A Microsoft anunciou uma atualização do Teams, sua plataforma de colaboração profissional, com a promessa de mais rapidez. Jeff Chen, líder de produto do Teams, no blog da Microsoft:

A ação mais comum para um usuário no Teams é alternar entre diferentes conversas, canais e feeds de atividades. Ao longo dos últimos dois anos, alternar entre conversas agora é 32% mais rápido; alternar entre canais é 39% mais rápido.

Chamou-me a atenção o tanto de “gordura” que a Microsoft conseguiu tirar da “ação mais comum” (e, convenhamos, trivial) no dia a dia dos usuários do Teams, um indício forte do quão pesado é o aplicativo. Via Microsoft (em inglês).

Pela primeira vez o Mastodon bateu 1 milhão de usuários ativos mensais (MAUs). Em pouco mais de uma semana, mais de 1 mil novas instâncias (servidores) foram criados, algumas brasileiras também (nosso post com uma lista delas foi atualizado), e quase meio milhão de pessoas chegaram ao fediverso. Agora vai? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).

Web design de qualidade e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

(mais…)

O Shazam, aplicativo que “adivinha” a música que está tocando (e que é da Apple já faz alguns anos), está oferecendo três meses grátis da assinatura do Apple Music. Basta acessar esta página logado em uma conta da Apple e tocar/clicar no botão Resgatar.

Não sei dizer se a oferta vale para quem já é assinante do Apple Music, mas para quem usou/foi assinante do serviço no passado, sim. Era o meu caso e consegui resgatar os três meses gratuitos. Via MacMagazine.

Elon Musk começou as demissões em massa no Twitter. Segundo um e-mail enviado na noite de quinta (3), os funcionários receberão um e-mail nesta sexta (4) com o assunto “Seu papel no Twitter”. Se a mensagem chegar no e-mail profissional, significa que o funcionário não foi demitido. Se for no e-mail pessoal, adeus.

Ainda não se sabe quantos serão demitidos. Os últimos rumores indicam 3,7 mil, ou cerca de 50% da força de trabalho.

Demitir milhares de pessoas numa sexta-feira e por e-mail, após dias de rumores e ameaças, criando um clima de terror dentro da empresa, diz muito da pessoa de Elon Musk. É desprezível. Via Washington Post (em inglês).

O canal de YouTube Cinema com Rapadura testou o novo plano com anúncios da Netflix, de R$ 18,90 por mês, lançado nesta quinta (3). Há inserções no início e no meio das séries e filmes, que não podem ser puladas e têm duração de até 45 segundos.

Experiência de YouTube gratuito pagando quase R$ 20 por mês e com uma série de limitações — acervo menor, impossibilidade de download, qualidade de vídeo limitada a 720p. Difícil engolir isso. Valeu pela dica, Gustavo!

O WhatsApp começou a liberar o recurso de comunidades, que o transforma em uma espécie de mini-Slack (ou Discord), com “canais” que abrigam grupos temáticos.

À parte os possíveis maus usos, é uma abordagem interessante. O WhatsApp/Meta diz ter trabalhado “com mais de 50 organizações em 15 países para criar Comunidades que atendam às necessidades delas”, um esforço que transparece — pelas imagens, parece algo mais simples e acessível que outros aplicativos do tipo, algo essencial em um produto tão massificado.

O WhatsApp também ganhou grupos com até 1.024 usuários, chamadas de vídeo com 32 participantes e enquetes. Todas essas novidades só devem chegar ao Brasil em 2023, porém. Via WhatsApp.

por Shūmiàn 书面

O grande assunto nas mídias sociais chinesas neste final de semana foram as imagens do êxodo de centenas de trabalhadores de uma fábrica da Foxconn em Zhengzhou.

As fotografias e vídeos mostram pessoas caminhando por avenidas vazias com seus pertences, por receio de serem detidas em checkpoints de covid-19 caso usassem transporte público.

Desde então, a situação evoluiu rapidamente: no domingo (30), a Foxconn confirmou a circulação do vírus em suas fábricas e anunciou que disponibilizaria transporte para os trabalhadores que quisessem deixá-las; na terça (31), passou a oferecer incentivos financeiros para quem quisesse continuar trabalhando; nesta quarta (2), o governo declarou lockdown de uma semana ao redor da fábrica, afirmando que a situação é “severa e complicada”.

Metade dos iPhones do mundo é montada nessas instalações onde trabalham 300 mil pessoas. Além da apreensão na Foxconn, há também a preocupação de que os trabalhadores que se retiraram estejam infectados e levem o vírus para suas cidades.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Post livre #341

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

US$ 20 por mês para manter meu selo azul? Foda-se, eles é que deviam me pagar. Se isso for instituído, estou fora igual a Enron.

— Stephen King, comentando a ideia de Elon Musk de cobrar mensalidade pelo selo azul de verificação.

Musk respondeu King e propôs um valor menor, de US$ 8 por mês. Mais tarde, oficializou a ideia ruim com uns penduricalhos adicionais e, depois, fez chacota com os críticos.

O selo azul de verificação sinaliza que um perfil é de quem diz ser, e apenas isso. Não tem valor de autoridade, mas algumas pessoas (e Musk parece estar nesse grupo) o encaram assim.

Cobrar pelo selo de verificação não resolve nenhum problema do Twitter. Pelo contrário: cria um balcão para a venda de legitimidade na plataforma — e por uma mixaria.

Imagine o tanto de golpistas que não pagariam felizes US$ 8 para terem um endosso da plataforma? De propagadores de desinformação explorando essa noção torta de que o selo azul confere autoridade para bagunçar ainda mais o debate público? (Ainda mais agora, com as ferramentas de moderação do Twitter restritas.)

O sistema de verificação do Twitter é historicamente falho, mas botar um preço nele é, provavelmente, a pior “solução” em que alguém poderia pensar.

A ideia de que os poucos interessados em pagar para manter o selo azul faria alguma diferença nas contas do Twitter é ridícula. Não há escala para isso e, como Stephen King apontou, a verificação de perfis é um negócio mais vantajoso ao Twitter do que aos perfis verificados. No mínimo, é de interesse é mútuo.

Ao oficializar o plano no Twitter, Musk bradou que se trata de dar “poder ao povo”. “É a caricatura da democracia burguesa”, que tem a desprezível característica de colar uma etiqueta de preço a tudo, até à condição inerente a todos nós, que independe de dinheiro, de sermos “povo”.

Deixe seu celular Android mais leve com o Universal Android Debloater

A liberdade que o Google oferece no Android é abusada por fabricantes: não é raro deparar-se com celulares que trazem aplicativos pré-instalados que não podem ser removidos, como o do Facebook.

Um caminho para livrar-se dos excessos (ou do “bloat”, no jargão do meio) é trocar o Android da fabricante por uma variante da comunidade, como o LineageOS ou o /e/OS. Funciona, mas pode ser algo complicado, depende de muitas variáveis e é, sem dúvida, intimidador para marinheiros de primeira viagem ou alguém que não queira se dar a esse trabalho.

Um meio termo que descobri recentemente é o Universal Android Debloater (UAD). Trata-se de um aplicativo, com interface gráfica, que permite desinstalar processos que rodam no seu celular Android.

(mais…)

A confirmação da compra do Twitter por Elon Musk causou um novo pico de cadastros no Mastodon. Desta vez, segundo Eugen Rochkon (fundador do projeto), foram 70.849 novas contas em múltiplas instâncias só no sábado (29).

É um número pequeno perto dos mais de 200 milhões de usuários que acessam o Twitter todo dia, mas significativo. O Mastodon, ao contrário do Twitter, é um projeto de código aberto e descentralizado — nosso arquivo tem bons materiais que explicam essas diferenças e o modo de funcionamento do Mastodon.

O pico de atenção causou alguns distúrbios na operação. Rochkon, que comanda a mastodon.social, maior instância do mundo, teve que incrementar a infraestrutura dela para aguentar a demanda. Ele se disse exausto e reclamou (algo que, diz, raramente faz) do tanto de trabalho que tem em troca de uma remuneração baixa para os padrões do setor, de ~US$ 36 mil por ano. Via @Gargron@mastodon.social (2) (3) (em inglês).

O Manual está no Mastodon também. Siga o perfil em @manualdousuario@masto.donte.com.br.

O PicPay vai encerrar o Guiabolso em novembro. Compra em julho de 2021 para transformar-se em “protagonista em OpenBanking e acelerar marketplace financeiro”, o Guiabolso é (era?) um aplicativo simples de controle financeiro que se conectava às instituições bancárias do país.

“O objetivo é centralizar todas as funcionalidades, serviços e produtos em um único app, que é ainda mais completo”, disse a empresa em seu blog. O PicPay afirma que todas as funcionalidades do Guiabolso foram migradas para o app do PicPay.

Usuários do Guiabolso serão avisados do fim do aplicativo ao longo da semana e poderão baixar seus dados em formato de planilha eletrônica. Ótima escolha, aliás: bem flexível e à prova de aquisições e encerramentos abruptos. Via PicPay.

A Adobe e a Pantone™ encerraram uma parceria de longa data e, como resultado, agora é preciso pagar uma mensalidade pelo plugin Pantone™ Connect para que arquivos do Photoshop, Illustrator e InDesign que usem cores da paleta proprietária da Pantone as exibam corretamente. Não quer pagar? As cores Pantone™ são substituídas por preto.

Os preços variam por região. No Brasil, a assinatura anual do Pantone™ Connect custa R$ 37,85 por mês (12 meses pagos numa tacada só), com 7 dias de gratuidade.

A Pantone™ conseguiu, de alguma maneira, tornar-se proprietária de cores (o que estou escrevendo?) e após décadas de colaboração com a Adobe, decidiu tirar uma lasquinha do mercado de SaaS que a Adobe vem explorando há alguns anos com grande sucesso financeiro.

O “legal”, nos lembra Cory Doctorow, é que, sendo softwares alugados, não existe a possibilidade de estacionar numa versão do Photoshop para não ser afetado pela mudança. Há relatos de arquivos criados há 20 anos que tiveram cores Pantone™ trocadas por preto. Via @funwithstuff/Twitter, Kotaku, Pluralistic (todos em inglês).

Atualização (15h20): Stuart Semple lançou o Freetone, um plugin gratuito que faz o “matching” de cores com a paleta Pantone™.

John Gruber, blogueiro norte-americano especializado em Apple, escreveu na quinta (27) que estava “mais otimista com o futuro do Twitter do que jamais esteve em anos” após Elon Musk divulgar uma carta aberta aos anunciantes da plataforma que assumiria como sua no dia seguinte.

Esse sentimento de esperança numa boa gestão de Musk à frente do Twitter tem encontrado eco em outros espaços, ainda que seja, por ora, um incompreensível. Lembra muito as reações pós-vitória de Jair Bolsonaro em 2018: de que, apesar dos fartos indícios apontando para o caos, o então novo presidente poderia fazer um bom governo. (Não fez, muito longe disso.)

Em seu primeiro dia à frente do Twitter, Musk demitiu executivos. Entre eles, Vijaya Gadde, chefe de segurança, confiança e políticas, alguém que, apesar dos problemas de moderação do Twitter, seria de grande ajuda para reformar as regras da plataforma dada sua experiência no assunto.

No dia seguinte, sábado (29), Musk sugeriu uma teoria da conspiração em resposta a um post da ex-secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que manifestou solidariedade ante a notícia do espancamento que Paul Pelosi, marido da congressistas Nancy Pelosi, sofrera na véspera.

O dono do Twitter espalha desinformação para seus 110 milhões de seguidores. O que poderia dar errado? (Ele apagou o post, sem dar explicações, no dia seguinte.)

Outra ideia controversa que circula é a de condicionar o selo de verificado ao pagamento de US$ 19,99 por mês. Musk não confirmou a notícia, limitou-se a dizer que o processo de verificação está sendo reformulado, mas a informação não surgiu do nada — veio de fontes internas no Twitter vazadas à imprensa.

Nesse ritmo, o Twitter será dominado por golpistas de criptomoedas e celebridades com o selinho azul, uma ferramenta de autenticidade deturpada para sinalizar autoridade por quem pode pagar, como se não houvesse pessoas de relevância pobres. É uma ideia obviamente ruim.

Os primeiros atos de Musk no Twitter são desanimadores. A tendência é piorar. Via The Verge, The Independent (ambos em inglês).