Em protesto à nova cobrança pelo acesso à API do Reddit, vários subreddits (como são chamadas as comunidades da plataforma) vão fechar por 48 horas ou mais na próxima segunda (12).

O maior subreddit do Brasil, o r/Brasil (1,4 milhão de usuários), aderiu ao protesto.

O protesto está sendo organizado no próprio Reddit, no r/Save3rdPartyApps.

Os novos preços da API do Reddit passam a valer em 1º de julho. Em uma postagem, o Reddit argumentou que as mudanças afetam aplicativos de “alto uso” ou que abusam da API. À Bloomberg, um porta-voz do Reddit disse que:

O Reddit precisa ser pago de forma justa para continuar suportando aplicativos de terceiros de alto uso. Nossos preços são baseados em níveis de uso que medimos para serem comparáveis aos nossos próprios custos.

O Reddit entrou em contato com esses desenvolvedores a fim de chegarem a um acordo. Foi numa dessas que Christian Selig, do aplicativo Apollo, revelou que o custo da API do Reddit — no caso dele, em torno de US$ 20 milhões por ano — inviabilizará o app.

Alguns subreddits estão comprometidos a sustentarem o apagão para além das 48 horas caso o Reddit não se sensibilize.

A medida do Reddit provavelmente tem a ver com o plano de abrir capital no segundo semestre. Além de fechar o cerco de apps de terceiros populares, o Reddit vai restringir conteúdo sexual nesses apps (a partir de 5 de julho) e, nesta terça (6), demitiu ~90 pessoas (5% da força de trabalho) e limitou novas contratações. Via Bloomberg, Wall Street Journal (ambos em inglês), Núcleo.

Virou uma espécie de tradição mórbida anual, após a abertura de uma WWDC, listar os dispositivos da Apple fadados ao ostracismo — aqueles que, mesmo ainda capazes, não receberão as novas versões recém-anunciadas dos sistemas operacionais da empresa.

Em 2023, as vítimas foram as seguintes:

  • iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X ficarão sem o iOS 17.
  • Todos os Macs lançados em 2017 (com exceção do iMac Pro) não receberão o macOS 14 Sonoma.
  • iPad Pro (1ª geração) e iPad de 5ª geração ficarão sem o iPadOS 17.
  • O Apple Watch passou incólume e todas as versões que rodam o watchOS 9 receberão o watchOS 10.

A Apple liberou, nesta terça (6), as primeiras versões beta dos novos sistemas para desenvolvedores. Elas não são recomendadas para uso no dia a dia. As versões finais, para uso geral, chegam no “outono” (do hemisfério Norte, primavera aqui), provavelmente em setembro. Via Apple (2) (3) (4) (todos em inglês).

Confirmando anos de rumores, a Apple apresentou nesta segunda (5) seus óculos de realidade aumentada, o Apple Vision Pro.

O Vision Pro se parece com óculos de ski e tem um cabo que o conecta à bateria, que é externa. A maior inovação parece ser uma espécie de tela externa na frente do headset, que exibe os olhos do usuário e dá pistas a quem está ao redor. A interação, baseada nos olhos e gestos, parece bem azeitada.

O Vision Pro parece um negócio que ainda não tem uma razão de ser. Por exemplo, a primeira aplicação que a Apple mostrou na demonstração foi abrir e ler sites.

Preço sugerido? US$ 3.499 (cerca de R$ 17,2 mil). Lançamento no início de 2024. Em instantes atualizo este post com o preço sugerido. Via Apple, @Apple/YouTube.

Tráfego, o ouro de tolo do jornalismo nos anos 2010

Em junho de 2015, Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed, foi à sede do New York Times explicar ao centenário jornal como essa coisa de internet funcionava.

Nas palavras do jornalista Ben Smith, então editor-chefe do braço de notícias do BuzzFeed, Jonah “era um mamífero explicando aos dinossauros como havia evoluído para além deles”.

O trecho ocupa um capítulo em Tráfego: Genialidade, rivalidade e desilusão na corrida bilionária para viralizar (tradução livre; ainda sem edição no Brasil), novo livro de Ben que conta a origem, ascensão e queda do BuzzFeed.

(mais…)

Isto pode soar óbvio, mas vamos lá: nem todo tempo gasto com telas é ruim.

Uma pista de que essa métrica talvez não seja das melhores é o fato dela ter sido abraçada com entusiasmo pela indústria.

Há alguns anos, Apple e Meta enfiaram “medidores” de tempo gasto em celulares e aplicativos em resposta às críticas crescentes ao vício causado por seus produtos.

É quase consenso que passar horas rolando feeds no TikTok ou Instagram faça mal. Por outro lado — e pegando exemplos pessoais —, aquelas dez horas que passei com o tablet ligado lendo um livro, ou o tempo no celular ligando/conversando com pessoas queridas? Zero arrependimento.

Pensata inspirada neste post (em inglês), que propõe uma abordagem qualitativa em vez de quantitativa para o lance das telas.

Uma nova configuração padrão no Google Calendar tem causado transtornos para quem usa serviços de agendamento automatizados, como Calendly e Cal.com.

Há relatos de pessoas que perderam compromissos devido à alteração.

Recentemente, o Google Calendar passou a, por padrão, rejeitar convites de e-mails estranhos ao usuário, ou seja, com quem a pessoa não tenha interagido por e-mail previamente.

Esse recurso foi lançado em novembro de 2022, em caráter de testes e opcional. Agora, o Google está ativando a opção para todos os usuários.

(Entrei no Google Calendar e, de fato, aparece um pop-up informando a mudança.)

O objetivo do Google é conter o spam no Calendar, um problema crônico do serviço. Só que a solução encontrada afeta serviços de terceiros e chega em um momento curioso, logo após o Google lançar um produto similar ao das empresas afetadas pela mudança.

O CEO da Grain, que oferece um software que grava videochamadas, reclamou:

Esses movimentos são tão descaradamente anticompetitivos e anticonsumidor… e tudo sob o pretexto da “prevenção de spam”… que eles poderiam facilmente gerenciar para contas do Google usando software de reserva de terceiros.

Para reverter o Google Calendar ao comportamento antigo, entre nas configurações e, em Configuração de eventos, troque a opção Apenas se o remetente for conhecido para De todos. Via The Register, Cal.com (ambos em inglês).

A Meta anunciou o Quest 3 (em vídeo) nesta quinta (1º), poucos dias antes de a Apple — caso os rumores estejam certos — mostrar o seu aguardado headset de realidade mista.

É um movimento de defesa, ou reativo. O lançamento do Quest 3 ocorrerá apenas no final do ano, entre setembro e dezembro.

Parece uma evolução notável comparado ao Quest 2: perfil 40% mais fino, novas câmeras e sensores frontais, duas vezes mais rápido. O preço, de US$ 499, é ~66% mais caro que o do Quest 2, porém.

Tudo muito legal, mas: 1) A Meta não vende produtos da linha Quest no Brasil; e 2) É da Meta. Via Meta (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Ainda disponível somente em mandarim, o Relatório de Desenvolvimento da China Digital 2022 traz informações sobre a economia digital do país. O relatório indica que a China tem cerca de 60% dos usuários de 5G do mundo, como resume o Yahoo.

Outros dados interessantes são a expansão no âmbito de cibersegurança e que os serviços digitais do governo já tem mais de 1 bilhão de usuários.

Não deixe de ler junto com o “Plano para o desenho geral da construção de uma China digital”, lançado em fevereiro.

Vale também aproveitar a louça suja para ouvir este episódio (em inglês) do podcast China Global sobre a ascensão do país na ordem mundial digital.

Toda aquela conversa de que o Reddit faria diferente e não praticaria preços abusivos pelo acesso à sua API para desenvolvedores independentes? Parece que era balela.

Os valores ainda não foram revelados oficialmente, mas Christian Selig, do ótimo Apollo, deu a notícia em primeira mão de que o Reddit cobrará US$ 12 mil por 50 milhões requisições.

É um preço inviável. No patamar atual, Christian teria que desembolsar US$ 20 milhões por ano com a API do Reddit.

O Reddit, que se prepara para abrir capital no segundo semestre, ainda dá prejuízo, mas não sei se inviabilizar aplicativos alternativos fará alguma diferença no balanço. Em tese, sim: sem esses apps, os usuários se voltariam ao app oficial, que exibe anúncios e está sob o controle do Reddit. Se todos farão essa migração, difícil dizer.

E mesmo que todos façam, quantos usuários acessam a plataforma dessa maneira? No Twitter, segundo um ex-executivo da empresa, 17% dos engajamentos, “historicamente”, acontecia por apps de terceiros. Em janeiro, o Twitter começou a quebrar o acesso de apps à sua API.

Christian ainda não sabe o que fará. Se o Apollo acabar ou ficar proibitivamente caro, eu sei o que farei: usarei bem menos o Reddit. Via r/ApolloApp (em inglês).

A HMD Global, dona da marca Nokia para celulares, relançou o Nokia 2660 de olho nos jovens.

“Dumbphones”, como são chamados esses aparelhos, são “a escolha dos jovens para limitar o tempo de tela”, diz a empresa finlandesa no comunicado à imprensa. A câmera medíocre do aparelho, a mesma de 2000 e bolinha, deixou de produzir fotos terríveis para gerar “fotos com o estilo lo-fi dos anos 2000”. Cansado do isolamento digital? Com o Nokia 2660, os consumidores irão “reconectar-se uns com os outros, com eles mesmos e com o entorno”, promete a HMD.

Como bem observou o site The Verge, a mudança de discurso é notável. Em 2016, quando o Nokia 2660 foi lançado, os chamarizes eram sua “tela grande”, “compatibilidade com aparelhos auditivos” e “recursos de acessibilidade que aumentam a confiança, especialmente daqueles com mais de 55 anos”.

Existe mesmo uma fadiga generalizada de celulares, mas acho que somente repaginar o discurso não fará desses aparelhos simples o remédio para a ressaca de iPhones e Galaxies que muitos de nós sentem.

A maioria dos “testes” — mesmo que nada científicos — a que jornalistas e influenciadores se submetem, de viver com um dumbphone ou celular minimalista, fracassa.

Ainda é mais negócio diminuir as distrações de um celular moderno, porque as comodidades que eles trazem são inegáveis e, cada vez mais, inescapáveis. Usar um dumphone hoje implica em usar papel, chamar táxis no ponto, ligar (o horror!!) para restaurantes e amigos.

Achei curioso a HMD Global ter usado a informação de que vídeos no TikTok com a hashtag #bringbackflipphones tiveram 49 milhões de visualizações como argumento. Quem compra um Nokia 2660 não consegue acessar o TikTok.

Mitigar o risco de extinção causado pela IA deve ser uma prioridade global ao lado de outros riscos em escala social, como pandemias e guerra nuclear.

+350 executivos, pesquisadores e engenheiros envolvidos com inteligência artificial.

A carta aberta acima (inteiro teor) foi publicada pelo Centro de Segurança da IA. A brevidade é intencional, tem por objetivo reunir no mesmo coro vozes preocupadas que talvez discordem em detalhes, mas encaram a emergência da IA como uma ameaça.

Há nomes de peso ali, como os de Sam Altman (CEO da OpenAI), Demis Hassabis (CEO do Google DeepMind) e Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, pioneiros em redes neurais e tidos como “pais” da IA moderna. Via New York Times (em inglês).

Na próxima segunda (5/6), tudo indica que a Apple revelará ao mundo seu headset de realidade aumentada e/ou virtual.

Há grandes expectativas em torno desse possível lançamento.

Nas últimas décadas, a Apple fez fama como uma espécie de Midas corporativo, capaz de transformar em ouro tudo o que toca, mesmo em categorias de produtos que outras empresas não conseguem emplacar sucessos, como tablets e relógios inteligentes.

Não será tarefa fácil. Grandes empresas, como Meta e Microsoft, há anos investem pesado no setor, sem grandes retornos até aqui.

Quando se fala em software, o grande (único?) sucesso de realidade aumentada de que se tem notícia é Pokémon Go, joguinho de celular de 2016.

Ainda assim, há quem argumente que a grande sacada da Niantic não foi a realidade aumentada, mas sim a geolocalização. Não era raro, no auge da febre, ver celulares com o jogo aberto, mas a câmera fechada, porque a experiência era mais ou menos a mesma, com o bônus de preservar bateria.

O fato de a Niantic nunca mais ter emplacado outro jogo, mesmo com franquias do mesmo nível de Pokémon — NBA, Harry Potter —, é um sinal de alerta.

No início de maio, a Niantic lançou Peridot, seu primeiro jogo de realidade aumentada original, uma espécie de bichinho virtual moderno, no celular. Embora porta-vozes da empresa afirmem que o jogo teve boa receptividade, na frieza dos números Peridot não empolgou — as avaliações de parte dos jogadores é negativa e os downloads, poucos.

Talvez uma versão para o vindouro headset da Apple — caso o toque de Midas ainda esteja funcionando — possa reverter esse cenário.

As ações da Nvidia deram um salto de quase 25% semana passada, fazendo com que seu valor de mercado encostasse no US$ 1 trilhão. Se chegar lá, será a primeira do setor de semicondutores a valer tanto.

A empresa encarna o espírito de “vendedor de pás” na corrida do ouro do momento — a das inteligências artificiais. O chip H100, lançado em 2022 e vendido por US$ 40 mil a unidade, é um avanço significativo no processamento de grandes volumes de dados e está por trás de mega-sucessos recentes, como o ChatGPT.

A posição da Nvidia permite que a empresa dê declarações menos protocolares, mais interessantes que as de outras companhias mais próximas do usuário final, como Microsoft e Google. Jensen Huang, CEO da Nvidia, critica abertamente as sanções que os Estados Unidos impuseram à China e que impedem a sua empresa de vender para o gigante oriental. “Se [a China] não puder comprar dos EUA, eles mesmos vão fazer. Os EUA devem ter cuidado”, disse ele em entrevista ao Financial Times.

Nesta segunda (29), a Nvidia anunciou novidades em um evento de 2h na Computex, em Taiwan, incluindo uma plataforma de computação específica para aplicações de IA, batizada DGX GH200. Via Financial Times, Tom’s Hardware (ambos em inglês), Folha de S.Paulo.

Falando em Bluesky, criaram uma ponte para permitir o uso de aplicativos feitos para Mastodon na outra rede social descentralizada. (Dá até para usar o Ivory, que acabou de ser lançado no macOS.) O projeto, chamado Sky Bridge, tem o código-fonte aberto. Use por sua conta e risco e, se for usar mesmo, crie uma senha de aplicativo no Bluesky em vez de usar a senha principal.

O fim de semana foi agitado na instância/servidor oficial do Bluesky. Uma decisão da moderação acerca de uma possível ameaça de morte causou revolta em muitos usuários e mudanças nas diretrizes da comunidade.

A moderação decidiu remover o post, mas não banir a pessoa que o postou. Muitas horas depois, a pessoa foi banida.

O problema, como explicou a CEO do Bluesky, Jay Graber, é distinguir uma ameaça de violência de uma metáfora infeliz em um debate acalorado. Dito isso, a diretriz atualizada opta por não fazer distinção alguma:

Qualquer post ou imagem que ameace violência ou dano físico, independentemente de a declaração ser metafórica ou literal, resultará em pelo menos uma suspensão temporária da conta e, para várias violações, removeremos a conta de ser hospedada em nosso servidor.

Muitos usuários do Bluesky não ficaram satisfeitos com a decisão, com a demora na tomada da decisão ou com ambos, como se nota nas respostas ao fio publicado por Jay.

Trata-se de mais uma dor do crescimento que o Bluesky enfrenta, exacerbada pela centralidade ainda presente lá. (Até agora, a opção de múltiplos servidores que conversam entre si ainda não foi ativada e só existe uma instância/servidor de Bluesky, a oficial/dos desenvolvedores.)

Em qualquer etapa da jornada, porém, decisões do tipo jamais serão unânimes. De questões mais mundanas, como assediar usuários incautos para descreverem imagens, até as que parecem óbvias, como uma possível ameaça de morte, há nuances suficientes no discurso para gerar debates acalorados. Atritos são e sempre serão inevitáveis.

(Se o inglês estiver em dia, o joguinho de navegador Moderation Mayhen, do pessoal do TechDirt, é muito didático nesse sentido.)