Por que Mark Zuckerberg, Tim Cook, Bill Gates e Satya Nadella jogaram baldes de gelo nas próprias cabeças?

Se você ainda não viu, não deve demorar muito para surgir o vídeo de alguém, famoso ou não, derrubando um balde de água gelada na própria cabeça. Essas pessoas enlouqueceram?

Na verdade, não. A brincadeira se chama “Desafio do Balde de Gelo” e é uma iniciativa da ALS Association, dos EUA, ONG que luta em todas as frentes contra a esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal — saiba mais. Ao ser desafiado, você grava um vídeo jogando gelo na cabeça e desafia três amigos a repetir o feito; quem se negar ou não conseguir, precisa fazer uma doação à ALS Association. É parecido com aquele desafio bávaro que viralizou aqui no último carnaval, mas com um fim (bem) mais nobre. (mais…)

Smartphones enormes são a nova preferência nacional?

Eu não conhecia a Jana e mesmo depois de ver o seu site fiquei sem entendê-la direito. O que absorvi dali é que se trata de uma empresa de publicidade especializada no mercado mobile de mercados emergentes.

Brasileiro gosta de smartphone grandão.
Gráfico: Jana.

Enfim. A Jana divulgou uma pesquisa que apontou que nos países emergentes o povo quer saber de smartphone grande, com no mínimo 5 polegadas. No Brasil, esse público é de 61%, sendo que 26% prefere coisas enormes com mais de 5,5 polegadas. (Gráfico ao lado -> )

A pesquisa é questionável. A amostragem é baixíssima (1386 pessoas consultadas em nove países) e o fato da Jana ter como produto a veiculação de vídeos curtos pode ter influenciado de alguma maneira o resultado — além do tamanho preferido, a pesquisa também averiguou qual a porcentagem de usuários que consomem vídeos em smartphones.

De qualquer forma, se ainda não é uma preferência nacional, o interesse por samrtphones grandalhões já é palpável pelos reviews mais populares aqui (oi, Xperia C!) e pelo que leio e ouço por aí.

A explicação óbvia e única que me ocorre é a superutilização do smartphone por um público que prioriza convergência por preferi-la, mas também por necessidade — sai mais barato pegar um phablet mid-range do que um smartphone mais um tablet. E como quem determina market share e, para muitas fabricantes, aquele lucro suado no fim do trimestre são os segmentos de entrada e intermediários, a inundação de smartphones gigantes com configurações medianas atende a uma demanda aparentemente real.

Tenho curiosidade em saber o que a galera que cai de cabeça num smartphone grande acha da experiência. A minha é sempre um tanto frustrante, especialmente com os modelos enormes de 6 polegadas — passaram vários desses aqui recentemente e me senti muito incomodado com todos eles. Pode ser só uma fase, mas pode ser também que um novo padrão esteja se estabelecendo. Só espero que, nessa, os iPhone, Moto X e Galaxy Alpha não sumam a médio ou longo prazo…

Robôs (tuitando) entre nós

Zachary M. Seward, na Quartz:

Quando o Twitter se preparava para seu IPO ano passado, 7% dos seus usuários ativos usavam a API [leia-se não acessavam o serviço pelos clientes oficiais]. A empresa também disse (p. 49) que esperava que essa porcentagem “diminuísse com o tempo, especialmente na medida em que o uso dos nossos aplicativos móveis crescesse.”

Na verdade, a porção dos usuários ativos por mês do Twitter que usa a API dobrou, para 14%. Aquele segmento de usuários cresce muito mais rapidamente do que os usuários ativos por mês que não usam a API do Twiter. Eles representam hoje 37,9 milhões de contas ativas, 148% a mais do que no ano passado.

Quarta o Twitter revelou o balanço financeiro do trimestre e, ante o aumento de 6,3% na base de usuários (271 milhões), suas ações dispararam. O humor dos investidores parece estar atrelado a esse critério, embora seja um bem ruim dadas as peculiaridades do serviço — problema bem explicado no texto acima.

Mais curioso, porém, é como a presença de bots em ambientes considerados humanos na Internet vem aumentando. Se no Twitter os bots formam uma parcela considerável, na web eles já são maioria. Em dezembro do ano passado, pela primeira vez na história a quantidade de bots/scripts navegando em sites superou a de seres humanos. A Incapsula, uma empresa especializada em rastrear bots, aferiu que 61,5% do tráfego na web era realizado por máquinas.

O experimento psicológico em larga escala do Facebook

William Hughes, no The A.V. Club:

Pesquisadores do Facebook publicaram um paper em que dizem terem manipulado o conteúdo visto por mais de 600 mil usuários em uma tentativa de determinar se isso poderia afetar seus estados emocionais. O paper, “Evidências experimentais de contágio emocional em larga escala através de redes sociais”, foi publicado no The Proceedings Of The National Academy Of Sciences. Ele mostra como os pesquisadores de dados do Facebook modificaram o algoritmo para determinar quais posts apareceriam nos no feed de notícias dos usuários — especificamente, os cientistas alteraram o número de termos positivos ou negativos vistos por usuários escolhidos anonimamente. O Facebook então analisou as publicações futuras desses usuários pelo período de uma semana para ver se elas respondiam com um aumento positivo ou negativo por conta própria, respondendo a questão de se os estados emocionais podem ser transmitidos por uma rede social. Resultado: eles podem! O que é uma boa notícia para os pesquisadores de dados do Facebook ansiosos por provar um ponto sobre psicologia moderna. [A notícia] é menos boa para as pessoas, que tiveram suas emoções manipuladas secretamente.

Dizer que o Facebook está sendo creepy é lugar comum, mas acho que eles conseguiram se superar. Isso é apavorante.

Há quem argumente que daria para fazer a mesma análise com uma abordagem de somente leitura, sem interferir no comportamento do feed e, em última instância, nas emoções das pessoas. Seria uma saída melhor, de fato. Mas da forma como foi conduzido, o estudo levanta questões maiores do que o ponto que procura validar: ele prova que o Facebook tem muito poder nas mãos, o poder de fazer que com a gente se sinta melhor ou pior.

Quão maluco é isso? Se o Facebook pode nos fazer mais felizes, por que não o faz? E se fizesse, isso seria de certa forma (de alguma forma) antiético?

Mais um (bom) motivo para diminuir o tempo gasto no feed de notícias — a receita, você já sabe.

Via Marco.org

Os sete pecados capitais na era digital: ainda há salvação

Numa dessas coincidências da vida, dia desses assisti a Seven, filme de David Fincher, e na manhã seguinte, ao sentar-me em frente ao computador, caí neste especial sobre os sete pecados capitais digitais do Guardian.

Lançado em 1995, Seven acontece em um tempo quase remoto, quando smartphone não existia, a ideia de não sermos contatados era concebível e as palavras “não sei” não eram sempre precedidas de uma consulta ao Google. Filmes como esse, se passados hoje, precisariam ser totalmente repensados. Vários conflitos imprescindíveis ao desenvolvimento da trama seriam evitáveis com SMS, buscadores (quem vai a bibliotecas?), redes sociais, big data.

Não sei se você faz isso, mas sempre que vejo filmes situados em épocas passadas fico imaginando duas possibilidades: 1) como eles seriam se seus enredos fossem contemporâneos, e 2) como eu me sentiria se vivesse naquele período. No caso, 1995 nem está tão longe no tempo. Tenho algumas lembranças vagas dos meus 9 anos, terceira série na escola, um ano meio apagado — não teve o Tetra de 1994, nem as grandes amizades escolares, os momentos divertidos da quarta série, e o PlayStation que ganhei em 1996.

Criança jogando Minecraft em um Galaxy Nexus.
Foto: rom/Flickr.

Hoje, alunos processam professores que lhes tomam o smartphone durante a aula. E piora: o aluno, amparado pela mãe, recorre à justiça, alegando “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”. Longe de mim ser o cara nostálgico, o chato do “no meu tempo…” É que essa notícia, além do espanto que a situação por si só causa, coloca no seu devido lugar, ou seja, no centro um objeto que de inexistente passou a ter um valor enorme na sociedade.

O smartphone, não me entenda mal, é um aparelho fascinante. Sempre que paro para pensar nele acabo chegando ao fato de que em sete anos esse aparelho mudou nosso comportamento — inclusive em centros menores, como aqui no interior do Paraná. Até onde isso vai? Os limites, como ilustra o caso do aluno que processa o professor por ter o celular confiscado durante a aula, ainda não são muito claros.

Os pecados capitais digitais da linda matéria do Guardian apontam para um cenário ainda mais preocupante. Quando a diversão passa a obsessão? Em que ponto o que apenas distraía vira prioridade? Qual a medida saudável para o uso de redes sociais?

Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, orgulho. As adaptações digitais conseguem abranger muitos comportamentos que, sob olhares críticos, são no mínimo questionáveis. Aos nossos, às vezes passam imperceptíveis. E não adianta se esquivar: pode parecer maluquice ficar 10 horas por dia jogando League of Legends, mas a esse cara, talvez, tirar selfies o dia todo para postar no Instagram cause a mesma estranheza — e, certamente, alguns abalos sociais. Se não isso, que tal ficar xingando no Twitter e em portais de notícias? Ou então sentir a inveja que você sentirá das fotos e declarações dos casais de namorados e seus relacionamentos pretensamente perfeitos daqui a alguns dias?

A ciência já estuda algumas dessas implicações. Sabe-se, por exemplo, que o excesso de fotos prejudica a memória. A ratificação dos pesquisadores vai de encontro ao que alguns sentem, ainda que nem sempre manifestem, na prática. É humanamente impossível tirar 300 fotos de uma tarde no parque sem que alguns bons momentos sejam presenciados pelo viewfinder, mediados por uma tela.

Se tivermos a dimensão dos estragos que o excesso no uso do smartphone está nos causando via estudos científicos, nos reeducaremos?

Dois caras fumando.
Foto: olsch/Flickr.

Talvez chegaremos a um ponto em que isso passará a ser encarado como problema grave e, sob essa ótica, passível de tratamento. Uma doença? Ou um comportamento socialmente reprovável, como o tabagismo virou nas últimas duas décadas? O paralelo com o fumo, aliás, parece adequado. Quando vejo grupos à espera de alguma coisa ou alguém, todos com celulares na mão, absortos, olhando fixamente e passando os dedos nas telinhas, é como se presenciasse uma versão digital-moderna do cigarro que tira a ansiedade e relaxa. Aparentemente, um menos degradante ao organismo. Será? Até que ponto?

A plaquinha do bar que diz que não tem Wi-Fi e pede às pessoas que conversem é uma bobagem. Uma que expõe, de modo meio torto, sem querer, o verdadeiro problema: não deveríamos ser orientados a fazer o que ela diz, mas sim termos essa atitude naturalmente. Quando precisamos de placas e lembretes para sermos humanos, para demonstrarmos o mínimo de empatia a quem escolhemos estar junto em um ambiente social como um café, é sinal de que alguma coisa deu errado e precisa ser revista.

O tempo é curto

por Rodolfo Viana

Publicado originalmente na Revista Benedito #3.

O conto não é muito apreciado pelo mercado editorial. Há um estranho eco entre editores: “Conto não vende”. Entretanto, esta forma literária comumente desprezada vive um momento áureo. Evidências disso não faltam: em 2013, Lydia Davis, escritora norte-americana mais conhecida por seus textos curtos, venceu o tradicional Man Booker International Prize; em 2014, a contista canadense Alice Munro levou o Prêmio Nobel de Literatura. A popularidade se mostra também em número: a venda de contos no Reino Unido cresceu 35% em 2013, de acordo com a revista The Bookseller, publicação especializada no mercado literário da região. O Telegraph percebeu este cenário e publicou um artigo enfático: devido à brevidade da narrativa, o conto é perfeito para os leitores impacientes deste século.

Na mesma semana em que o artigo foi publicado, o Spritz voltou a ser pauta de alguns veículos. Trata-se um aplicativo que promete fazer uma revolução na forma de ler: ao contrário da forma “convencional” de leitura, em que olho percorre o texto, o Spritz permite que o globo ocular fique parado, enquanto até 700 palavras por minuto passam diante dele. A imprensa voltou a dar atenção ao aplicativo depois que a Samsung anunciou que ele viria pré-carregado no novo Galaxy S5: a Popular Mechanics entrevistou um especialista em cognição visual para saber o que era verdade e o que era balela; a FastCompany se sustentou em pesquisa acadêmica para demonstrar os riscos de leitores dinâmicos; Marcelo Coelho, na Folha de S.Paulo, se mostrou cético quanto à eficácia do aplicativo.

As duas notícias — sobre o momento do conto na literatura e sobre o Spritz — não se relacionam diretamente, mas ambas expõem o fato de que não temos paciência para a leitura.

Parte do problema é que, hoje, somos tão seduzidos pela distração que não conseguimos mais dissociá-la de uma atividade que demande concentração. Pois ler não é passar os olhos sobre palavras, mas sim o exercício de criar ligações cognitivas baseando-se nos signos. As palavras em si nada significam: elas ganham alma apenas quando nós conseguimos, a partir delas, criar mundos na mente.

Sobretudo na literatura.

É louvável o fato de, hoje, termos o conto devidamente apreciado — eu mesmo comecei a ler e escrever histórias por meio do conto —, mas qual o real valor disso, se apenas pela sua brevidade é que o consumimos? Significa que estamos perdendo o fôlego para apreciar romances extensos?

Talvez. Will Self, ao decretar a morte do romance no Guardian, justifica o óbito: “A marca da nossa cultura contemporânea é uma resistência ativa à dificuldade em todas as suas manifestações estéticas”, afirma. Ele tem razão quanto à “resistência ativa à dificuldade”, e um exemplo claro disso é o recente empenho conjunto (pois à escritora Patrícia Secco somou-se o governo, que permitiu o financiamento) de se simplificar clássicos da nossa literatura. Estava muito difícil ler Machado de Assis.

Tenho ressalvas quanto à morte do romance — é debate que se arrasta desde Júlio Verne, que instigou teorias literárias e que parece não ter fim —, pois acredito que ele há de sobreviver à crise da falta de atenção (ainda que, para isso, tenha de se ligar mais ao marketing que à arte, o que seria horrível).

O problema, contudo, não é a sobrevivência ou a extinção do romance, e sim a nossa atenção. A atenção desta geração que parece abraçar forte o déficit de atenção e a hiperatividade. Hoje, se você se dedicar a uma tarefa de cada vez, você é um estranho.

Sabemos que ler toma tempo. E tempo é algo que não temos. E não temos porque desperdiçamos mais e mais segundos com meras distrações. O ser humano é basicamente um ser de desperdícios. Temos interesse no acúmulo e queremos mais de tudo; mas, no final das contas, somos apenas um e não temos como consumir tudo. Queremos tudo porque somos finitos. As coisas não acabam; nós, sim. Mas esta é uma divagação para um possível romance — que você provavelmente não vai ler.


Nota do editor: O texto acima foi escrito pelo jornalista Rodolfo Viana em sua nova newsletter literária, a Revista Benedito. Toda segunda ele manda um e-mail com reflexões sobre livros e o mercado editorial. Este abaixo, da terceira edição, casa com algumas questões já levantadas no Manual e por isso achei válido republicá-lo aqui. Ao Rodolfo, reitero os parabéns pela iniciativa; a você, leitor, deixo o convite para assinar a Benedito — é de graça e é muito boa.

Matei o Feed de notícias do Facebook

por Fabio Bracht

Nota do editor: há cerca de duas semanas notei um comportamento padrão: sempre que abria o Facebook para fazer alguma coisa pontual, como publicar um link na página do Manual do Usuário, perdia um tempão dando uma olhada no Feed de notícias. Resolvi, então, experimentar a extensão Kill News Feed, que elimina essa parte da rede social sem comprometer as demais. Estava planejando um texto sobre o assunto quando fui surpreendido por este, escrito pelo Fabio Bracht no Medium, que praticamente bate em tudo o que pretendia falar, das motivações aos resultados alcançados na prática.


Fiz um negócio esquisito: instalei uma extensão do Chrome para desativar o Feed de notícias do Facebook.

(mais…)

Secret: no Brasil, ele terá desabafos comoventes ou fofocas maldosas?

O Secret, um dos apps mais comentados dos EUA, finalmente liberou as amarras e expandiu-se para o mundo todo. Não só: no mesmo dia, também ganhou uma versão para Android. Desde que foi lançado ele já funcionou como gatilho de polêmicas, furos e barrigadas, sem falar na fofoca pura e deslavada que não acrescenta nada a ninguém, salvo humilhação e danos psicológicos. Essa história se repetirá no Brasil?

Mais um de uma lista crescente de apps anônimos, o Secret é como o Twitter, só que sem assinatura nos posts. Basta abri-lo, escrever uma mensagem, selecionar um fundo (opcional) e publicar. Seus amigos do Facebook saberão que alguém do círculo mandou a mensagem, mas não quem. Se repercute bastante, ela quebra a barreira dos amigos e chega a estranhos, apenas identificada pela cidade, estado ou país onde foi publicada.

Screenshot de um segredo no Secret.
Apenas mais um segredo compartilhado no Secret.

A mesma lógica é seguida por outros, como o WUT. Outra linha desses apps vai além: não pede informação alguma e se baseia em um cadastro, ou nem isso, para liberar o acesso, usando a localização dos usuários para destacar mensagens, casos do Whisper, Yik Yak e FireChat. Em comum, o estímulo à divulgação de fatos e opiniões que, não fosse o anonimato, jamais se tornariam públicos.

Alexis Ohanian, uma das investidoras do Secret, defende o lado terapêutico da experiência: “apps como o Secret viram saídas para as pessoas falarem honestamente sobre coisas que, de outra forma, resultariam em danos à carreira”. Esse uso é de fato recorrente lá — neste momento, por exemplo, a última atualização diz “Eu quero fugir e entrar no circo, mas aos 30, temo estar velho. Ainda tenho muito a aprender”. Só que entre desabafos sinceros, alguns comoventes, nada garante que não aparecerão fofocas perigosas ou maldosas.

A saída de Vic Gundotra do Google, muito antes de ser anunciada pelo próprio, vazou no Secret. Antes disso, uma brincadeira tola virou uma bola de neve: alguém entediado publicou que a Apple estaria desenvolvendo uma versão biométrica do EarPods, seus fones de ouvido. Parte da imprensa comprou o rumor e ele se alastrou rapidamente.

Esse burburinho no Vale do Silício gera consequências, mas é em círculos reduzidos, em pequenas comunidades ao redor do mundo, que os app anônimos têm o potencial de causar mais estragos, com marcas mais profundas e mais duradouras em pessoas comuns, como eu e você.

Screenshots de apps anônimos.
Da esquerda para a direita: WUT, Whisper e FireChat.

Will Haskell relatou na The Cut a devastação que o Yik Yak, outro app de mensagens anônimas locais, causou em sua escola: “Quando você assiste a um filme bobo sobre adolescentes no ensino médio, faz uma careta para a clássica cena em que os corredores estão cheios de estudantes, todos sussurrando as mesmas fofocas. Foi exatamente o que aconteceu na tarde de quinta na [escola] Staples.” Meninas e meninos chorando pelos corredores, chamando por suas mães, mudando de escola foram vistos naquela quinta. Nem o diretor, que já havia lidado com outros casos (sexting via Snapchat e bullying no Facebook), conseguiu conter a situação.

O anonimato enche as pessoas de coragem e, em certa medida, libera os grilhões do comedimento. A sensação de impunidade tem esse efeito colateral, e… bem, na real? O que temos testemunhado é que nem é preciso esconder o nome para que as pessoas revelem suas facetas sombrias. Basta ver as atrocidades que muita gente publica no Facebook. Se nem a cara, o nome completo, o local de trabalho e os amigos do cidadão assistindo ao espetáculo são capazes de frear comportamentos absolutamente reprováveis, o que esperar de apps como o Secret?

Se ele pegar por aqui, em breve descobriremos. Não é o primeiro do gênero; WUT e Whisper estão disponíveis faz tempo, mas até onde se sabe não ganharam tração. O Secret, pela fama que fez rapidamente nos EUA e sua dinâmica, parece ter algo diferente, único. Nessa primeira noite disponível por aqui, já foi possível perceber uma movimentação local.

Imagine o estrago quando uma fofoca polêmica estourar lá dentro, talvez uma relacionada à política, e envolverem a justiça no rolo, artigo 5º da Constituição, essa coisa toda.

Marco Civil, prepare-se: você está prestes a mostrar a que veio.

Foto do topo: Tambako The Jaguar/Flickr.

O Google quer transformar a URL em um botão — e isso não é ruim

Uma das bases da web é a URL, ou URI, aquele endereço precedido por um http://www. que identifica páginas e permite a mágica do hiperlink. Nesses 25 anos já declararam a morte da web, vimos alguns navegadores dominarem as estatísticas de uso ao redor do mundo e a interface deles mudar radicalmente, da prosaica do Mosaic à minimalista do Chrome, hoje ditadora de regras. Ainda em estágio de experimentação, a provável próxima mexida do Google na forma como navegamos tem inflamado alguns ânimos mais puristas: querem simplificar a URL.

A proposta surgiu no canal Canary do Chrome, uma versão anterior à Alpha, geralmente cheia de bugs e desaconselhada a qualquer um que não tenha interesse em caçar problemas e relatá-los ao Google. Nela, é possível ocultar a URL. Como? Digite chrome://flags/#origin-chip-in-omnibox na barra de endereços e habilite a opção “Ativar o chip de origem na omnibox”.

“Ocultar” talvez seja um termo errado; o que essa opção faz é transformar o domínio em um botão e sumir com o que vem depois do TLD.

O caminho até o fim da URL

Screenshot do Safari Mobile com um post do Manual do Usuário aberto.
Safari no iOS 7.

Entre o público técnico a novidade caiu como uma bomba. Um dos desenvolvedores do Google que trabalham nela, Paul Irish, escreveu em um tópico do Hacker News que é contra a mudança. “Minha opinião pessoal é de que essa é uma mudança muito ruim e que vai contra os ideais do Chrome”. Em blogs, fóruns e no Twitter, vimos reações similares.

Acabar com a URL é, de certa forma, acabar com a web. Seria loucura até mesmo propor algo assim, por isso é importante esclarecer que o novo comportamento experimental do Chrome não visa exatamente exterminar os endereços dos sites, mas sim ocultar o que sobra para além do domínio. Esse continua sendo exibido e, com um clique, revela a URL completa — vide a montagem que abre este post.

De certa forma, é mais uma etapa do processo de humanização da URL, processo esse que já vem ocorrendo há alguns anos. Primeiro, os principais navegadores ocultaram o protocolo: você não vê mais http://, salvo quando é uma página criptografada. Depois, o Opera passou a remover parâmetros; em vez de exibir manualdousuario.net/?s=celular em uma busca aqui, por exemplo, ele só vai até a barra. Entre idas e vindas, esse comportamento voltou agora como padrão no recém-lançado Opera 21. No iOS 7, o Safari Mobile passou a exibir apenas o domínio no campo de endereços após carregar a página. O próximo passo, pois, é levar esse comportamento para os desktops, eliminando parâmetros e reforçando o que importa ao usuário: o domínio.

Como meros mortais (não) lidam com a URL

Imagem clássica de menino surfando na Internet.
Imagem: DA INTERWEBZ.

Você deve ter entendido bem o início deste post, mas mostre-o a alguém menos ligado a tecnologia, que não acompanha o Manual do Usuário ou outro site do gênero. Pergunte se termos como URL, TLD, domínio e aquele endereço esquisito significam alguma coisa. É bem provável que não.

Desde que Chrome e Firefox mudaram as barras de endereço para que elas atuassem também como campo de busca, um comportamento que antes era motivo de risadas se estabeleceu: as pessoas usam o Google como intermediário para os sites que visitam regularmente.

Parece insanidade escrever “facebook” e clicar no primeiro resultado do Google. Racionalmente é difícil justificar, mas muita gente faz isso na prática. Quando não, digitam “face” e o autocompletar do navegador preenche o resto. É meio que consenso que pulamos de página em página e que cada uma tem um endereço único, mas mesmo quando são semânticos, como os do Manual do Usuário, é raro prestar atenção ao que elas dizem. Botões sociais e navegadores móveis diminuíram a necessidade de copiar e colar a URL na hora de compartilhá-la com os outros. De qualquer forma, para desenvolvedores, gente que produz conteúdo, todos aqueles a quem o acesso à URL é imprescindível, ela continua lá.

A proposta do Google meio que adapta a realidade ao navegador. Ela não altera o funcionamento da barra de endereços; ela continua igual à atual. O que muda é a apresentação. Afinal, o conceito de URLs, um dos mais antigos ainda vigentes na tecnologia de consumo, nunca foi muito amigável a despeito da sua importância vital, como colocou Allen Pike:

“Eu sei que as URLs são feias, difíceis de lembrar e um pesadelo para segurança.”

É óbvio que o Google quer, com isso, também incentivar ainda mais o uso do seu buscador, mas além de adequar seu software ao comportamento da maioria, há outros ganhos para os usuários na abordagem proposta. Ataques do tipo phishing que replicam páginas com URLs diferentes, por exemplo, sofreriam uma baixa considerável – menos gente inseriria dados em uma cópia do Itaú se, em vez de itau.com.br, aparecesse um endereço russo no botão de domínio do futuro Chrome.

Não se sabe ainda se essa mudança chegará ao canal estável do Chrome. Desde que foi lançado, o navegador do Google se destacou pelas mudanças drásticas e foi graças a elas que se estabeleceu, tirou a hegemonia do Internet Explorer e relegou o Firefox ao terceiro lugar na guerra dos navegadores.

Se acontecer de mudar, porém, não vejo motivos para desespero, protestos ou coisas do tipo. A tecnologia de consumo avança a passos largos e, normalmente, quem se apega muito a convenções fica para trás. Quem imaginaria, há dez anos, que a Microsoft seria coadjuvante no segmento de sistemas operacionais, que a Symantec desistiria dos antivírus e que o celular seria a plataforma número um de acesso à Internet entre os mais jovens? Tudo isso era passível de internação no manicômio. Mas aconteceu, e se tais guinadas nos ensinaram alguma coisa é de que dá para esperar qualquer coisa desse universo.

A reação descabida da American Airlines à ameaça de terrorismo de Sarah, uma adolescente de 14 anos, no Twitter

Avião da American Airlines em solo.
Foto: Daniel Foster/Flickr.

Sarah, uma adolescente de 14 anos que vive em Roterdã, Holanda, publicou uma mensagem bastante infeliz no Twitter ontem pela manhã. Era uma ameaça de atentado terrorista dirigida à American Airlines. Neste momento ela está detida para investigação. E amedrontada.

A menina, que escrevia no perfil @QueenDemetriax_ (ela apagou a conta), publicou a seguinte mensagem direcionada à American Airlines, uma companhia aérea dos EUA:

Mensagem original de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@AmericanAir olá meu nome é Ibrahim e eu sou do Afeganistão. Sou parte da Al Qaida [sic] e no dia 1º de junho farei uma coisa bem grande tchau”

A resposta do social media da American Airlines veio seis minutos depois:

A resposta da American Airlines a Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@queendemetriax_ Sarah, nós encaramos essas ameaças com seriedade. Suas informações e endereços IP serão encaminhados à segurança e ao FBI.”

Sarah, claro, surtou. Nas mensagens seguintes, disse que ter sido uma piada, que se lamentava, estava com medo, jogou a culpa em uma amiga e afirmou que não era do Afeganistão.

As reações desesperadas de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

Foi uma piada, ou melhor, uma “piada” ruim. Não é isso o que está em questão. A reação da American Airlines, isso sim, foi o que mais me surpreendeu. Pareceu-me descabida dadas todas as circunstâncias.

A perigosa terrorista de 14 anos fã da Demi Lovato

A resposta da companhia aérea foi tão descabida quanto a ameaça da adolescente. Alguns podem alegar que foi uma resposta na mesma moeda, mas pense comigo: uma menina de 14 anos escrevendo algo estúpido na Internet? Ok. Uma empresa biolionária cheia de profissionais tocando o terror em cima disso? Preocupante.

Nem verdadeira a resposta da American Airlines era (era, do verbo não é mais, já que ela foi apagada do perfil): a empresa não tem acesso aos IPs de quem interage com ela no Twitter. Configurou-se, pois, uma espécie de ataque reverso: de ameaçadora, Sarah acabou vítima de terrorismo psicológico.

E temos as circunstâncias. Uma menina de 14 anos por trás de um plano maligno para derrubar aviões avisa de antemão a companhia aérea alvo do seu intento, via Twitter usando sua conta de fangirl da Demi Lovato, que algo grande acontecerá. Soa bizarro falando assim, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu entendo, e concordo, que com certas coisas não se brinca. Terrorismo é uma delas, e das mais sérias. A piada, como já disse, foi bem infeliz e passível de investigação, como a polícia de Roterdã, sem o envolvimento do FBI ou da American Airlines, está fazendo nesse momento. Aliás, a postura da polícia local é um sopro de sanidade em meio a tanta loucura. Ao Business Insider, um porta-voz disse:

“Não estamos em posição de comunicar qualquer ponto das acusações nesse momento. Apenas achamos que seria necessário trazer isso à tona pelo fato de que ela [a ameaça de Sarah] gerou muito interesse na Internet.”

Armar um circo em torno disso a ponto de amedrontar Sarah, de direcionar a ela comentários raivosos de gente que fica à toa na Internet, isso é pura e simplesmente errado. Antes de excluir sua conta ela ganhou uma avalanche de xingamentos vinda de estranhos. De “imatura” a “racista”, apenas tente imaginar como deve estar a cabeça dessa menina. Faça um exercício de analogia: pense nos comentaristas de portais dirigindo todo aquele chorume para você, destilando a raiva em relação ao sistema, aos petralhas, ao Sakamoto, aos direitos humanos contra você.

E lembre-se: ela tem 14 anos.

Poderia ter sido diferente

Existe um tratamento diferenciado para crianças e adolescentes em todas as esferas, incluindo a criminal, porque até certa idade nós não temos o discernimento desenvolvido — e muitos, inclusive, morrem velhos sem tê-lo funcionando plenamente. Para Sarah, ou a (suposta) amiga dela que fez a brincadeira no Twitter, isso se aplica também. Na hora em que começamos a ignorar essas nuances da psicologia humana, a enquadrar todo mundo em um crivo fixo para adultos e crianças, deixamos a humanidade um pouco de lado e voltamos algumas casas no jogo da evolução enquanto sociedade. Aproximamo-nos da Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”.

Como proceder, então? A American Airlines poderia ter enviado a Sarah apenas metade da sua mensagem, a que diz que leva essas ameaças a sério, via mensagem privada. Seria suficiente para que ela percebesse que, hey, existem consequências para o que acontece na Internet, há limites para a zoeira. Em seguida, pedir à polícia de Roterdã para averiguar a ameaça, porque por mais tola que ela pareça, ainda assim é algo que merece ser investigado. Melhor não arriscar.

“Ah, mas agora serviu de exemplo”. Será? E se sim, a que custo? O trauma que ficará na menina extrapola qualquer lição que seu caso tenha deixado aos demais — e, pelas reações que vi até agora, ele tem servido mais para risadas, “hahaha se ferrou!”, do que para conscientizar alguém que seja. É a mesma lógica que muitos apregoam no trânsito: ao ver que outro motorista está fazendo alguma barbeiragem, esses iluminados da direção seguem avançando até o último segundo, assustando o “babaca que não sabe dirigir” para “ensinar como é que se dirige”. Apontam e reforçam o erro achando que estão conscientizando. Relatos dessa metodologia pra lá de questionável são recorrentes, sempre contados com um quê de orgulho. Até hoje não soube, porém, de um caso bem sucedido de educação no trânsito baseada na intolerância e na agressividade.

O mundo está maluco, as pessoas estão perdendo as estribeiras por pouco e, nesse contexto, é fácil pegar qualquer coisinha para “servir de exemplo”, até uma brincadeira boba na Internet feita por uma criança. Fácil, não correto. Vamos colocar a mão na consciência, pessoal. Sarah tem 14 anos e, daqui em diante, um trauma para a vida toda.

Brendan Eich, novo CEO da Mozilla, em mais um capítulo de como (tentar) separar pessoas de instituições

Em pleno 1º de abril, Dia da Mentira, o OkCupid, um dos sites de relacionamentos mais tradicionais do mundo, uniu-se a uma campanha contra o Firefox. Motivo? A descoberta de que o novo CEO da Mozilla, Brendan Eich, apoiou com uma doação de US$ 1.000 em 2008 a Proposition 8, lei californiana que acabou aprovada e cujo conteúdo impedia a união civil entre homossexuais.

Atualização (3/4, às 18h): Brandon Eich não é mais CEO da Mozilla. O anúncio, feito por Mitchell Baker no blog oficial da Mozilla, reafirma a abertura e política de inclusão da organização, diz que houve falhas na resposta das críticas internas e externas a Brendan e diz que semana que vem novas informações sobre o novo CEO serão reveladas.

Mensagens de protesto no Twitter por funcionários da Mozilla.
Funcionários da Mozilla protestam no Twitter.

A indicação de Brendan como CEO da Mozilla tem enfrentado resistência derivada desse detalhe em seu histórico, inclusive entre seus subordinados. No Twitter, funcionários da Mozilla pediram publicamente a renúncia do novo líder. Fora do ambiente de trabalho, sites e usuários engrossam o coro e sugerem boicotar o Firefox. Uma petição online pedindo a saída de Brendan do cargo já conta mais de 70 mil assinaturas.

O clima é tenso, e nem as declarações públicas do CEO em seu blog pessoal e entrevistas parecem capazes de apaziguar os ânimos. No primeiro, ele escreveu:

“(…) Eu só posso pedir seu apoio para ter tempo de ‘mostrar, não falar’; e nesse meio tempo, expressar meu pesar por ter causado tanta dor.”

(…)

Estou comprometido em garantir que a Mozilla é, e continuará sendo, um lugar que inclui e apoia a todos, independentemente da orientação sexual, gênero, idade, etnia, status econômico ou religião.”

Em entrevista ao CNET, o tom usado foi cauteloso e pendendo para a separação pessoa física-entidade. Brendan Eich acredita que as convicções e posicionamentos pessoais não devam afetar a agenda da Mozilla, que já é bem atribulada tentando manter o navegador vivo entre dois gigantes (Internet Explorer e Chrome) e emplacar o Firefox OS:

“Se a Mozilla não puder continuar a operar de acordo com seus princípios de inclusão, em que você possa trabalhar na missão [da organização] independentemente do seu passado ou outras crenças, acho que nós provavelmente falharemos.”

A Mozilla, enquanto entidade e na figura de Mitchell Baker, chairwoman da Mozilla Foundation, apoia Brendam. Em seu blog, Mitchell posicionou-se, ao mesmo tempo, em defesa da diversidade e do novo CEO:

“(…) o compromisso da Mozilla com a inclusão para a nossa comunidade LGBT e todas as minorias, não muda. Ao agir para ou em nome da Mozilla, é inaceitável limitar as oportunidades a *qualquer um* baseado na orientação sexual e/ou gênero. Isso não é só um compromisso, é a nossa identidade.

(…)

[Na] minha experiência, Brendan é tão comprometido com oportunidades e diversidade dentro da Mozilla quanto qualquer outro, e mais do que muitos. Esse compromisso com as oportunidades para todos dentro da Mozilla tem sido um ponto basilar do nosso trabalho por anos. Eu o vejo em ação regularmente.”

A investida do OkCupid

Logo do OkCupid.
Imagem: OkCupid.

Christian Rudder, fundador do OkCupid, não gosta de brincadeiras de 1º de abril. Ele aproveitou a data, porém, para fazer uma espécie de protesto: quem acessou o site pelo Firefox, cerca de 12% da base de usuários, se deparou com uma mensagem oferecendo navegadores alternativos e expondo o caso de Brendan Eich.

A mensagem, traduzida pelo Lado Bi, é a seguinte:

“Olá, usuário do Mozilla Firefox. Perdoe essa interrupção da sua experiência pelo OkCupid.

O novo CEO da Mozilla, Brendan Eich, é um oponente dos direitos igualitários para casais gays. Nós gostaríamos, portanto, que nossos usuários não utilizassem software da Mozilla para acessar o OkCupid.

A política não costuma ser o negócio de um site, e nós todos sabemos que há problemas maiores no mundo que CEOs ignorantes. Então você pode se perguntar por que estamos afirmando nossa posição hoje. Aqui está o porquê: nós devotamos os últimos dez anos em unir pessoas – todas as pessoas. Se indivíduos como o Sr. Eich conseguirem o que querem, então mais ou menos 8% dos relacionamentos que nós trabalhamos tanto para tornar realidade seriam ilegais. Igualdade para relacionamentos gays é pessoalmente importante para muitos de nós aqui da OkCupid. Mas é profissionalmente importante para a companhia inteira. A OkCupid é a favor de se criar amor. Aqueles que querem negar o amor e, em seu lugar, promovem a miséria, a vergonha e a frustração são nossos inimigos, e nós desejamos a eles nada mais que o fracasso.

Se você quiser continuar usando o Firefox, o link no pé da página vai levá-lo ao site.

Nós, no entanto, insistimos que você considere usar um outro software para acessar o OkCupid.”

Não foi a primeira abordagem… inovadora do OkCupid para um problema. Não faz muito tempo, o site chamou a atenção com o tratamento que dá a usuários que navegam com bloqueador de anúncios. Em vez de recriminá-los, colocou uma imagem no lugar onde estaria o banner publicitário pedindo ao um pequeno pagamento para nunca mais exibir qualquer anúncio.

O próprio funcionamento do site é inovador, usando fórmulas matemáticas e questionários para atribuir porcentagens de compatibilidade. Este vídeo explica bem. É um serviço de vanguarda, tanto tecnicamente quanto nas abordagens que faz fora da sua atividade-fim.

A mensagem para usuários do Firefox ecoou bastante, mais do que Rudder esperava. Em entrevista ao Gizmodo, ele disse que da ideia à execução foi tudo muito rápido. E talvez a pressa tenha sido inimiga da iniciativa: qual era a ideia com ela? Rudder disse que não quer que Brendan Eich perca seu emprego e que a mensagem aos usuários do Firefox apenas “parecia a coisa certa a se fazer”. Se não a cabeça do CEO, o que quer o OkCupid? A Mozilla também não foi avisada de antemão sobre essa investida, mas depois que a coisa explodiu as duas empresas iniciaram conversações.

Como separar pessoas de instituições

Brendan Eich.
Brendan Eich. Foto: Mozilla.

Acontece muito na música e no cinema e, em certa medida, entre empresas com capital aberto na bolsa — ou de grandes proporções, a exemplo da Mozilla. As ações de quem está em evidência repercutem. Bastante. Um cantor que sai da linha, uma atriz que se perde nas drogas, um CEO com opiniões impopulares, todos pagam o preço dos atos inesperados pela posição que ocupam. Quando a obra é linda e o autor é um escroto, como lidar?

Um CEO impacta tanto quanto, objetivamente falando, um cantor ou ator. Ele tem o poder de ditar os rumos de uma companhia, mesmo quando os funcionários têm uma visão diferente das suas pessoais. A venda da Nokia para a Microsoft, muito mal recebida entre os finlandeses, é um exemplo recente.

No caso de um CEO, trata-se de mais do que um cargo funcional. John Schneider, do time de desenvolvimento da Mozilla, explicou em poucas palavras a importância desse cargo de liderança dentro de uma organização:

“Um CEO é (…) uma das faces mais visíveis de uma organização e [ele] representa mais para a imagem, parcerias e cultura [da empresa] do que um cargo altamente técnico, como o de um CTO.”

Nos comentários deste post no TechCrunch, Schneider novamente abordou o assunto:

“(…) É só o seu [de Brendan] cargo, agora na mira do público, que me causa preocupação. Não estou pedindo para ele ser demitido ou qualquer coisa do tipo, mas tenho receios sobre que impacto termos um CEO desalinhado com nossas (Mozilla) claras políticas de inclusão e tolerância terá em nossos parceiros, voluntários, investidores, colaboradores e funcionários em potencial.

Dito isso, sei que, não importa o que aconteça, as políticas pró-inclusão e LGBT da Mozilla jamais regridirão. Mitchell Baker jamais deixaria isso acontecer.

Como já disse algumas vezes, não tenho uma resposta ou solução, e é um caso complicado.”

A gritaria que funcionários da Mozilla têm feito é justificável. O CEO representa o espírito de uma organização, contribui decisivamente para como ela é vista pela comunidade externa. Um que tenha no histórico fatos que vão contra toda uma luta grande, difícil e na qual a Mozilla está comprometida pode enfraquecer essa imagem que vem sendo trabalhada há anos.

Não sei, porém (e não quer fazer juízo de valor, apenas incitar o debate), o que OkCupid e outros sites têm a ver com isso, ou o que eles ganham propondo um boicote tão explicitamente. Se Brendan Eich é tão cruel a ponto de recusarmos toda e qualquer coisa que venha dele, é bom desabilitarmos o JavaScript dos nossos navegadores e arcarmos com uma web bem mais lenta e menos dinâmica. Ele inventou o JavaScript.

Claro, essa alternativa é extrema e não avança o diálogo. É só um contraponto ao outro extremo, que tem sido mais publicado por aí. Opor-se à união civil entre homossexuais é daquelas atitudes incompreensíveis — é algo que só diz respeito aos envolvidos e, sério, que mal tem nisso? Qual o problema que alguém como Brendan vê nesses casais? Mistérios da mente humana. Mas é algo que atrapalha o desempenho das funções de um CEO, incluindo as representativas que o cargo exige? A resposta a esta pergunta, muito provavelmente, é o primeiro passo para resolver esse impasse.

Qual a graça do Snapchat?

Quando o assunto “Snapchat” surge, é comum as pessoas me perguntarem qual a graça daquilo. A ideia de fotos que somem alguns segundos depois de abertas desafia a noção de eternidade que redes sociais e a Internet, de modo geral, apregoa desde o seu surgimento e coloca em xeque o trabalho gasto para algo tão efêmero. Qual o sentido disso?

Talvez o único caso de uso do Snapchat que todos compreendem (e no qual, quase sempre, limitam o app) é a troca de fotos íntimas. E é fácil adequá-lo à situação: casos de fotos e vídeos vazados recentemente, alguns com consequências drásticas justificam a existência de imagens que evaporam em poucos segundos.

Esse extremo evidencia o grande barato do Snapchat, mas nem de longe é a sua única utilidade. Ao tirar o peso do legado, ele e seus pares calcados na efemeridade e/ou no semi-anonimato eliminam as amarras sociais, dão muita margem à criatividade e criam um ambiente que nem Facebook, nem Twitter são capazes de replicar.

Longe dos parentes, com mais liberdade

O Twitter talvez seja uma espécie de meio termo entre Facebook (exposição máxima) e o Snapchat (privacidade e controle). Uma rede social marginal, ele consegue atrair mentes criativas e personalidades que gostam de se expôr, mas não tem apelo entre gente mais… “tradicional”. Nessa definição inclua aquela tia que faz comentários constrangedores nas suas fotos do Facebook, ou aquele amigo que nem liga muito para tudo isso, mas que entrou por pressão dos outros e acabou gostando de ver fotos e atualizações dos amigos naquela página/app azul e branco.

Para esses, o Twitter é questionável na mesma medida em que o Snapchat o é para um grupo maior. Qual a graça de ficar mandando mensagens de 140 caracteres para gente que você nem conhece direito e que, na maioria dos casos, não responde?

Mascote do Snapchat.
Desenho: Snapchat/Reprodução.

No Snapchat você cria uma lista de amigos e escolhe, na hora de mandar uma foto, quem a receberá. O tempo de exibição da foto é controlável também, vai de um a dez segundos. Caso alguém faça um print screen da foto durante o tempo de exibição, o app denuncia.

É uma lógica simples, mas bem arquitetada e instigante. Em um dos meus grupos de amigos o Snapchat é muito usado. Piadas internas (algumas maldosas!), amenidades do dia a dia, eventos sociais, coisas que gerariam desconforto com pessoas distintas em locais mais tradicionais, ganham espaço ali. É algo mais íntimo que o Facebook e que não deixa rastros, não fica impregnado na sua persona digital para todo o sempre. O que à primeira vista não faz sentido (“por que tirar fotos que somem segundos depois?”) é, na realidade, o trunfo da experiência.

Snapchat contra o legado

Eu de modelo para a Toia no Snapchat.
Desenhos: Toia/Cavalo de Toia.

Junto a vestir-se bem e preparar um currículo enxuto, os especialistas em recursos humanos incorporaram há alguns anos uma nova dica que aparece em todas as listas delas para quem está em busca de um emprego: cuidado com o que você publica nas redes sociais.

Histórias de gente que perdeu uma vaga por causa das fotos da festa que não ficaram tão ótimas assim não são raras, e é bem possível que nesse carnaval você tenha se deparado com algum amigo fazendo aquela brincadeira de virar um copo de cerveja e passar o “desafio” para outros amigos.

É uma brincadeira bem boba, mas que no calor do momento, com um pouco de álcool afetando o discernimento pode parecer divertida. Só que passada a ressaca você abre o Facebook, vê os comentários, as curtidas… aquele pensamento “o que foi que eu fiz?” pode bater mais forte que os 500 ml de álcool ingeridos de uma vez.

Nesse momento “eureka” você se dá conta da existência da sua sombra eletrônica, sempre ali, sempre ignorada. Como explica Sherry Turkle em Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other:

Peter Pan, que não podia ver sua sombra, era o menino que nunca cresceu. Muitos de nós somos como ele. Com o tempo (e digo isso com ansiedade), viver com uma sombra eletrônica se torna tão natural que ela parece desaparecer — isso, até um momento de crise: um processo judicial, um escândalo, uma investigação. Então, quando somos pegos, caímos na real e nos damos conta de que fomos instrumentos da nossa própria vigilância.

Ela ainda diz que, embora os adolescentes sejam os que mais sofram, todos, eles e adultos, vivemos a fantasia da privacidade online. Trocamos informações confidenciais via WhatsApp e e-mail, mesmo sabendo que ambos estão longe de serem canais seguros para tal. Em outro ponto, Turkle comenta:

Alguns dizem que esse problema não é um problema; eles apontam que privacidade é uma ideia historicamente nova. É verdade. Mas embora historicamente nova, a privacidade tem servido bem às noções modernas de intimidade e democracia. Sem privacidade, as fronteiras da intimidade se perdem. E, claro, quando toda informação é coletada, todos podem se transformar em informantes.

Ainda se vê muitas publicações inconsequentes por aí, mas muitos de nós já tomamos mais cuidado com o que publicar. Antes de mandar um comentário raivoso, uma foto constrangedora ou um link polêmico, pesamos as consequências. Quem provavelmente curtirá isso, quais comentários contrários virão, quem talvez se sinta magoado, ultrajado ou apenas incomodado. Às vezes desistimos, e esse comportamento se tornou tão frequente que o Facebook já o analisa para entendê-lo e combatê-lo, a fim de que nos sintamos mais confortáveis em expôr ideias e opiniões, todas elas, por mais controversas ou perigosas que sejam.

A mecânica do Snapchat reduz muito essa análise prévia do que será publicado. A foto some em poucos segundos, tenho o controle rigoroso de quem a verá, os riscos de magoar alguém ou ver aquele conteúdo se voltar contra si mesmo são menores. É essa premissa que levou o Facebook a lançar o Instagram Direct e a comprar o WhatsApp, o Twitter a dar atenção às mensagens diretas após anos de negligência e ao surgimento de apps calcados no anonimato, como Wut, Secret e Whisper. Nós gostamos de privacidade, por mais que tentem lhe fazer pensar o contrário.

Mas e o print screen?

O Snapchat avisa quando alguém tira um print da tela.
Alerta de screenshot.

E se alguém faz um print screen da foto enviada via Snapchat? O app avisa, claro. Mas espere: e aqueles apps e hacks que permitem salvar imagens sem que o remetente fique sabendo? É um problema, vide os vários Tumblrs com fotos de mulheres nuas ao alcance de uma busca no Google.

Acidental ou não, encaro o aviso de print screen como um toque genial de alerta dentro do Snapchat. Apesar de toda a liberdade que as circunstâncias promovem, a possibilidade de eternizar aquela foto funciona como um lembrete, quase inconsciente, de que nem tudo se permite ali. Ou que, ao se permitir tudo, existem consequências como parar em locais indesejados, permanentes na Internet.

Não é o print screen em si que exerce essa função de alerta, mas a sua mera existência. Saber que alguém pode salvar uma foto mais íntima, ou mais pesada, dá a medida de precaução e cria reservas na hora do compartilhamento. Afinal, tem coisa que você não comenta com ninguém, nem com seu melhor amigo.

A reputação digital pesa menos no Snapchat

Patrícia Pinheiro, no Brasil Post, fez um breve comentário sobre reputação digital. Segundo ela, o que é publicado na Internet nunca some, é sempre lembrado e associado ao autor, e esse é o preço que se paga para fazer parte disso:

Para Manuel Castells, aquele que decide se conectar aceita, mesmo que tacitamente, o resultado da ‘socialização dos seus dados’, ou melhor, a perda do controle das suas próprias informações.

Portanto, há um preço a pagar para se sentir inserido no mundo digital, para participar de mídias sociais, para ter o direito de usar uma imensidão de aplicativos viciantes que são oferecidos gratuitamente em um esquema muito bem elaborado que troca superficialidades e banalidades por dados da intimidade, vida e rotina das pessoas que aceitam participar.

Depois de escolher entrar pela porta dessa internet colaborativa que promete mais transparência, será que tem volta? Ou melhor, será que temos escolha? Hoje a maior parte dos termos de uso destes serviços deixa muito claro que por mais que a pessoa deixe ser usuário, o que ela compartilhou por ali fica lá e na galáxia da internet para sempre.

Sherry Turkle também comenta algo nesse sentido:

(…) [Na Internet] as palavras “deletar” e “apagar” são metafóricas: arquivos, fotos, e-mails e históricos de pesquisas são removidos apenas do nosso campo de visão. A Internet nunca esquece.

O Snapchat caminha na direção oposta à dessa ideia. No Facebook, saber todos os detalhes da vida do usuário é essencial para o modelo de negócios e para o seu funcionamento. É nas associações e no conhecimento de quem usa o serviço que o Grafo Social se constrói e as facilidades e oportunidades da rede decorrem. O efeito colateral, como já debatido, é um punhado de cicatrizes digitais, registros permanentes da sua vida — para o bem e para o mal. Mesmo sem modelo de negócios, a efemeridade é o que destaca o Snapchat e é algo que, é seguro dizer, não deve sumir, diferentemente das fotos veiculadas por lá.

Se chegar a compartilhar aquele vídeo virando um copo de cerveja no Snapchat, será apenas com amigos mais próximos. E você ainda poderá excluir os não tão próximos; a lista de amigos nunca está preenchida, é preciso escolher quem receberá cada foto enviada para o serviço. Talvez um dos destinatários se torne um grande líder e, lá na frente, possa estar na posição de avaliá-lo para uma vaga de emprego, mas a proximidade entre vocês talvez anule esse e outros deslizes. Se você manda essas fotos para ele, é bem provável que esse hipotético futuro chefe também tenha mandado alguma bobagem. O que acontece no Spapchat, em geral fica no Snapchat.

A internet, ainda em sua juventude, está sendo moldada. Até pouco tempo atrás, ela era encarada como terra de ninguém, um lugar sem lei onde vale tudo. Não mais. Outra noção tão forte quanto, a de que tudo o que acontece aqui fica registrado para a eternidade, que a palavra convertida em bits e lançada na rede jamais se apaga, começa a ruir. O Snapchat é a marreta que derruba essa noção e importa por isso. Você pode até achá-lo uma bobagem depois de todo esse discurso, ou seus criadores malucos por terem dado de ombros a US$ 3 bilhões, mas não duvide de que ele impactará, direta ou indiretamente, muita coisa, inclusive a nossa concepção de presença na Internet.

Foto do topo: Agnes Owusu/Flickr.

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Meu primeiro smartphone: dicas para aproveitar (e não se irritar) com o seu

Se você ainda não carrega um smartphone no bolso, é questão de tempo até se ver nessa situação. Com o aumento nas vendas impulsionado pelo barateamento da tecnologia e a substituição gradativa dos aparelhos mais simples, os dumbphones, trilhamos o caminho do smartphone onipresente. Neste post, trago tudo o que você sempre quis saber sobre smartphones mas nunca teve coragem de perguntar.

A IDC constatou um crescimento de 122% nas vendas de smartphones em 2013 no Brasil, o que o levou a superar os modelos simples em volume pela primeira vez na história — 52% contra 48%. Embora a estimativa para 2014 aponte para uma redução no ritmo, o segmento deverá crescer. A Abinee prevê um aumento de 61% na base instalada no país. No mundo, o Gartner diz que 55% de todos os celulares vendidos em 2013 foram smartphones.

Tem muita gente se aventurando com um smartphone pela primeira vez. É um universo novo, cheio de possibilidades — e dúvidas. Algumas, para o leitor regular do Manual do Usuário, podem parecer triviais. Para a maioria, porém, não são.

Este texto tem o objetivo de ser um guia de iniciação para os marinheiros de primeira viagem, um punhado de dicas compilado após consultas com pessoas que ainda não têm ou que acabaram de comprar um smartphone.

Se conhece alguém na situação, poderá poupar muito tempo, seu e dele, simplesmente encaminhando este artigo. Fiz um grande esforço para contemplar todas as dúvidas que comumente surgem no primeiro contato com um smartphone. Se ainda assim você sentir falta de alguma informação, por favor use os comentários.

O que é um smartphone?

Antes de entrarmos nas especifidades da questão, é bom esclarecer desde já o que é um smartphone.

Não existe um conjunto de diretrizes, ou características que, cumpridas, classificam um dispositivo como smartphone. Ele é, no geral, um celular com poderes que vão além de fazer ligações e trocar mensagens de texto.

As características mais distintas de um smartphone são seu alto poder de convergência e o sistema operacional que o move somado aos apps que ele pode receber.

Um smartphone consegue, diferentemente de um celular simples, acessar a Internet, fazer fotos, localizar a sua posição via GPS, tocar música e vídeo, entre outras coisas. Ele é uma máquina de convergência. Um celular simples, principalmente modelos contemporâneos, até consegue fazer uma ou outra, mas de modo mais restrito.

Todo celular, até aqueles mais simples de pouco menos de R$ 100, executa um sistema operacional. A diferença está nas capacidades dos que operam em smartphones. Eles geralmente desempenham mais funções e são abertos a apps de terceiros, que por sua vez estendem ainda mais o que esses aparelhos podem fazer.

Durante a fase de transição para os smartphones modernos, entre 2007 e 2009, havia certa confusão com featurephones, aparelhos que pareciam smartphones, mas não recebiam apps. Eles eram de uma categoria diferente? Até hoje alguns modelos desafiam essa organização, como o Asha 501, da Nokia. Esse modelo tem um punhado de características avançadas e até roda apps de terceiros, mas tudo de forma bem limitada. É um smartphone? Há quem diga que não, mas para mim não falta nenhum requisito para classificá-lo como tal, ainda que seja um smartphone mais ou menos — digno pelo que custa, mas como custa pouco…

Qual o melhor smartphone para mim?

iPhone 5, Lumia 920 e Xperia Z1.

Foto: Rodrigo Ghedin.

Este artigo é um belo guia semi-atemporal para escolher o melhor smartphone para você. Resumindo aqui, porém, a minha dica é: não economize.

Não quero dizer, com isso, que você deve entrar na primeira loja e levar qualquer smartphone pelo preço que for oferecido. Não é isso. O ponto é que, como em vários outros segmentos, no dos celulares inteligentes você também recebe pelo que paga. E, aqui, essa máxima é levada quase sempre ao pé da letra.

Algumas fabricantes lançam modelos simples com o apelo do “seu primeiro smartphone”. Não caia nessa. Aparelhos na faixa dos R$ 500 ou menos têm diversas deficiências que usuários experientes conseguem contornar com mais facilidade, mas que em mãos inexperientes podem ser bastante prejudiciais. Além de irritarem qualquer um, novato ou não.

Se puder pagar por um iPhone 5s, para que pegar um iPhone 4, hoje severamente limitado pelo iOS 7? Não faz sentido, salvo pela questão econômica. Entre esses dois extremos, dá para procurar por promoções e aparelhos com custo-benefício melhor que o iPhone 5s (e eu recomendo fortemente que você faça isso!).

Use o preço como um dos parâmetros na hora de escolher seu aparelho. Como em tudo na vida, os extremos quase sempre não são tão vantajosos e é preciso garimpar um pouco; se tiver a quem recorrer, pedir indicações para alguém mais entendido é outra boa tática a fim de fazer uma boa escolha.

Preparativos com a operadora e o mito da “Internet de graça”

Redes móveis no Android do Xperia Z1.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Está com seu smartphone aí? Legal! Com ele vem também uma despesa extra no orçamento: o gasto com dados junto à operadora.

Sim, dá para viver apenas com Wi-Fi. Na maioria dos casos o acesso via Wi-Fi é gratuito, especialmente em estabelecimentos comerciais e, por isso, preferível a quem quer economizar — dinheiro e também bateria, já que essa forma de acesso consome menos energia que o 3G/4G. Tenha em mente, porém, que para desfrutar da conexão Wi-Fi na sua casa é preciso ter uma conexão doméstica paga (ADSL ou cabo) com um ponto de acesso sem fio. Hoje, a maioria das operadoras oferece o ponto de acesso gratuitamente.

O que tento desmitificar no parágrafo acima é a ideia de que o Wi-Fi se materializa do nada e fornece Internet grátis para qualquer um, em qualquer lugar. Não é bem assim.

Outro problema, mais grave até, é que o alcance do Wi-Fi é limitado fisicamente, e a disponibilidade, nem sempre farta. Por essas e outras, a abordagem “apenas Wi-Fi” limita um pouco o aspecto móvel do smartphone. E convenhamos: poder se comunicar e acessar a Internet de qualquer lugar é um dos pontos altos desse tipo de dispositivo, logo vale a pena investir um pouco em um plano de dados.

Se você fica muito tempo em trânsito e precisa estar conectado, vale a pena pegar um plano pós-pago. Além de velocidades mais rápidas, a franquia é maior, o que significa que você pode fazer mais coisas online sem ter a velocidade reduzida — quando a franquia estoura, geralmente as operadoras limitam a velocidade de acesso, deixando-a mais lenta que uma conexão discada.

É preciso analisar a sua rotina e quanto você tem disponível para gastar mensalmente com conexão. Converse com a sua operadora, veja se eles têm algum plano adequado às suas necessidades. Os preços têm caído e, em último caso, menos de R$ 1 por dia é o mínimo para bancar o acesso à Internet de um smartphone em um plano pré-pago — eles quebram o galho, mas oferecem franquias insuficientes até mesmo para um usuário leve-médio.

E o chip?

Os diferentes tamanhos de SIM cards.
Nano, Micro e SIM Card. Foto: photo4howi/Flickr.

Ainda se encontram smartphones com slot para SIM cards convencionais, os famosos “chips” das operadoras. A maioria, porém, já adota um padrão mais avançado — e menor –, o micro SIM. No mercado brasileiro, Moto X e os últimos iPhones (5 para cima) já deram o passo adiante e funcionam com o minúsculo nano SIM.

Se você já tem um SIM card convencional e adquiriu um smartphone com entrada para micro SIM, existem duas saídas. A primeira é cortá-lo, com uma tesoura mesmo ou usando um cortador especial para isso — que é mais seguro. A outra é comprar um Micro SIM junto à operadora e solicitar a migração do número. Um Micro SIM custa cerca de R$ 10; já um nano SIM pode custar mais caro, até R$ 40.

Como configurar o meu smartphone?

Um celular simples é fácil de configurar. Você espeta o SIM card (se tiver dificuldade nessa etapa, consulte o guia rápido que vem na caixa), liga ele, e pronto. Sem segredo.

Com um smartphone a história é diferente. Ele pede uma configuração mais detalhada, que depende de acesso à Internet. Até dá para pular essa etapa em alguns sistemas, mas acredite: fazendo isso, você terá apenas um celular simples com tela grande na mão, já que o acesso à loja de apps e outros recursos está vinculado a essa identificação.

Dependendo do sistema operacional escolhido, é preciso ter um tipo de conta, ou email. Android? Faça um email do Google, um Gmail. iPhone? Então você precisa ter uma conta no iCloud. Windows Phone? Vamos de Hotmail, ou Outlook.com. Não se preocupe se você não tiver uma dessas contas ainda, ou se tiver um email no Hotmail e estiver configurando um Android. Dá para criar novas contas no ato da configuração do smartphone.

Independentemente do caso, lembre-se sempre do seu email e senha. Eles são vitais para conseguir baixar/comprar apps, recuperar o smartphone em caso de travamento ou mesmo perda/roubo e outras situações delicadas. Sua senha é a porta de acesso para sua vida no smartphone — e em muitos casos ela vale mais que o próprio aparelho, então, atenção!

Configuração feita, o smartphone será povoado com dados obtidos a partir do email usado. O app de email puxará suas mensagens, a lista de contatos ganhará carinhas salvas anteriormente nessa conta, seus compromissos aparecerão na agenda. Se for um email secundário, um Hotmail que é pouco usado reativado apenas para configurar seu Windows Phone novo, não se preocupe. Todos os sistemas modernos permitem acrescentar contas extras, inclusive de empresas concorrentes. O que significa que, no nosso caso hipotético, você conseguiria trazer seus emails, contatos e compromissos do Gmail para o Windows Phone. Basta ir às configurações do sistema e procurar a área de contas.

Apps

Painel de apps na Apple Store de San Francisco.
Foto: Steve Rhodes/Flickr.

Do jeito que sai da caixa, o smartphone já é um ótimo computador que cabe no bolso. Mas ele pode ser muito mais, e boa parte desse potencial vem dos apps.

Um app (lê-se “épi”), abreviação de aplicativo em inglês, nada mais é que um programa. Eles são distribuídos em lojas controladas pelas empresas que fazem os sistemas — a exceção é o Android, que permite a instalação de apps “por fora” (sideloading) e a instalação de lojas de terceiros.

A instalação é bem simples, basta encontrar o app desejado e clicar no botão “Instalar”. Eventualmente a senha da conta atrelada ao smartphone é pedida — daí a importância de lembrar-se da sua!

Existem apps gratuitos e pagos, a cobrança fica a critério de quem desenvolve o app. Alguns sistemas permitem colocar créditos, como se fosse um celular pré-pago, mas garantido mesmo, em todos, é o cartão de crédito internacional. Como a cobrança em quase todos os casos é feita fora do país, é a forma de pagamento mais comumente aceita.

A manutenção desses apps é tão tranquila quanto a instalação, basta entrar no app da loja e, caso exista algum com atualização pendente, executá-la. Já é possível deixar essas atualizações no automático, o que é preferível. Atualizações costumam trazer correções de problemas, aperfeiçoamentos e até novas funções.

Cuidado com as compras in-app

Todos os principais sistemas oferecem uma modalidade de compra chamada “in-app”, ou seja, de dentro do app. É muito comum em jogos, mas também está presente em diversos apps, e pode ser uma armadilha perigosa.

Nessa modalidade, o app/jogo permite comprar elementos a partir de si próprio, de dentro do app/jogo. É uma prática que se alastra com força nos jogos móveis: embora gratuito, para liberar fases, personagens ou “dinheirinho virtual” é preciso desembolsar dinheirinho de verdade. Dependendo do jogo e do seu vício, a brincadeira pode sair cara.

Há casos em que esse mecanismo é usado de forma honesta, mas o mais comum são desenvolvedores que abusam, como ilustra a EA com Dungeon Keeper. Muita atenção, principalmente se você tiver filhos ou crianças pequenas que se apossam do seu smartphone para jogar. Histórias de crianças que gastaram fortunas comprando itens e roupinhas virtuais são mais comuns do que se imagina.

A surpresa (ruim): bateria

Conversei com algumas pessoas que nunca tiveram ou acabaram de comprar o primeiro smartphone (obrigado a todos!). A reclamação mais constante, de longe, foi sobre a autonomia da bateria.

É um grande choque mesmo. Sair de um aparelho que aguenta ficar dias, mais de uma semana longe da tomada, para um sedento por energia e que male má aguenta um dia sem ser recarregado exige mudanças drásticas na rotina.

Existem smartphones com baterias de grande capacidade, mas esses são exceções. O melhor a se fazer é aceitar a derrota e se acostumar a recarregar a bateria do smartphone uma vez por dia, de preferência à noite, enquanto você dorme.

Tem problema deixar o celular na tomada mesmo depois que a carga estiver completa? Não, o fornecimento de energia é cortado ao chegar a 100%. Tem problema recarregá-lo quando a bateria estiver pela metade? Não, as baterias atuais não têm efeito memória. Preciso dar aquela carga de 24 horas que o vendedor me orientou a fazer antes de começar a usar o smartphone? Por favor, não.

Muitos desses mitos sobre baterias são herança da época em que elas eram feitas com outra tecnologia, a de níquel-cádmio. Hoje, arrisco dizer que ela não está presente em nenhum celular moderno, nem mesmo os modelos mais simples e baratos. Todos usam baterias de íons de lítio, que não sofrem de efeito memória e são bem mais flexíveis quanto a padrões de recarga.

Se quiser mais informações sobre como otimizar a vida útil da bateria do seu smartphone, leia este post do Gizmodo.

As (chatíssimas) notificações

É fácil configurar as notificações no iOS.
Central de Notificações.

A instalação de diversos apps traz um efeito colateral que, para muitos, pode ser problema: as notificações.

A intenção, avisá-lo sobre novidades que estão rolando dentro do seu smartphone, é nobre, mas na prática o excesso de notificações, especialmente as menos urgentes, pode levá-lo à loucura. Afinal, qual a necessidade de saber que alguém retuitou um tuíte em que você foi mencionado, ou que deixaram um novo comentário na foto do seu primo em que você foi marcado no Facebook? Sim, você acertou: nenhuma.

Se estiver com um iPhone, domar as notificações é mais fácil. Nos Ajustes, entre em Central de Notificações. Essa área concentra tudo relacionado a notificações, de todos os apps. Dá para fazer um ajuste fino do que, onde e quando aparecerá no aparelho.

No Android e no Windows Phone, a tarefa é mais ingrata. Carentes de uma central similar à do iOS, o jeito é recorrer às configurações individualmente, dentro de cada app. Todos que emitem notificações têm opções para desativá-las. Dá mais trabalho, mas o resultado é igualmente tranquilizador.

O que deixar? Depende muito do seu perfil de uso. No meu caso, limito as notificações a apps que demandam, em tese, respostas imediatas, o que significa que basicamente apenas apps de bate-papo e mensagens, como SMS, WhatsApp e WUT têm esse privilégio.

Fique especialmente alerta com jogos: a maioria se utiliza desse recurso para lembrá-lo de jogá-lo (!) ou anunciar ofertas de compras in-app. Acredite: é bem frustrante pegar o smartphone após ouvir o barulhinho de notificação e ser apenas o Temple Run chamando-o para completar o desafio do dia.

Preciso mesmo de capinha e película?

Não precisa de película para manter a tela intacta.
Nexus 4, um ano de idade, sem película. Foto: Rodrigo Ghedin.

Grandes são as chances de você ter adquirido um smartphone que tenha a tela com Gorilla Glass — ou Dragon Tail. Ambas as tecnologias são revestimentos para o vidro que reforçam ele contra riscos e quedas leves.

Um erro muito comum é acreditar que a presença do Gorilla Glass torna o vidro indestrutível. Não. Às vezes, por uma queda boba, de alguns centímetros, ele pode estilhaçar. Embora sejam mais resistentes que o vidro nu, o que esses revestimentos fazem, principalmente, é proteger a tela contra riscos.

É por isso que, pessoalmente, desaconselho a aplicação de películas na tela. Elas reduzem a sensibilidade do toque, algumas até alteram a visibilidade graças a acabamentos foscos e, no fim das contas, funcionam como uma proteção em cima de outra proteção, o que, se você parar para pensar, não faz muito sentido.

Alguns justificam a utilização da película para evitar marcas de dedos, aquelas digitais feias. Mesmo com a camada oleofóbica que muitos smartphones apresentam atualmente, elas são de fato inevitáveis: ao fim do dia grandes são as chances da tela estar uma nojeira. Mas há uma solução menos invasiva: basta passar um pano específico, de microfibra, para ver essas marcas sumirem. Funciona tão bem que parece mágica.

Nunca usei película nos meus smartphones e eles não apresentam marcas permanentes — sou cuidadoso, é bom notar. Meu Nexus 4 (Gorilla Glass 2), esse da foto acima, foi usado ininterruptamente por cerca de um ano e continua como novo, com a tela intacta.

E a capinha? É outro acessório que eu também não uso, mas que… vá lá, para os mais desastrados pode ser uma boa. Ela costuma destruir o equilíbrio, a ergonomia e o design do aparelho, mas… ok, eu entendo.

Milhares de capinhas para iPhone.
Foto: Julien GONG Min/Flickr.

Mesmo sem partes móveis, o smartphone é um dispositivo sensível, miniaturizado e com uma face inteira de vidro. Dificilmente ele sai inteiro de quedas. As capas amortecem esses acidentes e ajudam a manter a integridade do aparelho. Algumas vão além e fornecem recursos extras, como maior autonomia para a bateria, ou mais espaço interno para salvar fotos e outros arquivos.

É uma defesa válida, só não confie cegamente nela. Casos de smartphones com capa que saem danificados após uma queda mais grave são fáceis de se encontrar. O ideal, mesmo, é tomar cuidado e evitar derrubá-lo por aí.

As vantagens de se ter um smartphone

Ter um smartphone implica em mais gastos, mais preocupação e o risco iminente de perdê-lo — e, com o aparelho, fotos e informações importantes. Racionalmente, talvez, não seja algo indispensável. Muita gente ainda vive, e bem, com dumbphones. Se for o seu caso, não se recrimine!

Para todas essas desvantagens, porém, o smartphone devolve a peteca com um punhado de benefícios que vão além da diversão. É, com o perdão do clichê, um computador de bolso. Com ele nos comunicamos de diversas formas, recebemos informações, nos localizamos e, já hoje, fazemos coisas bem futuristas como ter assistentes pessoais proativos e realizar pagamentos.

Familiares, amigos e conhecidos já me relataram o quanto se surpreenderam com a compra de um smartphone. Os menos ligados em tecnologia demoram a embarcar nessa por não ver uma utilidade específica para o aparelho em seu dia a dia. Mas elas aparecem. O smartphone é mais ágil que um computador e está sempre à mão; no mínimo, você acaba fazendo coisas nele que, antes, ficavam restritas ao computador, como ver o email, interagir em redes sociais e jogar. Disso para coisas maiores e mais úteis, é um pulo.

Ainda temos um longo caminho para consolidar o smartphone na sociedade e corrigir desvios comportamentais — aliás, mais uma dica: não seja o chato que vai no bar e fica bitolado no smartphone! Ele parece ter as características certas, e ter surgido no momento propício para abraçar nossas necessidades e servir de vetor para mini-revoluções. Quando alguém imaginaria, por exemplo, a utilização de um batalhão de smartphones para ajudar na previsão do tempo?

A adaptação ao smartphone costuma ser tranquila para quem vem de um celular mais simples, mas com essas dicas o processo tende a ser ainda menos doloroso. Reiterando, se ficou alguma dúvida, pergunte nos comentários. E divirta-se com seu novo smartphone!

Desenho do topo: autor desconhecido.

Um apelo: pare de filmar com o smartphone em modo retrato

Não é de hoje que todo smartphone é, também, uma câmera bem decente. A fotografia foi uma das primeiras áreas absorvidas pela convergência dos smartphones. Por estarem presentes neles há tanto tempo, já temos câmeras em celulares que rivalizam em qualidade com as compactas.

(mais…)

O que explica a popularidade do MomentCam?

MomentCam: primeiro lugar na App Store brasileira.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O MomentCam ocupa o primeiro lugar no ranking de apps gratuitos da App Store e está no Top 10 da mesma lista no Google Play. Desenvolvido pelos chineses da Hightalk Software, por onde passa ele se torna um fenômeno: primeiro na China, depois nos EUA (antes da versão em inglês surgir), sem falar em outros países menores no meio do caminho. Agora, mesmo sem falar o português ele explodiu em popularidade no Brasil.

Atualização: Na página do Manual do Usuário no Facebook, o Pablo indicou uma outra, a Sua foto em Caricatura. Com 24h desde a sua criação, ela já angariou 425 mil curtidas publicando algumas caricaturas e sempre pedindo, nas legendas, “Curta a foto e comente ‘EU'” para escolher um deles e transformá-lo em caricatura. Espero de verdade que esse meio milhão de pessoas descubra de alguma forma o MomentCam.

No Google Play a descrição do MomentCam traz trechos inspirados, como “Venha se divertir com o MomentCam, ele deixará a sua vida diferente” e “Nossa equipe é um grupo de jovens artistas e desenvolvedores com um sonho e corações enormes para trazer alegria e diversão a todas as pessoas do mundo”. Ok, então…

Deixando a filosofia barata de lado, o app é simples. Ele consiste em tirar uma foto, ajustar a posição dos olhos e da boca e escolher um template. O MomentCam traz um punhado de desenhos prontos e mescla a eles a foto recém-tirada, pegando da pessoa apenas o rosto.

É um selfie mais elaborado, uma fórmula que exerce estranho fascínio nas pessoas — é impressionante o tanto de gente compartilhando caricaturas criadas com o app. Talvez a vontade de compartilhar surja da preservação de traços marcantes que tornam reconhecível a caricatura em um template… atraente? Bonito? Divertido?

As teorias da conspiração por trás do sucesso do MomentCam

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MomentCam no Android.
Imagens: MomentCam/Reprodução.
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Alguns sites americanos, como o The Next Web, levantaram suspeitas sobre o sucesso meteórico do MomentCam. Ouriel Ohayon, co-fundador da Appsfire, disse à reportagem nunca ter visto algo assim:

“Ou existe alguma coisa que estou deixando passar ou eles estão usando táticas suspeitas para crescerem e obterem reviews positivos — os reviews na App Store norte-americana parecem todos estranhos. Consigo entender por que o app é bem sucedido na China ou na Ásia, mas seu posicionamento nos EUA não faz sentido.”

Não é só nos EUA, é no Brasil e em diversos outros países — o infográfico da Appsfire mostra o MomentCam bem posicionado em diversos lugares. Há umas coisas estranhas, como ele pedir permissão para se manter ativo em segundo plano e ter acesso às informações de ligações (?), mas daí a uma teoria da conspiração…

Instalei o MomentCam para ver como ele funciona. O app é bem feito: rápido, esperto e oferece mesmo uma infinidade de desenhos e opções de personalização. Tudo meio bobo, mas adequado à proposta. E com atualizações generosas que aumentam em muito o acervo de templates, talvez esse parágrafo resuma a fórmula do sucesso.

De qualquer forma, o MomentCam é intrigante. Seríamos nós criançonas que torcem o nariz para doll makers, mas que ficam malucas quando um deles coloca o nosso rosto no boneco? Não sei. Espero que explicações, ou tentativas, surjam aí nos comentários.

Enquanto isso, fique com um desenho meu feito no MomentCam:

Exemplo de caricatura feita no MomentCam.