Agora é oficial: Elon Musk é o novo dono do Twitter. Nesta quinta (27), ele visitou o escritório do Twitter, demitiu Parag Agrawal, CEO da empresa, e outros executivos do alto escalão (segundo o Washington Post), e iniciou alguns processos burocráticos inerentes ao negócio, como a retirada do Twitter da Bolsa de Nova York e a dissolução do conselho administrativo.

Musk assumirá o cargo de CEO interinamente, de acordo com o New York Times e o TechCrunch.

Antes, também na quinta, Musk publicou uma carta aberta aos anunciantes do Twitter em seu perfil. Com um tom mais comedido, afirmou que, apesar das suas promessas anteriores de “liberdade de expressão absoluta”, não espera que o Twitter vire uma terra sem lei.

O Twitter sob a direção de Musk é uma incógnita. Se por um lado a saída do mercado de capitais diminui pressões externas, por outro as ideias e visão de mundo de Musk são… esquisitas, para dizer o mínimo. (Dia desses ele estava planejando uma solução para o conflito na Ucrânia como se fosse uma briga de crianças da quinta série. O ego desse homem deve ser infinito.)

Considerando que o Twitter já não vinha bem das pernas desde… sempre?, é esperar para ver. Mas espere usando o colete salva-vidas. São grandes as chances de estarmos em um barco afundando. Via Washington Post, New York Times, TechCrunch (todos em inglês).

Uma coisa é preciso reconhecer: o sangue frio que Mark Zuckerberg tem mantido no último ano da Meta.

Nesta quarta (26), a empresa apresentou seu balanço do terceiro trimestre. Os números vieram abaixo do esperado, Zuck avisou geral que vai continuar torrando bilhões de dólares no metaverso, mesmo com o prejuízo tendo aumentado consideravelmente e os produtos mornos que a Meta tem lançado.

Neste momento (~13h30), o papel da Meta na Nasdaq cai quase 30%, colocando seu valor de mercado abaixo dos US$ 300 bilhões. E pensar que em setembro de 2021 esta mesma empresa valia quase US$ 1 trilhão… Via CNBC (em inglês).

Post livre #340

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Transformei minha casa em uma fortaleza de vigilância

Transformei minha casa em uma fortaleza de vigilância (em inglês), por Ian Bogost na The Atlantic:

Quando me mudei para uma nova casa ano passado, decidi testar essa hipótese. Já estava passando um monte de cabos de rede pelas paredes para os pontos de acesso Wi-Fi, daí aproveitei a oportunidade para passar tais cabos em absolutamente todos os lugares. Depois, coloquei um número absurdo de câmeras àquele cabeamento — 16, até onde contei —, transformando a minha casa em uma fortaleza de vigilância. (Conhecendo os problemas de privacidade e políticas de dados que surgem quando fornece-se vídeo às empresas de tecnologia via nuvem, armazeno todas as imagens localmente em um conjunto gigante de discos rígidos no meu porão; sou a única pessoa que podem acessá-los.)

Eis o que aprendi deste um ano de monitoramento doméstico extremo, 24 horas por dia, 7 dias por semana: nada acontece.

Nada.

Dica da Jacqueline Lafloufa. Obrigado!

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da Forbes na última quinta-feira (20), a ByteDance teria planejado em ao menos duas ocasiões utilizar dados de geolocalização coletados pelo seu aplicativo TikTok para monitorar cidadãos estadunidenses. A reportagem não concluiu se a estratégia teria sido de fato utilizada, nem definiu o perfil dos usuários alvos desse tipo de iniciativa.

A falta de detalhes sobre o caso atraiu ceticismo por parte de especialistas em China e tecnologia, como neste fio do editor da DigiChina Graham Webster. O TikTok respondeu às acusações afirmando que a reportagem omitiu sua declaração de que não coleta os tipos de dados indicados pela reportagem.

A acusação da Forbes ocorre em um momento em que a empresa chinesa se aproxima de fechar acordo com a administração Biden. Essa decisão garantiria a segurança dos dados dos usuários estadunidenses e evitaria que a ByteDance precisasse vender suas operações locais.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Desenvolvedores de aplicativos para iOS estão desde segunda (24) se lamentando dos novos anúncios da App Store. (Aparentemente, os anúncios não estão ativos no Brasil.)

Com a expansão, a Apple agora exibe anúncios nas páginas dos aplicativos. Pior: parece não haver filtro e há muitos anúncios de aplicativos de apostas, jogos caça-níqueis e outras atividades suspeitas, para dizer o mínimo.

É lamentável que uma empresa que lucra dezenas de bilhões de dólares por trimestre (US$ 19,4 bi no mais recente) se sujeite a isso, mas não surpreendente. Nesse arranjo, o que importa é crescer — não importa o quão grande você já seja.

Seria ótimo se esses desenvolvedores insatisfeitos se voltassem a plataformas abertas, em que uma empresa mesquinha não detenha a exclusividade na distribuição de aplicativos.

Alguns exemplos da choradeira nos links ao lado. Via @simonbs/Twitter, @marcoarment/Twitter, @cabel/Twitter, @TimothyBuckSF/Twitter (todos em inglês).

Atualização (27/10): Após a pressão, a Apple suspendeu “anúncios de aplicativos de apostas e outras categorias da App Store”. Não disse quais, nem por quanto tempo, porém. Via Macrumors (em inglês).

Apresentando o clube de descontos do Manual do Usuário

O Manual do Usuário tem um programa de assinaturas que ajuda a manter o projeto no ar. Em troca da ajuda financeira, os apoiadores/assinantes recebem alguns mimos. Hoje, eles ganham mais um: o clube de descontos.

Para a estreia, sete dez empresas muito legais se apresentaram para oferecer descontos e vantagens exclusivas aos assinantes do Manual. São elas (em ordem alfabética):

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Junto às novas versões do iPadOS e macOS, a Apple atualizou várias diretrizes da App Store nesta segunda (24). Destaque para a que estende a “taxa Apple” (até 30%) às compras de impulsionamento em aplicativos de redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram.

No mesmo movimento, a Apple diminuiu consideravelmente o apelo dos NFTs no iOS (apps não podem vincular recursos e benefícios à venda de NFTs) e aumentou seu poder de controle, dando a si mesma o poder de rejeitar aplicativos que faturam/lucram com “eventos recentes” prejudiciais, como conflitos violentos e ataques terroristas (aplicativos de jornais entram nessa classificação?).

A partir do raciocínio de Neil Katz, dá para dizer que Apple é uma empresa “sui generis”: aumenta sobremaneira seu poder centralizador no momento em que a pressão por suas práticas momopolistas atinge o ápice e, ao mesmo tempo, consegue vender sua marca como premium mesmo vendendo várias dezenas de milhões de produtos todo trimestre. Via Apple, FOSS Patents, @neilkatz/Twitter (todos em inglês).

Já estão disponíveis para download as versões estáveis do iPadOS 16.1 e do macOS 13 Ventura. O iOS 16.1 também foi liberado nesta segunda (24).

Abaixo, as listas de dispositivos compatíveis e links diretos para os comunicados à imprensa da Apple (por ora apenas em inglês) detalhando as novidades de cada sistema:

  • iPadOS 16.1: iPad (5ª geração em diante), iPad mini (5ª geração em diante), iPad Air (3ª geração em diante) e todos os modelos de iPad Pro.
  • macOS 13 Ventura: iMac (2017 em diante), iMac Pro, MacBook Air (2018 em diante), MacBook Pro (2017 em diante), Mac Pro (2019 em diante), Mac Studio, Mac mini (2018 em diante) e MacBook (2017).

⭐️ Tem novidades na Insider — e com cupom especial!

por Manual do Usuário

O mês de outubro está quase acabando, mas queremos trazer os lançamentos e novidades que a nossa parceira Insider trouxe nas últimas semanas.

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Uma nova ferramenta para burlar paywalls está disponível, o Leia Isso. Ele funciona e até lembra um tanto o finado Outline.

Há algumas semanas, troquei uns e-mails com o criador do Leia Isso, que prefere manter-se anônimo. “O que motivou a criação da ferramenta foi a vontade de ter um ambiente favorável à leitura”, explicou. “Sempre assinei feed [RSS] e newsletters para consumir conteúdo em razão da simplicidade na entrega do material. Pensei em levar essa experiência para leitura de artigos e notícias em geral.”

O funcionamento do Leia Isso é similar ao do Outline e 12ft Ladder, ou seja, ele recarrega a página indicada pelo usuário sem JavaScript, o que em muitos casos basta para derrubar paywalls porosos.

Por isso, o criador anônimo se diz tranquilo quanto a retaliações, “pois o robô não faz nada além de exibir o conteúdo que o próprio site divulga”. Ele lembra que publicações insatisfeitas podem bloquear o Leia Isso, o que seria “tecnicamente muito simples”. “A ideia não é infringir qualquer tipo de direito, apenas auxiliar de algum modo no aprimoramento da divulgação de informação pela internet brasileira”, defende-se.

Existem outras maneiras de burlar paywalls porosos de sites de notícias. Aqui no Manual tem um guia completo com quatro maneiras de burlá-los.

30 anos de ThinkPad

A entrada na Wikipédia não especifica o dia, a Lenovo comemorou em 5 de outubro, mas acho que ainda é válido comentar os 30 anos do ThinkPad, uma das marcas de computadores mais longevas disponíveis no mercado.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma resolução que endurece o combate à desinformação nas eleições a dez dias do segundo turno. Na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, após um bom primeiro turno nesse sentido, o segundo tem sido um desastre.

São várias medidas que têm a intenção de acelerar a remoção de conteúdo que desinforma deliberadamente e frear canais e veículos que agem de má fé, como a Jovem Pan e canais bolsonaristas do YouTube.

Plataformas de vídeo — YouTube, Kwai e TikTok — têm sido as principais fontes de dores de cabeça.

Há quem diga que as novas regras chegaram tarde e me pergunto, sem desmerecer o trabalho que tem sido feito nem sua importância, se isso não é enxugar gelo. O ambiente está contaminado por uma força política mitomaníaca que, infelizmente, conseguiu enganar metade do país.

Para ler o que muda, sugiro as coberturas dos veículos ao lado. Via Folha de S.Paulo, Jota, Núcleo.

Quem precisa da Adobe? Estes estúdios de design usam apenas software livre

Em janeiro de 2021, o jovem Dylan Field, co-fundador do Figma, serviço de prototipagem de interfaces digitais, disse que “o nosso objetivo é ser o Figma, não a Adobe” em uma conversa em que alguns usuários, insatisfeitos com a Adobe, especulavam quanto tempo levaria para o Figma desbancar a dona do Photoshop.

Quase dois anos depois, em setembro de 2022, a Adobe comprou o Figma por US$ 20 bilhões e Dylan, no mesmo Twitter, pareceu animado com a notícia de que sua empresa acabara de se tornar a Adobe.

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