• Meta: 11 mil demissões (~13% dos funcionários).
  • Microsoft: 10 mil demissões (~5%).
  • Amazon: 18 mil demissões (~6%).
  • Google: 12 mil demissões (~6%).

O Google juntou-se às big techs que demitiram em massa nesta sexta (20). Já são mais de 50 mil empregos eliminados, em três meses, em quatro das empresas mais poderosas do mundo.

Ainda falta a Apple.

Não falha nunca: por trás de toda tecnologia de inteligência artificial, existem trabalhadores mal pagos e com estresse pós-traumático em países pobres. Desta vez é o ChatGPT, a IA gerativa de conversas da OpenAI, que explorou quenianos pagando US$ 2 a hora para rotularem conteúdo em texto tóxico. Via Time (em inglês).

Post livre #350

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

por Shūmiàn 书面

Desde 2021 focada na regulação das big techs, a China agora está de olho no poder de voto dentro dessas empresas.

No começo do ano, o órgão regulador de tecnologia comprou 1% de uma subsidiária da Alibaba e está no processo de fazer o mesmo com a Tencent — como já fez com o Weibo e a ByteDance. É uma participação pequena, mas o tipo de ações adquiridas (a chamada “golden share”) inclui o governo em decisões importantes, como a nomeação de diretores.

Na direção contrária, o fundador da Alibaba, Jack Ma, perdeu o controle do Ant Group após uma reorganização da composição acionária da empresa no começo do mês.

O maior envolvimento do governo chinês em suas big techs acontece em um momento sensível para essas empresas no contexto internacional. O TikTok admitiu que, durante uma auditoria interna, funcionários acessaram indevidamente dados de jornalistas que investigavam a empresa.

Agora, políticos de diversos países se mobilizam para restringir as operações da ByteDance em seus territórios, como os EUA já haviam ameaçado fazer durante o governo Trump — situação que é bem explicada neste artigo da Vox e que estava para ser resolvida no final de 2022.

Em meio a essas tensões, as empresas enfrentam perda de valor e promovem demissões: Didi deve fazer cortes na força de trabalho às vésperas do ano novo (já fez aqui no Brasil, na 99) e a ByteDance, nova concorrente da Didi no mercado de caronas compartilhadas, demitiu 10% dos seus trabalhadores.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Do nada, o blog do NetNewsWire, um ótimo aplicativo de RSS para iOS e macOS, compartilhou o número de usuários ativos nos últimos 30 dias. São 9 mil no iOS, 4,6 mil no iPadOS e 1 no iPod (?).

Fiquei chocado por um app tão legal, tão bem feito e, ainda por cima, gratuito, ter só isso de usuários.

Quase dois bilhões de dispositivos da Apple estão em uso no mundo, a maior parte deles de iPhones, e só 15 mil pessoas usam esse aplicativo? (Provável que menos gente que isso, considerando aqueles que, como eu, usam o NNW no celular e no iPad.) O mundo é um lugar injusto. Via NetNewsWire (em inglês).

Não acho que [a API de tópicos] seja a respeito dos cookies de terceiros — é sobre vigilância na web e rastreamento. Se removermos os cookies de terceiros e substitui-los com algo que tem os mesmos problemas, então não é ok.

— Amy Guy, do Grupo de Arquitetura Técnica do W3C.

A API de tópicos é a última aposta do Google para substituir os cookies de terceiros no Chrome como aparato de vigilância para o seu negócio de publicidade segmentada. O W3C, em reunião realizada em 10 de janeiro, analisou e rejeitou a proposta. O Google se pronunciou; disse que seguirá em frente mesmo com o revés.

Quando uma empresa de publicidade desenvolve um navegador web, não surpreende que a prioridade seja usá-lo para devassar a privacidade dos usuários. Felizmente o W3C e outros navegadores (WebKit/Safari, Firefox) estão combatendo com afinco essa aberração. Via Insider (em inglês).

Chegaram os carimbos do Manual do Usuário

por Marceli Mengarda

Nota do editor: O segundo produto com a marca do Manual do Usuário são os belos carimbos abaixo, feitos em parceria com a Burocrata Carimbos, da Marceli Mengarda. Neste post, a Marceli apresenta os modelos, preços e traz os links para adquiri-los. (Lembrando que assinantes do Manual têm 10% de desconto via clube de descontos!)

Não é de hoje que a Burocrata tem um plano de desacelerar a loucura digital e trazer de volta um pouco daquela malemolência da web 1.0, quando a gente ainda podia ficar um pouco offline e brincar de imprimir e carimbar coisas no escritório.

Descobrir o Manual do Usuário foi uma grata surpresa e foi muito natural que a gente se unisse para fazer piada (e ~crítica social foda) com a webloucura contemporânea.

(mais…)

O serviço de streaming da Netflix completou 16 anos nesta segunda (16). (A empresa é mais antiga e começou com o aluguel de DVDs pelos Correios.)

Coincidência ou não, a Netflix atualizou seu aplicativo para iOS, trazendo novos efeitos visuais bem bacanas. (Veja um vídeo.)

Ok, legal, mas não é para ficar vendo pôster que alguém assina a Netflix — em tese, ao menos. Na Forbes, Paul Tassi argumenta que a Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável” a partir das várias séries canceladas do nada e sem conclusão, como os casos recentes de 1899 e The midnight club.

Paul explica:

A ideia é que já que você sabe que a Netflix cancela várias séries depois de uma ou duas temporadas, encerrando elas com pontas soltas ou deixando suas histórias abertas/sem final, quase não vale a pena investir tempo em uma série antes dela ter acabado e você tenha certeza de que ela tem um final coerente e um arco fechado.

Por isso, você evita assistir a novas séries, mesmo aquelas que lhe interessam, pois tem medo de que a Netflix as cancele. Um tanto de gente faz isso e, surpresa, a audiência [de novas séries] é baixa! E aí ela acaba sendo cancelada. O ciclo é fechado, e reforçado, porque agora há mais um exemplo, fazendo com que ainda mais pessoas tenham cautela da próxima vez. E agora chegamos a um cenário em que, a menos que uma série seja uma espécie de febre por acaso (Wandinha) ou uma super franquia estabelecida (Stranger Things), a chance de haver uma segunda ou terceira temporada não é nem meio a meio, mas sim algo como 10–20% na melhor das hipóteses.

A newsletter do Manual. Gratuita. Cancele quando quiser:

Quais edições extras deseja receber?


Siga no Bluesky, Mastodon e Telegram. Inscreva-se nas notificações push e no Feed RSS.

Via Forbes (em inglês).

Uma olhada no Ivory, aplicativo de Mastodon para iOS

Dos mesmos criadores do Tweetbot, vem aí o Ivory: um aplicativo para iOS que conversa com instâncias do Mastodon.

O Ivory ainda está em fase alpha, ou seja, em testes e com arestas a serem aparadas. No último sábado (14), consegui acesso à versão de testes, que agora apresento aqui.

(mais…)

Dez anos de “This is fine” e outros links legais

Atualização (16/1, 8h50): O site The Information (paywall) obteve acesso a mensagens internas do Slack do Twitter que confirmam que a quebra dos aplicativos alternativos é intencional. No Mastodon, Paul Haddad fez um testes: ele trocou as chaves da API usadas pelo Tweetbot, o que restabeleceu o aplicativo. Em poucas horas, porém, as chaves foram invalidadas.

Clientes alternativos do Twitter populares, como Tweetbot e Twitterrific, foram cortados da API da rede na noite desta quinta-feira (12).

Até agora, ninguém sabe se o corte foi motivado por uma falha ou se foi intencional. O Twitter, quase 24 horas depois, ainda não se manifestou, o que é por si só um grande indicativo do que pode estar acontecendo.

Para alguns, os poucos usuários de Twitter que confiam nesses apps, foi a gota d’água.

Teria sido para mim se já não tivesse abandonado o Twitter. Há anos só usava clientes/aplicativos alternativos, um refúgio contra o “conteúdo recomendado” inflamável que o Twitter injeta na linha do tempo do aplicativo oficial.

Aplicativo oficial que, a propósito, acabou de ficar um pouco pior no iOS, com a visualização algorítmica como padrão, sem opção de trocá-la pela cronológica. A mesma que, meses antes de adquirir o Twitter, Elon Musk classificou como “manipuladora”. Via Iconfactory, @paul@tapbots.social (ambos em inglês), Núcleo.

Lembrando que o Manual está no fediverso — e gostando bastante! Se você usa Mastodon, siga @ghedin@social.manualdousuario.net para receber links, notícias e curiosidades do site na sua linha do tempo.

Às redes sociais, a culpa que lhes cabe

Logo após os eventos de 8 de janeiro em Brasília, a imprensa correu para noticiar que os terroristas haviam se organizado por redes sociais e aplicativos de mensagens.

Milhões de brasileiros, bilhões de pessoas usam redes sociais e aplicativos de mensagens todos os dias para se comunicar, trabalhar, cuidar das suas vidas e, também, cometer crimes.

Dito isso, estranho seria se os terroristas não tivessem se organizado no digital. Fariam como? Por cartas? Telefone? Sinais de fumaça?

(mais…)

A Apple atualizou sua tabela de preços para reparos no Brasil. A maioria dos reajustes não passou de 5,1%. A exceção negativa é a troca da bateria do iPhone, que, no caso dos modelos “de botão”, sofreu um reajuste de absurdos 41% — de R$ 386 para R$ 544.

O reajuste da troca de bateria só começa a valer em 1º de março, porém — para os demais reparos, os preços novos já estão valendo. Via MacMagazine.

A meu ver o esporte eletrônico é uma indústria de entretenimento, não é esporte. Então você se diverte jogando videogame, você se divertiu. O atleta de e-sports treina, mas a Ivete Sangalo também treina para dar show e ele não é atleta, ela é uma artista que trabalha com entretenimento. O jogo eletrônico não é imprevisível, ele é desenhado por uma programação digital, cibernética. É uma programação, ela é fechada, diferente do esporte.

— Ana Moser, ministra do Esporte.

A declaração da Ana Moser causou polêmica. É importante contextualizá-la: a definição dos e-sports como esporte teria implicações em políticas públicas e de fomento ao esporte, como leis de incentivo e bolsas.

Bons argumentos, dos dois lados, de gente do meio: este fio do Rique Sampaio e o comentário do Kaluan Bernardo.

por Shūmiàn 书面

Em 2022, a montadora BYD superou a Tesla e assumiu a primeira posição no mercado de carros não baseados em combustíveis fósseis.

Foram 1,86 milhão de automóveis vendidos no ano passado, a maior parte na China.

Ao contrário da Tesla, a BYD foca em modelos populares, cujos preços variam de ¥ 100 a 200 mil (aproximadamente de R$ 80 a 160 mil). Segundo reportagem da The Wire China, agora que a BYD conseguiu consolidar-se no mercado chinês, a empresa visa a mercados internacionais.

Este fio explica algumas implicações econômicas, ambientais e geopolíticas do domínio chinês na produção e no mercado dos automóveis elétricos.