ser divulgada na semana que vem.

A Meta disse em nota que discorda das decisões e que vai recorrer. Via noyb (em inglês).

Mark Zuckerberg nunca fez nada original e eu posso provar

Jovem, bilionário, CEO e controlador de uma multinacional dona de aplicativos e redes sociais usados por bilhões de pessoas todos os dias. Estou falando, é claro, de Mark Zuckerberg.

Quem lê esse currículo e conhece a história de Zuck talvez imagine uma versão moderna, digital, dos grandes inventores do passado. Um cérebro criativo, inovador, uma lenda viva entre nós. O Einstein desta geração, o Nicolau Copérnico do século XXI que viu antes de todo mundo que nossas vidas girariam em torno de telas conectadas.

Só que não é o caso. Lamento dizer, mas Zuck é um bom empresário e excelente copiador. E só isso. De visionário, não tem nada.

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O Facebook vai encerrar o projeto Instant Articles em abril de 2023. Depois da derrocada do AMP, projeto do Google e do Twitter para sabotar a web, o fim dos IAs joga uma pá de cal nessa tentativa de assaltar a web, um dos últimos refúgios online (relativamente) livres da big tech. Via Axios (em inglês).

Com o crescimento das suas receitas desacelerando e o TikTok fungando em seu cangote, a Meta pensou em uma solução para estancar a sangria: mostrar mais anúncios.

A empresa anunciou novos locais para a veiculação de anúncios no Instagram, na aba Explorar e no feed dos perfis. Também há novos anúncios nos Reels do Facebook, como um vídeo curto (4 a 10 segundos) após a exibição de um Reel. Via Meta, Instagram, TechCrunch (todos em inglês).

Um dia o Google anuncia o encerramento do Stadia, no outro a Meta avisa que o Bulletin, serviço de newsletters premium vinculado ao Facebook, criado em junho de 2021 para concorrer com o Substack, sairá de cena em 2023.

O Bulletin durou pouco mais de um ano. O serviço atraiu ~120 escritores e jornalistas com gordos cheques e a promessa de apoio, mas, sem surpresa, não colou.

A Meta promete que pagará os valores prometidos integralmente, mesmo dos contratos que venceriam em 2024, e que os parceiros poderão levar bases de assinantes e arquivo de conteúdo para outras plataformas.

Pelo menos em um aspecto a Meta cumpriu sua palavra: a empresa bradava, no lançamento do Bulletin, que, diferentemente de rivais como o Substack, não cobraria taxas dos parceiros “até no mínimo 2023”. Dito e feito. Via New York Times (em inglês).

Denunciar contas falsas no Facebook era “esvaziar oceano com peneira”, diz ex-funcionária

por Natália Viana

Selo de republicação da Agência Pública.Esta matéria foi produzida pela Agência Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil.

A imagem de Sophie Zhang aparece na tela do computador para uma chamada via Zoom. Jovem, de óculos de aros grossos e fones de ouvido que parecem aqueles que gamers usam para uma experiência mais imersiva, sua fala é entrecortada por uma gagueira que poderia ser atribuída à timidez ou nervosismo. Mesmo assim, essa americana de 30 anos fala de maneira resoluta. Em setembro de 2020, Zhang tornou-se, sem querer, uma denunciante, quando decidiu compartilhar um longo relatório com seus colegas do Facebook em uma rede interna, alertando para os problemas que a empresa fingia não ver.

“Eu sei que tenho sangue nas minhas mãos agora”, escreveu no memorando, cujo objetivo era encorajar os colegas a mudarem a empresa de dentro. “Encontrem outros colegas que compartilham das suas convicções e trabalhem juntos. O Facebook é muito grande para qualquer pessoa sozinha consertá-lo”, escreveu.

Sophie acabava de ser demitida por “baixa performance”, e negou um acordo de US$ 64 mil que a obrigaria a permanecer calada. A postagem foi feita no seu último dia de trabalho, e logo foi removida pelo Facebook.

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O metaverso proposto pela Meta/Facebook já nasceu morto

por Guilherme Felitti

Vamos começar o episódio com um exercício. Eu vou ler três declarações e você vai me dizer quem falou aquilo e quando. Vamos lá:

  1. “O tablet expande o poder da computação pessoal em empolgantes novas áreas. Combinar a simplicidade do papel com o poder do computador tornará as pessoas ainda mais produtivas. Ele torna o computador uma ferramenta ainda mais valiosa para executivos que gastam tempo em reuniões e longe de suas mesas.”
  2. “Eu imagino levá-lo a reuniões, mas também me deitar com ele à noite para ler meus e-mails e um livro. Quando meu marido me lembrar que um fim de semana especial está chegando, eu posso fazer as reservas [do hotel] online.”
  3. “O tablet representa a próxima grande evolução de design e funcionalidade do computador.”

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Imagem virtual de um avatar de Mark Zuckerberg com a torre Eiffel e uma igreja ao fundo, num gramado verde.
Imagem: @zuck/Facebook.

Para celebrar o lançamento na França e na Espanha do Horizon World, o ambiente de realidade virtual da Meta, Mark Zuckerberg postou uma imagem do seu avatar virtual e… que diabo é isso? O gráfico é tenebroso!

Vira e mexe alguém compara os esforços da Meta com o metaverso ao Second Life, o ~metaverso original lançado em 2003, mas talvez a comparação seja injusta — o Second Lifetinha gráficos menos zoados 20 anos atrás.

Não, sério: olhe bem dentro destes olhos verdes sem vida, este rosto sem expressão, as texturas piores que as daqueles joguinhos de boliche e tênis furreba do Nintendo Wii.

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

É aí que você quer que a gente passe 20 horas por dia, Zuckerberg? É nisso que você está queimando US$ 10 bilhões por ano???

Boa sorte aí.

Eu tô fora.

Via @zuck/Facebook.

 

Governo Federal nega acesso a peças de campanhas milionárias durante período eleitoral

por Bruno Fonseca

Selo de republicação da Agência Pública.Esta matéria foi produzida pela Agência Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do Brasil.

O Ministério das Comunicações está barrando o acesso a dados públicos e usando o período eleitoral como justificativa. Através da Lei de Acesso à Informação (LAI), a Agência Pública requisitou o acesso às peças produzidas nas campanhas “Governo Honesto, Trabalhador e Fraterno”. No início de agosto, revelamos que o governo pagou quase R$ 90 milhões neste ano para agências de publicidade realizarem as três campanhas.

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A Folha de S.Paulo contatou seis empresas responsáveis pelas maiores plataformas sociais no país: Meta (do trio Facebook, Instagram e WhatsApp), TikTok, Telegram, Twitter, Kwai e YouTube.

O jornal paulista queria saber detalhes dos preparativos para o período eleitoral. Entre outras perguntas, qual o tamanho da equipe de moderação que fala português do Brasil e investimentos feitos em pessoal na moderação e nos sistemas automatizados.

Telegram não respondeu. As demais tangenciaram e, embora tenham dado retorno, não responderam as perguntas diretamente.

Apenas o Twitter confirmou, ainda que de forma vaga, que durante as eleições dedica “mais esforços desses e de outros times, que incluem brasileiros, para monitorar as conversas”. Via Folha de S.Paulo.

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

Alguns sites e aplicativos usam parâmetros na URL para rastrear de onde seus visitantes vêm. Em geral, é tudo o que aparece depois de uma interrogação, algo assim: manualdousuario.net?utm_source=google&utm_medium=app.

Esses parâmetros não são necessários (você pode acessar o endereço sem eles), não trazem nenhuma vantagem ao usuário e podem representar uma brecha de privacidade, motivo que levou os navegadores Brave e Firefox a removê-los por padrão. (A mudança no Firefox é recente, veio na versão 102, lançada no final de junho.)

Em um movimento reativo, o Facebook alterou a estrutura dos links compartilhados dentro da rede para dificultar a remoção dos parâmetros. Agora, parte do que antes era parâmetro está embutido na URL, o que impede a remoção do rastreamento.

O GHacks, que detectou a alteração, oferece um exemplo:

https://www.facebook.com/ghacksnet/posts/pfbid0RjTS7KpBAGt9FHp5vCNmRJsnmBudyqRsPC7ovp8sh2EWFxve1Mk2HaGTKoRSuVKpl?__cft__[0]=AZXT7WeYMEs7icO80N5ynjE2WpFuQK61pIv4kMN-dnAz27-UrYqrkv52_hQlS_TuPd8dGUNLawATILFs55sMUJvH7SFRqb_WcD6CCOX_zYdsebOW0TWyJ9gT2vxBJPZiAaEaac_zQBShE-UEJfatT-JMQT5-bvmrLz7NlgwSeL6fGKH9oY9uepTio0BHyCmoY1A&__tn__=%2CO%2CP-R

Note que, antes do parâmetro, há um punhado de letras sem sentido e uma menção explícita ao domínio (ghacksnet). Ao remover o parâmetro, o link é alterado; em vez de cair em um post específico, ele leva à capa do site GHacks.

É mais um sinal da obsessão da Meta em rastrear e monitorar tudo o que for possível a fim de coletar dados e devolver anúncios segmentados aos usuários. Via GHacks (em inglês).

O Instagram deu mais um passo para deixar de ser um aplicativo de fotos, como prometeu seu diretor, Adam Mosseri.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou um novo sistema de pagamentos para pequenos negócios nos Estados Unidos a partir das mensagens diretas (DMs) do Instagram. Por lá, será possível personalizar o pedido, fazer pagamentos e acompanhar a entrega pelas DMs. O pagamento será processado pelo Meta Pay. Via @zuck/Instagram, Meta (ambos em inglês).

Após testes bem sucedidos, a Meta avisou nesta quinta (7) que dará “menos ênfase a comentários e compartilhamentos para determinar a distribuição de conteúdo político no Facebook no país [Brasil]”. Em outras palavras, menos ênfase ao engajamento motivado pela raiva. Parece uma boa, mas tenho a sensação de que isso aí é enxugar gelo. Via Meta.