Aquela série marxista da Apple

A série Ruptura (Severance, no original), do Apple TV+, é aquele tipo de entretenimento cheio de referências a temas profundos destiladas em obviedades. Não à toa (e, claro, não apenas por isso) ela esteja fazendo tanto sucesso.

Mesmo alguém não entendido (eu) em teoria marxista consegue sacar tal influência na história. Não tanto por mérito do espectador. É que Ruptura meio que esfrega isso na nossa cara: o trabalho é repetitivo, misterioso e ninguém ali consegue ver seu resultado ou mesmo saber para que ele serve, e os funcionários abrem mão da sua autonomia de um modo que os donos do capital só podem sonhar hoje em dia. É praticamente uma introdução à teoria da alienação de Karl Marx.

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O Winamp 5.9 RC1 Build 9999 já pode ser baixado aqui (apenas para Windows).

É a primeira versão do player de música em quatro anos, um trabalho que envolveu “duas equipes de desenvolvimento e um hiato motivado pela pandemia”, escreveu Eddy Richman no anúncio oficial.

E… bem, apesar da demora, não espere ver muitas novidades. “Ao usuário final”, explica Eddy, “pode não parecer que há uma grande leva de mudanças, mas a maior e mais difícil parte do trabalho foi migrar o projeto inteiro do VisualStudio 2008 para o 2019 e fazê-lo compilar corretamente.”

Ele diz que, feito esse trabalho de base, “agora podemos nos concentrar mais nos recursos, seja corrigindo/trocando antigos ou adicionando novos”.

A nova versão do Winamp — ainda uma “release candidate”, ou seja, não é a versão final/estável — traz pelo menos duas melhorias mais notáveis: suporte ao Windows 11 e à reprodução de streams via https. Há, ainda, um punhado de atualizações e correções de CODECs.

Esta atualização não parece ter relação com o prometido “relançamento” do Winamp envolvendo streaming e NFTs, anunciado em 2021. Alívio para o pessoal prestes a tomar a quarta dose da vacina da covid-19 e que, por qualquer motivo, ainda ouve música por arquivos MP3 — como nos bons tempos. Via Winamp (em inglês).

O GitLab, serviço que oferece ferramentas e espaço para o desenvolvimento colaborativo de software, planejava excluir automaticamente projetos hospedados na plataforma em contas gratuitas após um ano de inatividade.

A medida, descoberta via fontes pelo The Register, pegou muita gente de surpresa. Segundo essas mesmas fontes, a motivação do GitLab era financeira: a exclusão poderia gerar uma economia de até US$ 1 milhão por ano.

A notícia, porém, desceu quadrada entre desenvolvedores. O GitLab sempre se posicionou como uma alternativa mais aberta ao GitHub, o titã do setor que a Microsoft comprou em 2018 por US$ 7,5 bilhões. O GitHub nunca excluiu repositórios inativos.

O GitLab se pronunciou dizendo que projetos inativos serão movidos para um armazenamento mais lento, ou seja, não serão excluídos. O The Register afirma ter provas de que esse desfecho resultou da repercussão negativa e que o plano original era excluir em definitivo esses projetos. Via The Register (2), @GitLab/Twitter (todos em inglês).

O ministro-turista das Comunicações, Fabio Faria, anunciou pelo Instagram que a atualização que ativa o 5G standalone brasileiro nos modelos de iPhone compatíveis “chega em setembro”. Essa era a maior preocupação do ministro.

“Em setembro” chega o iOS 16 e não seria surpresa — na real, era algo esperado — que a compatibilidade com o 5G standalone brasileiro viesse no pacote de novidades da versão.

No vídeo, Fabio aparece na área externa do Apple Park, sede da Apple, ao lado do presidente da Anatel, Carlos Baigorri. Tudo indica que não rolou um encontro com Tim Cook, CEO da Apple, ou qualquer outro executivo da empresa. Nada de fotos para biscoitar nas redes.

Com quem será que Fabio obteve essa importantíssima e exclusivíssima informação que mudará a vida de milhões centenas de brasileiros e que demandou uma viagem oficial aos Estados Unidos? Meu palpite é de que foi com algum atendente da loja souvenires da Apple.

Ah sim: ainda segundo a dupla dinâmica, a Apple estaria interessada “em fazer uma parceria em relação à proteção da Amazônia”. Agora sim, a Amazônia, aquela que segundo o chefe dele não precisa ser salva porque “não pega fogo”, será salva! Será tipo a “ajuda” do Elon Musk? Tipo… ah, nem sei mais o que comentar. Via @fabiofaria.br/Instagram.

Achei que a estratégia de lançar aplicativos “lite” para celulares lentos era coisa do passado, mas a Microsoft acabou de soltar o Outlook Lite com 5 MB e a promessa de funcionar bem até em redes 2G. Apenas para Android e em alguns países, Brasil entre eles. Via TechCrunch (em inglês).

Post livre #328

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O Discord para Android passou a ser desenvolvido em React Native, um framework para desenvolver aplicativos multiplataforma criado pela Meta (sim, a do Facebook e Instagram).

Até aí, tudo bem. O problema é que os usuários detestaram a nova versão. No subreddit do Discord o carinho da torcida está intenso.

A ideia desses frameworks multiplataforma é otimizar o trabalho. Em vez de criar dois apps, um para Android, outro para iOS, com eles é possível escrever apenas um código e, com modificações mínimas, compilar aplicativos para dois ou mais sistemas.

O aplicativo do Discord para iOS já era feito em React Native. O do Android, com ferramentas nativas, usadas para criar apps somente para Android. Isso tornava o desenvolvimento do app para iOS mais ágil e gerava retrabalho — tudo o que era feito em um não podia ser reaproveitado no outro.
A adoção do React Native resolve esse problema dos engenheiros e programadores, mas cria outro para os usuários: o novo aplicativo parece bem pior.

Quando algo assim acontece, é raríssimo que a empresa volte atrás — há muito investimento de tempo e trabalho nessas transições.

No comunicado oficial, que o Discord intitulou “uma empolgante atualização para o Discord no Android”, a empresa afirma que “continuará trabalhando para tornar o app do Android o melhor que ele pode ser”. Via Discord, @sandofsky/Twitter (ambos em inglês).

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

Em ano eleitoral, governo Bolsonaro paga R$ 89 milhões em campanhas que elogiam a gestão

por Bruno Fonseca

A Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal (Secom) pagou quase R$ 90 milhões neste ano para três campanhas de publicidade positivas da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Com os nomes “Governo Fraterno”, “Governo Trabalhador” e “Governo Honesto”, as três são as mais caras pagas pela Secom em 2022 — o que representa quase 60% de todos os gastos da secretaria neste ano, que foi de R$ 150 milhões. Juntas, elas são a ação publicitária mais cara de todo a gestão Bolsonaro, que já gastou R$ 838 milhões pela Secom desde 2019.

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por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da jornalista Dannie Peng  para o South China Morning Post, o mercado chinês de tecnologia quântica, considerada uma das novas fronteiras tecnológicas, valerá cerca de ¥ 80 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) em 2023. Em 2018, o mercado valia apenas ¥ 32 bi (~R$ 24 bi).

Antes o setor era limitado ao governo, mas a iniciativa privada vem demonstrando gradualmente mais interesse na tecnologia, sobretudo empresas de telecomunicação, energia elétrica e transporte.

Durante o lockdown de Shanghai, por exemplo, a Acadêmia Chinesa de Ciências Ferroviárias entrou em contato com uma empresa especializada no setor para levar a comunicação quântica ao gerenciamento da malha ferroviária de trens de alta velocidade.

Apesar das dificuldades, como altos custos e baixa familiaridade, o futuro parece ser promissor para as jovens empresas que fornecem esse tipo de tecnologia.


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Os papéis da Roku na Nasdaq deram um novo mergulho na última sexta-feira (29/7), desvalorizando ~23% após a empresa apresentar números ruins referentes ao segundo trimestre de 2022. O prejuízo operacional foi 260% pior que no ano anterior, chegando a US$ 110,5 milhões, e a empresa alertou os acionistas de que o próximo também não será nada bom.

Um dado curioso da operação da Roku: a empresa fatura muito mais com publicidade do que com a venda dos aparelhos em si. É por isso que seus controles remotos contam com aqueles quatro botões de serviços de streaming. As empresas que aparecem ali pagam pelo privilégio, como lembra o The Verge.

Nesse último trimestre, a Roku faturou US$ 91,2 milhões com a venda das suas caixinhas e outros produtos físicos.

Já com a “plataforma”, que engloba publicidade, taxas de parceiros do streaming, acordos de licenciamento e, explícito na documentação da empresa, “a venda de botões patrocinados de canais nos controles remotos”, a receita foi de US$ 673,2 milhões, um valor 638,1% maior. Via The Verge, CNBC, Roku (todos em inglês).

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recomendou ao WhatsApp que adie a liberação das Comunidades no Brasil para 2023. No compromisso firmado com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o WhatsApp/Meta disse que seguraria essa e outras atualizações, como a expansão do limite de usuários em grupos, para depois do segundo turno das eleições, ou seja, final de outubro.

A recomendação do MPF tem 30 páginas de considerações. Embora o pedido faça sentido considerando a patifaria que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro de 2021, quando o candidato derrotado e golpista Donald Trump tentou melar o resultado das eleições de lá, e considerando (estou parecendo o MPF nas considerações) a retórica golpista explícita do nosso postulante à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), é quase como se os procuradores estivessem mirando no mensageiro (literalmente) e não no problema em si.

Afinal, não é como se o WhatsApp só pudesse ser usado para arquitetar golpes de estado, nem seja o único aplicativo do tipo. A um toque de distância está o Telegram, por exemplo, com capacidade para 200 mil pessoas por grupo e cada vez mais popular no Brasil.

Um caminho alternativa seria incluir salvaguardas e restrições ao funcionamento dos aplicativos na legislação — algo complexo e não sei se o melhor caminho. Outro, que em tempos de normalidade institucional seria óbvio, é enquadrar quem usa o WhatsApp ou qualquer outro meio digital para causar arruaça nos crimes já previstos em lei. Via Núcleo, MPF-SP.

O Brasil aparece em 54º lugar, com um preço médio de US$ 0,74 por 1 GB baseado em 45 planos, no ranking de planos de internet móvel da Cable.co.uk, empresa especializada em comparação de preços de planos de internet.

Ficamos atrás de alguns vizinhos sul-americanos — Uruguai (9º, US$ 0,27/GB), Colômbia (31º, US$ 49/GB) e Chile (32º, US$ 0,51) —, mas bem melhor que a média da região (US$ 4,09/GB). Note-se, porém, que essa média é puxada bastante para cima pelas Ilhas Malvinas, que têm o segundo gigabyte mais caro do mundo, por US$ 38,45.

O território com o gigabyte mais caro do mundo é Santa Helena, outra ilha britânica ao Sul do Atlântico, com pouco mais de 4 mil habitantes. Por lá, 1 GB custa US$ 41,06. O gigabyte mais barato é o de Israel, onde custa US$ 0,04.

O levantamento da Cable.co.uk considerou 5 mil planos de dados móveis de 233 países e territórios, com dados coletados entre 16 de março e 2 de junho. Gráficos, planilhas com os dados brutos e comentários da empresa estão no link ao lado. Via Cable.co.uk (em inglês).

O Mint 21, codinome “Vanessa”, chegou à versão final. Ele é baseado no  Ubuntu 22.04 LTS e vem com o kernel Linux 5.15. Links para uma apresentação das novidades (sabor Cinnamon) e de download.

Mint é uma distribuição Linux que entrega uma experiência mais “clássica”, com uma interface WIMP (para ser usada com mouse), e que acaba sendo bastante aproveitada em computadores antigos. O ambiente gráfico principal é o Cinnamon; há outros dois sabores com Xfce e MATE. Via Mint (em inglês).

Mude esta opção no Instagram para impedir que suas fotos e vídeos sejam “remixadas”

Não é segredo nem novidade que o Instagram deixou de ser uma rede social de fotos para virar uma plataforma para “criadores” de conteúdo.

Com isso, o Instagram passou a estimular a “remixagem” de todo o conteúdo publicado ali, o que não é muito legal para quem é mais reservado ou trabalha de alguma forma com imagens e vídeos.

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