O custo do “progresso” dos celulares e notebooks da Apple é pago em acessórios

Dizem que o “early adopter”, aquele consumidor disposto a ser o primeiro a comprar ou experimentar um produto, só se ferra. Ao se submeter a coisas ainda não testadas por mais gente, ele se expõe ao risco de topar com erros de projeto, falhas no processo de fabricação, custos elevados etc.

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por Cesar Cardoso

A feira de tecnologia alemã IFA começa mesmo, assim, pra valer, nesta sexta (2), mas ontem tivemos algumas coisas interessantes.

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O Twitter anunciou nesta quinta (1º) que iniciou os testes públicos da edição de posts, um recurso absolutamente banal na internet nos últimos 20 anos e que, por motivo inexplicável, demorou esse tanto a chegar e será restrito a usuários pagantes da plataforma.

Em outra frente, nesta semana o site The Verge revelou o plano frustrado do Twitter em rentabilizar o conteúdo pornográfico que rola solto ali.

A ideia de fazer dinheiro desse jeito não foi para frente porque o Twitter é incapaz de detectar e combater pornografia infantil em sua rede. Não é somente pelo puritanismo mais tacanho norte-americano que as plataformas digitais têm tolerância zero com pornografia; é, também e em grande parte, porque é muito difícil distinguir o que é conteúdo legítimo, consentido e tudo mais, de abusos dos mais diversos e terríveis.

Esses dois eventos, acho eu, apontam o quanto a direção do Twitter está perdida, e muito antes do furacão Elon Musk bagunçar ainda mais as coisas com sua grandíssima piada de mau gosto de US$ 44 bilhões.

Há uma semana (25/8), o co-fundador e ex-CEO Jack Dorsey disse que seu maior arrependimento foi ter transformado o Twitter em uma empresa, em vez de um protocolo. Via @Twitter/Twitter, TechCrunchThe Verge, @jack/Twitter (2),

O mundo dá voltas: quase meia década após a Canonical abandonar o Unity, ambiente que criou para o Ubuntu, em favor do Gnome, o Ubuntu Unity, com o Unity agora mantido pela comunidade, foi aceito como um sabor oficial do Ubuntu. A primeira versão como sabor oficial deve ser a 22.10, prevista para outubro.

Em junho, o Unity ganhou a primeira grande atualização (7.6) em seis anos. Via @ubuntu_unity/Twitter, 9t05Linux (ambos em inglês).

Eu estou exercendo a minha liberdade de expressão e fazendo uso da minha propriedade privada.

— Gabriel Baggio Thomaz, o filósofo de Curitiba que registrou o domínio bolsonaro.com.br e o transformou em uma peça artístico-jornalística anti-bolsonarista.

Gênio. Via Veja.

O site não está entrando mais, deve ter sido derrubado. A Wayback Machine salvou cópias dele, porém.

Post livre #332

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Depois do Outline, agora o 12ft.io saiu do ar. Os dois sites serviam para burlar paywalls de jornais.

Ao tentar acessar o 12ft.io, uma mensagem de erro da plataforma Vercel é exibida informando que a aplicação foi desativada.

Dos sites do tipo, o único de que tenho notícia que continua funcionando é o archive.is. Se estiver disposto(a) a soluções mais técnicas/menos fáceis, esta dica do Manual lista três ainda funcionais.

Atualização (30/10/2023): O 12ft.io saiu do ar outra vez. Como da primeira, não há qualquer informação do motivo, nem se o site voltará a funcionar. Como alternativas, sugiro o LeiaIsso ou o archive.is. O arquivo do Manual tem um material bastante completo sobre como burlar paywalls (incluindo um vídeo explicativo).

Atualização (1º/9/2022): Não foi um “adeus”, mas um “até logo”: o 12ft.io voltou a funcionar. Não há qualquer informação do que motivou a interrupção do serviço nesta quarta (31/8). (Agradeço ao leitor Fernando pelo aviso!)

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre, por Rogério Galindo e Flavia Barros, no Plural:

Depois da pandemia, toda grande cidade hoje tem milhares de pessoas trabalhando com entregas de mercadorias, não só para o Mercado Livre. As pessoas acostumaram a fazer encomendas via Internet e isso movimenta bilhões de reais. Só no primeiro ano da pandemia, o Mercado Livre registrou um espantoso crescimento de 185%. Hoje, com capacidade para entregar 2 milhões de pacotes por dia, a empresa, que tem sede na Argentina, se expande às pressas. A receita também explodiu: foram US$ 2,1 bilhões só no último trimestre de 2021.

Na ponta, isso significa uma só coisa: pressão para entregar tudo no prazo, ainda mais porque algumas compras oferecem ao consumidor a promessa de ter tudo em casa em poucas horas — às vezes no mesmo dia, às vezes no dia seguinte. O exército de entregadores não para de crescer — assim como o Uber no começo, hoje é para o serviço de entregas que correm muitos desempregados em busca de renda.

Não é à toa que primeiro o Instagram, agora o Twitter, estão investindo em recursos que aumentam a privacidade e limitam o alcance potencial do conteúdo postado.

A “Roda do Twitter”, talvez o pior nome dos muitos ruins que o Twitter já inventou, foi lançada nesta terça (30) para todos, no Android, iOS e web. Nela é possível selecionar até 150 perfis para verem e responderem posts privados.

Fico na dúvida se o Twitter é um ambiente propício para esse tipo de coisa. Reza o meme que ali é o local onde encontramos estranhos com quem temos afinidades. Colocar estranhos num círculo íntimo soa… estranho? Talvez a única utilidade seja impedir que posts viralizem, mas para isso já existia o perfil trancado/com cadeado. Via Twitter.

Levantamento da Forbes envolvendo as 157 maiores corretoras de criptomoedas do mundo constatou que 51% das transações envolvendo bitcoins em 2021 foram falsas ou de natureza não econômica. Em outras palavras, encenações feitas para inflar os números da criptomoeda mais popular. Via Forbes (em inglês).

Segundo a consultoria DappRadar, o volume transacionado na OpenSea, maior marketplace de NFTs do mundo, despencou 99% em relação a maio — de US$ 2,7 bilhões em 1º de maio para pouco mais de US$ 9 milhões no último domingo (28).

A OpenSea contestou os números, dizendo que prefere mensurar essas flutuações tendo como base o volume de ETH. Nesse caso, a queda foi de 62%. Posso estar enganado, mas ainda me parece bem ruim. Via Fortune (em inglês).

A Apple revelou ao 9to5Mac que 95% dos usuários do iCloud têm a autenticação em dois fatores (2FA) ativada. Ainda que alguns serviços, como as AirTags e a sincronia de senhas (Chaves), exijam essa camada extra de segurança, é um percentual impressionante. (O vindouro Passkey, ou chaves-senha, do iOS 16/macOS 13, também exigirá.)

(A título comparativo, no segundo trimestre de 2020 apenas 2,3% dos usuários do Twitter tinham a 2FA ativada em suas contas.)

Um aspecto pouco comentado, mas que me parece problemático na solução de 2FA da Apple é a obrigatoriedade de se registrar um número de telefone como segundo fator. Da documentação oficial:

É necessário confirmar pelo menos um número de telefone confiável para poder se inscrever na autenticação de dois fatores.

O envio de códigos de autenticação por SMS costuma ser um “backup” — o método principal é usar outro dispositivo da Apple vinculado à conta para autorizar novos logins.

Faz sentido do ponto de vista da praticidade. Nem todo mundo conhece ou quer ter o trabalho extra de gerenciar um aplicativo de 2FA, como o Authy ou o Google/Microsoft Authenticator. Àqueles que querem se dar a esse trabalho, a exigência do número de telefone cria um ponto fraco na estratégia de segurança.

Talvez quando o problema das quadrilhas “limpa contas” ou outro similar acometer os Estados Unidos, esse problema entre no radar da Apple. Via 9to5Mac (em inglês).

Relacionado: O jeito certo de proteger sua conta no Instagram [e outras que aceitam 2FA) de invasões de hackers.

por Shūmiàn 书面

A Xiaomi anunciou na sexta-feira (19) que, nos três meses anteriores, demitiu 900 pessoas, ou quase 3% de sua força de trabalho, como reportou o South China Morning Post.

O período foi marcado por uma queda de 83,5% no lucro líquido da empresa, que ficou em ¥ 1,4 bilhão (cerca de R$ 1 bilhão) — no mesmo período no ano anterior, o lucro tinha sido de ¥ 8,3 bilhões (cerca de R$ 6 bilhões).

Em declaração a analistas, o presidente da companhia explicou que os resultados negativos podem ser atribuídos aos impactos da covid-19 no mercado chinês e à inflação global, além de um ambiente político “complexo” — a empresa vem tendo problemas na Índia, seu maior mercado fora da China.

Como comentamos na semana passada, no mesmo trimestre a Alibaba realizou 10 mil demissões. Reforçando o pessimismo, no começo da semana passada o fundador da Huawei circulou um memorandointerno para funcionários pedindo foco na lucratividade da empresa para aguentar a recessão global dos próximos três anos.


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“Silicon Values”

“Silicon Values” (em inglês), por Nick Heer no Pixel Envy:

A ideia de um mundo digital não mais influenciado em grande parte pelo “soft power” dos EUA nos traz de volta à tensão com o TikTok e a sua propriedade chinesa. É compreensível que algumas pessoas fiquem nervosas com a plataforma de meios de comunicação social mais popular para muitos norte-americanos tendo o apoio de um regime autoritário. Alguns preocupam-se com a possibilidade de influência externa do governo na política pública e no discurso, embora um estudo que encontrei reflita uma clara distinção dos princípios de moderação entre TikTok e o seu correspondente chinês, o Douyin. Alguns estão preocupados com a coleta em massa de dados privados. Eu entendo.

Mas do meu ponto de vista canadense, parece que a maior parte do mundo está envolvida em um debate entre uma superpotência e uma quase-superpotência, sendo preferível que os Estados Unidos continuem a dominar apenas por comparação e familiaridade. Vários países europeus proibiram o Google Analytics porque é impossível para os seus cidadãos se protegerem da vigilância das agências de inteligência norte-americanas. Os Estados Unidos podem ter processos legais para restringir o acesso “ad hoc” de seus espiões, mas esses são quase que uma formalidade. Seus processos são conduzidos em segredo e com uma supervisão pública falha. O que se sabe é que eles raramente rejeitam mandados para vigilância e que as empresas privadas têm de cumprir calmamente os pedidos de documentos com poucas oportunidades de refutação ou transparência. Às vezes, esses processos são totalmente burlados. O negócio dos data brokers permite a vigilância de qualquer pessoa disposta a pagar — incluindo as autoridades norte-americanas.

O Telegram retomou o controle de nomes de usuários ligados a canais inativos ou vazios há pelo menos um ano. O aplicativo disponibilizará novamente esses nomes em breve, desta vez sob novas regras:

  • 99% desses nomes serão disponibilizados novamente ao público, desta vez com limitações geográficas e algorítmicas, a fim de evitar abusos; e
  • 1% será leiloado — nomes curtos e valiosos, que Durov já havia sugerido que poderiam ser vendidos e convertidos em NFTs.

Um dado curioso que ajuda a entender tal cuidado: 70% de todos os nomes de usuários reservados no Telegram eram de propriedade de “cybersquatters” iranianos.

No post/anúncio, Durov disse que não duvida que os acumuladores de nomes de usuários do Telegram ficarão decepcionados, mas que “esta mudança beneficiará a maioria dos nossos usuários”. É isso aí, camarada Durov!

O canal do CEO do Telegram continua sem receber emojis de reações desde a chuva de “não curti” do penúltimo post, quando ele ventilou a ideia de transformar nomes de usuários com poucos caracteres em NFTs. Aí não, né? Via @durov/Telegram (em inglês).