Indigo une Bluesky e Mastodon no mesmo aplicativo

Ícone do aplicativo Indigo: roxo, com um círculo branco no meio e o topo da letra “i” recortado dentro do círculo.Tive a oportunidade de experimentar o Indigo antes do lançamento — no último dia 12 —, um aplicativo de rede social que unifica as linhas do tempo do Bluesky e Mastodon.

A dupla de desenvolvedores, Aaron Vegh e Ben McCarthy, tem experiência no assunto. É deles também o aplicativo Croissant, mais antigo, que permite publicar ao mesmo tempo no Bluesky, Mastodon e Threads. Vistos em conjunto, é como se o Indigo fosse uma evolução do Croissant — também dá para postar no Bluesky e no Mastodon ao mesmo tempo pelo Indigo.

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Como desativar os novos recursos de IA do WordPress 7.0

A principal novidade do WordPress 7.0, lançado nesta quarta (20), seria a colaboração em tempo real. Já na reta final, após as versões beta, Matt Mullenweg, líder do projeto, adiou o recurso e promoveu a integração com LLMs a destaque da versão.

(A liderança do Matt foi um show de horrores, com adiamentos, novas demandas com prazos surreais e, como sempre, muitos dedos apontados. “O que há de errado com o WordPress?”, pergunta-se a única pessoa com poder para mudar os rumos do WordPress.

Se você não vê valor ou teme uma infusão de IAs generativas em seu site, blog ou loja virtual (um receio plausível, devo dizer), felizmente há como desativar toda essa nova parte de IA. Se tiver acesso ao arquivo wp-config.php, adicione esta linha:

define( 'WP_AI_SUPPORT', false );

Se o arquivo estiver fora do seu alcance, instale o plugin Turn Off AI Features.

Você não imagina o meu alívio em acompanhar essa novela do lado de fora. No início de maio, migramos este Manual do Usuário para o ClassicPress, uma tábua de salvação que descobri em 2022 e que, seis anos depois, segue firme e forte. Como não amar a ideia do software livre?

Cobrança de tokens no GitHub Copilot aumentará custos em até 150 vezes

por David Gerard

Há anos sabemos que os fornecedores de chatbots de IA operam com grandes perdas. A OpenAI gastava US$ 2,35 para cada US$ 1 de receita em 2024, e só piorou desde então. A Anthropic continua aumentando seus preços. Sabíamos que um dia os preços subiriam bastante.

Mencionamos em abril como a Microsoft estava migrando todos os clientes do GitHub Copilot para a cobrança por uso.

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Ainda pensando no Google I/O

O Google apresentou “agentes de IA” capazes de fazer o trabalho da pessoa em inúmeros cenários, nenhum deles muito crível para gente de verdade. (Quem precisa de IA para organizar uma festinha na rua?) No TechCrunch, Sarah Perez assina uma boa crítica dessa utopia questionável que o Google tenta nos vender.

Do meu lado, penso que estamos vivemos um “Dia da Marmota” daquele recurso do Google Now, de ~2012, que avisava via notificação que o portão de embarque de um voo havia mudado. Como se essa informação não estivesse na sua cara o tempo todo dentro de um aeroporto. Há 15 anos o Google usa diferentes tecnologias, cada vez mais complexas e caras, para tentar sanar problemas com que nenhum ser humano jamais se deparou.

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Singularity (6min31s). O novo curta dos estúdios Blender, do renomado editor 3D de código aberto. Achei bonitinho.

The AI Resist List (em inglês). Um banco de dados de iniciativas de resistência contra o império da IA. Entre os criadores do site está a jornalista Karen Hao, que está lançando no Brasil seu último livro, O império da IA, pela editora Rocco.

Fits on a floppy. Um manifesto para softwares pequenos (no sentido de: ocupam pouco espaço na memória). A página em si traz um joguinho semi-oculto em que você tem que clicar nos disquetes voadores. Para quem tem menos de 30 anos, “disquetes” são os botões de salvar. Dica do Rafael.

Cidades paralelas. Literalmente quais cidades estão na mesma latitude. Um salve à galera de Pretória (África do Sul) e Windorah (Pretória), “vizinhas” de latitude de Curitiba.

Mapa-múndi em hexágonos. O mapa é dinâmico e renderizando com um código de apenas 10 KB.

Weather Replay. Um histórico da previsão do tempo no mundo todo, desde a década de 1940, com base em dados do observatório Copernicus, da União Europeia. (Funciona em cidades brasileiras e de qualquer outro país também.)

Where Now? Uma espécie de “Foursquare pessoal”, este app marca os pontos de interesse onde você esteve — e tudo local. As marcações podem ser manuais ou automáticas. Gratuito, para iOS.

Sabe qual o custo manter o Manual do Usuário no ar?

Ao longo dos anos, fui enxugando os custos operacionais do Manual do Usuário por necessidade e também porque gosto de eficiência onde ela faz sentido. (E economizar sem prejuízos quase sempre faz sentido, né?)

Hoje, o gasto mensal para manter o site rodando é de ~R$ 100. Sim, cem reais. A maior parte dele se refere a becapes e o restante são renovações de domínios. E… bem, é só isso mesmo.

(Há, evidentemente, gastos variáveis, como os impostos de ações publicitárias e investimentos para viabilizar ideias malucas. Eu gosto de ideias malucas.)

Todo o resto da receita do Manual é gasta com pessoas. Vem daí o meu “pró-labore” e contribuições para quem ajuda a manter o projeto no ar.

Para você ter uma ideia, 68% dos gastos nos últimos seis meses foi para comissões pagas a essa galera linda que faz o projeto acontecer. E toda essa grana veio das assinaturas pagas por, no momento, cerca de 320 pessoas.

***

Por isso, estou pedindo mais uma vez para que, caso você esteja com uma folga no orçamento, considere assinar o Manual. Além de ajudar na manutenção do projeto, você ainda recebe alguns mimos. (O link deste parágrafo detalha as vantagens de quem assina.)

Só existe um plano: a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano. Se quiser contribuir com mais, agradeço muito. Se ficar no mínimo, agradeço igualmente.

Para assinar na periodicidade mensal, escolha um dos três planos/valores nesta página e proceda com o pagamento. O sistema aceita cartão de crédito, Apple/Google Pay e boleto bancário.

Para fazer a assinatura anual, envie um Pix de pelo menos R$ 99 para a chave pix@manualdousuario.net, colocando o seu e-mail na mensagem, para estabelecermos contato.

E, importante dizer, você pode cancelar a assinatura a qualquer momento, sem dar justificativa. Se tiver dificuldades, eu te ajudo.

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Se a grana anda curta e você não pode assinar no momento, tudo bem também. O Manual nasceu e morrerá como uma publicação aberta a todos, sem paywall nem discriminação com leitores não pagantes.

Muitíssimo obrigado pela força!

PS: Se você tem um site de conteúdo e se interessou por esse custo mensal baixíssimo, a Célere, agência da qual sou sócio, faz exatamente esse (e outros) trabalho de otimização. Fale com a gente.

Google quer ser a interface para a web

A abertura do Google I/O deste ano (vídeo-resumo de 35 minutos) mostrou um Google menos envergonhado no processo de transformação da web em insumo para suas IAs.

A busca virará (ainda mais) um ChatGPT turbinado, e também o balcão de todas as lojas virtuais, e o YouTube usará fragmentos de vídeos para criar páginas com respostas.

Note que em todas essas novidades, o Google/YouTube se transforma em curador e interface do conteúdo da web, sem atribuição ou com o mínimo necessário. Você não acessará mais sites, você acessará o Google — e lá ficará. Do outro lado da mesa, quem se diz “produtor de conteúdo”, é na verdade fornecedor de conteúdo para plataformas. Sempre foi para a Meta (Instagram), o TikTok e o YouTube; agora o é também para o Google, mesmo que involuntariamente (eu!).

Tudo isso consiste em uma uma traição total de tudo que o Google já representou (e foi) um dia. Talvez as pessoas gostem porque a web, coitada, já sofre há muito com os incentivos perniciosos e a influência destrutiva do próprio Google, mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em tempo: o PC do Manual oferece o SearxNG, um meta-buscador web que mostra dez (ou mais) links azuis de sites da web. É de graça. Use e divulgue.

O fediverso valoriza a acessibilidade nas descrições de imagens — e isso é bom para todos

por Augusto Campos

Nota do editor: Há quase exatos três anos, em maio de 2023, publiquei um texto meio rabugento reclamando da “polícia da descrição de imagens” no fediverso/Mastodon. Eu sempre defendi a prática e descrevo imagens no blog do Manual há muitos anos. Minha rusga, na ocasião, era com a natureza quase persecutória de alguns participantes proeminentes, incluindo donos de grandes instâncias brasileiras, com quem não descrevia imagens, mesmo que por esquecimento ou desconhecimento.

Dia desses, trocando uma ideia (pelo Mastodon) com o Augusto Campos, ele se lembrou daquele texto meu e pediu para revisitar o tema aqui no blog, contando o que mudou nesse intervalo de três anos e, nas palavras dele, “remover um espinho atravessado na garganta” desde 2023 (o espinho, no caso, a minha opinião). Fiquei feliz com a proposta! Feita essa devida contextualização, segue o texto do Augusto.


Descrever imagens para pessoas com algum tipo de deficiência visual é um recurso de acessibilidade valioso, que demanda pouco esforço e é suportado em boa parte das plataformas sociais da atualidade.

Mas ser suportado não basta: para uma rede ser acessível às pessoas com deficiência visual, a oferta do recurso de acessibilidade precisa ter adesão ampla.

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Anomalia nos gráficos de consumo de dados do Vivo Easy foi corrigida; empresa alega “incidente”

A Vivo deu um retorno daquele problema com assinantes do Vivo Easy legado, em que o aplicativo da operadora mostrava um consumo de dados excessivo nos gráficos detalhados.

Tive notícia, primeiro, do atendimento da Vivo via WhatsApp, no dia 29 de abril. A pessoa atendente me disse ter recebido o retorno da área que fez a análise:

Foi identificado um incidente na tela de demonstração de tráfego do cliente no app Vivo Easy, que afetava a visibilidade correta do tráfego realizado, porém sem impacto no efetivo consumo da franquia de dados do cliente. O ajuste técnico foi realizado em 12/04 e, a partir desta data, a visualização do tráfego no app está regularizada.

Dois dias depois, atendendo a novo pedido meu por posicionamento da Vivo, a assessoria enviou a mesma resposta.

No atendimento, perguntei se havia detalhes desse “incidente”. Negativo. A área de atendimento não tem detalhes, só faz a demanda à responsável. Fiz o mesmo questionamento à assessoria e não recebi retorno.

Questionei também ao atendimento ao cliente se os gráficos dos meses anteriores seriam corrigidos. Fui informado de que “os dados retroativos dos gráficos não serão corrigidos” e que “não houve impacto no saldo de dados”.

A correção em si estaria disponível no próximo ciclo, o que deduzi (e depois confirmaram) tratar-se dos novos planos Easy Lite, com assinatura anual no cartão de crédito.

O meu plano é um legado, em que não há ciclos ou assinaturas; compra-se dados e eles são usados até o final, sem prazo de expiração. No meu aplicativo do Vivo Easy, os picos diários anormais cessaram a partir de 17 de abril. O maior gasto foi em 13 de maio, de 78 MB, que atribuo-o a aplicativos de caronas, como 99 e Uber. (Como são gastões, não?) Em outras palavras, parece ter sido normalizado.

O livro de junho do nosso grupo de leitura

Por culpa minha, que não anunciei antes qual seria a próxima leitura no nosso grupo, pularemos maio. Vamos direto ao livro de junho. O lado bom é que teremos mais tempo para lê-lo, né?

Ler o quê?, você me pergunta. Não teria como ser outra coisa: leremos o roteiro do filme Dark horse, a a cinebiografia tragicômica do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Zoeira, heheh.

Capa do livro “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord.Nosso próximo livro (de verdade) será A sociedade do espetáculo, de Guy Debord, sugerido pelo Edson. Já ouvi muito a respeito da obra, mas nunca a li. E embora o livro seja de 1967, suspeito que encontraremos muitos paralelos com 2026.

Para assinantes: o nosso bate-papo será no dia 2 de julho, a partir das 19h.