O LastPass avisou na quinta-feira (22) que na invasão sofrida em agosto, divulgada no início de dezembro, cofres criptografados que armazenam as senhas dos usuários foram levados.

Além da demora em divulgar essa informação, a forma com que fez gerou críticas. Especialistas em segurança digital e até rivais dizem que o LastPass está minimizando a gravidade da situação e que o último comunicado, dias antes do Natal, preparou o terreno para jogar a culpa de possíveis senhas comprometidas nos usuários.

O The Verge fez um bom apanhado dessas reações.

A essa altura, não é exagero dizer que o uso do LastPass é um risco. Se for o seu caso, talvez seja uma boa tirar um dia para migrar para outra solução (1Password, Bitwarden e KeePassXC são alternativas recomendáveis) e trocar as senhas pelo menos dos serviços mais sensíveis. Via LastPass.

A SPTrans deu um presentão de Natal a 13 milhões de usuários do sistema de transporte público da capital paulista. Na última sexta (23), a responsável pelo sistema do Bilhete Único avisou que os dados pessoais de toda essa gente vazaram.

Vazaram nome, nome social, data de nascimento, CPF, RG, endereço, número de telefone, filiação, PIS, matrícula de aluno, estado civil, naturalidade, sexo, e-mail, além de login e senha do portal de serviços da SPTrans na internet.

O evento ocorreu em abril de 2020, mas só agora, dois anos e meio depois, foi descoberto após a troca da equipe de segurança. De acordo com a SPTrans, o vazamento decorreu de um “crime cibernético”. A empresa comunicou a ANPD e a Polícia Civil de São Paulo, e, segundo uma advogada especializada em LGPD ouvida pelo Diário do Transporte, terá que provar que não contribuiu ou deu brecha à invasão.

Como mitigações, a SPTrans está avisando os usuários afetados por e-mail e “orienta” a troca de senhas. Os bilhetes continuam valendo e não há necessidade dos usuários procurarem postos de atendimento. Via Diário do Transporte (2).

Todas as nossas indicações culturais de 2022

Ao final de cada programa do Guia Prático, o podcast de bate-papo do Manual do Usuário, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e convidados fazemos uma indicação cultural — pode ser livro, filme, jogo, música, até palestra.

Em 2022, foram 110 indicações ao longo de 44 programas. No clima das retrospectivas de fim de ano, reunimos todas elas numa tabela dinâmica, abaixo, para recuperar as coisas boas que nos fizeram pensar, que nos divertiram e nos engrandeceram.

(mais…)

Durante o fim de semana, pelo visto sem coisa mais importante para fazer, Elon Musk proibiu os usuários do Twitter de publicarem links para outras redes sociais e agregadores de links e continuou banindo pessoas influentes de modo arbitrário.

No domingo à noite, subiu uma enquete perguntando se deveria abdicar do cargo de CEO. O resultado da enquete, encerrada na manhã desta segunda (19), foi “Sim”. Não que fosse fazer muita diferença um novo CEO enquanto Musk for dono do negócio, mas enfim.

Fora do Twitter, acompanhando o caos, voltei a me pegar pensando em como cobrir essa história no Manual. Quando o caos vira o padrão, tudo parece urgente, só que na real… talvez não seja?

A condução alucinada de Musk aspira todo o oxigênio do ambiente e nos faz mais amargos, porque ele é um imbecil e faz questão de nos lembrar disso a todo momento — agora ainda mais, com uma plataforma de comunicação gigante nas suas mãos.

O objetivo, de Musk e do Twitter, é chamar a atenção. Acho que no longo prazo essas medidas arbitrárias cobrarão seu preço, mas, agora, elas alcançam o que Musk parece querer: a nossa atenção.

Há coisas melhores que os dramas internos, fabricados do Twitter acontecendo no mundo. Por isso, a partir de agora cobrirei o Twitter da mesma forma que cubro outras redes comandadas por extremistas, como Parler e Truth Social: sem entrar nas polêmicas internas ou nos caprichos dos seus donos, focando, em vez disso, nas implicações externas quando houver.

Seguimos.

Mark Zuckerberg nunca fez nada original e eu posso provar

Jovem, bilionário, CEO e controlador de uma multinacional dona de aplicativos e redes sociais usados por bilhões de pessoas todos os dias. Estou falando, é claro, de Mark Zuckerberg.

Quem lê esse currículo e conhece a história de Zuck talvez imagine uma versão moderna, digital, dos grandes inventores do passado. Um cérebro criativo, inovador, uma lenda viva entre nós. O Einstein desta geração, o Nicolau Copérnico do século XXI que viu antes de todo mundo que nossas vidas girariam em torno de telas conectadas.

Só que não é o caso. Lamento dizer, mas Zuck é um bom empresário e excelente copiador. E só isso. De visionário, não tem nada.

(mais…)

Fontes internas da Apple disseram à Bloomberg que a empresa prepara mudanças substanciais no iOS e na App Store, a princípio exclusivas para a Europa, a fim de atender o Digital Markets Act (DMA), projeto de lei em estágio avançado que tenta restabelecer a competitividade em setores dominados pela big tech.

A maior delas, talvez, é a abertura do iOS/iPadOS a lojas de aplicativos de terceiros. Hoje, a única maneira de se obter apps nesses sistemas é baixando-os da App Store, da própria Apple.

A Apple passou anos fazendo lobby contra a medida, dizendo que abrir o sistema a outros métodos de distribuição de aplicativos traria inconveniência e insegurança.

Balela. Esse cenário tido como apocalíptico sempre existiu no Android e, ainda assim, a Play Store, do Google, lidera isolada a distribuição de apps.

Não duvido, porém que empresas como a Meta e a Epic Games, que reclamam abertamente das políticas da App Store, arrisquem-se com lojas próprias e até em restringir seus populares aplicativos, como Instagram e Fortnite, a elas.

Por outro lado, seria lindo algo similar ao F-Droid no iOS. Fica a expectativa, caso essa mudança se expanda para o resto do mundo.

A Apple também estaria cogitando abrir o iOS para outros motores web (hoje, todos os navegadores são obrigados a usar o WebKit do Safari), o uso do chip NFC do iPhone para outras carteiras digitais e alguns recursos da câmera hoje de uso exclusivo da Apple.

Não consigo imaginar como todas essas mudanças, mais a adoção do USB-C no iPhone, poderiam ser negativas para quem quer que seja — fora, claro, os acionistas da Apple. Via Bloomberg (em inglês).

A Fundação Linux anunciou nesta quinta (15) a criação da Overture Maps Foundation, uma iniciativa para criar padrões abertos para mapas digitais.

Os membros fundadores são Amazon, Meta, Microsoft e TomTom — a iniciativa passa a sensação de ser uma investida da indústria para fazer frente à liderança do Google no setor.

A Overture usará dados abertos de cidades, do OpenStreetMaps e dos membros fundadores. O objetivo, segundo a Fundação Linux, é “criar dados abertos de mapas confiáveis, fáceis de usar e interoperáveis”.

A Overture em si não produzirá aplicações para o usuário final, porém. Os dados abertos gerados e organizados por ela serão usados como base para produtos baseados em mapas. O foco, ou os “clientes” da nova fundação, são desenvolvedores.

Espera-se que o primeiro conjunto de dados básicos, com camadas como prédios, ruas e informações administrativas, seja liberado no primeiro semestre de 2023. Via VentureBeat, TechCrunch (ambos em inglês).

O patético Elon Musk suspendeu do Twitter ao menos oito jornalistas norte-americanos, de publicações como New York Times, CNN e The Intercept, que reportaram ou criticaram outra medida covarde do bilionário — o banimento do perfil @ElonJet, que monitorava em tempo real os deslocamentos do avião privado de Musk.

Para dar ares de legitimidade à sua arbitrariedade, o Twitter ganhou uma regra que proíbe usuários de compartilharem a localização em tempo real de pessoas.

Rotas de aviões, incluindo aviões privados, são públicas. A rusga de Musk com o perfil @ElonJet vem de longe — ele chegou a tentar comprá-la/silenciá-la com uma oferta de algumas milhares de dólares, que foi recusada.

Após o banimento no Twitter, o perfil @ElonJet apareceu no Mastodon. Alguns jornalistas suspensos haviam postado o novo endereço em seus perfis no Twitter. Além deles, o próprio Mastodon perdeu sua conta no Twitter e links de diversas instâncias do Mastodon estão sendo sinalizados como “inseguros” pelo Twitter.

Musk tentou se explicar em um Spaces (conversa em áudio ao vivo no Twitter). Curiosamente, os jornalistas suspensos e o perfil @ElonJet conseguiram acessar e participar da conversa.

Quando questionado se sua atitude não seria a mesma da antiga gestão do Twitter acerca da história de Hunter Biden, que Musk tem alardeado como prova de um suposto viés progressista nos chamados “Twitter Files”, o bilionário respondeu que quem vaza dados pessoais (o que não é caso) é banido e saiu abruptamente do Spaces. Típico de gente da laia dele, fugir de perguntas difíceis.

A propósito, os jornalistas suspensos do Twitter têm perfis no Mastodon. Via The Verge (em inglês), Núcleo.

Mark Zuckerberg deve estar feliz com a atuação desastrosa de Elon Musk à frente do Twitter. Musk roubou todas as atenções e baixou a barra do que pode ser considerado um bom trabalho em redes sociais.

Apesar disso, e mesmo que tardia, é bem-vinda a nova ferramenta que o Instagram liberou nesta quinta (15), o instagram.com/hacked, para ajudar quem teve sua conta invadida ou perdeu o acesso a ela. Se funciona, não sei dizer, mas o fato dela existir é um ótimo sinal. Via Instagram (em inglês).

Foi lançada nesta quinta (15), após dois anos de trabalho, a versão final do Xfce 4.18, ambiente gráfico para sistemas Linux e *BSD. Segundo os desenvolvedores, a traz “múltiplos novos recursos legais, um zilhão de correções de falhas e várias melhorias menores”.

O Xfce é um ambiente gráfico leve e que conserva uma estética e várias metáforas hoje clássicas, familiares, até, reminiscentes do Windows 95 e Gnome 2.

Um tour no site oficial, recheado de imagens, mostra as principais novidades do Xfce 4.18. Via Xfce (em inglês).

Não sou muito afeito ao jornalismo satírico (estilo Sensacionalista), mas às vezes ele consegue resumir uma situação esdrúxula de modo tão preciso que não tem como não dar uma risadinha.

Aconteceu agora pouco com este título da New Yorker (tradução livre): “Possível fraude de homem à frente de negócio baseado em dinheiro imaginário choca o mundo.”

O homem, no caso, é Sam Bankman-Fried (SBF), fundador e ex-CEO da FTX, que era, até novembro, a segunda maior corretora de criptomoedas do mundo e quebrou após uma avalanche de fraudes vir à tona.

Bankman-Fried foi preso nas Bahamas nesta terça (13), onde fica a sede da FTX, e deve ser extraditado para os Estados Unidos.

Em nota relacionada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos está em um dilema: se lança já ou acumula mais provas para sua investida contra a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, com sede em Cingapura, por conivência com lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

A linha de defesa dos advogados da Binance, segundo a Reuters, é que a abertura dessa investigação criaria o caos no mercado de criptomoedas — o tal dinheiro imaginário a que a sátira da New Yorker se refere.

Algo me diz que o mundo está prestes a se chocar outra vez. Via New Yorker, CNBCReuters (todos em inglês).

Post livre #347

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

por Shūmiàn 书面

China vai à OMC contestar política de chips dos EUA depois de uma escalada na disputa pela indústria de semicondutores. De acordo com anúncio feito pelo Ministério do Comércio na segunda (12) em Pequim, “há um claro gesto de protecionismo” por parte dos EUA.

O apelo à OMC ocorre dois meses após Washington aprovar uma legislação que limita o acesso da China ao mercado de microchips, área em que a segunda maior economia global é bastante dependente do mercado externo.

Na esteira dessa decisão, a Reuters noticiou que a China prepara um pacote de US$ 143 bilhões para a indústria de chips como forma de enfrentar a ofensiva norte-americana. Além disso, Pequim pediu a Seul para que o governo vizinho se oponha à ação estadunidense no setor de semicondutores.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.