Em 1903, dois imigrantes que chegaram aos Estados Unidos fugindo do Império Russo deram à luz a um sujeito chamado Gregory Pincus. Ninguém sabia ainda, mas Pincus seria considerado, décadas mais tarde, um gênio. Depois de se formar em biologia na Universidade de Cornell e defender com sucesso seu mestrado e doutorado na Universidade de Harvard, Pincus encontrou a grande área da biologia que o interessava: a reprodução e o papel dos hormônios nela.
No podcast Guia Prático, Jacqueline Lafloufa e Rodrigo Ghedin falam, é claro, do zine do Manual. Além de dar detalhes e abordar algumas curiosidades do lançamento, aproveitamos o gancho para debater o nosso consumo de informações à luz da dualidade físico–digital. O livro digital (e-book) não acabaria com o papel? Ainda não, e provavelmente nunca acabará.
O zine Outros jeitos de pensar a tecnologia: Textos selecionados do Manual do Usuário (2021–2022) já está em pré-venda no site da Casatrês.
Para muita gente, o buscador do Google é um portal para a internet. Não é raro encontrar gente que, em vez de escrever “manualdousuario.net” na barra de endereços do navegador, procura por “manual do usuário” no Google e clica no primeiro link.
Esse comportamento não passa despercebido por outras empresas, marqueteiros, gente que publica conteúdo na internet. Estar bem posicionado no Google em buscas por palavras-chaves ligadas ao seu negócio pode, muitas vezes, ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.
Ocorre que essa percepção entupiu a web de páginas criadas sob medida para atrair públicos mais propícios a comprar um produto ou contratar serviços. O valor da informação fica em segundo plano, frustrando as expectativas do curioso usuário do Google, que explica de modo didático como isso se dá:
Tecnologia cria hábitos e hábitos criam memórias. Um dos hábitos alimentados por tecnologia que a juventude brasileira de classe média na década de 1990 tinha era, na sexta à noite, ir até uma videolocadora. Na época, a mídia ainda era física e, consequentemente, limitada — hoje, a mídia é um apanhado de dados gravado num disco rígido (na sua máquina ou num servidor na nuvem), o que a torna ilimitada pela reprodutibilidade. Quando o videocassete se tornou barato no fim da década de 1970, explodiu o fenômeno do homevideo e os apocalípticos de ocasião juraram que o reprodutor doméstico mataria os cinemas. Na real, os cinemas ficaram bem e os estúdios encontraram uma nova forma de recuperar o investimento na produção dos filmes. Mas como comprar mídia física original era caro, surgiu um modelo do aluguel. As locadoras de vídeo dominaram a maneira como consumíamos multimídia — não apenas filmes, mas games também — na década de 1990.
Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa revelam como lidam com as difíceis e por vezes inevitáveis conversas de política em redes sociais e grupos de WhatsApp. Vale a pena confrontar notícias falsas? Melhor perder a amizade que deixar a “fake news” correr solta? Como denunciar conteúdos ilegais sem se indispor com o seu tio reaça?
Andy Baio compilou comunicados de algumas comunidades online que baniram o uso de ilustrações/imagens geradas por inteligências artificiais, como o DALL-E 2, Midjourney (que já ganhou um concurso) e Stable Diffusion.
O DeviantArt, uma das maiores do tipo, ainda não tomou partido, mas Andy diz que as reclamações de usuários humanos do enorme volume de ilustrações geradas artificialmente têm aumentado.
O Lexica dá uma boa dimensão do problema que essas IAs representam a tais comunidades: trata-se de um banco de imagens pesquisáveis que já contém 10 milhões de imagens, todas geradas em poucas semanas por alguns beta testers da Stable Difussion. O volume de produção está em outra magnitude, em uma escala não-humana. Via Waxy (em inglês).
Depois do terrorismo clínico, mais uma vez reforçado na apresentação de novos produtos nesta quarta (7), com outra leva de relatos de usuários do Apple Watch salvos por seus relógios de ataques cardíacos e de ursos, o marketing da Apple ampliou os tipos de terrorismo a que sujeita o consumidor na ânsia de vender mais telefones e relógios.
Clique para ampliar. Imagem: Jason Allen/Midjourney.
Um homem inscreveu uma pintura gerada pela inteligência artificial Midjourney em um concurso no Colorado, Estados Unidos. A “pintura” (acima) ganhou o primeiro prêmio na categoria de arte digital e, por óbvio, gerou reações acaloradas.
O homem, Jason Allen, presidente de uma empresa de jogos de tabuleiro, reagiu às reclamações de que o resultado é injusto. No servidor da Midjourney no Discord, escreveu:
Interessante ver como todas essas pessoas [reclamando] no Twitter, que são contra a arte gerada por inteligência artificial, são as primeiras a descartar o ser humano desacreditando o elemento humano [da obra]! Isso não soa hipócrita?
O “elemento humano” a que ele se refere é o comando dado à Midjourney para gerar a imagem. Um argumento difícil de sustentar. Seria o mesmo que dizer que a autoria de pinturas comissionadas a seres humanos é de quem paga e/ou faz o pedido, e não dos pintores. É o caso? Nunca foi, até agora.
Recentemente, o colunista Charlie Warzel usou a Midjourney para gerar ilustrações de Alex Jones em uma newsletter publicada na The Atlantic. A reação negativa foi similar. Como pode, dizem os críticos, uma das maiores revistas dos Estados Unidos preterir ilustradores humanos por um software?
Em vários blogs técnicos, que povoam locais como o Hacker News, é notável a emergência de ilustrações criadas por essas inteligências artificiais. Neste exemplo, a pessoa se gaba de ter substituído +100 imagens em seu blog com a ajuda da DALL-E 2 por US$ 45. Parabéns?
E nem entramos nos dilemas éticos mais profundos, como os relacionados a direitos autorais e limitações artificiais para impedir a criação de imagens violentas ou obscenas. A DALL-E 2 tem várias amarras contra usos questionáveis. A Stable Difusion, lançada dia desses, não tem nenhuma. Via Vice, Simon Willison’s Weblog (ambos em inglês).
Uma fã perguntou a Neil Gaiman se espaçar os epidósios de Sandman, a nova série da Netflix baseada no quadrinho homônimo do autor, ajudaria a “torná-la mais popular”.
Gaiman respondeu que, pelo contrário, “maratonar” (assistir a todos os episódios de uma vez) é melhor “porque eles [a Netflix] estão olhando para a ‘taxa de conclusão’, então pessoas assistindo em seu próprio ritmo não aparecem”. Via @neilhimself/Twitter (em inglês).
O ano era 1967 e Caetano Veloso, em “Alegria, alegria”, perguntava: quem lê tanta notícia? Eu, quase meio século depois, com frequência me pego fazendo o mesmo questionamento. Quem lê tanta notícia? Quem consome tanto conteúdo?
O CGI.br divulgou, na terça-feira (16), a edição 2021 da TIC Kids Online Brasil, que faz um raio-x do modo como crianças e adolescentes brasileiros (9 a 17 anos) usam a internet.
78% das crianças e adolescentes conectados têm perfil em pelo menos uma rede social.
Pela primeira vez o TikTok foi considerado na consulta — e 58% dos entrevistados disseram estar na rede da ByteDance.
O Instagram ainda lidera, mas a diferença é pequena: é usado por 62% dos entrevistados. Em 2018, o Instagram era usado por 45%.
Facebook está em queda livre: a posse de perfis caiu de 66% para 51%, e a relevância entre aqueles que estão na rede da Meta junto aos menores de idade despencou de 41% para 11%.
Por outro lado, o WhatsApp reina: 80% dos entrevistados conectados usam o aplicativo de mensagens da Meta, que lidera o ranking em todos os estratos sociais.
A pesquisa ouviu 2.651 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, assim como seus pais ou responsáveis, entre outubro de 2021 e março de 2022.
Há outros recortes e consultas interessantes, como atividades online, distribuição por faixa de renda e região. Todos os dados, em diversos formatos, podem ser acessados nesta página. Via Cetic.br.
Nesta semana, o Manual do Usuário tem o patrocínio da Insider, a marca de roupas básicas – e essenciais – com tecnologia têxtil. Use o cupom MANUALDOUSUARIO12 e ganhe 12% de desconto em todo o site. Aproveite!
Rodrigo Ghedin e Jacque aprenderam na época escolar a mexer em um computador e alguns conceitos básicos, como o que é um arquivo e uma pasta/diretório. Isso foi há muito algum tempo. E hoje, como as crianças e adolescentes em formação lidam com a tecnologia. Trouxemos a Maria Catarina Bozio, coordenadora pedagógica de um colégio particular, para nos ajudar a entender como a nova geração lida com computadores, celulares e tudo mais.
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Nas última semana, o Manual ganhou dois novos apoiadores: Matheus Bonela, João Del Valle, Daniel Camboim e Lucas Pereira. Obrigado!
O engajamento no Instagram chegou a uma nova fase, em que os seguidores atuam ativamente para ajudar influenciadores a “hackear” o algoritmo da plataforma e ganham prêmios em troca do trabalho voluntário.
A justificativa dos influenciadores que aderiram à prática é que o algoritmo do Instagram joga contra eles. Assim, instigar a base de seguidores para interagir com as publicações é uma forma de burlá-lo, ou “hackear o algoritmo”.
Os influenciadores posicionam tais campanhas para angariar ajudantes como uma troca — o prêmio dado ao seguidor mais engajado seria uma retribuição pela “atenção, apoio e gentileza”.
A escolha do agraciado não é aleatória, em sorteio. É alguém que o influenciador escolhe, tendo por critério o engajamento.
A constatação é da Issaaf Karhawi, doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em artigo publicado no blog do DigiLabour, o laboratório da Unisinos que estuda as conexões entre mundo do trabalho e tecnologias digitais.
O artigo da Issaaf, que explica em detalhes o fenômeno, pode ser lido no link ao lado. Via DigiLabour.
A Amazon apresentou um novo recurso da Alexa, sua assistente de inteligência artificial, que imita vozes de outras pessoas. O objetivo é reavivar vozes de parentes falecidos.
A tecnologia não é nova, foi usada para “ressuscitar” Anthony Bourdain e José Antunes Coimbra, pai do Zico, em documentários e filmes, e para dar voz novamente a Val Kilmer na ponta que ele faz em Top Gun: Maverick.
A diferença é a escala. A Amazon diz que só precisa de um minuto de áudio para recriar a voz de alguém.
Fora a controvérsia natural de algo assim, outros usos podem ser igualmente problemáticos. E se alguém quiser ouvir uma história de ninar com a voz do Galvão Bueno, sem a autorização do próprio Galvão? Pode isso, Arnaldo?
Não há data, nem certeza, para esse recurso ser lançado. Via Reuters, AWS Events/YouTube (ambos em inglês).
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou, nesta terça (21), a edição 2021 da pesquisa TIC Domicílios, um raio-x de como o brasileiro usa a internet.
O destaque desta edição é o salto no acesso à internet em áreas rurais. Em 2019, 53% dos indivíduos nesses locais tinham acesso à internet; em 2021, o percentual saltou para 73%. O mesmo crescimento — de 20 pontos percentuais entre 2019 e 2021 – foi detectado na presença de internet nos domicílios rurais, subindo de 51% para 71%.
Ao todo, 81% da população brasileira (~148 milhões de pessoas) acessou a internet nos últimos três meses.
A edição 2021 incluiu 23.950 domicílios e 21.011 indivíduos de 10 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre outubro de 2021 e março de 2022.
Veja aqui uma apresentação (PDF) com gráficos dos destaques da pequisa. E nesta página, acesso a microdados e outros materiais de apoio a pesquisadores, imprensa e curiosos em geral. Via NIC.br.