A reação descabida da American Airlines à ameaça de terrorismo de Sarah, uma adolescente de 14 anos, no Twitter


14/4/14 às 15h03

Avião da American Airlines em solo.
Foto: Daniel Foster/Flickr.

Sarah, uma adolescente de 14 anos que vive em Roterdã, Holanda, publicou uma mensagem bastante infeliz no Twitter ontem pela manhã. Era uma ameaça de atentado terrorista dirigida à American Airlines. Neste momento ela está detida para investigação. E amedrontada.

A menina, que escrevia no perfil @QueenDemetriax_ (ela apagou a conta), publicou a seguinte mensagem direcionada à American Airlines, uma companhia aérea dos EUA:

Mensagem original de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@AmericanAir olá meu nome é Ibrahim e eu sou do Afeganistão. Sou parte da Al Qaida [sic] e no dia 1º de junho farei uma coisa bem grande tchau”

A resposta do social media da American Airlines veio seis minutos depois:

A resposta da American Airlines a Sarah.
Screenshot: Business Insider.

“@queendemetriax_ Sarah, nós encaramos essas ameaças com seriedade. Suas informações e endereços IP serão encaminhados à segurança e ao FBI.”

Sarah, claro, surtou. Nas mensagens seguintes, disse que ter sido uma piada, que se lamentava, estava com medo, jogou a culpa em uma amiga e afirmou que não era do Afeganistão.

As reações desesperadas de Sarah.
Screenshot: Business Insider.

Foi uma piada, ou melhor, uma “piada” ruim. Não é isso o que está em questão. A reação da American Airlines, isso sim, foi o que mais me surpreendeu. Pareceu-me descabida dadas todas as circunstâncias.

A perigosa terrorista de 14 anos fã da Demi Lovato

A resposta da companhia aérea foi tão descabida quanto a ameaça da adolescente. Alguns podem alegar que foi uma resposta na mesma moeda, mas pense comigo: uma menina de 14 anos escrevendo algo estúpido na Internet? Ok. Uma empresa biolionária cheia de profissionais tocando o terror em cima disso? Preocupante.

Nem verdadeira a resposta da American Airlines era (era, do verbo não é mais, já que ela foi apagada do perfil): a empresa não tem acesso aos IPs de quem interage com ela no Twitter. Configurou-se, pois, uma espécie de ataque reverso: de ameaçadora, Sarah acabou vítima de terrorismo psicológico.

E temos as circunstâncias. Uma menina de 14 anos por trás de um plano maligno para derrubar aviões avisa de antemão a companhia aérea alvo do seu intento, via Twitter usando sua conta de fangirl da Demi Lovato, que algo grande acontecerá. Soa bizarro falando assim, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu entendo, e concordo, que com certas coisas não se brinca. Terrorismo é uma delas, e das mais sérias. A piada, como já disse, foi bem infeliz e passível de investigação, como a polícia de Roterdã, sem o envolvimento do FBI ou da American Airlines, está fazendo nesse momento. Aliás, a postura da polícia local é um sopro de sanidade em meio a tanta loucura. Ao Business Insider, um porta-voz disse:

“Não estamos em posição de comunicar qualquer ponto das acusações nesse momento. Apenas achamos que seria necessário trazer isso à tona pelo fato de que ela [a ameaça de Sarah] gerou muito interesse na Internet.”

Armar um circo em torno disso a ponto de amedrontar Sarah, de direcionar a ela comentários raivosos de gente que fica à toa na Internet, isso é pura e simplesmente errado. Antes de excluir sua conta ela ganhou uma avalanche de xingamentos vinda de estranhos. De “imatura” a “racista”, apenas tente imaginar como deve estar a cabeça dessa menina. Faça um exercício de analogia: pense nos comentaristas de portais dirigindo todo aquele chorume para você, destilando a raiva em relação ao sistema, aos petralhas, ao Sakamoto, aos direitos humanos contra você.

E lembre-se: ela tem 14 anos.

Poderia ter sido diferente

Existe um tratamento diferenciado para crianças e adolescentes em todas as esferas, incluindo a criminal, porque até certa idade nós não temos o discernimento desenvolvido — e muitos, inclusive, morrem velhos sem tê-lo funcionando plenamente. Para Sarah, ou a (suposta) amiga dela que fez a brincadeira no Twitter, isso se aplica também. Na hora em que começamos a ignorar essas nuances da psicologia humana, a enquadrar todo mundo em um crivo fixo para adultos e crianças, deixamos a humanidade um pouco de lado e voltamos algumas casas no jogo da evolução enquanto sociedade. Aproximamo-nos da Lei de Talião, do “olho por olho, dente por dente”.

Como proceder, então? A American Airlines poderia ter enviado a Sarah apenas metade da sua mensagem, a que diz que leva essas ameaças a sério, via mensagem privada. Seria suficiente para que ela percebesse que, hey, existem consequências para o que acontece na Internet, há limites para a zoeira. Em seguida, pedir à polícia de Roterdã para averiguar a ameaça, porque por mais tola que ela pareça, ainda assim é algo que merece ser investigado. Melhor não arriscar.

“Ah, mas agora serviu de exemplo”. Será? E se sim, a que custo? O trauma que ficará na menina extrapola qualquer lição que seu caso tenha deixado aos demais — e, pelas reações que vi até agora, ele tem servido mais para risadas, “hahaha se ferrou!”, do que para conscientizar alguém que seja. É a mesma lógica que muitos apregoam no trânsito: ao ver que outro motorista está fazendo alguma barbeiragem, esses iluminados da direção seguem avançando até o último segundo, assustando o “babaca que não sabe dirigir” para “ensinar como é que se dirige”. Apontam e reforçam o erro achando que estão conscientizando. Relatos dessa metodologia pra lá de questionável são recorrentes, sempre contados com um quê de orgulho. Até hoje não soube, porém, de um caso bem sucedido de educação no trânsito baseada na intolerância e na agressividade.

O mundo está maluco, as pessoas estão perdendo as estribeiras por pouco e, nesse contexto, é fácil pegar qualquer coisinha para “servir de exemplo”, até uma brincadeira boba na Internet feita por uma criança. Fácil, não correto. Vamos colocar a mão na consciência, pessoal. Sarah tem 14 anos e, daqui em diante, um trauma para a vida toda.

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

49 comentários

  1. Discordo completamente do autor do texto. Claramente o site está tentando enfiar goela abaixo uma ideologia anti-empresarial, denegrindo a imagem da AA alegando que “a AA não devia reagir assim pois é uma empresa grande”.

    Ameaçaram o vôo dela de ataque terrorista. E daí que é um perfil de uma garota de 14 anos? A conta podia ser fake, hackeada, etc…

    Eles reagiram do modo que deveria ter sido reagido: avisando o FBI e as autoridades competentes.

    Queria ver se fosse ao contrário: se uma mensagem fosse enviada, a AA não desse bola, e o terrorismo acontecesse. Daí o mesmo autor aqui desse site iria escrever que “tá vendo? as grandes corporações nem dão bola para o que falam pra ela, avisaram do ataque e ninguém nem leu!!”…

  2. A reação da American Airlines foi sim equivocada. O correto a se fazer era somente avisar as autoridades e não dar nenhuma resposta ao twitt ameaçador, até porque se fosse uma ameaça real era assim que se pretendia prender o terrorista? Avisando-o antes de que sua ameaça foi levada a sério e que está sendo investigada?

  3. É fácil analisar os fatos em retrospectiva. Queria ver a opinião do autor em tempo real, com a ameaça diante dos olhos e sem saber de onde vinha.

  4. O que eu acho estranho é ninguém achar estranho que a menina é holandesa, vive na Holanda, a AA ameaçou com o FBI e pouco tempo depois foi detida pela polícia holandesa. Juntando esse mais é mais muitos outros (Assange preso na embaixada do Equador, Evo Morales tendo seu avião revistado na Áustria, etc) eu só tenho a dizer uma coisa: pqp, todos aqueles paisinhos da Europa são inteiramente dominados pelos EUA…negócio vergonhoso e constrangedor para eles.

    1. José, a AA é uma empresa dos EUA ela entra em contato com o FBI e eles procuram as autoridades locais.

      Sinceramente, é muito fácil eu construir uma falsa imagem de criança de 14 anos, criar um perfil e “fazer uma brincadeira”.

      Considerei a resposta uma resposta padrão e necessária. Esse tipo de coisa não pode ser considerada brincadeira. E até agora, se ela foi criticada e atormentada na internet é porque ela procurou isso. Da próxima vez ela pode mandar uma carta escrita com recortes de jornal (irônia) e ninguém escreverá na timeline dela. Ela procurou aparecer, apareceu! Mas da pior maneira possível.

  5. Oh, tadinha, ela nunca vai se recuperar do trauma terrível causado pela polícia invadindo sua casa por uma ameaça de crime que ela ameaçou cometer, e depois indo embora.

    Que drama.

    Eu não vejo nenhum outro jeito de essa estória ter acabado bem. Quando alguém faz uma ameaça de terrorismo, a pessoa tem que ser investigada, não importa a idade, ou se é uma pobre fã da Demi Lovato. Como saber se não é uma maluca querendo machucar gente de verdade? E depois se não fazem nada e dá merda, os profetas do acontecido aqui seriam igualmente rápidos em publicar que foi por negligência.

    1. Rafael, no texto eu digo, mais de uma vez, que o erro não foi na investigação, mas sim na reação da American Airlines que levou ao constrangimento de uma menina de 14 anos. Digo, inclusive, que investigar era a coisa certa a se fazer.

      Novamente: não é isso que está em pauta aqui, mas o que aconteceu entre o tuíte infeliz da Sarah e o início das investigações.

  6. Concordo em partes com o texto. Porém, como saber se a pessoa que tem aquele perfil tem realmente 14 anos?
    Acho energética a atitude da companhia, porém ao mesmo tempo, tratando-se de internet, não dá para confiar em nada.
    Nem mesmo desse perfil dela, ou até mesmo de qualquer um que comenta ou posta algo.

  7. Existe uma questão que é preciso ser considerada. Os atos terroristas conseguiram o seu objetivo. Ao agir assim tanto a AA como a garota perpetuam o sentimento de terror na sociedade. A garota por “brincar” com algo que muitos não aceitam absolutamente e a AA ao agir da forma como fez. Sei que é preciso considerar o contexto de cada sociedade, mas ainda entendo que a reação poderia ser tanto educativa e punitiva como curativa.

  8. Uma das primeiras e mais importantes regras da internet é “Don’t feed the trolls”, e foi exatamente isso que a garota fez. Gostaria de deixar bem claro que não apoio os atos cometidos pelas pessoas que a ofenderam e humilharam, mas, isso já era algo totalmente previsível diante do erro que ela cometeu.

  9. Fez por merecer… Quanto ao trauma que ela teve, serve de lição nada mais…
    Certo a american airlines em levar a ameaça a sério e fazer o necessário… Exagero?
    Exagero é pensar que ela ficou traumatizada… Para com isso… Ela levou um susto e vai ser uma das poucas pessoas que de agora em diante vão pensar em escrever algo sem noção na internet…
    Mas com certeza o maximo que ela vai fazer é ficar cabreira por 2 meses e depois já volta a fazer outra cagada de adolecente… Ao menos ameaçar pessoas ou empresas pela internet…
    Na minha opinião quem esta causando alvoraço a toa é você…
    Se uma companhia é tão gigante e tão importante, deve sim levar a serio todo e qualquer tipo de ameaça…

    1. Esse negócio de “deixar traumas na criança” quando ela leva um susto parece até aquele negócio do governo proibir palmadas nas crianças pois pode deixar traumas e sequelas irreversíveis… Já apanhei muito da minha mãe quando fazia merda quando criança, ela me dava um puxão de orelha quando faltava com educação com os mais velhos e me obrigava a agradecer as pessoas; hoje sou um bom cidadão, tenho uma vida, tenho meu trabalho, não bebo e nem fumo, e não tenho trauma nenhum!!!

      Afirmação infeliz, a do Rodrigo Ghedin, no mínimo!!!

      Se eles forem coniventes com a “brincadeirinha” dessa garota de 14 anos, imagine a bagunça que iria ser de “brincadeiras”?? Ou pior, uma ameaça real que poderia ser entendida como boato… As pessoas tem que entender que vida real é VIDA REAL, e que na vida real não se brinca com coisa séria, não se xinga as pessoas na rua, não se faz ameaça de bombas de brincadeira sem sofrer consequências de tais atos…

      Essa garota sofreu o que deveria: CONSEQUÊNCIA!!!
      Porque essa molecada de hoje em dia já é inconsequente demais com suas atitudes…

  10. Porr*, não quero ofender, mas ou você teve um momento burro ou um momento inconsequente, Ghedin. Não se trata do que a AA respondeu a ela, não seria necessário sequer resposta, bastaria comunicar às autoridades para apurar a veracidade ou não do fato. O problema é que se a AA não tomasse atitude e (relacionado ou não) um avião caísse, explodisse, ou sumisse (nova moda desde os tempos de Lost) ela seria taxada de amadora, irresponsável, conivente, negligente e por aí vai. Foi uma brincadeira estúpida, e até compreensível, adolescentes fazem isso, não deveria haver muitas consequências para ela além do susto que já levou e alguma punição proporcional como serviço “voluntário”. O que não dá para defender é que a AA exagerou, aviação é coisa séria, e terrorismo também. Não se brinca com isso.

  11. Não acho a frase da AA correta, mas considero o texto exagerado.
    Na verdade, trauma é uma palavra muito forte e praticamente sempre a usam de forma exagerada mesmo. Mas sem discutir sobre isso, li um livro a pouco tempo que citava exatamente “Quando você tiver 14 anos, a pior coisa que vai acontecer em toda a sua vida provavelmente já terá acontecido.” e é a mais pura verdade. Arriscaria a dizer que provavelmente todos já tiveram uma experiência mais “traumática” que essa, ainda mais novos do que ela.

    Na minha opinião, a frase ideal seria algo como “Nós encaramos essas ameaças com seriedade. Contataremos as autoridades responsáveis para [lhe] investigar sobre isso”. É mais sincero e tem o mesmo efeito. Só a primeira parte não adiantaria nada, pois é apenas o óbvio. Sobre a comparação com o trânsito, pense nos vídeos de alguém capotando, ou mesmo em outras áreas, há dezenas de “fails” viralizando toda semana por motivo simples, é algo que “ninguém em sã consciência faria”.

    Não era tão óbvio que ela tinha 14 anos assim, afinal há fãs(alienados, fanáticos ou não) de todas as idades, inclusive em blogs de tecnologia.

    Como já falei, para mim a frase deveria ser um pouco diferente, mas nada disso mudaria o que aconteceu depois, o suposto trauma vem do que se sucedeu, não da mensagem da AA e esse tipo de reação na internet é bem típico. Uma mensagem mais adequada da AA não acabaria com os valentões/poços de moral da internet, para mim o texto tem o “alvo” errado.

  12. Apesar de exagerada a reação da AA, acho que é compreensível dado o contexto. Não consigo imaginar o que significa uma piada de terrorismo para uma empresa de aviação norte-americana. Sei lá, seria como fazer piada de torturas feitas na época da ditadura?

    O que mais me preocupa, é a reação da “internet”. Em geral, é sempre violenta mas ninguém perdoa os adolescentes. Admito que acho engraçado os vídeos do Não Salvo com criança fazendo alguma coisa engraçada (Nissim Ourfali por exemplo), mas fico pensando se isso pode ser um problema futuramente.

    Para adolescentes, acho que é mais grave porque eles são bons alvos. Eu mesmo não tenho muita paciência com eles, mas a dificuldade em separa-los dos “jovens adultos”, tanto psicologicamente como fisicamente na internet, faz com que os ataques sejam particularmente duros.

    Somando a internet com a nostalgia de gerações, coisas como Justin Bieber e Crepúsculo são esculachadas de forma extrema em todo o canto da internet, como se não fosse material para adolescentes. Isso acontecia com o Backstreet Boys nos anos 90, mas certamente a coisa era menor. Eu gostava e fazia coisas que julgo idiota com 15 anos, achando-me adulto inclusive, mas hoje todos os adolescentes são julgados por isso sem que alguém se importe com a idade deles.

    Os adolescentes se expõe demais, suas burradas ficam registradas e atingem lugares inimagináveis como a American Airlines. Acho que a irritação com adolescentes é muito comum, mas a internet torna isso muito maior. Enfim, mais um assunto a ser discutido com a popularização das redes sociais.

  13. Entendi seu ponto de vista. Uma coisa dessas deve ser investigada, mas a AA poderia simplesmente ter ficado quieta e mandado investigar. A polícia holandesa agiria com a cautela habitual e ninguém sairia tão prejudicado.

  14. Só passando pra falar que você mudou minha opinião, Ghedin. Não concordo que a reação da empresa tenha sido muito dura (a menina deu azar e mexeu com duas coisas muito maiores que ela: a internet e o terrorismo), mas, pessoalmente, minha postura pro caso estava muito fria, muito mesquinha. Espero que a menina consiga se recuperar.

  15. Isso não é uma medida descabida ou exagerada da American Airlines. Ou só senhores com barba comprida e turbante devem ser investigados?
    Claro, uma garotinha de 14 anos é inofensiva, mas todos aqui sabem que ligar para a polícia, corpo de bombeiros, resgate etc. passando trote é um crime, certo? Por que uma ameaça terrorista em um avião comercial, com 250 passageiros não seria?
    Por favor, né.. isso está erradíssimo e tem sim que ser coibido.

    1. Cesar, trote é um negócio sério e deve ser coibido. Ameaças terroristas, mesmo que de brincadeira, como no caso da Sarah, também. Nos exemplos que você citou, porém, há diferenças bem importantes.

      “Ou só senhores com barba comprida e turbante devem ser investigados?”

      A distinção que peço no post é entre adultos e crianças, e só.

      “or que uma ameaça terrorista em um avião comercial, com 250 passageiros não seria?”

      Porque foi feita no Twitter e todas as circunstâncias, explicadas no post, levavam a entender que era uma brincadeira infeliz? Mas nem é esse o ponto; como expliquei no texto (que, espero, você leu), a parte errada dessa história toda foi o modo com que a American Airlines lidou com a situação.

      Brincadeira ou não, uma ameaça do tipo precisa ser investigada — não é isso o que está em discussão. O que não precisa é jogar a menina para julgamento sumário pela Internet, como foi o caso.

  16. Quem escreveu isto foi o Rodrigo Guedin? Você criticou a atitude da empresa em relação a brincadeira da adolescente e falou do trauma que ficará nela, justamente você, que me deixou um trauma e me fez sentir o pior ser humano do mundo no seu antigo site quando você lançou um concurso pedindo para que os usuários mandassem sugestão de um novo nome para o site e você na divulgação do resultado respondeu de uma forma tão horrível para um simples e ingênuo erro de quantidade meu, algo que nem se compara a situação da “ameaça” desta menina? Quando li este artigo seu minha mão começou a tremer e tive que comentar, desculpa se mais uma vez errei agora mas o trauma ficou, mas acho que agora você está mais maduro do que naquela época em que não tinha o cuidado de se preocupar com quem estava do outro lado, mas a vida é assim mesmo, em qualquer idade ou mentalidade a gente aprende da pior forma possível sobre algo que um dia será útil em alguma situação, ou não.

    1. Poxa Leandro, que chato ler isso :-/

      Eu não me recordo desse evento específico, mas peço desculpas ainda que tardiamente. Já fiz um monte de bobagens, inclusive na Internet; essa, pelo visto, foi mais uma.

      Abraço!

    2. Isso me cheira a troll… não passou os detalhes do que aconteceu e ainda erra o nome do Ghedin… :\

  17. A reação precisa ser assim pra desestimular esse tipo de fato, por mais que pareça desproporcional. Eu não achei. Nem foi grosseira nem nada, foi é bem educativa! As vezes como professor, preciso fazer isso em aula. “Você está brincando? Eu não. Aprenda a brincar.”

  18. Assim, a idade a gente só sabe agora que está tudo público na internet. Na hora do reply, acho que a idade e informação de quem realmente é não aparece.

    Fica fácil tirar conclusões assim, depois, quando tudo já está público.

    E se fosse diferente? Não fosse uma menina de 14 anos? A gente visse agora que era realmente o Ibrahim? E que pegaram um terrorista, protegeram tudo, etc…

    1. Dava pra sacar que não era um adulto pelo perfil da menina, né? Ela estava reclamando de um horário de voo para ver um show da Demi Lovato antes de publicar a fatídica mensagem. E se era difícil apurar as circunstâncias no momento, que atitudes precipitadas não fossem tomadas então.

      Quem está no comando de um perfil no Twitter que lida com tanta gente e é seguido por quase um milhão de pessoas precisa saber ler nas entrelinhas. Não foi o caso aí.

      1. “Quem está no comando de um perfil no Twitter que lida com tanta gente e é seguido por quase um milhão de pessoas precisa saber ler nas entrelinhas. Não foi o caso aí.”

        Imagine um policial, que olha uma menina que ameaça de primeira só porque o policial impediu a passagem dela, depois que o policial reage ela pede desculpas e o policial só mantém a pose de ameaça, e depois fala “Não faça mais isso”.

      2. Só para ressaltar, parece que estamos em sintonia mesmo no assunto.

        “perfil no Twitter que lida com tanta gente e é seguido por quase um milhão de pessoas precisa saber ler nas entrelinhas.”

        Realmente quem cuida da comunicação social deveria estar atento a isso. Claro que deixar a eventual ameaça (desvairada ou não) sem verificação não é o caso, mas o ideal seria, sem alarde, encaminhar para os responsáveis por fazer a análise do fato e se é procedente. Correr o processo de averiguação longe do público. Que na minha opinião não iria dar em nada ou no máximo uma suspensão de uso de internet e um aviso legal na porta dos pais da garota.

        O profissional dessa área tem que estar preparado para isso.
        E exercendo meu lado ditador (alou Vagner :), eu teria demitido o responsável pelo tweet.

        PS.: O site parece meio instável, se não fosse a minha mania de dar um ctrl+c nos comentários que escrevo antes de enviar teria perdido todos.

  19. Acho que teremos uma nova revolução na internet quando for criado um equalizador e um agrupador universais de mensagens/frequências do mesmo assunto/autor igual ao do Gmail.

    Tenho visto nos últimos meses a TV cada vez mais usando a “segunda tela” para se orientar na “primeira” e mesmo assim não encontrar seu Norte. Tem também o clássico Social Media da Corte que comanda as contas de grandes empresas e sua função-mor é cantar, dar receita de bolo e fazer poeminhas para moleques tuiteiros like a boss zoero never stopi endi. Sem falar nas visualizações de clipes no Youtube/VEVO onde verdadeiras operações de guerrilha são orquestradas por crianças barulhentas.

    Não falo de fake, mas de gente barulhenta que rouba a cena e desvia a atenção. Como lidar? Ouvi-las? Silenciá-las? E como processar isto em lote? Lote do tamanho do fan clube do One Direction?

  20. Isso me fez lembrar do caso do bebe de 9 meses que foi acusado de assassinato e hoje é considerado fugitivo no Pasquistão e também o caso onde as indústrias fonográficas processavam pais de jovens que tinham baixado uma ou outra música na internet em MILHÕES.

    Essa e outras histórias onde crucificam alguém para “servir de exemplo” são despautérios cometidos por detentores de poderes, ~ditadores~, que tentam expurgar ideias e pessoas que não dançam conforme a música que elas tocam.

    Coerência, contexto e compreensão de mundo mandaram um abraço.

    1. Falta um pouco de coerência, contexto e compreensão é da sua parte, não? Há uma diferença gritante entre o bebê processado por homicídio, e a menina que fez uma ameaça online. A primeira é óbvia: a idade. A segunda, as culturas. E o caso dos processos de pirataria tá fora da conversa.

      As vezes, até as pessoas que dizem que os outros expurgam ideias contrárias, muitas vezes são os próprios que expurgam as ideias contrárias a dele.

      Pense um pouco mais, pois é este tipo de comentário como o seu que acaba gerando problemas sérios na internet…

      1. Calma, pessoal :-)

        Consigo enxergar uma relação entre o caso da Sarah e os citados pelo Brenno: em todos eles se nota uma reação desproporcional à ação original. E isso, em grande medida, o que mais me incomodou nessa história toda da American Airlines. A reação deles à ameaça da Sarah foi exagerada.

        1. Ghedin, a ação da empresa não foi exagerada. Da internet, como “de costume”, sim. A menina fez um comentário ameaçador, a empresa respondeu de forma justa: falou que ia mandar à polícia/FBI. Normal. Até o exagerado Sakamoto já fez isso (De ameaçar processar comentaristas).

          Não há desproporcionalidade. Foi um comentário mal feito, e a pessoa aprendeu do pior jeito que não era para fazer aquilo. Convenhamos, se fosse um molequinho de 14 anos brasileiro que ao invés de fazer o que a menina fez (pedir desculpas), ficasse peitando e desafiando, pensando que não ia acontecer nada com ele? O “descabimento” seria o mesmo?

          1. “Ghedin, a ação da empresa não foi exagerada. Da internet, como ‘de costume’, sim.”

            Se a empresa não tivesse agido da forma que agiu, “a Internet” teria reagido à mensagem da menina? Bingo.

            “Foi um comentário mal feito, e a pessoa aprendeu do pior jeito que não era para fazer aquilo.”

            Exato, existe um punhado de outras formas para lidar com a questão e a empresa apelou para, nas suas palavras, o pior jeito.

            “Convenhamos, se fosse um molequinho de 14 anos brasileiro que ao invés de fazer o que a menina fez (pedir desculpas), ficasse peitando e desafiando, pensando que não ia acontecer nada com ele? O ‘descabimento’ seria o mesmo?”

            Com certeza.

          2. Pelo visto, vou ter que encerrar meu diálogo por aqui, pois virou debate. E em debates, é difícil haver consenso. Você vai defender seu lado de que “a empresa abusou” e eu vou defender o meu lado de que “a empresa não abusou”. E não vi um “argumento matador” que ou chegue num consenso ou fale que um dos lados está certo.

            Do jeito que tá minha cabeça agora, se eu continuar a conversa, vou acabar apelando demais ou exagerando.

            Perdão o incômodo aí Ghedin. :)

          3. De acordo, Vagner! Estamos aqui para discutir ideias e, nesse contexto, nem sempre há consenso. E ele nem deve ser obrigatório mesmo… O que deve constar sempre, e vimos isso posto em prática aqui, são o respeito mútuo e a discussão saudável.

            E relaxa, não foi incômodo algum!

      2. Pelo contrário Vagner,

        Não há falta de coerência nenhuma. O que expus não foi o assunto. É óbvio (!) que diferença nos três casos. O que quis ressaltar é a forma que se tomam decisões afim de se resolver determinado empecilho… a não distinção de casos e casos. Uma única punição não serve.

        Não atenha-se ao superficial, ~a notícia~, e verás que o comentário que fiz é bem coerente.

        [],

        1. Vou pegar este trecho aqui:

          “Essa e outras histórias onde crucificam alguém para “servir de exemplo” são despautérios cometidos por detentores de poderes, ~ditadores~, que tentam expurgar ideias e pessoas que não dançam conforme a música que elas tocam.”

          O tom que li este trecho me dá a noção que não é coerente tanto quanto parece. “Todos nós” somos de certa forma ditadores, pois queremos colocar nossa moral como regra perante o outro. Esse é o que acho conflitante com sua opinião.

          1. Vagner,

            Quando você mencionou a falta de coerência , em sua primeira resposta, você o fez discriminando os três casos que citei (1º parágrafo). Logo pensei que a suposta falta de coerência minha seria ao tentar traçar paralelos nos casos.

            Mas como não o foi, vamos ao trecho que destacou.
            De fato, como você analisou na passagem, em mais ou menos grau quando tentamos impor “nossa moral” perante a outro nos tornamos ditadores sim. Duvido que haja alguém que nunca fez isso ao menos uma vez. Expor uma opinião e tentar fazer com que outras pessoas entendam a moral que você segue sem impor, mesmo que pouco, é difícil.
            A questão é que… alguns desses “ditadores do cotidiano” tem de fato poderes na mão e o usam sem distinção.
            Agora, só peço que me ajude a achar onde fui incoerente.

            Mas antes de terminar, concordo um tanto contigo que esse caso da AA não seja de total abuso, pelo menos não perto dos casos que citei. A demonização que a internet fez ajudou a crescer o peso em cima da jovem. Mas ainda assim não é atitude louvável, principalmente por se tratar de uma resposta em mídia social… pública.

            Abraços,

          2. Vou corrigir a resposta anterior, mas continuo no fato que falta coerência, tanto no comparativo do bebê em relação à menina, quanto no fato do dito “ditadores”, que mostra que você tem um viés político diferente.

            O caso do bebê processado por homicídio vem do Irã, e nisso dispensa maiores comentários, caso já conheça como é a cultura de lá.

            O caso da menina é diferente. Agradeço por nisso você concordar que pelo menos há diferenças.

            O que acho que o Ghedin, você e outros não estão entendendo é mais ou menos o que o Eloy colocou: é quase uma ação educativa isso.

            Vamos remontar a ação ocorrida: a menina reclamou de um voo atrasado, como colocado pelo Ghedin (não vi este post dela). O post em seguida é uma ameaça: “Sou Ibrahim e vou fazer uma coisa grande no dia tal”. Ponto. Ei, a menina aqui fez uma brincadeira em tom de ameaça!

            A empresa responde: “Nós levamos a sério tais ameaças. Seus dados serão repassados ao FBI”.

            O resto é a resposta da menina pedindo desculpas.

            Sério, o que tem de errado em uma frase como esta? Já vi aquela menina que criou a campanha “Não Mereço Ser Estuprada”… , um monte de gente faz isso: fala que em casos de ameaças sérias, leva às autoridades. Isso não é ditadura e sim democracia: deixar a quem de direito tem responsabilidade de apurar e punir sobre isso.

            Desproporcionalidade e ditadura mesmo seria a empresa ameaçar a pessoa de morte, impedir o acesso dela, ou fazer uma piada besta, como “nosso piloto é suícida e vai lhe matar”.

            Por isso que falo que é incoerente: a gente usa ultimamente o termo ditadura para tudo que nos tenta enfiar guela abaixo (até eu), e esquece que o termo siginifica algo pior – o controle social por um único ser ou grupo.

            E em resposta ao Ghedin, duas coisas: não é porque a empresa deixou pública a resposta que significa que ela errou. A humilhação do “tribunal da internet” seria a mesma sem que a empresa respondesse. E quando no caso de debates, vou ser sincero e dizer que odeio debates, prefiro tentar chegar em um acordo comum entre duas partes. Se dois lados não tem opiniões iguais, isso ao meu ver é um conflito, e não dá muito certo :\

  21. Li em algum local, muito antes da Web 2.0… ( e muito antes do Twitter) que a Internet não é para iniciantes….. alguns anos depois, a premissa continua.

    Somando fatos: Estamos vivendo em um mundo de extremos…. videos de pessoas fazendo o bem… video de menina de 15 anos atirando filhotes de cachorro em rios…. aviões sendo realmente derrubados por terroristas.. crianças perdendo a noção dentro do prisma da zuera sem limites (e muito por culpa dos pais)

    Não estou defendo a AA, que como todo cão que realmente queira morder (ou ameaçar) deveria ter passado a bola pra sua área de segurança sem responder uma mísera mensagem. A visita de um policial a casa da menina + uma aula para ela entender o que é de fato um atentado terrorista e o que trotes gastam de tempo inútil teria resolvido.

    Falta um pouco de tutano de todas as partes. Cia’s aereas são completamente traumatizadas com esse assunto (com razão, já que são alvos clássicos – Alguém lembra da menina que não embarcou aqui em São Paulo porque o pai fez uma piadinha besta para sua filha? ) e talvez isso seja a resposta. Uma equipe de mídias traumatizada pelo ambiente, lendo algumas ameaças por dia … descambou.

    1. A internet é para qualquer um. O ponto é que a internet é um reflexo do que somos IRL. Se existe “podridão”, cabe no que você falou: são os PAIS que tem que gerir o que o filho faz.

  22. A resposta que eu tinha pronta não vai se mais tão útil. Então vai uma nova aí.

    Eu entendo que para certas situações, é compreensível que as respostas deveriam ser pensadas e feitas de forma leve. Mas vamos primeiro analisar a situação aqui: A pessoa (supõe-se que não sabemos a idade dela ainda) faz uma ameaça pública via twitter à American Airlines. A empresa responde que encaminhou os dados dela ao FBI, incluindo dados que supostamente a empresa não tem acesso (eu sinceramente não duvido que a AA e o setor de “social media” deles tenham acesso, até porque lembremos da regra de liberação de dados a polícia ou a justiça como nestes casos). A resposta não foi pesada nem amedrontadora, foi justa: diante de uma ameaça, a empresa se posicionou como provavelmente manda a lei por lá.

    A menina se desesperou e a empresa não respondeu sobre isso. Tenho duas suspeitas: ou a empresa ignorou para deixar o caso nas mãos do FBI, ou ela se fez de ignorante perante as desculpas por opção própria. Creio mais na primeira.

    Que eu saiba, há um entendimento na psicologia que até uma certa idade (justamente até os 13/14), há uma construção dos discernimentos e responsabilidades. Só que nos Estados Unidos, não conheço a legislação bem por lá, imagino que certas condições um jovem responde como um adulto. E este tipo de ameaça é uma delas.

    “O que é humanidade”? Vejo um humano como um animal que pensa, e que tem horas que não pensa ou age por instinto, demonstração de força ou atenção ou necessidade.

    Eu já fui alvo de processo porque em um site que eu cuidava, o dono dele postou uma charge anônima provocando a prefeitura. Por sorte, o processo saiu das minhas costas, mas desde então vi que não dá para fazer certos tipos de brincadeira em um lugar onde há regras e limites para tal. Admito que as vezes até eu exagero ou ameaço, mas sei das responsabilidades.

    Provavelmente, o resultado disto tudo será o FBI fazendo uma cartilha de orientação para evitar novas situações como estas, a menina levando uma bronca do juiz e sendo proibida de acessar a internet por uns dias (como disse a Marina no twitter), os abestalhados do 4Chan/Anonymous ou similares provocando o FBI (se não me engano, já pegaram muitos destes caras dos sites e grupos citados) e com isso vai se mostrar que é olho por olho, dente por dente e “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

    Admito que não sou fã de ações extremas, mas ao mesmo tempo tem horas que eu queria fazer algo parecido, inclusive com comentaristas de alguns sites por aí.

    A propósito, se a moda pega, vai ser divertido ver um monte de comentarista de internet, twitteiros, blogueiros revoltados e outros mimizeiros chorando para não serem pegos pelo FBI, justiça, polícia ou similar. Aposto uma bala que muitos aí que vivem ameaçando e provocando como trolls de internet são justamente jovens de 14 – 18 anos.

    1. Para complementar, vou deixar a resposta que eu tinha preparado antes. Vi que a mesma é um pouco mais “neutra”. Não se preocupe com a redundância com a resposta anterior que deixei:

      Entendo seu pensamento: a reação da AA e do FBI foi rápida e forte, inclusive pelo fato que a menina se retratou após a ação da AA. Mas em um país que teme ataques terroristas e tem seus traumas, a reação é cabível. Como colocado pelo Juan e pela Marina, provavelmente a menina foi levada para averiguação, e talvez esteja lá chorando na cela do FBI hoje, e amanhã saia apenas ganhando a restrição de não acessar a internet por um tempo.

      Até entendo também o fator idade, mas lá, a cultura deles entendem que 14 anos é uma idade com maturidade suficiente para discernir certas condições, inclusive ameaças. Aqui não, pois temos o fator cultural de tratar os jovens como imaturos até os 18/21.

      Ameaças, ao meu ver, são ameaças. Admito que até eu exagerava nos comentários por aí ameaçando um ou outro. Sei que estou errado e se uma hora tiver um processo em cima, que eu responda. Vale para tudo, e esse acaba sendo o problema nas conversas de comentários e redes sociais: os exageros que as pessoas tem, sob o manto da “liberdade de expressão”. Não importa se jovem ou velho, é a questão de saber lidar com as palavras aqui.

      Se nós aqui no Brasil existisse algum problema de ameaça terrorista ou problemas mais sérios de conflitos civís, talvez estaríamos na mesma situação de lá. De fato, temos hoje o narcotráfico e o crime organizado, mas eles ficam mais é ostentando e virando piada nas redes sociais do que fazendo ameaça séria. Até porque eles sabem que ameaçar a população acaba sendo pior para eles. E a velha briguinha de lado A vs lado B.

      Uma palavra tem força e valor para quem dá o devido valor. Se a gente não sabe o poder destas palavras, e não usa tal poder com controle, o resultado que temos é esse que vemos todos os dias nos comentários, fóruns e redes sociais: um caos de onde não se tira muita coisa de útil, vemos pessoas só reclamando de que “o mundo não melhora” e nem olham para o que elas mesmo fazem por aí.

    2. Complemento a um trecho específico.

      ““Ah, mas agora serviu de exemplo”. Será? E se sim, a que custo? O trauma que ficará na menina extrapola qualquer lição que seu caso tenha deixado aos demais — e, pelas reações que vi até agora, ele tem servido mais para risadas, “hahaha se ferrou!”, do que para conscientizar alguém que seja. ”

      Cara, do jeito que é a nossa cultura, faz um certo sentido o “hahaha se ferrou”. Muitos já tem consciência de que “mexer com certas coisas não é legal. A menina pode ficar com trauma, mas quanto a isso, até eu tenho meus traumas e estou tentando me tratar, e isso não é culpa do “hahaha se ferrou”, mas sim da cultura da sociedade de que “quem é melhor e normal é quem se dá bem”.

      E um extra: se a menina não fosse provocar uma AA, mas sim uma pessoa comum, será que esta menina também não estaria provocando um trauma em outra pessoa?

      O comparativo com carro é errado, a propósito e não por mal.

      1. Um erro não justifica outro, Vagner. E um erro generalizado não é aval para que ele passe a ser encarado como normal pela sociedade. Não é porque temos traumas de infância (e eu também tenho os meus) que as novas gerações têm que sofrer o mesmo.

        1. Mas o que é “normal”, Ghedin? Cada geração lida com alterações na moral da sociedade anterior, e muitas vezes mantém traços da mesma.

          As novas gerações, de alguma forma, talvez ganhem suas limitações, traumas e afins. Em milênios de civilização, há traços como as hierarquias e controles morais que não saem ou mudam.

          Mas voltando, acho que é meio “drama” o fato da resposta da AA. Eles deram uma resposta padrão. O problema, nisso aí posso concordar contigo, é os julgamentos (incluindo o nosso) quanto ao caso, humilhando a menina.