Incomoda a você o Google verificar imagens compartilhadas no Gmail?

Um homem foi preso no estado da Pensilvânia, nos EUA, por armazenar fotos de pornografia infantil no OneDrive. Dias antes, um usuário do Gmail também foi preso no estado do Texas sob a mesma acusação.

Não é como se funcionários da Microsoft e do Google fizessem a verificação, pessoalmente e uma a uma, de todas as fotos que passam pelos servidores da empresa. Da mesma forma que o Google usa bots para analisar e direcionar anúncios baseados nos e-mails do Gmail, sem intervenção humana, tecnologias similares são empregadas no reconhecimento de imagens. A iniciativa da Microsoft para identificar imagens do tipo, chamada PhotoDNA, existe desde 2008 e é compartilhada com outras empresas, como o Facebook e o próprio Google.

Nesses casos o benefício da vigilância proativa à sociedade é óbvio: prender pedófilos. Óbvio e indiscutível. O Google garante que tal tecnologia se limita à identificação de pornografia infantil, como nesta nota à AFP, ou seja, se você estiver planejando um assalto ou qualquer outro crime trocando e-mails com seus comparsas pelo Gmail, não será o Google que denunciará tais planos malignos às autoridades. Mas foi ou será sempre assim? Até que ponto vai esse poder, ou até onde ele é saudável? E, como diz aquele quadrinho, quem vigia os vigilantes?

Em abril o Google interrompeu um monitoramento similar de 30 milhões de contas de e-mail usadas por escolas, universidades e instituições similares no mundo inteiro após ser processado nos EUA por minerar dados dos estudantes. É um contraexemplo de emprego da mesma tecnologia para um fim questionável.

Toda essa questão é bastante delicada e mesmo pendendo para o lado que vê com bons olhos esse tipo de intervenção, ainda sobra um certo receio, um conflito quase latente entre o fazer justiça e o direito à privacidade irrestrita. Encare este post como um pensamento alto e um convite à discussão. O que você acha?

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5 comentários

  1. Começando pelo clichê, essa é uma discussão muito complexa! Entretanto quero voltar ao simples e não concluir nada, pois não há como concluir no meu entendimento. A tempos abrimos mão de privacidade por comodidade e segurança e não vou delongar nos porquês. Não agora e não aqui.

    Fomos morar em apartamentos e de repente a cidade pipocou de prédios, muitas vezes do outro lado da rua, janela a janela, e colocamos cortinas, até porque não víamos mais o horizonte. Porque ver o vizinho? Opa, mas pode ser vizinha(o) e ela/ele pode se trocar em frente a sua janela… Eis que esse novo habito pode ser mais interessante. Hoje, ainda que tacitamente, permitimos que Goole, Microsoft e Apple, nos vejam quase 24h por dia e, ainda que os “escândalos” verificados sejam pontuais (prender um criminoso pedófilo) e/ou direcionados a um fim específico (julgo que a mineração de dados dos adolescentes, neste caso, tenha sido com o intuito de “achar” um novo Steve Jobs, Mark Zuckerberg, etc…), ele começa a alertar os humanos que a velha máxima: “informação é poder!” é aplicada sempre, a todo momento, do banal ao vital e nem sempre a qualquer custo, mas sim com o nosso consentimento.

    Fazendo uma ponderação bem pessoal, mais na esfera do individuo do que no coletivo, e daí que somos vistos da janela pelados ou fazendo sexo? A Escola da Cidade, como muitos outros estabelecimentos, tem banheiro Unissex! São Paulo acabou de aprovar o vagão de metrô exclusivo para mulheres, algo já existente no Rio! Por que as praias de nudismo geralmente vão bem e um topless em praias europeias é tido como algo comum? A discussão para todas essas questões no meu entendimento passam pela mudança abrupta de comportamento que fomos submetidos em troca de segurança e comodidade. Precisamos reavaliar velhos conceitos e preconceitos, nos adequar a novas realidades, algumas sem volta porém, nem maléfica nem benéfica, mas sim, de adaptação e, que necessitamos dar uma resposta para só então saber: foi bom ou ruim? Tenho muito mais a dizer, mas não é o local apropriado. Abraço e desculpas pelo extenso comentário.

  2. O direito a privacidade não pode suplantar o direito de uma criança principalmente quando se trata deste tipo repugnante de crime. Também não pode suplantar a vida de uma ou mais pessoas. E ai acho que mora o problema. Quando esse direito vira uma desculpa para coisas como a lambança da NSA, fica perigoso. O exemplo dado da mineração de dados de um estudante? Não é perigoso mas é polêmico. Não tenho opinião 100% formada, mas não existe almoço grátis. E nem Gmail grátis… você paga de alguma forma.

    Na real, não existe resposta para essa questão. Podemos melhorar os processos para as investigações criminais e fiscalizar empresas com grande massa de dados humanos. Estabelecer regras éticas sobre isso. Talvez ajude, mas sempre teremos casos especiais e polêmicos… a capacidade humana de sonhos e pesadelos sempre vai dar margem para discussões homéricas

  3. É o eterno conflito privacidade X segurança, como até hoje não existe um método objetivo de solução desse tipo de problema, a solução vai de cada caso concreto, o problema daí advindo é até que ponto o subjetivismo dos “vigilantes” para a solução do conflito será ou não questionável.

  4. Nunca vou entender o medo de computadores do Google analisarem emails/arquivos, afinal, quando você digita algo no Google ele já sabe o que você quer e pagar para pessoas ficarem analisando Emails de pessoas comum nunca vai acontecer.

    Além do mais, o usuário tem que ter controle sobre seus arquivos, de maneira alguma algo que é extremamente importante para mim está na nuvem, minha conta pode ser invadida por falha no site e meus arquivos podem ser expostos na web. Além do mais, existe o modo anônimo que impede de ver anúncios indesejados.

  5. Taí um assunto que parece insistir em voltar á tona, o que é muito bom. No começo pensei que a máxima de que os fins não justificam os meios, mas de fato os benefícios são indiscutíveis, e a invasão à privacidade é mínima e necessária nesse caso.
    O problema é o que pode se desenrolar disso, como uma espionagem disfarçada de caça aos criminosos. Nunca podemos ter total certeza do que está acontecendo de verdade e isso dá margem pra muita teoria conspiratória.

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