Você não acredita realmente no lance de urinar em garrafas, né? Se isso fosse verdade, ninguém trabalharia para nós.

— @AmazonNews, perfil oficial da Amazon no Twitter, em resposta a um congressista do Wisconsin.

Exceto que fazer xixi em garrafas é, sim, uma prática (e bem documentada) comum entre entregadores que trabalham para a Amazon nos Estados Unidos. A Vice reuniu alguns relatos.

Tenho um anúncio a fazer. Estou de volta ao conselho diretor da Free Software Foundation. […] Alguns de vocês ficarão felizes, outros podem ficar desapontados, mas quem sabe? De qualquer forma, é assim que será e eu não pretendo sair outra vez.

— Richard M. Stallman, fundador e ex-presidente da Free Software Foundation (FSF). Via The Register (em inglês).

Em 2019, Stallman deixou voluntariamente a presidência e uma cadeira no conselho da FSF e sua posição como cientista visitante do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT. Ele havia feito comentários considerados insensíveis em defesa do professor Marvin Minsky, morto em 2016, que teria tido relações sexuais com uma das vítimas de Jeffrey Epstein, que suicidou-se em 2019 enquanto era acusado de tráfico e exploração sexual.

Stallman é uma figura importante na história da computação e, ao mesmo tempo, um sujeito controverso e sem tato social. O incidente com Minsky foi apenas mais um episódio, talvez o mais estridente, de vários; uns apenas antipáticos, outros problemáticos.

As contribuições dele — além da FSF, ele criou o Emacs e o GNU — são indeléveis, mas não deveriam servir de salvo-conduto, especialmente em um conselho diretor, que, vale lembrar, não é um órgão técnico; é político, de liderança. A própria FSF especifica suas atribuições e o que se espera dele: “A boa governança começa com o conselho de diretores, que supervisiona a organização e é responsável pelo seu sucesso”, diz o site. “O papel do conselho (e sua obrigação legal) é supervisionar o gerenciamento da organização e garantir que ela cumpra sua missão.” Reintegrar Stallman ao conselho passa uma mensagem péssima ao público externo e aos voluntários da fundação.

Nunca é demais enfatizar: esta pulseira não pode ler seu cérebro.

— Andrew “Boz” Bosworth, VP do Laboratório de Realidade do Facebook

O Facebook está desenvolvendo uma “pulseira neural” capaz de ler sinais elétricos enviados às suas mãos e reenviá-los a uma interface de realidade aumentada. O que poderia dar errado? Via BuzzFeed News (em inglês).

É isso mesmo, Darlan??!!! Você acha mesmo que depois de mais de três anos com um iphone 7, já ultrapassado, processador lento, bateria ruim, tela pequena, vamos aceitar por mais outros 30 meses um iphone SE?? Acho que ninguém aqui é moleque, Darlan!!

— Marco Tulio Lustosa Caminha, procurador da República de Piauí, em um fórum de discussões interno do órgão.

Procuradores da República estão irados com a perspectiva de receberem o iPhone SE, aparelho escolhido pela Procuradoria Geral da República (PGR), como celular de trabalho. Darlan Airton Dias, alvo das críticas dos procuradores, é secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR e responsável pela gestão dos contratos. Via Folha.

ESTE SITE ESTÁ UM LIXO! Qualquer criança consegue invadir este excremento digital, causar lentidão e até estragos maiores. Favor levar a sério os assuntos de segurança da informação. Bolsonaro !, dá um jeito aí !

— Hackers que invadiram o site do Ministério da Saúde

A mensagem foi deixada na sexta-feira (29) no FormSUS, serviço do DataSUS para a criação de formulários. Dá para ter um gostinho do nível de qualidade do site na mensagem (legítima, do Ministério da Saúde) embaixo da do hacker, que pede aos usuários para que não usem aspas nos campos do formulário porque “em várias linguagens de programação [o caracter] é usado para delimitar uma cadeia de caracteres.” Em qualquer sistema minimamente bem feito, o próprio formulário trata de limpar as inserções desses caracteres problemáticos. Via Estadão.

Relembrando: no final de 2020, duas falhas nos sistemas do Ministério da Saúde expuseram dados de brasileiros — uma delas, de 243 milhões de pessoas.

Sente-se em uma cadeira desconfortável, em um local desconfortável e olhe para uma tela desconfortavelmente pequena com um navegador web desconfortavelmente ultrapassado. É fácil usar os sites que você criou?

— Terence Eden

Terence, que se refere à característica de um site ser usável mesmo em condições adversas como “eficácia excessiva”, usa o Gov.uk, site oficial do governo britânico, como exemplo positivo. É um de suma importância e que, como tal, funciona até no limitadíssimo navegador web do PSP. O Manual do Usuário adere a essa linha. Você pode acessá-lo sem prejuízo no ainda mais limitado navegador do Kindle.

Sites informativos que funcionam em qualquer navegador e em qualquer dispositivo deveriam ser a regra, mas são exceções. O que ganhamos com essa troca? Uma animação bonitinha? Um vídeo de 41 MB carregando ao fundo de um site que promove uma tecnologia de acesso rápido a conteúdos na internet? Via Terence Eden’s Blog (em inglês).

A empresa [LG] está considerando todas as medidas possíveis, incluindo venda, retirada e redução do negócio de smartphones.

— Representante da LG

Kwon Bong-seok, CEO da LG, enviou um comunicado aos funcionários avisando que a divisão de celulares da companhia, que acumula mais de cinco anos e ~US$ 4,5 bilhões em prejuízos, pode deixar de existir em 2021. O motivo, segundo nota de um representante da empresa enviada a um jornal coreano, seria a competição acirrada no mercado global de celulares. Via The Korea Herald (em inglês).

Estamos fazendo o rádio no celular. Para cada telefone fabricado no Brasil, vem o rádio de graça sem precisar instalar pelo Wi-Fi ou plano de dados.

— Fabio Faria, ministro das Comunicações.

A declaração do ministro foi dada em um evento em Natal (RN). Como lembra o Telesíntese, o sonho (dos radiodifusores) de transformar todo celular em um radinho FM não é novo — há um projeto de lei de 2017 parado na Câmara, por exemplo.

Seria legal ter esse recurso — eu ouço rádio todo dia pelo celular usando um aplicativo que transmite rádios FM do mundo inteiro via internet —, mas é inegável que tal demanda soa a um anacronismo em um mercado tão globalizado e que tem outras prioridades, como o de celulares. (Já imaginou a Apple anunciando o iPhone 13 com rádio FM? Nem eu.) Via Telesíntese.

Amigos, queridos, a partir de hoje eu não usarei mais o WhatsApp. Vocês ainda podem falar comigo por e-mail, SMS ou telefone.

— Gloria Pires

A atriz surpreendeu os fãs e amigos ao anunciar, em um story no Instagram, que excluiu sua conta no WhatsApp. E ainda alertou-os: “Caso vocês sejam contactados por alguém pelo WhatsApp afirmando ser Gloria Pires, saibam que não sou eu.” Ela não disse o que a motivou a tal atitude, mas fica aí o exemplo para nós. Via Notícias da TV.

Já tivemos picos de downloads antes, ao longo da nossa história de sete anos protegendo a privacidade dos nossos usuários. Mas desta vez é diferente.

— Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram.

A crise de privacidade do WhatsApp está beneficiando aplicativos de mensagens rivais. O Telegram havia ultrapassou a marca de 500 milhões de usuários ativos na primeira semana de janeiro; só nas últimas 72 horas, o aplicativo ganhou 25 milhões de novos usuários. Via @durov/Telegram.

Use o Signal

Elon Musk

Não é o garoto-propaganda dos sonhos para fomentar o uso do Signal, mas toda ajuda é bem-vinda. O tuíte de Musk (que ontem se tornou a pessoa mais rica do mundo) e a mudança na política de privacidade do WhatsApp causaram um aumento súbito de novas contas no Signal, a ponto de atrasar o envio dos códigos de verificação em algumas operadoras. Via @signalapp/Twitter (em inglês).

Acreditamos que os riscos de permitir que o Presidente [Donald Trump] continue usando o nosso serviço durante este período são simplesmente grandes demais. Portanto, vamos prolongar o bloqueio que fizemos de suas contas no Facebook e no Instagram por tempo indeterminado e durante pelo menos as próximas duas semanas até que a transição pacífica do poder esteja concluída.

— Mark Zuckerberg, CEO do Facebook.

Fácil depois que o cara deixou o poder e, portanto, não tem mais a influência que poria em risco seu negócio. Via Facebook (em inglês).

Mais cedo, o Snapchat havia anunciado a suspensão por tempo indefinido de Trump. Facebook copiando outra vez. Via Engadget (em inglês).

Nesta equipe, você trabalhará com nossa plataforma chave, Surface, e parceiros OEM para orquestrar e entregar um rejuvenescimento visual abrangente das experiências do Windows para sinalizar aos nossos clientes que o Windows VOLTOU e garantir que o Windows seja considerado a melhor experiência de sistema operacional do usuário para os clientes.

— Microsoft.

O trecho acima estava na descrição de uma vaga de emprego da Microsoft para engenharia de software. Depois que sites notaram-no, a empresa suprimiu algumas partes. Desde o Windows 8, de 2012, os usuários do sistema da Microsoft convivem com partes modernas e legadas na interface, e mesmo as modernas parecem não terem tempo de amadurecerem, pois sempre estão passando por “rejuvenescimentos visuais abrangentes”. Será que agora vai? Via Windows Latest (em inglês).

O preço dos produtos Xiaomi no Brasil é alto demais para seu desempenho. Traremos produtos melhores com preços melhores. Nosso objetivo no Brasil é desafiar a Motorola como fizemos em outros mercados. Já ultrapassamos a Motorola e LG em muitos mercados e em outros já ultrapassamos a Samsung.

— Crystal Gong, diretora de marketing da Realme Brasil

A fala acima foi dada a uma matéria que escrevi no LABS News sobre a ascensão das marcas chinesas de celulares na América Latina. Leia-a na íntegra aqui.

[…] O que estamos realmente comprando é tempo. Mesmo que alguns novos competidores surjam, comprar Instagram, Path, Foursquare etc. agora nos dará um ano ou mais para integrar suas dinâmicas antes que qualquer um chegue perto das suas escalas novamente. Nesse intervalo, se incorporarmos as dinâmicas sociais que eles estão usando, esses novos produtos não terão muita tração, pois já teremos suas dinâmicas aplicadas em escala.

— Mark Zuckerberg

Trecho de um e-mail comprometedor de Zuckerberg a David Ebersman, CFO do Facebook, enviado em fevereiro de 2012, justificando a aquisição do Instagram. A mensagem foi relevada em uma das audiências de que ele participou no Congresso norte-americano, em julho de 2020. Via The Verge.