Que a nossa lei de defesa do consumidor é avançada, todos sabemos, mas isso não significa que ela seja perfeita. Uma lacuna evidente é a facilitação do cancelamento de contratos de prazo indeterminado, como assinaturas de jornais.

A Federal Trade Comission (FTC na sigla em inglês), equivalente norte-americano ao nosso Cade, determinou que as empresas devem oferecer “mecanismos de cancelamento que sejam tão fáceis de usar quanto o método usado pelo consumidor para comprar o produto ou serviço”. A medida é parte de um esforço contra empresas que “empregam ‘dark patterns’ ilegais que enganam ou induzem os consumidores a serviços de assinatura”.

Um caso típico é o dos jornais: lá e aqui, a maioria facilita a assinatura, que pode ser feita pelo próprio consumidor sozinho, via internet. Na hora que ele resolve cancelá-la, porém, o único meio de fazer isso é por telefone, disponível em horário reduzido. A FTC quer acabar com isso. Fica a sugestão para o nosso Código de Defesa do Consumidor. Via FTC (em inglês).

O sucesso do Pix é incontestável. No aniversário de um ano do sistema, nesta terça (16), o Banco Central (BC) compartilhou alguns números: 348,1 milhões de chaves cadastradas, 104,4 milhões de pessoas e 7,9 milhões de empresas que já usaram o sistema, 7 bilhões de transações e R$ 4,1 trilhões transacionados.

O evento de aniversário também marcou o início do Mecanismo Especial de Devolução, sistema anti-fraude do Pix anunciado em junho que padroniza — portanto, facilita — a devolução do dinheiro em casos de fraude ou falha de uma das instituições envolvidas na transação. Via Banco Central, Convergência Digital.

O (novo) escritório em casa do designer Ilton Alberto Junior

Durante a pandemia de COVID-19, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Ilton — e é o segundo dele; confira o primeiro aqui.

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A Insider antecipou a Black Friday e criou um cupom para quem lê o Manual

por Manual do Usuário

Oferecimento:
Insider

O norte-americano criou a Black Friday, mas foi o brasileiro que aperfeiçoou o evento anual de descontões no varejo. Por exemplo, por que dar desconto só em um dia e não no mês inteiro? Na Insider, a Black Friday dura o mês inteiro. É o Black November.

Não é a primeira vez que a Insider aparece no Manual, mas não custa nada lembrar: é uma marca de tecnologia têxtil, que fabrica roupas confortáveis e cheia de ~features, como proteção contra raios UV, tecnologias anti-odor, anti-suor e anti-bacteriana e que não precisa nem passar — ela desamassa no corpo.

Para esta semana, a Insider preparou kits de produtos com descontos. É para garantir as roupas do dia a dia para 2022 e além e, de quebra, os presentes de Natal. Sim, porque dar ou ganhar cuecas e calcinhas de Natal é um baita presente. Zoado mesmo é dar roupas de baixo ruins, o que não é o caso das da Insider.

Além da linha underwear, a Insider tem a dia a dia e a esportiva. Não importa o horário ou a ocasião, a Insider tem uma peça confortável e high-tech para vesti-la(o).

O que falta… ah sim, cupom! Use o cupom MANUALDOUSUARIO12 na hora de fechar sua compra e ganhe 12% de desconto, sem valor ou número de peças mínimos. Insider: roupas funcionais feitas com tecnologia têxtil.

Achados e perdidos #42

Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas, e os publico num compilado que chamo de “achados e perdidos”. É um conteúdo mais leve, curto, quase lúdico — a cara do fim de semana.

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Livro fechado, com capa branca e um bloco brilhante grande na frente, com as formas dos ícones do iOS. Embaixo, o título: “The iOS App Icon Book”.
Foto: Michael Flarup/Divulgação.

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Empresas descobrem que diversidade não é só marketing — também faz bem ao negócio

Pedimos carros e comida apertando um botão no celular e estamos nos preparando para mandar pessoas a Marte. Apesar desses e de outros avanços notáveis, em alguns departamentos a humanidade ainda parece estar na Idade da Pedra. Por exemplo, na igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Demorou muito, mas enfim as empresas começaram a reconhecer e a valorizar a diversidade em seus quadros de funcionários — e um grupo de startups de recrutamento está ajudando as que tiveram essa epifania tardia a recuperar o tempo perdido.

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Da inevitabilidade do metaverso

Dia desses a Samsung anunciou um novo tipo de memória, a LPDDR5X. Ela traz vantagens como consumir 20% menos energia sendo 30% mais rápida que o modelo anterior, e deverá ser usada em celulares e outros dispositivos conectados. Embora seja um negócio legal, é enfadonho. O tipo de coisa que jamais seria destaque no Manual, não fosse por um detalhe: de algum modo, a Samsung enfiou o termo “metaverso” no comunicado à imprensa da memória LPDDR5X.

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Botões do tipo “não curti” são raros na internet. O YouTube, um dos poucos lugares onde é possível manifestar o desapreço por um conteúdo apertando um desses, anunciou mudanças para desestimular campanhas coordenadas de assédio a canais pequenos e, segundo o YouTube, criar “um ambiente inclusivo e respeitoso” para os criadores.

O botão com o polegar para baixo continua existindo, mas perdeu o contador público. Apenas o(a) dono(a) do canal continuará vendo dados de uso do botão, no YouTube Studio. A novidade foi anunciada após um período de testes, iniciado em março. Segundo o YouTube, a remoção do contador desestimulou abusos.

Não é a primeira grande rede social que detecta problemas decorrentes dos inúmeros contadores de popularidade (e desprezo, no caso) em suas interfaces. Em julho de 2019, o Facebook fez um teste no Brasil e escondeu o contador de curtidas no Instagram. A versão final da ferramenta, lançada em maio deste ano, ficou bem aquém do que era esperado, porém. Via YouTube.

Post livre #294

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira à noite, para aproveitarmos o feriadão.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O Facebook está tendo o seu momento “big tobacco reconhece que fumar faz mal”. Em uma publicação no blog de negócios da Meta, holding dona da rede social, Graham Mudd, vice-presidente de marketing  de produto e anúncios, anunciou que a partir de 19 de janeiro de 2022 a empresa removerá as “opções de direcionamento detalhado relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis” no Facebook e no Instagram.

O “direcionamento detalhado” refere-se a critérios de segmentação de anúncios com os quais um anunciante pode inferir características íntimas do público-alvo. Por essas referências, ele poderia direcionar ou ocultar anúncios a certos públicos, como homossexuais, negros, fiéis de certa religião e filiados a partidos políticos. Graham lista alguns exemplos de direcionamento detalhado no texto:

  • Causas de saúde (por exemplo, “Conscientização do câncer de pulmão”, “Dia Mundial da Diabetes”, “Quimioterapia”).
  • Orientação sexual (por exemplo, “casamento entre pessoas do mesmo sexo” e “cultura LGBTQIA+”).
  • Práticas e grupos religiosos (por exemplo, “Igreja Católica” e “feriados judaicos”).
  • Alinhamentos políticos, questões sociais, causas, organizações e figuras políticas.

Até hoje, o Facebook adotava uma “estratégia whac-a-mole” para os inevitáveis problemas causados por esse tipo de direcionamento: sempre que um escândalo estoura na imprensa, a empresa tapa o buraco, mas mantém o restante da estrutura problemática intacta. Foi explorando o “direcionamento detalhado” que anunciantes conseguiram, no passado, direcionar anúncios a antissemitas e ocultar anúncios de imóveis e de vagas de emprego de negros, hispânicos e outras etnias. As denúncias foram feitas pela ProPublica.

Como lembra o The Verge, o movimento pode ser visto como uma antecipação à União Europeia, que prepara novas regras para a internet com o objetivo de proibir esse tipo de publicidade direcionada. Mais detalhes no TechCrunch (em inglês).

Graham, o executivo da Meta, lembra que ainda continuará sendo possível segmentar anúncios de diversas formas nas redes sociais da empresa, Facebook e Instagram. Via Facebook para Empresas, The Verge (em inglês).

Atualização (19/1/2022): A redação original informava que as novas proibições do Facebook passariam a valer em 22 de janeiro, e não em 19 de janeiro.

No fim de outubro, o Manual do Usuário apontou que o Bradesco estava violando as diretrizes da App Store ao condicionar a liberação de recursos do aplicativo Bradesco Cartões para iOS à permissão para rastrear o usuário. Graças à repercussão, o Bradesco alterou o funcionamento do Bradesco Cartões.

Alguns dias atrás, um colaborador e leitores do MacMagazine, que repercutiu o caso, notaram o sumiço da mensagem irregular no app Bradesco Cartões e a disponibilidade de todos os recursos antes bloqueados a quem se negava a conceder a permissão de rastreamento. Também confirmei a mudança de forma independente.

Perguntamos — Manual e MacMagazine — à assessoria do Bradesco a confirmação da mudança. A empresa enviou o seguinte comunicado:

O Bradesco prioriza a segurança dos clientes e no processo de melhoria contínua em produtos e serviços. Com base nos pontos citados e outros que fazem parte da estratégia do Banco, são realizadas alterações constantes nas jornadas digitais, sempre partindo da centralidade do cliente. Em 2021 foram promovidas uma série de implantações nos serviços digitais do Banco, incluindo novos e alterando existentes para melhorar a experiência dos clientes Bradesco, e essa foi uma das alterações promovidas mantendo a segurança do processo.

A Microsoft anunciou o Windows 11 SE, uma versão feita para estudantes até 14 anos com algumas diferenças em relação ao Windows 11 convencional. Uma das principais é de distribuição: ele não será vendido no varejo. Em vez disso, o sistema será embarcado em notebooks novos, montados por parceiros de hardware. Entre os listados pela Microsoft está a brasileira Positivo, além de outras marcas que operam aqui, como Acer, Asus e Dell. O Windows 11 SE é uma resposta da Microsoft à enorme popularidade do Chrome OS do Google nas escolas. Via Microsoft (em inglês), The Verge (em inglês).

Não há bolso fundo o suficiente capaz de sustentar eternamente um empreendimento global com 500 milhões de usuários, por isso o Telegram começou a testar sua plataforma de publicidade.

Os detalhes estão nesta página. E… são bem bons? Os anúncios só são exibidos em canais com mais de mil inscritos, estão limitados a 160 caracteres, não podem conter links externos e não têm o desempenho (cliques) salvo ou analisado.

Os únicos critérios para a veiculação de anúncios são o idioma e o assunto/tema do canal. “Isso significa que nenhum dado do usuário é minerado ou analisado para veicular anúncios e que todos os usuários que estiverem em um canal específico no Telegram veem as mesmas mensagens patrocinadas”, diz o Telegram.

Os anúncios precisam seguir certas diretrizes que, entre outras coisas, proíbem discurso de ódio e conteúdo político.

Em seu canal russo, Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, deu mais detalhes. Usuários poderão pagar uma “assinatura barata” para não verem anúncios e estuda-se a opção de permitir que donos de canais desliguem os anúncios para todos os seus inscritos — desde que haja “condições econômicas” para isso.

O Telegram queima cerca de US$ 100 milhões por ano, segundo o Wall Street Journal (sem paywall), e no começo do ano teve que emitir dívidas entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão para manter a operação rodando e restituir um rombo de US$ 700 milhões de investidores que entraram na frustrada emissão de criptomoedas do serviço, em 2017.

A publicidade é, segundo Durov, um dos artifícios que ele e sua companhia estão empregando para “permitir que o Telegram feche as contas.” Via Telegram (em inglês), @durov_russia/Telegram (em russo).