A Apple revelou ao 9to5Mac que 95% dos usuários do iCloud têm a autenticação em dois fatores (2FA) ativada. Ainda que alguns serviços, como as AirTags e a sincronia de senhas (Chaves), exijam essa camada extra de segurança, é um percentual impressionante. (O vindouro Passkey, ou chaves-senha, do iOS 16/macOS 13, também exigirá.)

(A título comparativo, no segundo trimestre de 2020 apenas 2,3% dos usuários do Twitter tinham a 2FA ativada em suas contas.)

Um aspecto pouco comentado, mas que me parece problemático na solução de 2FA da Apple é a obrigatoriedade de se registrar um número de telefone como segundo fator. Da documentação oficial:

É necessário confirmar pelo menos um número de telefone confiável para poder se inscrever na autenticação de dois fatores.

O envio de códigos de autenticação por SMS costuma ser um “backup” — o método principal é usar outro dispositivo da Apple vinculado à conta para autorizar novos logins.

Faz sentido do ponto de vista da praticidade. Nem todo mundo conhece ou quer ter o trabalho extra de gerenciar um aplicativo de 2FA, como o Authy ou o Google/Microsoft Authenticator. Àqueles que querem se dar a esse trabalho, a exigência do número de telefone cria um ponto fraco na estratégia de segurança.

Talvez quando o problema das quadrilhas “limpa contas” ou outro similar acometer os Estados Unidos, esse problema entre no radar da Apple. Via 9to5Mac (em inglês).

Relacionado: O jeito certo de proteger sua conta no Instagram [e outras que aceitam 2FA) de invasões de hackers.

O período de degustação do Apple TV+, o streaming da Apple que já acumula algumas produções bem legais, como Ruptura, é de sete dias, mas quem tem uma TV da Samsung elegível (modelos vendidos a partir de 2018) ou um dispositivo da Roku, como o Roku Express, ganha três meses grátis.

A oferta pode ser aproveitada até 28 de novembro e só vale para quem nunca assinou o Apple TV+. Via Roku, Samsung (em inglês), MacMagazine.

Semana passada o Shazam completou 20 anos. Se você fizer as contas, o serviço que reconhece músicas e que hoje pertence à Apple precede os celulares modernos — o iPhone, “marco inicial” dessa fase, foi lançado há 15 anos.

Para celebrar a data, a Apple publicou um punhado de dados interessantes do Shazam, incluindo o seu formato original:

Agosto de 2002: O Shazam é lançado como um serviço de mensagens de texto (SMS) baseado no Reino Unido. Na época, os usuários podiam identificar músicas ligando para “2580” em seus celulares e segurando-os enquanto uma música tocava. Depois eles recebiam uma mensagem SMS dizendo o título e o(a) intérprete da canção.

Relacionado: uma entrevista da Folha de S.Paulo com Chris Barton, fundador do Shazam, que diz que não ficou rico com o aplicativo e agora está trabalhando em um sistema anti-afogamentos para piscinas. Via Apple (em inglês).

Às vezes sinto como se estivesse reescrevendo a mesma nota todo mês, mas é sempre algo novo: a Apple liberou atualizações de segurança para o macOS (12.5.1) e iOS/iPadOS (15.6.1) que corrigem duas falhas graves, do tipo “dia zero” — uma no motor WebKit, usado no Safari, outra no kernel do sistema.

Diferentemente de grandes versões, como os vindouros macOS 13 “Ventura” e o iOS/iPadOS 16, para essas de segurança a recomendação é que sejam instaladas o quanto antes. Via TechCrunch (em inglês).

Em sua newsletter dominical, Mark Gurman, da Bloomberg, afirmou que a Apple está prestes a aumentar de modo considerável a quantidade de anúncios que veicula em suas propriedades.

Hoje, a depender da região onde alguém esteja, a Apple exibe anúncios na App Store e nos aplicativos Bolsa e News (esse último não foi lançado no Brasil). Gurman especula que no futuro próximo veremos anúncios no Mapas, Livros e Podcasts, além de planos mais baratos do Apple TV+ sustentados por anúncios, como Netflix, Warner Bros. (HBO Max) e Disney fazem ou estão prestes a fazer.

Para embasar essa hipótese, Gurman cita mudanças no alto escalão da Apple envolvido com publicidade e falas de executivos. Todd Teresi, vice-presidente da área de publicidade da Apple, disse que o negócio já rende US$ 4 bilhões à Apple e que a empresa quer transformá-lo em algo de “dois dígitos”.

Há dois desdobramentos dessa história.

Primeiro, é um contrassenso com a proposta de valor da Apple, que se vende como uma alternativa mais premium e cobra (bastante) por isso. Até hoje, essa proposta não inclui tantos anúncios quanto as ofertas do rival Google, uma empresa cujo modelo de negócio é quase que totalmente baseado em anúncios.

Segundo, pega mal à luz da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso lançado no iOS 14.5 que obriga aplicativos a terem a anuência do usuário para rastreá-lo em outros aplicativos.

Empresa como Meta e Snap atribuem parcialmente ao ATT a queda de faturamento de seus negócios baseados em publicidade invasiva. Até aí, tudo bem. Agora, quando a Apple supre o vácuo deixado por essas empresas, vácuo criado pela Apple graças a regras que não aplica a si mesma, a coisa toda fica estranha. Via Bloomberg (em inglês).

O que você precisa saber do 5G

Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa fazem um “perguntas e respostas” a respeito do 5G, a nova rede de internet ultra veloz que começa a chegar nas capitais brasileiras. Como saber se meu celular é compatível? Quando o 5G chega onde eu moro? O que isso vai mudar a minha vida? Algumas perguntas são fáceis e objetivas; outras suscitam debates acalorados.

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Se o Telegram, um dos dez aplicativos mais populares do mundo, está recebendo este tratamento [da Apple], imagine as dificuldades enfrentadas por desenvolvedores de aplicativos menores.

— Pavel Durov, CEO do Telegram.

O desabafo de Durov diz respeito a uma atualização do Telegram presa há duas semanas no processo de revisão da App Store, da Apple.

Segundo o executivo, é uma atualização que vai “revolucionar a maneira como as pessoas se expressam em aplicativos de mensagens”. É de se duvidar, mas seguimos atentos. Via @durov/Telegram (em inglês).

Print da tela de configuração da bateria no iOS, com o ícone persistente da bateria no canto superior direito mostrando um número dentro (porcentagem de carga restante).
Imagem: 9to5Mac/Reprodução.

Típico da Apple: remove um recurso por qualquer motivo para, anos depois, restaurá-lo para regojizo de todos.

(Exceto, é claro, àqueles que permaneceram firmes no iPhone de botão, que nunca perdeu o indicador de porcentagem da bateria sempre visível.) Via

O indicador sempre visível deu o ar da glória nos iPhones com Face ID no iOS 16 Beta 5, liberado nesta segunda (8). Curiosamente, ele não consta ainda nos modelos iPhone XR, iPhone 11, iPhone 12 mini e iPhone 13 mini; imagina-se que seja uma falha temporária. Via 9to5Mac (em inglês).

Aquela série marxista da Apple

A série Ruptura (Severance, no original), do Apple TV+, é aquele tipo de entretenimento cheio de referências a temas profundos destiladas em obviedades. Não à toa (e, claro, não apenas por isso) ela esteja fazendo tanto sucesso.

Mesmo alguém não entendido (eu) em teoria marxista consegue sacar tal influência na história. Não tanto por mérito do espectador. É que Ruptura meio que esfrega isso na nossa cara: o trabalho é repetitivo, misterioso e ninguém ali consegue ver seu resultado ou mesmo saber para que ele serve, e os funcionários abrem mão da sua autonomia de um modo que os donos do capital só podem sonhar hoje em dia. É praticamente uma introdução à teoria da alienação de Karl Marx.

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O ministro-turista das Comunicações, Fabio Faria, anunciou pelo Instagram que a atualização que ativa o 5G standalone brasileiro nos modelos de iPhone compatíveis “chega em setembro”. Essa era a maior preocupação do ministro.

“Em setembro” chega o iOS 16 e não seria surpresa — na real, era algo esperado — que a compatibilidade com o 5G standalone brasileiro viesse no pacote de novidades da versão.

No vídeo, Fabio aparece na área externa do Apple Park, sede da Apple, ao lado do presidente da Anatel, Carlos Baigorri. Tudo indica que não rolou um encontro com Tim Cook, CEO da Apple, ou qualquer outro executivo da empresa. Nada de fotos para biscoitar nas redes.

Com quem será que Fabio obteve essa importantíssima e exclusivíssima informação que mudará a vida de milhões centenas de brasileiros e que demandou uma viagem oficial aos Estados Unidos? Meu palpite é de que foi com algum atendente da loja souvenires da Apple.

Ah sim: ainda segundo a dupla dinâmica, a Apple estaria interessada “em fazer uma parceria em relação à proteção da Amazônia”. Agora sim, a Amazônia, aquela que segundo o chefe dele não precisa ser salva porque “não pega fogo”, será salva! Será tipo a “ajuda” do Elon Musk? Tipo… ah, nem sei mais o que comentar. Via @fabiofaria.br/Instagram.

Luta contra sindicatos expõe o lado retrógrado da Big Tech

por Guilherme Felitti

Terminado o primeiro semestre, 2022 já trouxe algumas novidades técnicas bastante relevantes em tecnologia: o chip M2 solidificou a Apple como um player cada vez mais poderoso no setor de chips, o DeepMind decifrou a estrutura de quase todas as proteínas conhecidas e o telescópio espacial James Webb produziu as imagens mais detalhadas do Universo, enquanto o metaverso, tal qual um carro a álcool numa manhã gelada de julho na década de 1990, dá várias partidas em falso com a esperança de pegar no tranco.

Como a gente já falou aqui, nos últimos anos os assuntos mais interessantes que acontecem no mercado de tecnologia não têm relação necessariamente com chips, códigos e placas de silício. São notícias que mostram como a tecnologia saiu do caderno de informática dos jornais1 para adentrar nas coberturas política e policial. É desse certame que, ao meu ver, vem um dos assuntos mais interessantes em tecnologia em 2022. Envolve um tipo de organização inventada não na última década e nem mesmo no último século. A Mesopotâmia e a Babilônia já experimentavam essa tecnologia 2 mil anos antes de Cristo. Após a Revolução Industrial, com o fim do vassalagem e a emergência de uma economia baseada na indústria, o movimento ganhou ainda mais força e os traços que observamos até hoje. Essa “tecnologia” não envolve necessariamente cálculos. É mais uma forma de mobilização e interação humana do que uma tecnologia naquele sentido clássico da acepção de tecnologia como uma ferramenta externa que lhe permite melhorar algo já possível ou executar algo impossível.

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O melhor iPhone

O iPhone SE é o celular mais insosso que já existiu. Com ele, quase ninguém percebe que você está com um celular novo; quando alguém repara, a conversa termina rápido e invariavelmente em uma frase do tipo “é igual o antigo, só que mais rápido”.

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O ministro das Comunicações, Fabio Faria, disse que vai aos Estados Unidos na próxima terça-feira (2/8) pedir à Apple para atualizar o iPhone para a rede 5G brasileira. A suposta falta dessa atualização seria o impeditivo para que os modelos compatíveis (linha iPhone 13 e iPhone SE de 3ª geração) acessem a rede 5G standalone (o 5G “puro”, na faixa de 3,5 GHz).

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, deve acompanhar Faria nesta importantíssima ~missão crítica. Como os 1% de brasileiros com iPhone 13 nas capitais podem ficar sem 5G?? Ainda bem que o governo está atento a esse absurdo.

Pedi posicionamentos às três envolvidas na história — Anatel, Ministério das Comunicações e Apple.

A Apple não respondeu.

A Anatel disse apenas que eu deveria “entrar em contato com o Ministério das Comunicações”. Reforcei o questionamento, afinal esses modelos de iPhone constam na lista de aparelhos compatíveis com 5G da própria Anatel. Se não são compatíveis, não deveriam ser removidos de lá?

Por qualquer motivo estranho, essa segunda mensagem foi barrada porque “violou as políticas de segurança por ser classificada como SPAM/Phishing”.

O Ministério das Comunicações enviou o seguinte posicionamento:

Os aparelhos homologados pela Anatel para funcionamento com a quinta geração de redes móveis já estão habilitados a operar as duas versões de 5G: o non-Standalone (em rede compartilhada com as outras gerações) e o Standalone (puro). Porém, smartphones da marca Apple necessitam de uma atualização de software para o funcionamento específico do 5G Standalone.

A visita do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, à sede da empresa nos EUA pretende agilizar a disponibilização dessa atualização para que os usuários brasileiros possam desfrutar do “5G puro” nas próximas semanas.

Por que o estado deveria se envolver nisso, sem falar no envolvimento pessoal do ministro das Comunicações, são perguntas que seguem em aberto. Afinal, não é como se não houvesse modelos já compatíveis com 5G — Samsung e Motorola têm vários à venda. É do interesse exclusivo da Apple, das operadoras e dos seus clientes que essa lacuna seja resolvida. O que o Estado tem a ver com isso? Via Telesíntese.

Câmeras do iPhone evoluem ano após ano, mas menos do que a Apple nos leva a acreditar

Alguém que leia os materiais de divulgação ou assista às apresentações de novos iPhones da Apple pode ficar com a impressão de que, ano após ano, as novas câmeras do celular da marca melhoram tanto que tornam as antigas obsoletas, quase indesejáveis.

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Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras, por Daniel Camargos no Repórter Brasil:

Você não sabe disso, mas ao ler esta reportagem você pode estar usando ouro extraído ilegalmente de terras indígenas brasileiras. Celulares e computadores das marcas Apple e Microsoft, bem como os superservidores do Google e da Amazon, têm filamentos de ouro em sua composição. Parte desse metal saiu de garimpos ilegais na Amazônia, passou pela mão de atravessadores e organizações até chegar nos dispositivos das quatro empresas mais valiosas do mundo, revela uma investigação da Repórter Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem confirmam que essas gigantes da tecnologia compraram, em 2020 e 2021, o metal de diversas refinadoras, entre elas a italiana Chimet, investigada pela Polícia Federal por ser destino do minério extraído de garimpos clandestinos da Terra Indígena Kayapó, e a brasileira Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais por conta da aquisição de ouro ilegal. A extração mineral em terras indígenas brasileiras é inconstitucional, apesar dos esforços do governo Jair Bolsonaro (PL) para legalizá-la.