Desde outubro de 2022, os fiascos do Twitter beneficiaram sobremaneira o Mastodon/fediverso. O último — limitação de posts nos feeds dos usuários — está ajudando o Bluesky a bombar. A rede teve que fechar para novos cadastros no domingo (2) e, ao reabrir, nesta segunda (3), a demanda por convites parece ter aumentado um bocado. Via @bsky.app/Bluesky (2) (em inglês).

Temos uma conversa no Órbita para distribuir convites. (Não é para pedir; é para distribuir.) Se você tem um sobrando aí, considere compartilhá-lo lá.

Elon Musk limitou a quantidade de posts que alguém pode ver no Twitter para combater a raspagem de dados da plataforma. Usuários não verificados (leia-se: não pagam a assinatura) podem ver 800 posts por dia. (Antes, o limite era 600.) Do ponto de vista do Twitter, é uma das decisões mais estúpidas que a direção poderia tomar — ver posts é a base de todo o negócio. Para os usuários, é uma boa notícia, meio que um tratamento de choque para reduzir o vício em um ambiente tóxico. Via @elonmusk/Twitter (2) (ambos em inglês).

O Twitter bloqueou o acesso a perfis e posts sem estar logado. Não houve comunicado algum da mudança, o que pode significar uma de duas coisas: é um erro/problema no site, ou apenas Elon Musk sendo covarde outra vez. (Em janeiro, o Twitter quebrou apps de terceiros sem aviso prévio.) Considerando que dia desses ele estava reclamando da Microsoft supostamente usar dados do Twitter para treinar IAs, talvez seja a segunda opção.

Com essa “mudança”, nossa instância do Nitter, no PC do Manual, quebrou. Vamos acompanhar a situação para ver o que fazer com ela.

Atualização (1º/7, às 8h46): De acordo com Musk, o bloqueio é uma medida temporária devido a “várias centenas de startups” coletando dados do Twitter para treinar inteligências artificiais.

Clientes do Ame, a carteira digital da Americanas, receberam um e-mail (veja) informando que a partir de 5/7, contas com saldo de cashback e sem transação há mais de 90 dias terão uma tarifa de manutenção de R$ 2,99, debitada apenas do saldo de cashback.

Não dá para dizer que a Americanas não está inovando para sair da “crise”: é a primeira vez que vejo cobrança de taxa sobre cashback. É tipo pedir um presente de volta. Feio.

É hoje, 30 de junho: último dia dos aplicativos de terceiros do Reddit mais populares, como Apollo e RIF. A partir de amanhã, só com o (terrível) oficial. Minha conta lá precede o uso do Apollo, mas só passei a frequentar o Reddit pelo e por causa do Apollo, que descobri em meados de 2018. Foi bom enquanto durou.

Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).

Estava lendo o perfil de @Fiatjaf, o misterioso criador do protocolo Nostr, quando descobri que ele é brasileiro, nasceu na região Sudeste e tem ~30 anos. Tem outras curiosidades no perfil escrito por Michael del Castillo, como a influência neoliberal (sem surpresa) na formação do programador e… números muito estranhos do Nostr, em especial o de usuários: 18 milhões. Tenho dificuldade em crer que um negócio que depende de pares de chaves criptográficas para ser usado tenha quase o dobro de usuários do Mastodon (que não é fácil, eu sei, mas achei mais fácil que o Nostr). Via Forbes (em inglês).

O mundo Linux está em polvorosa com o anúncio da Red Hat de que passará a distribuir o código-fonte do Red Hat Enterprise Linux (RHEL) apenas para clientes, pondo em risco a continuidade de projetos que prometem compatibilidade com o RHEL, como Rocky Linux, AlmaLinux e a distro da Oracle.

Essa é uma história mais corporativa e jurídica que técnica, com implicações profundas para o ecossistema — profundas demais para o escopo deste Manual. A nós, o que importa é: e o Fedora, a distro para usuários finais patrocinada pela Red Hat? Aparentemente, ele está a salvo, pois deriva do CentOS Stream (a mesma “fonte” do RHEL), que continuará sendo distribuído abertamente. Turbulências na Red Hat, porém, podem ter algum impacto a longo prazo, visto que a empresa é a principal financiadora do Fedora e de vários projetos importantes para o Linux. Via The Register (em inglês).

O Banco Central está desapontado com a falta de criatividade dos bancos na exploração do open finance, o sistema que permite aos clientes movimentarem seus dados bancários entre instituições. A declaração foi feita por Matheus Rauber, assessor sênior de regulação no BC, no evento setorial Febraban Tech. Os bancos, de seu lado, se justificam com o “dilema tostines”: não entregam produtos melhores porque os clientes não compartilham dados, e esses não compartilham dados por falta de produtos interessantes. Via Convergência Digital.

A Apple aumentou os preços do iCloud+, assinatura que garante mais espaço na nuvem da empresa e alguns outros benefícios. O aumento foi expressivo: o plano de 50 GB foi de R$ 3,50 para R$ 4,90 (+40%); 200 GB foi de R$ 10,90 para R$ 14,90 (+36,7%); e 2 TB foi de R$ 34,90 para R$ 49,90 (+42,9%). Os novos valores já estão valendo. Via MacMagazine.

O PC do Manual, nosso espaço para aplicações web, ganhou mais uma: Libreddit, um front-end alternativo para o Reddit. Com ele, é possível navegar de maneira privada pelas comunidades e conversas do Reddit. Mais detalhes aqui. O PC do Manual é mantido por Jonatas “jojo” Baldin.

Quinta passada (22), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) listou em um evento três frentes de trabalho para viabilizar a aprovação do PL 2630/20. Entre elas, uma alteração no texto para tornar a responsabilidade das plataformas por conteúdo impulsionado (pago) subsidiária, em vez de solidária — Google e Meta, por exemplo, só seriam responsáveis caso o anunciante infrator não fosse identificado. Via Convergência Digital.

Um aplicativo de mensagens chamado IRL fechou as portas após revelar que 95% dos seus 20 milhões de usuários eram robôs ou contas falsas. O mais bizarro dessa história é que, antes disso, a IRL havia convencido investidores a colocar US$ 200 milhões no negócio (85% do valor foi em uma rodada liderada pelo SoftBank) e chegou a ser avaliada em US$ 1,1 bilhão. Mais um unicórnio do chifre falso.

Fico imaginando o tanto de robôs, perfis falsos, contas abandonadas e de pessoas que morreram que não tem por aí. É difícil fazer essa análise por causa dos feeds algorítmicos, mas suspeito que sejam muitas. Elon Musk, antes de adquirir o Twitter, também achava isso. Via The Information ($), Fortune (ambos em inglês).

Após muita pressão dos protestos, o Reddit anunciou um cronograma de melhorias em acessibilidade para as ferramentas de moderação dos seus aplicativos para Android e iOS, entre 1ª de julho e agosto. Medida tardia e que não aplaca a perda dos aplicativos de terceiros, mas bem-vinda mesmo assim. (E quem diabos é u/joyventure? Desde quando apelido no Reddit substitui o nome verdadeiro de diretores de empresas?) Via r/modnews (em inglês).

No Estadão, Daniel Weterman e Julia Affonso relatam os bastidores da ofensiva de Google e Meta contra o PL 2630/20, o PL das fake news. Muito dinheiro (R$ 2 milhões só do Google), união com a bancada evangélica do Congresso, diretores passeando pela Câmara e fake news religiosa com ameaças de mordaça contra parlamentares, caso o projeto de lei passasse. Mais de 30 deputados mudaram de voto. O PL 2630/20, antes prioritário, acabou caindo em um limbo. Arthur Lira (PP-AL), o poderoso presidente da Câmara e favorável ao PL, culpou as big techs pelo travamento da pauta. A atuação delas, segundo Lira, “ultrapassou todos os limites do contraditório democrático”. Via Estadão [sem paywall], CartaCapital.