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É possível hackear um avião pelo sistema de entretenimento dos passageiros?

Para mim, uma das coisas mais incríveis da aviação comercial é o piloto conseguir pousar sem visibilidade. Em todas as vezes em que desci no aeroporto de Curitiba, por exemplo, havia uma espessa camada de nuvens. Onde estou? Para onde vamos? E de repente, a pista, o pouso, tudo tranquilo. Não é à toa que, mesmo com os vários incidentes dos últimos meses o avião continua a ser um dos meios de transporte mais seguros.

Mas essa tranquilidade pode estar ameaçada. Dia desses a Reuters publicou um alerta: o pesquisador Ruben Santamarta, da IOActive, teria descoberto uma forma de hackear sistemas vitais de um avião através dos terminais de entretenimento dos passageiros.

Um punhado de sites replicou a notícia, alguns aumentando o tom. Na matéria original há uma chamada importante, porém:

“Ele [Santamarta] admite que seus hacks só foram testados em ambientes controlados, como o laboratório em Madrid da IOActive, e que eles podem ser difíceis de serem replicados no mundo real.”

Toda suspeita de comprometimento de um negócio tão sério quanto a aviação civil deve ser pesquisada e averiguada, mas é de bom tom deixarmos os alardes para quando justificado. Caso contrário, o que se faz é FUD1. Ninguém conhece os detalhes da pesquisa ainda e o próprio pesquisador ressalta que só garante a sua descoberta na teoria.

Santamarta apresentará mais detalhes da sua pequisa na Black Hat, uma conferência sobre segurança digital nos EUA. Enquanto isso, as empresas que usam o sistema segundo ele comprometido disseram que o risco é mínimo e se comprometeram a revisar esses procedimentos, e alguns pilotos, como o Lito, explicou por que essa ideia, de hackear um avião via terminal de entretenimento, é impossível na prática. O texto é bem fundamentado — pelo menos para um leigo como eu!

A Black Hat começou no último dia 2 de agosto e vai até amanhã (7), dia em que Santamarta fará sua aguardada apresentação.

  1. Fear, uncertainty and doubt, ou em bom português, tocar o terror! Termo usado na imprensa e entre entusiastas para indicar “notícias” sem embasamento técnico usadas para espalhar o medo e a incerteza.

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