Como tira print do celular? (Ou: como a língua é influenciada pela tecnologia e vice-versa)

As nascentes da tecnologia de consumo nas últimas décadas têm estado longe do Brasil. Ora nos EUA, ora no Japão, eventualmente na Europa, as obsessões de boa parte da nossa população com chips e bits e telas não vêm daqui e, por serem coisas novas e de alcance global, costumam ter nomes em inglês. E a forma como esses afetam o nosso português é fascinante.

Esse lampejo me veio semana passada, quando joguei “screenshot” e “tirar print” no Google Trends, uma ferramenta do Google que retorna a popularidade de termos consultados em seu buscador ao longo do tempo, e que permite filtrar as consultas por país. Veja como o segundo ultrapassa o primeiro, na consulta restrita ao Brasil, mais ou menos na época em que os smartphones começaram a engrenar no país: (mais…)

Como parar de mexer no celular como se você fosse um viciado

por Max Ogles

Em 6 de dezembro de 2013, uma turista taiwanesa andava pelo pier St. Kilda em Melbourne, Austrália. O pier oferece uma bela vista do oceano, então presumi que muitos turistas sacavam seus smartphones para tirarem fotos. Como esperado, essa turista estava segurando o seu também, mas ela não estava registrando memórias preciosas — ela estava olhando o feed do Facebook. Ela andava pelo pier olhando fixamente a tela do seu celular, e foi essa distração que a derrubou. BOOM! Mulher ao mar!

Infelizmente para essa pobre turista, ela não sabia nadar. A boa notícia é que ela conseguiu boiar por uns 20 minutos até que alguém chamou as autoridades e um barco apareceu para salvá-la. Os registros oficiais do evento dizem que, depois de quase meia hora na água, a mulher ainda segurava o celular quando a ajuda chegou. Embora esses mesmos registros não mencionem, eu gosto de imaginar que os salva-vidas chegaram e gritaram a ela: “Estamos aqui para te salvar” e ela respondeu “Ah, mas com certeza vou postar isso no Instagram!” (mais…)

BUILD 2015: Edge é o nome oficial do Project Spartan, o novo navegador da Microsoft

Na abertura da BUILD 2015, a conferência para seus desenvolvedores, a Microsoft deu mais detalhes sobre o vindouro Windows 10, apresentou novas formas de trazer apps à plataforma, revelou o nome comercial do novo navegador Project Spartan e estabeleceu uma meta ambiciosa: em três anos, ter um bilhão de dispositivos rodando a última versão do seu sistema.

Foi uma apresentação longa, com quase três horas de duração e que eu não acompanhei. Li o que rolou pelo Twitter e em matérias posteriores, e algumas coisas me chamaram a atenção. Para segmentar os comentários e livrá-lo de partes que não queira ler, dividi o post em três partes. As outras são sobre o desenvolvimento de apps e a meta de um bilhão de dispositivos com Windows 10 em três anos


Eu gostava do nome Spartan. Como a assistente pessoal da Microsoft se chama Cortana, outra referência à série Halo, fazia sentido acreditar que Spartan seria efetivado como nome comercial do novo navegador da empresa. Só que não foi o caso. O nome oficial dele é Edge. (mais…)

BUILD 2015: A tentativa de agradar todos os desenvolvedores o tempo todo

Na abertura da BUILD 2015, a conferência para seus desenvolvedores, a Microsoft deu mais detalhes sobre o vindouro Windows 10, apresentou novas formas de trazer apps à plataforma, revelou o nome comercial do novo navegador Project Spartan e estabeleceu uma meta ambiciosa: em três anos, ter um bilhão de dispositivos rodando a última versão do seu sistema.

Foi uma apresentação longa, com quase três horas de duração e que eu não acompanhei. Li o que rolou pelo Twitter e em matérias posteriores, e algumas coisas me chamaram a atenção. Para segmentar os comentários e livrá-lo de partes que não queira ler, dividi o post em três partes. As outras são sobre o novo navegador Edge e a meta de um bilhão de dispositivos com Windows 10 em três anos.


Loja unificada do Windows exibida em um notebook.

Os desenvolvedores, que criam os apps e experiências em cima da camada do sistema e em boa parte ditam o sucesso ou fracasso de uma plataforma, são importantes. A Microsoft sabe disso, não é o ponto, e desde sempre faz de tudo para agradar esse público, com ferramentas fáceis de programar, suporte a múltiplas linguagens de programação e ferramentas, e outros mimos dignos de nota. Só falta um importante, e que está além da alçada da empresa: gerar faturamento. (mais…)

BUILD 2015: É possível termos um bilhão de dispositivos rodando Windows 10 em três anos?

Na abertura da BUILD 2015, a conferência para seus desenvolvedores, a Microsoft deu mais detalhes sobre o vindouro Windows 10, apresentou novas formas de trazer apps à plataforma, revelou o nome comercial do novo navegador Project Spartan e estabeleceu uma meta ambiciosa: em três anos, ter um bilhão de dispositivos rodando a última versão do seu sistema.

Foi uma apresentação longa, com quase três horas de duração e que eu não acompanhei. Li o que rolou pelo Twitter e em matérias posteriores, e algumas coisas me chamaram a atenção. Para segmentar os comentários e livrá-lo de partes que não queira ler, dividi o post em três partes. As outras são sobre o desenvolvimento de apps e o novo navegador Edge.


Um bilhão de Windows 10 em três anos.

Um bilhão é um número bem ambicioso. Ao ler isso comecei a pensar nos fatores que podem levar a Microsoft ao seu objetivo. Ano passado, por exemplo, foram vendidos pouco mais de 315 milhões PCs. A base de PCs, considerando as diversas versões do Windows, ultrapassa um bilhão. (mais…)

Em 1998, a Aol usou toda a capacidade de produção de CDs do planeta

A passagem da Aol no Brasil deu bem errado (chegou em 1999, não emplacou, vendeu a base de clientes ao Terra e foi embora em 2006). Bem diferente do que aconteceu em sua terra natal, os Estados Unidos. Com uma estratégia baseada em marketing direto de CDs e pegando carona no nascimento da Internet comercial na década de 1990, a Aol foi grande por lá. (mais…)

Um tour visual pelo Windows 10 para celular

Estava com um Lumia 920 (aquele mesmo, danificado) dando sopa por aqui quando lembrei-me: “hey, tem um Windows 10 disponível para ele!” Bateria recarregada, inscrição no Windows Insider feita, fui lá instalar o Technical Preview da próxima versão do sistema móvel da Microsoft. (mais…)

O curioso blog que publica reviews de máquinas de lavar roupa

Sites de reviews de produtos não são difíceis de encontrar hoje. Do Manual do Usuário aos especializados de fora, como Cnet e Wirecutter, eles existem aos montes e prestam um serviço importante de auxílio à tomada de decisões na hora de comprar alguma coisa. A expertise de quem entende do assunto, somada ao contato com diversos produtos de uma categoria credenciam alguns desses a dar opiniões influentes.

Aqui, eu testo smartphones, tablets, relógios… gadgets em geral. Por ser uma categoria relativamente nova e, até pouco tempo atrás, um tanto complexa, a demanda por esse tipo de análise é grande. Mas há outras, de mesmo tamanho ou até maiores, negligenciadas pela mídia e mesmo por entusiastas — porque, afinal, testar e escrever sobre um produto dá trabalho. Onde estão os reviews de geladeiras? E os de… sei lá, fogões? Máquinas de lavar roupa? Quando me mudei e “montei” o apartamento, senti falta de uma publicação voltada à linha branca.

Recentemente falamos no Guia Prático, em tom de brincadeira, sobre essa lacuna no mercado editorial brasileiro. Uma lacuna, como descobrimos mais tarde, que não está exatamente vazia. Nos comentários daquele episódio do nosso podcast o leitor YagoG indicou o Roupa suja se lava na máquina, um blog de máquinas de lavar roupa. Existe um blog brasileiro de máquinas de lavar roupa. Até agora, ele estava fora do meu radar. Lógico que, ao saber dele, fui atrás de mais informações a respeito. (mais…)

Inteligência Artificial: como lidar com os erros?

por Gabriel Arruda

No primeiro texto desta série, expliquei o conceito de aprendizado de máquina que tem se tornado cada vez mais presente em nosso dia a dia. Diferente de outros tipos de software, esse tem uma característica de independência: nem sempre sabemos o que está ocorrendo e nem mesmo se ele está fazendo certo ou errado. Tal comportamento pode ter origem em muitos problemas… (mais…)

Assista ao Daily Vlog do Manual do Usuário!

Lembra quando o Youpix disse que “os [blogueiros] mais inteligentes migraram rapidamente para o vídeo”? Eu me senti meio otário quando li aquilo. Até tenho alguns vídeos no canal do Manual do Usuário no YouTube, mas é um negócio complementar. Eu ainda estou escrevendo. Sou quase um ascensorista da mídia digital, um cara antiquado que ficou no passado e hoje vê, da sarjeta da indiferença e da pindaíba, vlogueiros que falam com milhões de fãs e ganham muito dinheiro.

Quando me levantei e enxaguei o rosto depois de ficar uns dias deitado, chorando em posição fetal no canto do meu apê, decidi dar a volta por cima. É vídeo o que os ingeligentões estão fazendo? Então eu vou fazer também. E um monte. Um por dia. Um DAILY VLOG, se é que me entendem!!

Todos os dias você verá aqui (ou no YouTube) os bastidores do Manual do Usuário. Como o site é feito? O que eu faço, exatamente? Como se dão a escolha de pautas, a apuração delas, a pesquisa de apoio, a produção do conteúdo…? Enfim, não adianta eu tentar explicar. Palavras escritas não bastam. DÊ O MALDITO PLAY AÍ!

Talvez no futuro eu pare de escrever e só faça vídeos. E aí vai ter vídeo de eu fazendo o almoço, comprando miojo no mercado e indo no pilates. Acho que vai ser legal demais, mas e você, o que pensa disso tudo?

A capa deste primeiro vídeo foi feita pelo grande Arthur Chavoni. Valeu!

Quem manifesta o amor com impressões digitais?

por Joanne McNeil

Designers parecem acreditar que no futuro nos apaixonaremos por robôs e que devemos compartilhar nossas frequências cardíacas, impressões digitais e outros dados biométricos enquanto humanos ainda têm chance. Por que outro motivo eles continuam criando apps bizarros para mandar dados corporais inexplicáveis? Seguindo a tendência recente de apps para Android e iOS que encorajam casais a compartilharem suas digitais, agora os designers do Apple Watch querem que usemos as batidas do coração de quem amamos em nossos pulsos.

As tecnologias mais frustrantes e mal resolvidas empurram para cima da gente rituais e costumes em vez de permitir que os usuários brinquem por conta própria e experimentem. Em nenhum outro lugar isso é mais evidente que na escória das lojas de apps móveis, com apps como “Love Finger Scan” ou “Fingerprint LOVE.” O app Couple tem até um negócio chamado ThumbKiss™ para quem tem fetiche por cristas epidérmicas. (mais…)

Uma breve história de como ouvimos música

por Alexander Lerch

A música é onipresente em nosso cotidiano e é difícil imaginar que nem sempre foi assim. Raramente paramos para pensar em como os ouvintes usufruíam da música no passado e como a inovação tecnológica moldou nossas expectativas e hábitos de audição. No século XIX, ouvir música (tocada profissionalmente) exigia que o ouvinte visitasse um espaço dedicado, como uma igreja ou uma sala de concertos, num horário específico.

Obviamente, o caráter de evento implicava que o ouvinte não tinha influência alguma no programa e nos artistas que se apresentavam, nos horários do concerto ou seu local. Mais que isso, não havia alternativa para compartilhar a experiência de ouvir música com uma plateia, nem a opção de ouvir repetidamente a execução de uma mesma canção. Embora ainda hoje apreciemos shows, concertos, a maior parte da nossa experiência enquanto ouvintes não tem relação com apresentações ao vivo. (mais…)

Por que o Facebook está cheio de opiniões absurdas e discussões hostis?

No início da semana, voltando a Maringá após passar o carnaval na casa dos meus pais, assustei-me ao ver postos de combustíveis com filas enormes por todo o caminho. A cena se repetia aqui também, dentro da cidade. A paralisação dos caminhoneiros ameaçava acabar com o fornecimento de combustível, o que fez o povo correr para as bombas a fim de encher o tanque.

Isso está acontecendo em vários lugares no Brasil, mas no caso de Maringá é uma corrida inútil. Como alguns lembraram em redes sociais durante o dia e, em tempo, a imprensa também comentou, a cidade não corre risco iminente porque é um polo de distribuição do produto e, portanto, recebe-o por via férrea. E, até onde se sabe, caminhões não dividem espaço com trens e os ferroviários não estão em greve.

Enquanto alguns, ao saberem disso, riram de si mesmos e lamentaram o tempo perdido nas filas, outros não se abalaram e mantiveram o discurso apocalíptico de que o fim (do combustível) está próximo. Por que, mesmo com uma evidência tão clara, esse segundo grupo não mudou de opinião? (mais…)

Com um HD externo cheio velharias, eu voltei ao passado

A Internet só ganhou o mundo, ou a maior parte da população mundial, com o barateamento da conexão e a popularização do smartphone. Esses dois eventos são relativamente recentes, o que significa que muita gente não estava aqui quando as conexões eram mais lentas, redes sociais não existiam e nuvem ainda era apenas um fenômeno meteorológico. É um dos que passaram por essa fase tenebrosa? Então faço-lhe um questionamento: quais arquivos daquela época você ainda tem aí, guardados e acessíveis hoje?

Vivemos tempos estranhos em vários sentidos. A relação que temos com o digital, embora não pareça à primeira vista, é um desses. Se não acredita em mim, ouça Vint Cerf, um dos criadores da Internet. Ele recomendou a impressão das nossas fotos para não ficarmos à mercê de uma “Idade das Trevas Digital” motivada pela perda de arquivos decorrente da obsolescência de hardware e software. (mais…)

Como o jovem brasileiro vê e usa as redes sociais

Tornou-se comum ver em sites estrangeiros de tecnologia artigos condenando o Facebook ao ostracismo por causa da suposta falta de interesse dos jovens pela rede social1. A ideia é que se gente com menos de 20 anos não estiver usando seu app ou serviço, nada mais importa e o destino dele é a ruína.

Nos últimos tempos o assunto se intensificou, embora praticamente toda a Internet — incluindo os que estão chegando agora — continue, se não vivendo dentro dos muros azuis de Mark Zuckerberg, pelo menos com um perfilzinho lá. Isso me intriga um bocado, por vários fatores. (mais…)