Com streaming ao vivo, a Apple apresentará seus aguardados novos produtos — sejam quais forem

Hoje à tarde a Apple fará um evento para apresentar novos produtos. Se você tem acompanhado os rumores, e é difícil desviar deles, deve saber que os mais cotados dizem respeito a dois novos iPhones, um com tela de 4,7 e outro, de 5,5 polegadas, e um gadget vestível, provavelmente um relógio inteligente que sincroniza com o iPhone. De minha parte, repito as previsões da WWDC.

Começa às 14h (horário de Brasília) e terá streaming ao vivo neste site.

Evento da Apple costuma roubar o noticiário de tecnologia e respingar no geralzão — é provável que os telejornais noturnos de hoje deem um espaço para falar dos anúncios de logo mais. Ele também monopoliza a pauta dos sites especializados, mexe com toda a estratégia das rivais (a tonelada de anúncios na IFA, semana passada, e a Amazon derrubando o preço do Fire Phone de US$ 200 para US$ 0,99 são alguns reflexos) e vira tópico de debate em toda conversa que passe perto de “tecnologia”. Ficamos todos curiosos para ver o que a empresa que redefiniu o conceito de smartphone tem para mostrar de novo nessa área. (mais…)

Primeiros reviews do Moto 360 criticam bateria ruim e tamanho

O Moto 360 foi lançado hoje nos EUA e, com isso, caiu o embargo dos sites de tecnologia para a publicação dos reviews. E… bem, se isso é o melhor que Google & amigos podem fazer no momento, parece que ainda não chegou a hora dos gadgets vestíveis.

Pelas duas análises que já li, o 360 peca em bateria e tamanho. E a tela poderia ser melhor. O estilo foi ressaltado em ambos os reviews e, por fotos e vídeos, descontada a espessura ele parece mesmo bonito. Enfim, coisa para ver ao vivo quando chegar ao Brasil, em outubro (nada de preço local ainda). (mais…)

Culpar o iCloud pelo vazamento das fotos de celebridades é um erro duplo

No último domingo, fotos íntimas de celebridades vazaram em redes sociais e sites “especializados”. Entre as vítimas estavam Kate Upton, Jennifer Lawrence, Kirsten Dunst e outros famosos — o número deles pode chegar a cem.

A repercussão tem sido grande porque, ora, são celebridades nuas. Na mesma velocidade com que as fotos se espalharam, empresas supostamente envolvidas com a obtenção das imagens e usadas posteriormente para a disseminação delas começaram a agir a fim de minimizar os estragos. Twitter e imgur estão banindo usuários que compartilham as fotos e o Google tem limpado sistematicamente os resultados da busca para omiti-las.

Ainda não se sabe o que foi usado como vetor para o ataque, muito menos qual ou se alguma falha foi explorada. Na imprensa, porém, não demorou muito para que uma suposição se alastrasse: a culpa do iCloud. (mais…)

A grande oportunidade do NFC

No próximo dia 9 a Apple fará um evento onde, se os rumores baterem, revelará um (ou mais de um) novo iPhone e o iWatch, ou alguma coisa “vestível”.

Faz algum tempo que a esteira de rumores tem cravado com precisão o que a Apple anuncia, logo o novo iPhone com tela maior deve se confirmar. Quanto ao gadget vestível, as informações são menos concretas. John Paczkowski do Recode, que antecipou a data do evento, disse que o novo produto só estará nas lojas no começo de 2015. A distância explicaria o silêncio dos sites de rumores — sem produção, não tem o que vazar.

Talvez a única certeza seja a de que o gadget vestível da Apple não será em nada parecido com o que já se tem no mercado. Nem o “campo de distorção da realidade” é capaz de consertar produtos sem apelo como os da primeira geração do Android Wear e os vários da Samsung rodando Tizen.

Em nota relacionada, parece que a Apple finalmente suportará o NFC. É o que John Gruber sugere e, em um desses vazamentos do novo iPhone, identificaram um módulo NFC. No mínimo, ele facilitaria o pareamento com o suposto gadget vestível, mas o potencial extrapola essa aplicação e, em última instância, pode respingar (e beneficiar) fabricantes Android que há anos trazem a tecnologia que, salvo em uma ou outra aplicação aqui no ocidente, é subutilizada.

Esse assunto surgiu no grupo de discussão do site no Facebook (apenas para assinantes). Lá, desenvolvemos um bom raciocínio sobre as implicações que, se concretizada, essa nova configuração de mercado pode desencadear. O que alguns chamam de “campo de distorção da realidade” é, na prática, poder, influência — e méritos da Apple por alcançar tal patamar. Com ela suportando o NFC, as chances dele vingar e se espalhar em outras indústrias, criando o ecossistema de que algo do tipo precisa para se estabelecer, aumentam dramaticamente.

É um cenário similar ao dos smartphones pré-iPhone, ou dos tablets pré-iPad. A analogia, mais rasa, também se aplica nesse hipotético: juntas ou em investidas solitárias, Google, Samsung e outras não conseguiram difundir o NFC. Hoje o máximo que dá para fazer aqui no Brasil é trocar fotos e informações de contato tocando dois celulares e recarregar seu cartão do metrô em São Paulo.

O fato da Apple entrar na jogada não é uma certeza de que o NFC decolará. O Passbook, criado meio que como uma resposta a um dos casos de uso mais típicos do NFC, a substituição da carteira pelo smartphone, tem utilidade mas está longe de ser unânime.

E ainda que tenha a força do iPhone, a própria tecnologia precisa resolver alguns problemas graves antes de almejar a mesma difusão que outros componentes do smartphone moderno sustentam, como câmera e 3G/4G. Falta segurança, faltam aplicações originais e úteis, falta até mesmo compatibilidade (paywall) — dependendo do fornecedor da antena NFC, ele funciona ou não com uma série de acessórios e terminais.

Compartilhar um contato tocando dois smartphones é muito legal. Pagar a conta do restaurante fazendo o mesmo gesto? Por favor! A Bloomberg relata que a Apple firmou acordos com Visa, MasterCard e American Express, e se onde há fumaça, há fogo… Embora tecnologicamente viável, ainda é preciso alinhar uma série de fatores externos para tornar isso realidade. O iPhone não é a peça que falta, mas pode ser aquela que dá uma visão geral e facilita o encaixe das restantes.

O iPhone 5c de menos de US$ 1 d’O Globo

*Suspira*

Vez ou outra alguém levanta o argumento do iPhone barato nos EUA para criticar os preços (caros, de fato) brasileiros. Ontem foi a vez d’O Globo soltar a matéria acima.

Ela não está errada. O Walmart realmente baixou o preço do iPhone 5c, de US$ 29 para US$ 0,97. É quase uma tradição por lá essa queima em agosto, já que tradicionalmente a Apple lança um novo iPhone no mês seguinte.

Se você está ligado, notou que o preço anterior era de US$ 29, o que ainda assim é muito barato. Smartphone em geral, nos EUA, passa essa impressão — lançamentos custam US$ 199, no máximo US$ 299. A pegadinha para quem leu e se impressionou e compartilhou o post d’O Globo ou outros que citam o mítico “iPhone barato” norte-americano são as letras (não tão) miúdas: esses preços são atrelados a um plano de operadora de dois anos. Você leva um iPhone quase de graça, mas se compromete a pagar 24 mensalidades a uma AT&T da vida. E isso não sai barato.

O iPhone 5c desbloqueado, como o que é vendido por aqui, custa US$ 549 na loja oficial da Apple dos EUA. Convertendo para a nossa moeda e somando o imposto de… digamos… Nova York (8,875%), o preço final fica em R$ 1.357. Repito: é mais barato do que aqui, mas está longe de ser de graça.

A título comparativo, o mesmo modelo de iPhone custa R$ 1.999 na loja oficial da Apple brasileira e, no momento, está em promoção na Saraiva, saindo por R$ 1.444 — salvo engano, o valor mais baixo que ele já atingiu aqui.

US$ 0,97? Experimente US$ 549.

A respeito da promoção do Walmart, O Globo faz apenas uma tímida menção ao GRANDE asterisco da questão do contrato:

A oferta começou nesta quinta-feira em todas as lojas da rede nos EUA e vale para todas as opções de cores, mas precisam de contrato de dois anos com alguma operadora local.

Na Quartz, uma publicação norte-americana, o título do post diz: “Não compre o iPhone de US$ 0,97” e traz, no final, uma explicação que lá todo mundo meio que sabe e que eu esperaria de qualquer site brasileiro ao se referir ao “iPhone de um dólar”:

De qualquer forma, é importante lembrar que US$ 0,97 — ou mesmo US$ 29 — não é o custo real do iPhone. Ambos os preços exigem a assinatura de um contrato com operadora móvel de dois anos, que normalmente varia de US$ 60 a US$ 100 por mês — facilmente mais de US$ 1.000 ao longo do contrato, quase sempre acima dos US$ 2.000. Nesse contexto, economizar US$ 28,03 não é um negócio tão bom assim.

MIUI ou iOS?

No último sábado a Xiaomi lançou o MIUI 6, nova versão do seu sabor do Android AOSP. Na China, empresas de tecnologia ocidentais não têm a mesma presença que aqui e esse cenário é propício para o surgimento de alternativas locais. A MIUI abdica dos serviços Google desde a quarta versão, tem um visual  que em pouco lembra o sistema original e, no fim, acaba sendo um Android bem diferente daquele a que estamos acostumados.

Talvez na mesma medida em que difere do Android do Google a MIUI flerta com o iOS da Apple. Os casos recentes de uso indevido de fotos protegidas e cópias flagrantes de assets da Apple não são nada perto da MIUI 6, porém: ela parece uma cópia bem convincente do iOS 7. Já era antes, com a ausência da app drawer em favor de telas iniciais como as do sistema que move o iPhone; agora, com visual flat e apps básicos reformulados, a semelhança ficou mais evidente.

Duvida? Vamos fazer um jogo, então. Chamei ele de “MIUI ou iOS?”, e consiste em olhar duas screenshots lado a lado e dizer qual sistema é qual. Está pronto? Valendo! (mais…)

Agenda de lançamentos: Samsung, Sony, Motorola, Microsoft e Apple (Apple?)

Algumas empresas se dão ao luxo de organizar eventos próprios para anunciarem novos produtos. Outras recorrem a conferências de tecnologia: CES (EUA) e Mobile World Congress (Espanha) no começo do ano e, agora no segundo semestre, a IFA na Alemanha.

A Samsung anunciou todos os Galaxy Note lançados até hoje no evento de Berlim. Em 2014 não será diferente. O novo phablet será apresentado ao mundo no dia 3 de setembro em três cidades simultaneamente — Pequim e Nova York terão eventos próprios.

Ainda no dia 3 e também na Alemanha, a Sony fará a sua apresentação. Nem convite à imprensa, nem o site oficial de credenciamento de jornalistas revelam o que será apresentado, mas dá para ver nas imagens o que aparentam serem caixas de som, o suporte de uma TV e um smartphone de perfil. Há rumores rolando sobre um Xperia Z3. Será? Já?

No dia seguinte, 4 de setembro, será a vez da Microsoft falar em Berlim. O convite pergunta se estamos “preparados para mais?” e isso, somado a outros indícios, parece bater com rumores sobre o Lumia com câmera poderosa para selfies — provavelmente o Lumia 730.

Ontem a Motorola mandou convites à imprensa para um evento próprio, em Chicago, EUA, também em dia 4 de setembro. Além de lançar o Moto 360, seu relógio inteligente com Android Wear, o convite mostra dois smartphones, um com um “X” e outro com um “G” na tela, e um acessório de áudio. Devem ser as aguardadas novas versões dos bem sucedidos Moto X e Moto G.

Convite para evento da Motorola.

Por fim, mas não menos importante (e nem confirmado), temos a Apple. John Paczkowski, do Recode, garante de pés juntos que o novo (ou os novos) iPhone será anunciado no dia 9 de setembro, também em evento próprio, como acontece desde… sempre.

Setembro será um mês cheio!

Rumo à expansão internacional, Xiaomi precisa rebater críticas sobre privacidade e plágio

Apresentação do Mi 4 teve 'one more thing'.
Jobs se revira no túmulo. Foto: sascha_p/Twitter.

A Xiaomi vai bem na sua terra natal, mas quer mais — quer o mundo. A expansão internacional, capitaneada pelo ex-Google Hugo Barra, é de conhecimento geral e deverá passar pelo Brasil. Antes disso, porém, a fabricante chinesa precisará rever algumas práticas e ganhar a confiança do consumidor ocidental.

Ontem, Barra publicou em seu perfil no Google+ um FAQ sobre privacidade em resposta a denúncias de que o smartphone Redmi Note enviaria secretamente dados do usuário a servidores na China. Segundo o executivo, o que o MIUI (variação do Android usada pela Xiaomi) faz é sincronizar dados pessoais com a nuvem e outros dispositivos, nos mesmos moldes de ofertas concorrentes como Dropbox, Google+ e iCloud. O recurso pode ser desativado e o compromisso da Xiaomi, ainda de acordo com Barra, é com a transparência:

(…) Não enviamos informações e dados pessoais sem a permissão dos usuários. Em uma economia globalizada, fabricantes chinesas de dispositivos vendem bem no mercado internacional, e muitas marcas de fora são igualmente bem sucedidas na China — qualquer atividade ilegal seria bastante destrutiva para os esforços de expansão global da empresa.

Não é de hoje que a China é um pólo de tecnologia. A diferença é que agora as empresas do país estão avançando para outras partes do globo. As restrições que a Internet sofre por lá, somadas a suspeitas de colaboração das empresas de tecnologia com o Partido Comunista, são motivos de preocupação deste lado do mundo.

Por exemplo, a Huawei. Fornecedora de boa parte da infraestrutura que move a Internet no mundo, em 2012 ela foi acusada pelo governo dos EUA de infiltrar software espião nos equipamentos comercializados por no país — e, ironia das ironias, no fim era a Huawei quem estava sendo monitorada pela NSA.

Outra frente onde que a Xiaomi terá trabalho será para se livrar das críticas às “inspirações” que toma, notadamente da Apple. Há três, quatro anos, a sul coreana Samsung passou pela mesma situação e acabou tendo que resolver a briga em disputas judiciais nas cortes de vários países. Terá a Xiaomi o mesmo destino?

Mera coincidência?
Montagem: Cult of Mac.

Já encontraram o ícone do Aperture (!), software da Apple, no material de divulgação do Mi 3, outro smartphone da Xiaomi. Na mesma página de divulgação do produto, fotos protegidas por direitos autorais podem ser vistas nas screenshots da galeria — e aqui, além de se apropriar do trabalho alheio a empresa ainda engana os consumidores colocando como exemplos de fotos feitas com o smartphone imagens que, na real, foram capturadas por câmeras profissionais. No Cult of Android, Killian Bell encontrou um punhado de similaridades com produtos, práticas e materiais de marketing da Apple. Nem o “one more thing”, marca registrada do falecido CEO da Apple, Steve Jobs, escapou.

Hugo Barra rebate as críticas enfaticamente: “Se você tem dois designers com habilidades similares, faz sentido que eles cheguem às mesmas conclusões. Não importa se alguém mais chegou à mesma conclusão. Não estamos copiando os produtos da Apple. Ponto final.” Mas é difícil encerrar a discussão com fatos tão escandalosos, bem como acreditar que eles são frutos de mera coincidência.

A Xiaomi fabrica smartphones, tablets e alguns outros eletrônicos que, dizem, são de ótima qualidade e custam pouco. Na China, ela ultrapassou Samsung e Apple em vendas no primeiro semestre desse ano e quando chegar a outros mercados deverá fazer barulho. Resta saber se esse barulho será apenas das caixas registradoras e dos clientes satisfeitos, ou se o martelo dos juízes também se fará ouvir.

Como as empresas de tecnologia se saíram no último trimestre fiscal (2Q2014)

Diversas empresas de tecnologia com capital aberto estão divulgando seus relatórios trimestrais nesta semana. Esses documentos públicos são uma exigência da Bolsa e trazem, resumidamente, números: vendas, faturamento e lucro (ou prejuízo).

Por que você está lendo isso aqui? O site não virou um Manual do Investidor, nem mudou de foco. Esses relatórios, porém, servem ao mesmo tempo de indicativos para o futuro das empresas e termômetro para suas ações mais recentes. Tomemos a BlackBerry como exemplo. As mudanças radicais em comando, estratégia e abertura se devem ao mau desempenho dos seus papéis. Como empresa de capital aberto, agradar aos investidores e manter seu valor de mercado em alta passa a ser uma meta importantíssima, talvez a mais importante.

Abaixo, um resumo das que já divulgaram seus números e seus destaques relativos ao segundo trimestre (terceiro, para a Apple) do ano fiscal1 de 2014. (mais…)

Apple e IBM unem forças para ganhar clientes corporativos

Parceria histórica, segundo a Apple.
Ginni Rometty e Tim Cook, CEOs da IBM e Apple. Foto: IBM/Flickr.

Não costumo abordar tecnologia corporativa por aqui. Embora muitas empresas usem gadgets e até software similares aos do mercado doméstico, as aplicações costumam ser bem diferentes — mais focadas, em rede extensas e bem controladas, e tendo segurança e estabilidade como prioridades. Certas coisas, porém, não podem passar batidas. Uma delas é o acordo firmado entre Apple e IBM.

Dispositivos iOS têm um pé firme no ambiente corporativo. A Apple gosta de dizer, sempre que possível, que 98% da Fortune 500 usa ou está testando aplicações com o iOS. Embora pareça muito, pelo que Tim Cook disse ao New York Times isso representa a ponta do iceberg: “A penetração [nas empresas] é baixa e o teto está tão acima de nós que é inacreditável”. Em outra entrevista, esta ao Recode, Cook reforçou as vantagens da parceria:

“Somos bons em construir uma experiência simples e em fabricar dispositivos. O tipo de expertise profunda na indústria que você precisaria para transformar o corporativo não está no nosso DNA. Mas está no da IBM.”

Pelo acordo, que não teve qualquer cifra revelada, Apple e IBM unirão forças para desenvolver apps corporativos usando os avançados serviços na nuvem, análises diversas e big data da IBM. Serão mais de cem, a serem lançados a partir do segundo semestre, para setores como vendas, planos de saúde, bancos, viagens e transporte.

A IBM também oferecerá suporte e destinará seu corpo de profissionais à promoção de iPhones e iPads diretamente nas empresas a quem presta serviços, o que pode aumentar em muito os relatórios trimestrais de vendas da Apple — contratos corporativos costumam alcançar números expressivos e serem duradouros. Da Apple, além da força no desenvolvimento dos apps e dos próprios dispositivos iOS1, virá um plano corporativo do AppleCare, a garantia dos seus equipamentos. O objetivo é unir a mobilidade e facilidade de uso da Apple ao poderio das soluções corporativas em uma camada mais baixa da IBM e levar essa combinação a trabalhadores e empresas do mundo inteiro.

O mercado corporativo costuma ser fator determinante para empresas que nele atuam. Entre aquelas que têm o outro pé no doméstico, Microsoft, BlackBerry, Google e Samsung devem estar preocupadas com esse anúncio. Juntas, Apple e IBM podem abocanhar fatias generosas do faturamento dessas concorrentes. Não hoje, provavelmente nem amanhã, mas a longo prazo, quando contratos expirarem e os receios típicos do meio, como a segurança de dados e o form factor diferente, forem superados.

Estragos imediatos já foram sentidos, porém: após o anúncio do acordo, as ações da BlackBerry despencaram mais de 10%.

  1. Reparou que a parceria é apenas para dispositivos iOS, nada de OS X?

Nos seis anos da App Store, o desafio da Apple é tirá-la de 2008

Hoje a App Store, loja de apps e jogos do iOS, completa seis anos. Parabéns! Para celebrar, tem vários jogos e apps em promoção — as listas do TUAW e Gizmodo são complementares.

É quase dispensável falar da importância que a App Store teve não só para o iPhone, mas para toda a indústria. Ela simplificou a distribuição e instalação de aplicativos em smartphones, coisa que até existia antes no Windows Mobile, Palm e Symbian, mas de forma totalmente desorganizada. Criou novos filões para desenvolvedores, mudou a expectativa que os usuários tinham de apps (massificou o termo app!), mexeu profundamente na precificação do software. Para o bem ou para o mal, a App Store deu início a uma nova fase para o software que usamos no dia a dia.

Apesar disso, ainda existe espaço para melhorar. Ao longo desses seis anos o funcionamento da App Store pouco mudou. Tivemos, sim, algumas novidades como as compras in-app, mas o modo de usar, a “descobertabilidade” dos apps permanece estagnada, como era em 2008. Para ter seu app reconhecido e fugir da assustadora estatística recentemente divulgada de que 80% dos títulos presentes lá são zumbis (PDF), ou seja, solenemente ignorados por público e crítica, a única saída é ser descoberto por alguém — um editor de site, alguém influente ou os curadores profissionais da Apple.

https://twitter.com/Vectorpark/statuses/479684862526251008

Não faz muito tempo o desenvolvedor Andy Baio foi ao Medium para lançar ideias sobre como a App Store poderia mudar esse cenário. (Por extensão, elas valem também para todas as outras lojas de apps.) A chave para abrir essa porta, segundo ele, é recorrer às redes sociais.

Com a criação de um equivalente ao Grafo Social do Facebook, só que para apps, a Apple conseguiria direcionar pequenas pérolas a quem interessa. Em vez da hierarquia corrente ser de cima para baixo, ou seja, uns poucos apps destacados sendo usados pela maior parte da base, com critérios sociais e recomendações personalizadas haveria uma diluição maior e desenvolvedores e apps novatos teriam chance de emplacar sem depender de QI, o famoso “quem indica”.

O texto dele é uma descrição detalhada de como esse sistema funcionaria. A Apple não tem um histórico decente com redes sociais (lembra do Ping?), mas é algo que vale a pena tentar. Se desse certo, beneficiaria a todos — desenvolvedores, usuários e a ela própria.

App Health do iOS 8 conta passos sem depender de acessórios externos

O iOS 8 Beta 3 trouxe uma versão atualizada do app Health capaz de mensurar os passos do usuário sem depender de um acessório como pulseira ou relógio. Agora ele é capaz de extrair e apresentar esse tipo de dado do chip M7, dedicado a essa função, presente no iPhone 5s.

Com isso, ele se equipara ao Saúde e Bem Estar, do Windows Phone 8.1, que atua da mesma forma com smartphones Lumia que contêm o SensorCore — modelos 630, 635, 930 e 1520.

Estou testando o Xperia Z2 com uma SmartBand, a pulseira bacana que faz essa função de podômetro, monitora meu sono (sabe-se lá como) e permite controlar algumas funções rudimentares do smartphone através de toques em sua superfície. Além de esfregar meu sedentarismo na cara, ainda não encontrei outra função que não a estética para a SmartBand.

Escreverei mais sobre ela, e adianto a pergunta: o que você espera, ou gostaria que uma pulseira do tipo fizesse? E questiono, também: por acaso estou deixando alguma coisa incrível que esse negócio é capaz de fazer?

Adaptador de trava de segurança do Mac Pro

Nos EUA, custa US$ 49. Aqui sai por R$ 229. Para quem paga R$ 14 mil em um computador, não é um valor que faça tanta diferença — e uma segurança extra para um equipamento tão caro.

Além de compatibilizar o Mac Pro com travas de segurança no padrão Kensington, o adaptador também protege a parte interna de bisbilhoteiros. Diz a Apple que a instalação é simples, não depende de ferramentas e não danifica o produto.

Previsões para a WWDC 2014: o que a Apple mostrará na próxima segunda?

Não sei.

Segunda-feira a gente descobre (vai ter streaming), discute no Twitter e, se for o caso, escreve um post depois que a Apple anunciar o que quer que esteja planejando. Até lá, relaxa.

Duas tendências dos smartphones em 2014: aparelhos bons baratos e telas gigantes como padrão

Moto E, um smartphone bom e barato, uma das tendências de 2014.
Foto: Motorola.

Estamos chegando à metade de 2014 e algumas tendências no mercado de smartphones já podem ser observadas. Duas, nos extremos da tabela de preços, têm chamado a atenção: a qualidade dos modelos de entrada e o tamanho dos high-end.

Ano passado, fiz neste Manual do Usuário um comparativo ingrato entre quatro smartphones baratos — o teto era de R$ 500. Deles, dois passaram pelo teste e os classifiquei como boas opções; os outros, sem condição. Apesar do parecer positivo, ambos os aprovados contavam com restrições relativamente graves: a tela do RAZR D1 é bem ruim e o Lumia 520 sofre com a falta de apps decentes do Windows Phone.

Entra 2014 e, logo de cara, a Sony lança o Xperia E1, sucessor de um dos “sem condição” do referido comparativo, o Xperia E. Ainda está longe de ser um smartphone ótimo, livre de críticas, mas o salto evolutivo é notável. O E1 é um aparelho mais rápido, com acabamento melhor e uma tela bacana. Com a redução de preço, é uma oferta tentadora a partir de R$ 399.

Recentemente foi a vez da Motorola, que já tinha chacoalhado os segmentos de ponta (Moto X) e intermediário (Moto G), entrar na disputa pelo de baixo custo com o Moto E. Ainda não testei um, mas há motivos de sobra, pelo histórico recente da empresa e pelo que andam dizendo, para confiar na qualidade dessa nova aposta.

Se há dois anos qualquer smartphone abaixo de R$ 1.000 era um suplício, hoje dá para viver confortavelmente gastando R$ 500 — ou US$ 150, lá fora. Agradeça à evolução dos componentes, ao barateamento da produção e à concorrência.

Homem segurando HTC One (M8).
HTC One (M8): tela de 5 polegadas. Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr.

No outro extremo, vemos os smartphones high-end. O último bastião abaixo das 5 polegadas no universo Android, o One, da HTC, quebrou essa barreira na encarnação 2014. Nos domínios da Microsoft, novos Lumias chegaram às 6 polegadas, inaugurando o conceito de phablets na plataforma. A única exceção a essa tendência de crescimento, o Xperia Z1 Compact, com tela de 4,3 polegadas, ficou limitada a alguns mercados, Brasil não incluso.

Por aqui resta, então, o iPhone como único aparelho de ponta pequeno. Mas se os rumores estiverem corretos, e já faz alguns anos que eles acertam com bastante precisão, a Apple está colocando fermento na fórmula do seu celular e deve apresentar, em breve, um iPhone grande — uns falam em 4,7 polegadas, outros chegam a cogitar 5,5 polegadas.

Devido às análises do Manual do Usuário, uso diferentes smartphones de tamanhos variados regularmente. No dia a dia, saí de um Nexus 4 (4,7 polegadas) para um iPhone 5 (4 polegadas). A adaptação inicial foi incômoda, mas rápida e quando completa, passou a fazer sentido carregar uma tela menor no bolso.

Um telão tem lá suas vantagens e, dependendo do usuário, pode aglutinar dois equipamentos em um só (smartphone e tablet, como aposta a Huawei com o MediaPad X1), mas há espaço para aparelhos pequenos. Para mim, o intervalo entre 4 e 4,5 polegadas é o ideal, com exceções como o Moto X que, mesmo com uma tela de 4,7 polegadas, passa a sensação de ser menor — cumprimentos às bordas reduzidas e ergonomia de alto nível.

É incrível o tanto de smartphones disponíveis no mercado atualmente, e chama a atenção, curiosamente, como nem com essa abundância existam opções para todos os públicos. Ao que tudo indica, em breve mais um ficará à deriva: aqueles que preferem aparelhos de última geração que caibam no bolso. Seria o caso de pedir bolsos maiores à indústria têxtil?