Apple e IBM unem forças para ganhar clientes corporativos

Parceria histórica, segundo a Apple.
Ginni Rometty e Tim Cook, CEOs da IBM e Apple. Foto: IBM/Flickr.

Não costumo abordar tecnologia corporativa por aqui. Embora muitas empresas usem gadgets e até software similares aos do mercado doméstico, as aplicações costumam ser bem diferentes — mais focadas, em rede extensas e bem controladas, e tendo segurança e estabilidade como prioridades. Certas coisas, porém, não podem passar batidas. Uma delas é o acordo firmado entre Apple e IBM.

Dispositivos iOS têm um pé firme no ambiente corporativo. A Apple gosta de dizer, sempre que possível, que 98% da Fortune 500 usa ou está testando aplicações com o iOS. Embora pareça muito, pelo que Tim Cook disse ao New York Times isso representa a ponta do iceberg: “A penetração [nas empresas] é baixa e o teto está tão acima de nós que é inacreditável”. Em outra entrevista, esta ao Recode, Cook reforçou as vantagens da parceria:

“Somos bons em construir uma experiência simples e em fabricar dispositivos. O tipo de expertise profunda na indústria que você precisaria para transformar o corporativo não está no nosso DNA. Mas está no da IBM.”

Pelo acordo, que não teve qualquer cifra revelada, Apple e IBM unirão forças para desenvolver apps corporativos usando os avançados serviços na nuvem, análises diversas e big data da IBM. Serão mais de cem, a serem lançados a partir do segundo semestre, para setores como vendas, planos de saúde, bancos, viagens e transporte.

A IBM também oferecerá suporte e destinará seu corpo de profissionais à promoção de iPhones e iPads diretamente nas empresas a quem presta serviços, o que pode aumentar em muito os relatórios trimestrais de vendas da Apple — contratos corporativos costumam alcançar números expressivos e serem duradouros. Da Apple, além da força no desenvolvimento dos apps e dos próprios dispositivos iOS1, virá um plano corporativo do AppleCare, a garantia dos seus equipamentos. O objetivo é unir a mobilidade e facilidade de uso da Apple ao poderio das soluções corporativas em uma camada mais baixa da IBM e levar essa combinação a trabalhadores e empresas do mundo inteiro.

O mercado corporativo costuma ser fator determinante para empresas que nele atuam. Entre aquelas que têm o outro pé no doméstico, Microsoft, BlackBerry, Google e Samsung devem estar preocupadas com esse anúncio. Juntas, Apple e IBM podem abocanhar fatias generosas do faturamento dessas concorrentes. Não hoje, provavelmente nem amanhã, mas a longo prazo, quando contratos expirarem e os receios típicos do meio, como a segurança de dados e o form factor diferente, forem superados.

Estragos imediatos já foram sentidos, porém: após o anúncio do acordo, as ações da BlackBerry despencaram mais de 10%.

  1. Reparou que a parceria é apenas para dispositivos iOS, nada de OS X?

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3 comentários

  1. A Microsoft parece estar fraquejando em todos os mercados, até no de laptops baratos por causa dos Chromebooks. Só que no mercado empresarial, o domínio dela parece intransponível para os concorrentes.

    Empresas menores acredito que usem soluções como o Google Drive/Docs e outras aplicações em nuvem agnósticas de dispositivo, mas nas grandes empresas parece impossível considerar o uso de um Mac por exemplo: uso intenso do Office e Outlook, aplicações de segurança específicas (cartões de login e impressão digital) e a aceitação da Microsoft em suportar softwares antigos como o Windows XP. Em alguns casos, também há aplicações mais específicas como o Visio e o Project da própria Microsoft.

    Para piorar, a Apple nunca foi boa com o mercado corporativo. Entretanto, a morte do Blackberry e a incompetência da Microsoft em promover o Windows Phone pode ter aberto uma brecha nesse monopólio para a Apple e Google.

    Isso acaba me trazendo a questão: será que a estratégia do Nadella de focar em serviços inclui suportar concorrente da mina de dinheiro Windows como Mac e Chrome OS?

    1. Respondendo a tua pergunta:
      Se entendi bem ela, a reposta é sim. Microsoft já tem apps do Office rodando em iOS, alguns antes mesmo de serem lançados para WP.
      Segundo palavras do Nadella, a Microsoft é uma empresa de software e não de hardware, logo faz sentido estar em todos os dispositivos, independente da plataforma.

      1. Há duas diferenças importantes do mercado desktop em relação ao mobile: o SO em si traz grandes lucros (o que não ocorre nos mobiles) e a posição de mercado do Windows em comparação ao Windows Phone. Não suportar o Android e iOS é morte na certa no mercado mobile, fazer aplicações apenas para Windows Phone não faz sentido. É similar a presença do iTunes no Windows que, apesar de não seguir o padrão da Apple, era necessário para que o iPod alcançasse todo o seu potencial.

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