O Secret pode ser secreto, afinal

Ontem escrevi aqui que, sob certas circunstâncias, o Secret pode revelar a identidade do autor de posts no serviço. É uma garantia legal e perfeitamente compreensível, por mais que a premissa do app dê a entender o contrário. Existe, porém, uma saída para dizer qualquer bobagem e não ser responsabilizado: desvincular todos os posts.

O botão de desespero do Secret.

Essa opção consta no app e é meio como se fosse um “botão do desespero”: ao acioná-la, o vínculo com posts já publicados some. Eles passam a não ter autoria e o responsável original deixa de receber notificações, além de não conseguir mais apagá-lo. Isso só vale para posts já publicados e seu uso não pode ser frequente. A opção de desvincular publicações não alcança curtidas e comentários em outros posts.

Na política de privacidade, o Secret diz (tradução livre):

A única maneira de tornar seus posts indetectáveis é usando nosso recurso “desvincular”, descrito em mais detalhes abaixo no [tópico] Suas Escolhas, o que elimina qualquer ligação entre seu post e sua conta.

A desvinculação de posts foi implementada no Secret em fevereiro, junto com uma série de outros recursos básicos, como marcar posts como impróprios, apagá-los do sistema (!) e os movimentos laterais de interação. A descrição oficial não dá conta da ação de desvínculo como uma saída para se livrar da responsabilidade por comentários maldosos ou até criminosos, mas como uma forma de aliviar a consciência:

É preciso muita coragem para compartilhar seus pensamentos e sentimentos mais íntimos. Se você se preocupa com algo que já publicou, agora existe um “grande botão vermelho” que removerá qualquer associação entre você e todos os seus posts antigos nos nossos servidores.

A grande questão é que independentemente da atribuição de culpa ou do modo como o Secret funciona, não ser babaca é uma boa opção de vida. Caso você seja um, considere mudar. Não use o app para difamar, injuriar ou expôr, de qualquer forma, quem quer que seja.

***

Atualização (15/8, 12h50): Jared, o funcionário do Secret que responde pelas questões legais, respondeu minha pergunta:

Desvincular posts é uma ação que um usuário pode tomar para desassociar sua conta de posts ou comentários antigos e recomeçar. Por exemplo, ele poderá voltar a um post publicado anteriormente e comentar como se fosse outro usuário. Atente ao fato de que isso não muda a infraestrutura de como o app funciona. Embora envolva algum trabalho no nosso lado, há momentos em que somos obrigados por lei a cumprir intimações e ordens judiciais e fornecer informações adicionais sobre um post. Note-se que as “informações pessoais” que podemos fornecer são limitadas com base no que o usuário escolhe compartilhar com o app e no que o app exige para funcionar.

Não é uma resposta muito clara e meu pedido por um esclarecimento acerca dela foi ignorado, mas a sensação é de que, afinal, o Secret não garante sigilo absoluto sobre os autores mesmo após esses desvincularem seus posts, desde que, claro, haja uma ordem judicial no meio.

Galaxy S5 Duos: finalmente um topo de linha dual SIM no Brasil

Paulo Higa, no Tecnoblog:

Há alguns anos, celulares com suporte a dois chips eram vendidos no Brasil somente por fabricantes chinesas desconhecidas. Depois, essa característica chegou aos aparelhos mais simples das principais fabricantes. Agora, nós também temos um smartphone topo de linha com entrada para dois SIM cards: é o Galaxy S5 Duos, que começou a ser vendido recentemente no varejo brasileiro por 2.599 reais.

Com exceção do slot extra para mais um SIM card e da inscrição “Duos” na tampa traseira, de resto é exatamente o mesmo Galaxy S5 lançado em abril. Até o preço sugerido é idêntico, e ele já pode ser comprado com desconto em algumas lojas — está R$ 2.339 no Shoptime, por exemplo.

Na China, a Samsung lança variantes dual SIM dos seus grandes smartphones faz algum tempo — os primeiros, até onde sei, foram o S3 e o Note II. A impressão que tenho é de que há público para essa combinação no Brasil; mais de uma vez ouvi lamentações de gente ansiosa por um dual SIM com configurações de ponta.

Agora só falta um topo de linha com dois chips e TV digital. O Xperia Z2 tem essa última característica, mas só está disponível em versão com um SIM card. Quem dará o próximo passo?

Os melhores apps para Android, iOS e Windows Phone (julho/2014)

E lá vamos nós! Agosto está aí e, com ele, mais um capítulo da seleção mensal de apps aqui no Manual do Usuário. Os sistemas continuam os mesmos (Android, iOS e Windows Phone) e a ordem dos apps, idem (alfabética, plataformas misturadas).

Este é o primeiro mês em que a lista de apps é restrita a assinantes. Aproveito a oportunidade para agradecer a você, que está lendo isso, pela força. Obrigado!


(mais…)

O Secret não é tão secreto quanto parece

Que vida dura.

Em apenas uma semana, o número de contatos meus usando o Secret triplicou. O app, que permite publicar e comentar anonimamente, chegou ao Brasil faz algum tempo e só agora quebrou a barreira do mainstream. Com mais gente, mais mensagens estão aparecendo e, entre elas, difamações e injúrias, claro.

Caso isso aconteça com você, o procedimento para remoção de conteúdo impróprio do Secret é relativamente simples. Existem duas ações que podem ser feitas:

  • Sinalizar o post. Arraste o dedo da direita para a esquerda em cima do post e toque em “Flag”.
  • Enviar o link do post para legal@secret.ly.

O ideal é realizar as duas ações concomitantemente.

Fernando “Gravz” Gouveia foi vítima de um comentário maldoso no Secret e publicou a resposta que recebeu do suporte em sua página no Facebook. Além da presteza e rapidez no processamento da reclamação, chamou a atenção dele também o fato das identidades no serviço não serem, ironicamente, “secretas” em absoluto:

Segundo informa Jared, que atende essas demandas na empresa, a proteção da privacidade não abrange mandados judiciais/intimações. Por óbvio, eles guardam “log” com os usuários e informam quem escreveu cada coisa (por meio do devido processo legal, vale ressaltar).

A política de privacidade do Secret contempla essa e outras situações em que o anonimato cai. No tópico “Compartilhamento de informações”, o serviço se reserva ao direito de revelar informações “que às vezes podem incluir informações pessoais” em cinco situações. A que o Jared comentou com o Gravz está no terceiro item da lista. As outras são:

  • Com vendedores, consultores ou outros provedores de serviços que necessitem dessas informações para executar trabalhos em prol do Secret.
  • Durante negociações, fusões e outras manobras comerciais envolvendo o Secret.
  • Se algum conteúdo se mostrar razoavelmente ilegal, ou se promover ou instigar tais atividades. O Secret pode repassar essas informações às autoridades.
  • Com o consenso do usuário, caso o Secret queira usar o conteúdo para sabe-se lá o quê.

É de se esperar que o Secret não ceda informações pessoais tão facilmente, mas presumir que ele garantirá a privacidade acima de tudo, que baterá de frente com uma ordem judicial? Se nem o 4chan faz isso, por que uma startup que mês passado recebeu US$ 25 milhões em investimentos faria diferente?

Use com responsabilidade.

***

Atualização (8/8, 11h40): se eu desvincular os posts da minha conta, não serei responsabilizado? Não é bem assim…

Atualização (11/8, 18h40): ouça o nosso podcast sobre o Secret e outros apps anônimos.

Incomoda a você o Google verificar imagens compartilhadas no Gmail?

Um homem foi preso no estado da Pensilvânia, nos EUA, por armazenar fotos de pornografia infantil no OneDrive. Dias antes, um usuário do Gmail também foi preso no estado do Texas sob a mesma acusação.

Não é como se funcionários da Microsoft e do Google fizessem a verificação, pessoalmente e uma a uma, de todas as fotos que passam pelos servidores da empresa. Da mesma forma que o Google usa bots para analisar e direcionar anúncios baseados nos e-mails do Gmail, sem intervenção humana, tecnologias similares são empregadas no reconhecimento de imagens. A iniciativa da Microsoft para identificar imagens do tipo, chamada PhotoDNA, existe desde 2008 e é compartilhada com outras empresas, como o Facebook e o próprio Google.

Nesses casos o benefício da vigilância proativa à sociedade é óbvio: prender pedófilos. Óbvio e indiscutível. O Google garante que tal tecnologia se limita à identificação de pornografia infantil, como nesta nota à AFP, ou seja, se você estiver planejando um assalto ou qualquer outro crime trocando e-mails com seus comparsas pelo Gmail, não será o Google que denunciará tais planos malignos às autoridades. Mas foi ou será sempre assim? Até que ponto vai esse poder, ou até onde ele é saudável? E, como diz aquele quadrinho, quem vigia os vigilantes?

Em abril o Google interrompeu um monitoramento similar de 30 milhões de contas de e-mail usadas por escolas, universidades e instituições similares no mundo inteiro após ser processado nos EUA por minerar dados dos estudantes. É um contraexemplo de emprego da mesma tecnologia para um fim questionável.

Toda essa questão é bastante delicada e mesmo pendendo para o lado que vê com bons olhos esse tipo de intervenção, ainda sobra um certo receio, um conflito quase latente entre o fazer justiça e o direito à privacidade irrestrita. Encare este post como um pensamento alto e um convite à discussão. O que você acha?

A Onda quer colocar Maringá no radar das startups

Logo d'A Onda, de Maringá-PR.

O que fazer quando as condições para um fim são favoráveis, mas falta sincronia, apoio e ações coordenadas para concretizá-lo? Em geral, organizar-se. Ontem fui ao Espaço Office, escritório bem bacana de coworking em Maringá, conhecer uma iniciativa para alavancar o desenvolvimento de software na cidade.

O projeto A Onda foi idealizado pelo empreendedor Thiago Melo. Trata-se de uma iniciativa para unir desenvolvedores e empreendedores maringaenses a fim de fortalecer a imagem da cidade como polo na criação de startups. Maringá é um lugar bacana (não à toa moro aqui!) que sustenta posições de destaque em diversos rankings de cidades e possui infraestrutura favorável ao surgimento de novas empresas. Sendo assim, por que não?

Foi um meetup breve e com uma pequena audiência. O objetivo, segundo Thiago, é atrair outros desenvolvedores na base do boca a boca e, a partir disso, criar uma agenda consistente de eventos nas áreas de desenvolvimento e empreendedorismo. Um dos problemas que ele vê nas outras iniciativas locais é a falta de continuidade. Entre um ciclo de palestras e um workshop, às vezes se passam meses, a divulgação não é adequada e essas lacunas acabam sendo prejudiciais. Uma das metas d’A Onda é remediar isso.

Thiago Melo, no Espaço Office.
Thiago Melo.

A Onda se baseia em três pilares: compartilhamento, conhecimento e código. Em sua apresentação, Thiago falou muito em conectar pessoas, e não apenas desenvolvedores, mas gente de segmentos diversos. Ambientes multidisciplinares são, afinal, mais efervescentes e ideias distintas somadas contribuem para o surgimento de coisas boas.

A ideia é promissora. Parece algo simples, e talvez seja; às vezes a solução para resolver grandes problemas é, de fato, descomplicada. O que conta mesmo é ter alguém para botar a mão na massa e fazer acontecer. Ainda não está muito claro quais serão os rumos d’A Onda, mas é algo que merece ser acompanhado.

 

O novo Foursquare

https://www.youtube.com/watch?v=CvMVFGOJ2Z0

Saiu hoje, para Android e iPhone. Atualizei agora pouco e até agora gostei do que vi.

Links bônus:

Aos que já instalaram, o que estão achando da nova experiência?

É possível hackear um avião pelo sistema de entretenimento dos passageiros?

Para mim, uma das coisas mais incríveis da aviação comercial é o piloto conseguir pousar sem visibilidade. Em todas as vezes em que desci no aeroporto de Curitiba, por exemplo, havia uma espessa camada de nuvens. Onde estou? Para onde vamos? E de repente, a pista, o pouso, tudo tranquilo. Não é à toa que, mesmo com os vários incidentes dos últimos meses o avião continua a ser um dos meios de transporte mais seguros.

Mas essa tranquilidade pode estar ameaçada. Dia desses a Reuters publicou um alerta: o pesquisador Ruben Santamarta, da IOActive, teria descoberto uma forma de hackear sistemas vitais de um avião através dos terminais de entretenimento dos passageiros.

Um punhado de sites replicou a notícia, alguns aumentando o tom. Na matéria original há uma chamada importante, porém:

“Ele [Santamarta] admite que seus hacks só foram testados em ambientes controlados, como o laboratório em Madrid da IOActive, e que eles podem ser difíceis de serem replicados no mundo real.”

Toda suspeita de comprometimento de um negócio tão sério quanto a aviação civil deve ser pesquisada e averiguada, mas é de bom tom deixarmos os alardes para quando justificado. Caso contrário, o que se faz é FUD1. Ninguém conhece os detalhes da pesquisa ainda e o próprio pesquisador ressalta que só garante a sua descoberta na teoria.

Santamarta apresentará mais detalhes da sua pequisa na Black Hat, uma conferência sobre segurança digital nos EUA. Enquanto isso, as empresas que usam o sistema segundo ele comprometido disseram que o risco é mínimo e se comprometeram a revisar esses procedimentos, e alguns pilotos, como o Lito, explicou por que essa ideia, de hackear um avião via terminal de entretenimento, é impossível na prática. O texto é bem fundamentado — pelo menos para um leigo como eu!

A Black Hat começou no último dia 2 de agosto e vai até amanhã (7), dia em que Santamarta fará sua aguardada apresentação.

  1. Fear, uncertainty and doubt, ou em bom português, tocar o terror! Termo usado na imprensa e entre entusiastas para indicar “notícias” sem embasamento técnico usadas para espalhar o medo e a incerteza.

Sony desiste dos e-readers

Na BBC:

A Sony desistiu de vender sua linha de leitores para e-books após falhar na busca por um mercado grande o bastante.

“No momento não temos planos para desenvolver um sucessor do Reader”, disse a empresa japonesa à BBC.

O PRS-T3 foi a última versão fabricada e será vendido até o estoque esgotar na Europa.

O timing dessa notícia é de preocupar a Saraiva, que acabou de entrar na briga dos e-readers. Os da Sony chegaram ao mercado três anos antes do Kindle, mas nem essa vantagem, nem a abertura a publicações de outras lojas que não a da própria Sony foram suficientes para barrar a expansão massiva da Amazon.

Em alguns lugares a família Kindle detém mais de 90% do mercado, e isso em um nicho que atingiu seu pico em 2011 e desde então segue em queda pinta um futuro difícil para todos os concorrentes.

Como diz Matthew Sparkes, no Telegraph, talvez no futuro próximo Kindle seja um nome tão forte que será sinônimo da categoria — da mesma forma que aqui no Brasil chamamos esponja de aço de Bombril e água sanitária de Qboa.

Lev, o novo e-reader da Saraiva

Lev, o e-reader da Saraiva.A Saraiva lançou hoje o Lev, seu e-reader. Ele chega para competir com a linha Kindle da Amazon, e a Kobo, no Brasil atrelada à Livraria Cultura.

O projeto do Lev é baseado no Cybook Odissey, e-reader da francesa Booken, e a localização do software foi feita pela Saraiva com a ajuda do Centro de Estudos Avançados do Recife (C.E.S.A.R). Ele tem um formato arredondado que pelas fotos parece um tanto esquisito e chega por aqui em duas versões, uma de R$ 299 e outra, com iluminação na tela, por R$ 479 — até o final de agosto em promoção, por R$ 399. Além das lojas físicas e virtual da própria Saraiva, o Lev também será comercializado no Walmart.

As aparentes vantagens em relação ao quase irretocável Kindle Paperwhite são o suporte a arquivos ePub, unanimidade fora dos domínios da Amazon, slot para cartão microSD e um recurso chamado PDF Reflow, que adapta arquivos PDF aos limites da tela de 6 polegadas do Lev. Na teoria é uma ideia pra lá de interessante, resta ver se ela se sustenta na prática. O Lev ainda vem com 14 e-books de graça e se integra à loja e ao app Saraiva Reader, disponível para Android, iOS, Windows e OS X.

O mercado editorial brasileiro é bastante restrito e o dos e-readers, embora em expansão, responde por menos de 3% dele. Não sei  se há espaço para um terceiro concorrente, mas a Saraiva aposta que sim. É esperar para ver — o e-reader e se haverá demanda por ele.

Como funcionam as pastas do Windows Phone 8.1 Update

https://twitter.com/joebelfiore/status/496352476426039296

Donos de Windows Phone que aderiram ao Developer Preview já podem baixar a versão não finalizada do Windows Phone 8.1 Update. (Saiba como.)

Fiz o procedimento no meu Lumia 920 ontem e, como toda atualização para o sistema, ela foi rápida e sem traumas1. Das novidades anunciadas, a mais pragmática é a criação de pastas na tela inicial. Já existiam apps da Nokia e Samsung para isso, mas ambos eram desengonçados e de utilidade duvidosa.

A solução oficial do sistema, por outro lado, é bem elegante e funcional. Para criar uma pasta basta arrastar um bloco em cima do outro, como no Android. Abre-se, então, um espaço que é preenchido pelos blocos e esses podem ser reorganizados dentro da pasta. Quando fechada, ela exibe os blocos em rodízio, preservando as notificações dos dinâmicos. Confira aí:

https://www.youtube.com/watch?v=dIzLrmHCxq8

O novo Internet Explorer que se disfarça de Safari já está ativo. Veja um comparativo do site móvel do Twitter com um Lumia 630 rodando Windows Phone 8.1:

Internet Explorer se disfarça de Safari para renderizar melhor as páginas web.
À esquerda, Lumia 630 com Windows Phone 8.1. À direita, Lumia 920 com WP 8.1 Update.
  1. Uma pequena porção de usuários deu de cara com o erro 8018830f. No Twitter, Joe Belfiore avisou que a Microsoft está ciente e já trabalha em uma solução, e que tentar repetir o processo não deve dar resultado. Aparentemente, é um problema relacionado a dispositivos com pouca memória interna.

Passamos a fase das extensões nos navegadores, certo?

O Gizmodo perguntou aos leitores quais extensões para o Chrome lhes são vitais. Eu faço a você outra pergunta: existe alguma extensão digna de receber o status “vital”?

Quando esse conceito de extensões surgiu há mais de uma década, ele fazia sentido. A web era limitada, os navegadores, mais ainda. As extensões eram complementos que se inseriam nas lacunas deixadas pelo meio. E havia bastante espaço para elas.

Só que esse meio evoluiu e não foi de graça que situações como a do Fingerprint Canvas se tornaram possíveis. O navegador virou um negócio bem avançado, tanto que um dos principais sistemas domésticos se resume a um deles.

Perguntei no Twitter quais extensões o pessoal lá usa e acha importante. Várias respostas, nenhuma novidade. Muitos falaram do Pocket, uma extensão que pode ser substituída pelo bookmarklet numa boa. O mesmo vale para o Evernote. Bookmarklets, aliás, fazem a mesma coisa que extensões, só que sem consumir recursos, nem poluir a interface — aliás, nem têm interface. Ah, alguns seguidores também falaram em bloqueadores do Flash, algo que dispensa extensão já que o Chrome faz isso nativamente.

No meu navegador tenho apenas três extensões, todas desativáveis a qualquer momento. Duas delas, Google Cast e Buffer, raramente uso (o Chromecast eu uso muito, mas a partir do smartphone). A terceira, Kill News Feed, está sempre à vista e considero uma aliada, só que longe de ser “vital”. Eu passaria mais tempo no Facebook sem ela, e esse seria o único prejuízo.

Então, refaço a pergunta: em 2014 existe alguma extensão de navegador “vital”? De minha parte, acho que passamos essa fase, mas sou todo ouvidos para quem pensa diferente.

Primeiras impressões do C710, o Chromebook da Acer

Um dos dois Chromebooks vendidos oficialmente no Brasil e o primeiro que desembarcou por aqui, o C710 da Acer chegou para análise. As primeiras impressões, que você confere abaixo, são… mistas.

Atualização: leia o review completo do Acer C710.

Primeiras impressões do Acer C710.

Gostei: logo de cara, do processamento. Este Chromebook tem processador Intel (x86). Embora o chip ARM do modelo da Samsung não tenha me incomodado no geral, não é difícil reparar que o da Acer tem mais desenvoltura mesmo em ações triviais. Ainda não o coloquei à prova, mas me parece bastante promissor.

Não gostei: tem várias coisas que desagradam. O touchpad é curto, o teclado é padrão americano (a conferir, com a assessoria, se é apenas nessa unidade de testes) e algumas teclas são microscópicas, como as setas e Page Up/Down. A tela é aquele padrão Chromebook: baixa resolução e ângulos de visão pífios.

É difícil acertar de primeira essas teclas minúsculas.

O que mais? Sabe os netbooks? Visualmente o C710 lembra muito um. É um notebook pequeno, com tela de 11,6 polegadas, e meio “troncudo”, ou seja, relativamente grosso. Curioso que ele vem com algumas conexões quase legadas, ou incomuns em Ultrabooks e projetos mais recentes, como VGA e RJ-45.

Tela normal.

Atualizando a fila de reviews: nesta semana sai o do Moto E (estou gostando!) e, com sorte, o do Lumia 630. Depois vem este Acer C710. Devo receber, em breve, smartphones intermediários da LG para um comparativo bem curioso.

Hey, este é o Manual do Usuário

Tenho que melhorar isso mesmo!!!

Fiquei bem contente com o comentário do leitor Igor e, ao mesmo tempo, um pouquinho preocupado. Como divulgar minha página? Como?, eu me pergunto.

Não manjo muito dessa área, na verdade, então o que posso fazer por ora é apresentar trabalho. Tomemos o dia de hoje. Foi um atípico por aqui, com muitos posts publicados. Apesar de ter mudado sensivelmente a linha editorial em relação ao início do blog, o compromisso de ser diferente se mantém. Acompanhe-me nesta sucinta reflexão:

Vários sites nacionais falaram do @brwikiedits, mas eu fui falar com o cara que fez a parada. O anúncio do armazém da DealExtreme em Curitiba tinha saído em um post bem de nicho, sobre RaspberryPI, e ganhou mais exposição ao ser pinçado aqui. O Bleep foi pauta no mundo inteiro ontem, mas hoje consegui testá-lo e escrever um hands-on — no Brasil, não vi ninguém fazer.

São exemplos que trago não para me gabar, mas sim demonstrar o valor do Manual do Usuário. Nas redações de sites maiores certas urgências impedem esse trabalho marginal e por vezes mais demorado. Como não tenho o mesmo compromisso deles, consigo ir atrás dessas histórias. Já temos Gizmodo, Tecnoblog, Olhar Digital e Tecmundo, sem falar nos sites de tecnologia em inglês, cobrindo hard news e produzindo conteúdo original de qualidade; não quero competir, quero somar.

O Manual é um blog atípico por um monte de motivos, do modelo de negócio ao visual, passando pela abordagem e seleção dos assuntos de que trata. Este post é só um lembrete disso e um pedido a você para:

  • Ajudar a divulgar o blog. Vale um post no Facebook, um tweet, até o boca a boca. Concordo com o Igor, acho que deixo a desejar na promoção disso aqui, então qualquer reforço nessa área é bastante útil!
  • Assinar. O plano mais básico custa US$ 1 por mês, menos que um cafezinho. Pagando um pouco a mais, o preço de um cafezinho e um pão de queijo, você recebe a newsletter que todo mundo adora (amanhã sai uma nova), acompanha as gravações do podcast ao vivo e, o mais importante, me ajuda continuar tocando isso aqui. Considere assinar o Manual do Usuário.
  • Se faz parte de alguma startup, agência ou empresa, entrar em contato para levar seu produto aos meus super leitores. Ideias não faltam, o que falta é pintar alguém afim de apostar nelas.

@brwikiedits monitora alterações anônimas feitas na Wikipédia a partir de IPs de órgãos públicos

O bot dedo duro do Twitter.

Segunda-feira, neste post, citei o @congressedits, bot que monitora alterações anônimas feitas na Wikipédia a partir de IPs do Congresso norte-americano e as divulga no Twitter, como uma solução elegante e esperta para o problema. Por que não uma versão brasileira?

Pois bem, eis o @brwikiedits. Ele faz a mesma coisa do original britânico (@parliamentedits) e da variante do hemisfério norte citada acima, só que monitorando as redes das seguintes instituições brasileiras: Senado, STF, Câmara, Serpro, Procuradoria Geral da República, Dataprev, Petrobras, BCB, BB e Caixa.

O bot foi criado por Pedro Felipe (@pedrofelipee), desenvolvedor de 18 anos. Por e-mail, ele revelou como a ideia surgiu:

Há algumas semanas, pesquisando na Wikipédia, acabei caindo nas alterações das páginas e percebi que todas as edições anônimas tinham seus IPs registrados. Me veio à mente que algum serviço poderia monitorar e reportar mudanças feitas a partir da rede do nosso Governo e suas estatais. Logo depois o @congressedits surgiu e a etapa de desenvolvimento já estava eliminada, uma vez que o script por trás dele tem código aberto e qualquer um pode contribuir.

Até comecei a coletar alguns endereços que editam páginas do Palácio do Planalto e Câmara dos Deputados para tentar descobrir o intervalo de IPs. Foi frustrado, não consegui muita coisa e não era o bastante para começar o monitoramento, então deixei a ideia de lado. No começo dessa semana o escândalo explodiu e eu não poderia perder o timing.

Em vez de fazer a coleta dos intervalos de IP manualmente, o Pedro usou outra abordagem. Ele mesmo explica:

Todos os IPs estão registrados em nome de algum provedor, certo? Não sei se vou explicar com os termos corretos, mas os AS [sistema autônomo de roteamento] controlam vários intervalos de IPs. Todo provedor tem um.

Não foi tão simples como no exterior, onde os IPs de vários órgãos do governo americano estão disponíveis no Wikipédia, por exemplo. O que eu fiz foi buscar alguma lista com todos os AS brasileiros e caçar nomes dos órgãos e estatais. Com o código AS em mãos (ex. AS28629 Senado Federal), foi mais simples descobrir quais IPs estão sob seu controle.

Com o script em mãos, fiz algumas modificações, adicionei os IPs coletados, criei um perfil no Twitter e subi uma nuvem para monitorar. Ele funciona monitorando o IRC do Wikimedia, que publica todas as alterações anônimas com seus respectivos IPs num canal.

Ele diz que criou o perfil para dar mais transparência à questão e, também, pela diversão. As várias alterações que o pessoal da Petrobras fez hoje cedo na página do Digimon (!) são um exemplo.

O mais importante, porém, é que o @brwikiedits passa a monitorar instituições públicas importantes para eventuais alterações de viés político na Wikipédia. Especialmente agora, no período eleitoral, soluções do tipo contribuem bastante para tentarmos manter o nível das campanhas.