Denunciar contas falsas no Facebook era “esvaziar oceano com peneira”, diz ex-funcionária

por Natália Viana

A imagem de Sophie Zhang aparece na tela do computador para uma chamada via Zoom. Jovem, de óculos de aros grossos e fones de ouvido que parecem aqueles que gamers usam para uma experiência mais imersiva, sua fala é entrecortada por uma gagueira que poderia ser atribuída à timidez ou nervosismo. Mesmo assim, essa americana de 30 anos fala de maneira resoluta. Em setembro de 2020, Zhang tornou-se, sem querer, uma denunciante, quando decidiu compartilhar um longo relatório com seus colegas do Facebook em uma rede interna, alertando para os problemas que a empresa fingia não ver.

“Eu sei que tenho sangue nas minhas mãos agora”, escreveu no memorando, cujo objetivo era encorajar os colegas a mudarem a empresa de dentro. “Encontrem outros colegas que compartilham das suas convicções e trabalhem juntos. O Facebook é muito grande para qualquer pessoa sozinha consertá-lo”, escreveu.

Sophie acabava de ser demitida por “baixa performance”, e negou um acordo de US$ 64 mil que a obrigaria a permanecer calada. A postagem foi feita no seu último dia de trabalho, e logo foi removida pelo Facebook.

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Como otimizar imagens para gerar arquivos menores e mais fáceis de compartilhar

Um dos segredos do WhatsApp para parecer ágil é redimensionar e otimizar imagens antes do envio. Arquivos menores levam menos tempo para serem transferidos. Ótimo, mas como fazer isso em outros ambientes digitais?

Existe um punhado de algoritmos que otimizam imagens. Eles removem partes que, embora sejam relevantes em alguns contextos, para imagens corriqueiras podem ser dispensadas, como meta dados e partes “brutas” (de alta qualidade) nas imagens em si.

Na dica desta semana, mostrarei três métodos para otimizar imagens. Use um deles antes de compartilhar imagens por e-mail, em outros aplicativos de mensagens, publicar em sites… enfim, onde quiser.

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Vídeos de limpeza de pequenos orifícios de celulares e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O WhatsApp/Meta acatou a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), feita no final de julho, e adiou o lançamento do recurso de Comunidades no Brasil para 2023.

A recomendação do MPF foi feita a fim de evitar que as Comunidades, que multiplicam o total de contatos alcançáveis em grupos no WhatsApp, contribuísse com manifestações violentas como as vistas no pós-eleições norte-americano, em 6 de janeiro de 2021.

Um porta-voz da Meta disse que “não temos a expectativa de lançar ‘Comunidades’ no Brasil antes de 2023”. Via G1, Folha de S.Paulo.

O serviço de proteção de e-mails do DuckDuckGo (DDG), ainda em beta, agora está aberto a qualquer interessado. (Até então, era necessário aguardar o convite em uma lista de espera.)

O DuckDuckGo Email Protection permite criar endereços de e-mail @duck.com que servem como “máscaras” para o seu e-mail verdadeiro — é algo similar ao que a Apple oferece no iCloud+ e o Fastmail em parceria com o 1Password.

Além disso, no encaminhamento das mensagens o DuckDuckGo consegue remover códigos, links e pixels de rastreamento e criptografar o que estiver exposto.

O serviço é gratuito, mas para se inscrever em um navegador que não seja o do DDG, é preciso instalar a extensão oficial. Por quê? Boa pergunta. Via DuckDuckGo (em inglês).

Uma das grandes ausências nos dispositivos de streaming da Amazon, como o Fire Stick, foi solucionada: nesta quinta (25), o aplicativo oficial do Globoplay chegou à loja de aplicativos da Amazon. Via G1.

O período de degustação do Apple TV+, o streaming da Apple que já acumula algumas produções bem legais, como Ruptura, é de sete dias, mas quem tem uma TV da Samsung elegível (modelos vendidos a partir de 2018) ou um dispositivo da Roku, como o Roku Express, ganha três meses grátis.

A oferta pode ser aproveitada até 28 de novembro e só vale para quem nunca assinou o Apple TV+. Via Roku, Samsung (em inglês), MacMagazine.

HalloApp: o segundo ato de um ex-executivo arrependido do WhatsApp

Em maio, um post no Twitter de Neeraj Arora viralizou. No fio, ele contou como foi engambelado por Mark Zuckerberg em 2014, quando o então Facebook comprou o WhatsApp por US$22 bilhões. Neeraj era diretor de negócios do aplicativo de mensagens e esteve diretamente envolvido na venda para o Facebook.

O desenrolar daquela história é conhecido a essa altura: Zuckerberg violou alguns dos compromissos que assumiu em 2014 com os fundadores do WhatsApp, como o de não cruzar dados dos usuários do Facebook com os de outras propriedades, e os fundadores acabaram saindo da empresa enquanto o WhatsApp continuou crescendo até se consolidar como um dos principais motores de comunicação da humanidade.

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Post livre #331

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Como o Telegram bolsonarista espalhou desinformação sobre Dom Phillips e Bruno Pereira

por Bruno Fonseca

“O inglês Dom Philips… este aí tem uma outra história, que é a ponta de um iceberg que a esquerda mundial, o PT, PSOL e a mídia farão de tudo para desviar a atenção, pois foi um tiro no pé, tal qual o caso Marielle”. Essa foi uma das mensagens de Marconi Souza, dono da Valeshop, no grupo de empresários bolsonaristas que discutiam apoio a um golpe, como revelou reportagem da coluna de Guilherme Amado. Ele e outros donos de empresas compartilharam no WhatsApp conspirações, mentiras e acusações sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, em junho deste ano, no Vale do Javari (AM).

As mensagens dos empresários não foram um episódio isolado: a Agência Pública apurou em dezenas de grupos de Telegram bolsonaristas e descobriu que as mesmas conversas circularam nesses canais nas mesmas datas. A apuração mostra que, um dos argumentos usados para atacar as vítimas ganhou força através do compartilhamento de uma entrevista do presidente da Funai Marcelo Xavier na Jovem Pan.

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A promessa quebrada do bitcoin em El Salvador

A promessa quebrada do bitcoin em El Salvador, por Jacob Silverman e Ben McKenzie no The Intercept Brasil:

Apesar do talento ocasional do governo salvadorenho para o marketing, o país enfrenta enormes desafios econômicos, uma crise da dívida, lutas constantes com o crime e a violência, uma disputa diplomática com os Estados Unidos e a gestão intempestiva de Bukele, que pode ser descrito superficialmente como uma mistura salvadorenha de Donald Trump, do presidente filipino Rodrigo Duterte e, incrivelmente, de um influenciador digital bitcoiner. Em 2021, Bukele remodelou o judiciário do país, nomeando novos juízes que interpretaram de forma criativa a Constituição para permitir que o presidente se candidatasse à reeleição. Preenchendo cargo governamentais com parentes e amigos de escola, Bukele dirige El Salvador quase como se fosse uma empresa familiar. As finanças da empresa podem estar em crise, mas, com sua política de prisões em massa e leis de censura visando a imprensa independente, Bukele parece determinado a consolidar ainda mais seu poder.

Pairando sobre tudo isso está a consequência, que ainda se desenrola, do desastroso projeto de Bukele para usar o bitcoin. Em junho de 2021, em uma apresentação de vídeo em uma conferência sobre bitcoin em Miami, Bukele anunciou que seu país seria o primeiro do mundo a adotar o criptoativo como moeda de uso legal. Em 7 de setembro de 2021, o bitcoin foi oficialmente adotado em El Salvador, com muita fanfarra propagandística e algum descontentamento, incluindo protestos sociais. Naquele dia, os mercados globais de criptomoedas caíram, com várias bolsas fechando inesperadamente. Seguiram-se inúmeras denúncias de fraude e roubo de identidade; um bitcoiner local nos disse que seu amigo usou uma foto de um cão para confirmar sua identidade. Problemas técnicos desenfreados atormentaram a implantação do Chivo, a carteira digital oficial em que todos os cidadãos receberiam US$ 30 em bitcoin (cujo valor despencou desde então). A adoção geral tem sido mínima, com a maioria das pessoas ainda preferindo dólares americanos, a outra moeda utilizada no país. O bitcoin também não se mostrou útil com remessas vindas do exterior, que são fundamentais para a economia de El Salvador: menos de 2% das remessas enviadas para o país agora usam bitcoin.

O projeto do bitcoin em si é levado a cabo por um confuso emaranhado de interesses governamentais e privados, alguns deles estrangeiros; poucas pessoas externas ao sistema sabem quem faz o quê ou onde. Bukele se gaba no Twitter de que compra bitcoin pelo telefone, usando dinheiro público, enquanto está sentado no vaso sanitário. Ele nunca postou o endereço da carteira que usa para que a população possa examinar essas transações, mas, se forem reais, ele já conta milhões de dólares no vermelho. Assim como o povo salvadorenho.

Pavel Durov, o falastrão CEO do Telegram, compartilhou com seus 650 mil seguidores no aplicativo seu apreço pelos leilões de domínios com terminação *.ton, realizado pela Open Network, grupo independente que assumiu o espólio da frustrada iniciativa de criptomoeda do aplicativo e conseguiu lançá-la em 2021.

“Se o ton foi capaz de alcançar esses resultados, imagine quão bem-sucedido seria o Telegram com seus 700 milhões de usuários se pudéssemos reservar @ nomes de usuários, grupos e canais para serem leiloados”, escreveu Durov.

Na sequência, ele soltou a imaginação e disse que esses nomes de usuários leiloados poderiam ser “tipo NFTs”, e que a lógica poderia ser estendida a outros elementos do aplicativo, como emojis e reações. “Vamos ver se conseguimos colocar um pouco de Web3 no Telegram nas próximas semanas”, finalizou.

Só faltou combinar com os usuários mais assíduos do Telegram, aqueles que acompanham o canal de Durov no aplicativo: o post recebeu uma enxurrada de reações negativas — segundo testemunhas, foram 24 mil joinhas para baixo (👎) contra apenas 4 mil curtidas (👍). O fiasco ficou ainda pior depois que Durov desativou as reações no seu canal, em óbvia retaliação à reação negativa da maioria.

Não é a primeira vez que uma comunidade de usuários manifesta desaprovação a empresas que flertam com NFT, Web3 e outras picaretagens do tipo. Gamers, por exemplo, são bem avessos a essas ideias. Via @durov/Telegram (em inglês)

(Obrigado pela dica, Henrique!)

O desenvolvedor e “leaker” (gente que vaza segredos de empresas de tecnologia) Alessandro Paluzzi publicou o print de um recurso do Instagram ainda em testes bastante familiar: uma cópia perfeita (logo, descarada) do BeReal, rede social francesa que vem ganhando tração junto ao público jovem.

Chamado “IG Candid Challenges”, algo como “desafios sinceros do Instagram”, o recurso convoca usuários a postarem uma foto dupla (recurso que o Instagram já copiou do BeReal em julho) em um intervalo de dois minutos.

O site norte-americano Engadget entrou em contato com a assessoria da Meta para obter mais detalhes dos “desafios sinceros”. Um porta-voz confirmou a existência do recurso, mas disse que, no momento, ele é apenas um “protótipo interno”, sem dar mais detalhes. Via @alex193a/Twitter, Engadget (ambos em inglês).

Uma fã perguntou a Neil Gaiman se espaçar os epidósios de Sandman, a nova série da Netflix baseada no quadrinho homônimo do autor, ajudaria a “torná-la mais popular”.

Gaiman respondeu que, pelo contrário, “maratonar” (assistir a todos os episódios de uma vez) é melhor “porque eles [a Netflix] estão olhando para a ‘taxa de conclusão’, então pessoas assistindo em seu próprio ritmo não aparecem”. Via @neilhimself/Twitter (em inglês).

Relacionado, do nosso arquivo: O que se perde quando “vemos Netflix” em vez de filmes (e, pelo visto, séries também).