Nunca interagimos tanto, mas nunca fomos tão solitários. Por quê?

Homem branco de camiseta preta deitado em um sof√°, olhando para o celular, iluminado pelas telas do celular e notebook.

Em julho de 1845, um sujeito chamado Henry David Thoreau resolveu impor um auto-isolamento em uma cabana do tamanho de uma sala de estar no terreno de um amigo ao lado do Lago Walden, em Massachusetts. √Äquela altura da vida, Thoreau, 28 anos, era um ilustre desconhecido. Seu primeiro livro, A week on the Concord and the Merrimack River, seria publicado quatro anos depois para uma recep√ß√£o inexistente. Conta o jornal New York Times: ‚ÄúEle vendeu uma mera fra√ß√£o da sua tiragem de mil c√≥pias. Quando a editora lhe entregou o encalhe da tiragem, Thoreau empilhou-os em seu quarto e escreveu no seu di√°rio: ‚ÄėAgora eu tenho uma biblioteca de quase 900 volumes, sendo que mais de 700 fui eu que escrevi‚Äô‚ÄĚ.

Nos dois anos em Walden, Thoreau se concentrou em si mesmo. Sem as enche√ß√Ķes de saco da vida mundana, ele teve tempo do que chamou de ‚Äúauto-educa√ß√£o‚ÄĚ, algo que exigia um ritmo fren√©tico de leitura sem distra√ß√Ķes. A vida era tranquila e n√£o contava com as restri√ß√Ķes do nosso semi-isolamento pand√™mico atual ‚ÄĒ o pr√≥prio Thoreau recebia conhecidos de vez em quando em sua cabine para conversas.

Foto em preto e branco de Henry Thoreau, de barba, casaco e gravata borboleta.
Thoreau. Foto: B. D. Maxham.
A experi√™ncia em Walden foi transcrita em um livro chamado Walden; or, Life in the Woods, publicado quase dez anos depois da sua chegada ao lago. O livro comprime o per√≠odo de 2 anos, 2 meses e 2 dias na cabana em um ano de calend√°rio e usa as quatro esta√ß√Ķes como pano de fundo para ilustrar o desenvolvimento humano. Walden, o livro, n√£o teve uma recep√ß√£o clamorosa ‚ÄĒ foram necess√°rios cinco anos para vender 2 mil c√≥pias. Uma d√©cada depois da sua publica√ß√£o, por√©m, quando Thoreau j√° tinha morrido de tuberculose, o livro foi reconhecido como uma obra-prima, um dos pilares da literatura norte-americana. Tal qual Van Gogh e Kafka, o autor j√° n√£o estava mais vivo para curtir a fama liter√°ria. At√© hoje, Thoreau √© reconhecido como um dos maiores ensa√≠stas da hist√≥ria e tem entre seus f√£s gente como Tolstoi, Gandhi e Martin Luther King Jr.

Qual foi o maior legado de Walden, o ponto que une essas figuras hist√≥ricas na adora√ß√£o a Thoreau? S√£o alguns, mas se tem algo pelo qual o livro √© mais lembrado √© o conceito de auto-educa√ß√£o explorada pelo autor, a certeza de que revolu√ß√Ķes come√ßam em casa, uma pessoa por vez. ‚ÄúN√≥s temos primeiro que ter sucesso sozinhos para que possamos aproveitar o sucesso juntos.‚ÄĚ √Č bem verdade que alguns conceitos e frases de Thoreau acabaram pin√ßadas1 pelos liberalistas mais radicais, principalmente pela noite em que ele passou na cadeia ao se negar a pagar impostos. Claro que o liberalismo mais radical ignora que Thoreau o fez n√£o por acreditar que qualquer governo √© uma intromiss√£o ou que governo bom √© governo min√ļsculo, mas por que n√£o concordava com as a√ß√Ķes b√©licas e escravocratas do governo norte-americano na √©poca. Enfim, voltando.

Esse processo descrito por Thoreau no livro Walden tem nome: √© a solitude construtiva. Eu n√£o consegui tirar a hist√≥ria do Walden da cabe√ßa quando, em 2017, ouvi pela primeira vez uma teoria criada pelo Surgeon General2 dos governos Obama e Biden, um sujeito chamado Vivek Murthy, sobre estarmos vivendo uma pandemia de solid√£o, um bom tempo antes do SARS-CoV-2 aparecer. Segundo Murthy, h√° um contingente enorme de pessoas pelo mundo que vive em constante solid√£o, num mal muito comum (popular) mas quase n√£o abordado. Atrelar a ‚Äúsolitude construtiva‚ÄĚ do Walden ao nosso cen√°rio √© um erro grotesco. A pandemia de solid√£o, acelerada pela pandemia do coronav√≠rus, n√£o √© um momento de contempla√ß√£o ou de profundo autoconhecimento.

N√≥s n√£o somos todos Thoreaus presos em cabanas pequenas nos aprofundando nos segredos das ci√™ncias, da pol√≠tica e da sociedade. O sentimento que nos cavalga nos √ļltimos anos n√£o √© solitude. O que n√≥s sentimos ‚ÄĒ e raramente falamos sobre ‚ÄĒ √© solid√£o.

Uma pequena cabana de alvenaria em meio às árvores; à frente dela, uma estátua de Thoreau.
Réplica da cabana de Thoreau próxima ao lago Walden. Foto: RhythmicQuietude/Wikimedia Commons.

Se est√° muito et√©reo, temos n√ļmeros para embasar. O Instituto Ipsos ouviu 23.004 pessoas em 28 pa√≠ses para mensurar a solid√£o no planeta. ‚ÄúNo estudo Percep√ß√Ķes dos Impactos da Covid-19, o Brasil √© o local onde as pessoas mais se sentem solit√°rias: 50% das que responderam √† pesquisa t√™m essa sensa√ß√£o. Turquia (46%) e √ćndia (43%) v√™m na sequ√™ncia. Para 52% dos brasileiros, a pandemia aumentou o sentimento de solid√£o (a m√©dia global √© de 41%), e para 46% teve reflexo negativo na sa√ļde mental‚ÄĚ, trecho da capa da revista Voc√™ RH sobre o assunto. Ou seja: metade dos brasileiros se sente sempre, muito e √†s vezes sozinha.

Os altos n√ļmeros no Brasil soam como uma agravante cuja origem n√£o √© dif√≠cil suspeitar: com os cad√°veres se avolumando e um governo que literalmente ri da morte enquanto sabota medidas de preven√ß√£o e inocula√ß√£o, n√£o existe concentra√ß√£o ou motiva√ß√£o suficientes para embalar qualquer projeto de aprofundamento pessoal. O objetivo √© chegar vivo ao fim do ano. Na maioria dos outros pa√≠ses, parece simples. No Brasil de 2021, n√£o √©.

O Brasil n√£o √© o √ļnico que se sente solit√°rio. Dos 10 pa√≠ses no topo da pesquisa da Ipsos, 8 s√£o em desenvolvimento ‚ÄĒ Brasil, Turquia, √ćndia, Ar√°bia Saudita, √Āfrica do Sul, Mal√°sia, Chile e Peru. Os intrusos s√£o It√°lia e Coreia do Sul. Dos 5 pa√≠ses menos solit√°rios, s√≥ 1 n√£o √© desenvolvido: a R√ļssia. Outras pesquisas corroboram a percep√ß√£o. Em 2018, a Kaiser Family Foundation descobriu que 22% dos norte-americanos se sentem sempre e muito solit√°rios, com uma preval√™ncia dos mais velhos. Outro estudo, feito pela National Academies of Sciences em 2020, descobriu que um ter√ßo dos adultos com mais de 45 anos reportaram sentir solid√£o constante nos EUA. O estudo da Kaiser encontrou √≠ndices semelhantes no Reino Unido (23%).

As porcentagens continuam et√©reas demais, dif√≠ceis de personificar? Transformemos elas em n√ļmeros absolutos. Esses 22% dos EUA significam quase 60 milh√Ķes de pessoas. Esses 50% no Brasil representam mais de 100 milh√Ķes de pessoas. √Č gente para caramba. E pesquisadores assumem que o n√ļmero deve ser ainda maior, j√° que pesquisas ainda esbarram em uma enorme dificuldade: falar sobre solid√£o √© tabu. Admitir que sente solid√£o soa como a admiss√£o de um fracasso social, que a pessoa n√£o √© boa o suficiente para ser amada por outros. Sofre-se muito em sil√™ncio.

Pesquisar a solid√£o √© t√£o dif√≠cil que a principal escala para medi-la, a Escala de Solid√£o da UCLA, n√£o cita explicitamente ‚Äúsolid√£o‚ÄĚ nos question√°rios ‚ÄĒ j√° se concluiu que, ao ler ou ser questionado(a) sobre solid√£o, o(a) entrevistado(a) tende a adotar uma postura defensiva que prejudica a qualidade da resposta. Uma campanha brit√Ęnica lan√ßada em 2011 para ajudar a acabar com a solid√£o de adultos, principalmente idosos, faz uma revis√£o de m√©todo das quatro principais escalas para medir o qu√£o solit√°ria uma pessoa √©. Delas, s√≥ uma faz quest√Ķes que explicitamente citam ‚Äúsolid√£o‚ÄĚ.

Quatro cards mostrando a escala de solidão, em inglês.
Escala da Solidão. Imagem: Campaign to End Loneliness/Reprodução.

Esse √© mais um dos motivos que dificultam cravar se, no rigor frio dos n√ļmeros, o n√≠vel de solid√£o da sociedade est√° aumentando. O que a gente tem s√£o fotografias e ind√≠cios fortes que contam uma hist√≥ria que se torna ainda mais curiosa e urgente quando contraposta com algo que todos sabemos: vivemos na era mais conectada da hist√≥ria da humanidade. Com tantas ferramentas de comunica√ß√£o, como √© poss√≠vel que estejamos enfrentando √≠ndices t√£o altos de solid√£o?

No Tecnocracia da quinzena a gente vai falar sobre a diferen√ßa entre solid√£o e solitude, a capacidade de criar la√ßos com os outros e como a variedade e a disponibilidade digitais podem trabalhar contra a socializa√ß√£o mais profunda. A cada quinze dias (√†s vezes mais), o Tecnocracia desvia um pouco dos epis√≥dios mais hardcore de tecnologia para entender as consequ√™ncias nefastas da populariza√ß√£o da tecnologia que, assim como a solid√£o, a gente finge que n√£o existe. Eu sou o Guilherme Felitti e vou lembrar que o Tecnocracia chegou √† campanha de crowdfunding do Manual do Usu√°rio. Todo m√™s, eu fa√ßo uma esp√©cie de epis√≥dio ao vivo com participa√ß√£o do p√ļblico no Tecnocracia Balc√£o. O conte√ļdo n√£o vira epis√≥dio depois, s√≥ fica l√° para quem ouvir na hora. Quem assinar a campanha de financiamento do Manual a partir do plano II entra no grupo exclusivo do Telegram e pode acompanhar ao vivo. Custa R$ 16 e eu sei que voc√™ j√° gastou mais com bobagens3.

Vamos deixar algumas coisas claras de antem√£o: primeiro que solid√£o √© um sentimento que todos vamos experimentar na vida, em maior ou menor grau. Para falar a verdade, √© necess√°rio que tenhamos um tempo sozinhos com nossa pr√≥pria cabe√ßa. Ningu√©m vive s√≥ colado a outras pessoas 100% do tempo. Eu adoro aqueles momentos em que fico mergulhado em alguma coisa, s√≥ eu e meu caf√©zinho, e isso n√£o significa que eu ame menos ou sinta menos prazer em passar tempo com minha mulher, meu cachorro, minha fam√≠lia e meus amigos. A quest√£o √© quanto desse tempo sozinho √© escolhido e desfrutado. √Č essa a diferen√ßa brutal que existe entre solitude e solid√£o.

Solitude, al√©m de m√ļsica da Laura Pausini nos anos 1990, √© a capacidade de voc√™ se sentir sozinho(a) sem que aquilo seja um fardo. √Č o estar em serenidade consigo mesmo. A solid√£o, n√£o. A solid√£o sempre pressup√Ķe um desamparo, uma vontade n√£o atendida de estar com algu√©m. Algu√©m solit√°rio(a) o est√° por falta de op√ß√£o, n√£o por serenidade. N√£o √© raro que a pessoa solit√°ria, ao se ver nesse estado, se considere um fracasso, indigna do amor alheio. No topo da solid√£o cria-se uma camada de ressentimento e, algumas vezes, de raiva do mundo por t√™-la abandonado. ‚ÄúSolid√£o √© lava que cobre tudo/Amargura em minha boca/Sorri seus dentes de chumbo/Solid√£o palavra cavada no cora√ß√£o/Resignado e mudo/No compasso da desilus√£o‚ÄĚ, na palavras sempre precisas e elegantes de Paulo C√©sar Batista de Faria, o Paulinho da Viola.

Foto do disco "A dança da solidão", de Paulinho da Viola.
Jamais perderei a chance de colocar uma foto do Paulinho da Viola quando cabe. Foto: Guilherme Felitti/Arquivo pessoal.

Em uma defini√ß√£o um pouco menos l√≠rica, no livro A biography of loneliness: The History of an emotion, publicado pela editora da Universidade de Oxford, a historiadora brit√Ęnica Fay Bound Alberti define solid√£o como “um sentimento cognitivo e consciente de estranhamento ou separa√ß√£o social de outros relevantes”. Mas tem outra defini√ß√£o mais simples e impactante para mim: ‚Äúsolid√£o √© luto sustentado‚ÄĚ, como disse a Jill Lepore, da revista New Yorker. Que frase. Uma das melhores defini√ß√Ķes que j√° ouvi sobre o tema.

Falar sobre e estudar solid√£o s√£o a√ß√Ķes razoavelmente recentes j√° que a solid√£o como estado social √© um fen√īmeno razoavelmente recente. Mais dois passos para tr√°s para entendermos a hist√≥ria da solid√£o. S√£o alguns ind√≠cios que mostram que dois fen√īmenos est√£o colados: o aumento no viver sozinho e o da solid√£o. “Antes dos tempos modernos, poucos humanos viviam sozinhos. Vagarosamente, come√ßando n√£o mais que um s√©culo atr√°s, isso mudou. Nos EUA, mais de uma em cada quatro pessoas vive hoje sozinha. Em algumas partes do pa√≠s, especialmente nas grandes cidades, esse percentual √© ainda maior”, diz uma reportagem excelente da Lepore sobre solid√£o na revista New Yorker. Antes do s√©culo XX, estima-se que os domic√≠lios com um(a) morador(a) fossem menos de 5% do total. Em 1950, j√° tinha quase dobrado para 9%. A partir dos anos 1960, o ritmo de crescimento acelerou, “impulsionado por uma taxa maior de div√≥rcios, uma taxa de nascimentos ainda caindo e expectativa de vida ainda maior”, diz Lepore. No Brasil, essa acelera√ß√£o est√° acontecendo nos √ļltimos 15 anos. Entre 2005 e 2015, a porcentagem de brasileiros morando sozinhos saltou de 10,4% para 14,6%, segundo dados do IBGE.

Morar sozinho anda de m√£os dadas com o conceito de privacidade. Como j√° dito no Tecnocracia¬†#27, “o conceito de privacidade s√≥ existe quando se considera que cada ser humano √© √ļnico e tem direito a um espa√ßo √ļnico onde ningu√©m tem acesso ou s√≥ tem a√ß√£o quando a pessoa permite. Em sociedades tribais, a no√ß√£o de indiv√≠duo era bem menos importante que a no√ß√£o de grupo, tamb√©m por uma quest√£o de seguran√ßa: num ambiente ainda in√≥spito, com armas rudimentares e uma taxa mortalidade que te colocava na terceira idade com 35 anos, era mais seguro viver em grupo, como uma entidade √ļnica”.

Sorri seus dentes de chumbo

O hist√≥rico da solid√£o e como ele se relaciona com o estilo de vida de homens e primatas nos √ļltimos milh√Ķes de anos foi estudado por John Cacioppo, do Centro de Neuroci√™ncia Social e Cognitiva na Universidade de Chicago. Segundo a teoria evolutiva de solid√£o de Cacioppo, “primatas precisam pertencer a um √≠ntimo grupo social, uma fam√≠lia ou um bando para sobreviverem. Isso √© especialmente verdade para humanos. A separa√ß√£o do seu grupo ‚ÄĒ tanto se descobrindo sozinho ou entre estranhos que n√£o conhecem ou entendem voc√™ ‚ÄĒ desengatilha uma resposta ‘lute ou corra’4. Em outras palavras: o trabalho do Cacioppo descobriu que seu corpo entende o estar sozinho ou cercado de estranhos como uma emerg√™ncia.

Entre as dezenas de milh√Ķes de anos dos primeiros primatas e a d√©cada de 1960, quando o morar sozinho virou moda e, com ele, a solid√£o, houve uma janela enorme de tempo em que solid√£o era um estado exclusivo de monarcas estupidamente ricos e doentes terminais. O conceito de privacidade n√£o se desenvolvia por ser imposs√≠vel uma pessoa, afundada na pobreza profunda, abandonar os corti√ßos, os burgos e as moradias populares em nome de um espa√ßo s√≥ seu. A solid√£o √© consequ√™ncia tamb√©m do enriquecimento global.

Essa sensa√ß√£o de inadequa√ß√£o e de defensividade tem consequ√™ncias s√©rias no corpo. “Por mil√™nios, a hipervigil√Ęncia em resposta ao isolamento se integrou ao nosso sistema nervoso para produzir a ansiedade que associamos com a solid√£o”, escreve o Surgeon General Murthy no livro que publicou sobre o assunto, Together: The healing power of human connection in a sometimes lonely world (sem edi√ß√£o no Brasil). A hipervigil√Ęncia, nos explica Murthy, justifica a queda na qualidade do sono, a press√£o alta, a dificuldade de concentra√ß√£o, a respira√ß√£o inst√°vel e os problemas da frequ√™ncia card√≠aca. Ningu√©m em hipervigil√Ęncia vive de forma agrad√°vel. E isso tudo j√° valia antes da quarentena, sem contar a paran√≥ia que se avoluma na cabe√ßa desde mar√ßo de 2020 ‚ÄĒ sem contato constante com gente real, pode-se entender a√ß√Ķes corriqueiras, como a demora em devolver um aceno, como planos contr√°rios a voc√™.

Agora chega aquela hora em que, com raz√£o, voc√™ me pergunta com candura: “Guilherme, esse n√£o √© um podcast sobre tecnologia?”, ao que eu respondo “N√£o, bonitinho(a), √© um podcast sobre os efeitos da tecnologia nas nossas vidas”, ao que voc√™ responde “Legal, mas cad√™ a parte da tecnologia pelo menos para a gente entender se tem rela√ß√£o com ela?”, ao que eu, por fim, respondo “Calma, √© agora”.

Em 2012, o soci√≥logo Eric Klinenberg escreveu um livro chamado Going solo: The extraordinary rise and surprising appeal of living alone em que alegava que uma entre tantas raz√Ķes para justificar esse aumento no morar sozinho foi a populariza√ß√£o da tecnologia, principalmente o telefone a partir dos anos 1950. Para ter o contato constante com sua fam√≠lia que te fazia se sentir “em casa”, n√£o era mais necess√°rio morar junto ou muito perto. Com a evolu√ß√£o dos meios de comunica√ß√£o, essa sensa√ß√£o de “lar” foi se tornando mais permissiva ‚ÄĒ o r√°dio, a TV e, por fim, a internet ajudaram nesse processo de aclimata√ß√£o. E √© a√≠ que finalmente entramos na internet.

As consequ√™ncias do aumento nesses ‚Äúarranjos unipessoais‚ÄĚ, como nomeia o IBGE, principalmente a solid√£o, soam ainda mais chocantes se lembramos que ela acontece concomitantemente √† maior rede de comunica√ß√£o da hist√≥ria da humanidade. Nunca foi t√£o f√°cil se comunicar com quem voc√™ ama ou com estranhos desconhecidos do que nos √ļltimos 20 anos. N√£o √© preciso um diploma de PhD ou atividades intelectualmente desafiadoras para acumular dezenas de milhares de seguidores. As centenas de pessoas que conhecemos pela vida est√£o dispon√≠veis ao toque de um bot√£o. H√° uma variedade enorme de pessoas, conhecidas ou n√£o, a se escolher. E √© exatamente essa variedade e disponibilidade que jogam a favor da solid√£o. A base do argumento √© simples: conex√£o n√£o √© la√ßo.

H√° diferentes n√≠veis de la√ßos afetivos entre as pessoas. Existem os conhecidos, gente que voc√™ troca algumas palavras quando est√° passeando com o cachorro, por exemplo. Existem os colegas, gente com quem voc√™ divide uma parte da rotina. Existem os amigos, gente com quem voc√™ se abre ou divide suas horas de divers√£o. E existem aquelas pessoas com as quais voc√™ pode contar de verdade. A internet √© excelente para os la√ßos das tr√™s primeiras categorias: os conhecidos, os colegas e aqueles amigos das horas de lazer. √Č l√≥gico que contatos iniciados online podem se desenvolver em la√ßos profundos e duradouros, de gente que vai estar l√° um para o outro at√© o t√ļmulo. A imensa maioria, por√©m, √© de gente com quem voc√™ tromba, troca uma ideia, sacia aquela vontade social e tudo bem. Nem todo mundo que voc√™ conhece na vida vai virar teu amigo do peito. A rede de socializa√ß√£o que cada um de n√≥s monta √© um tro√ßo complexo, que tem diferentes camadas que servem √†s suas necessidades.

O topo da pir√Ęmide pode estar vazio

Quem melhor detalhou essa pir√Ęmide foi o antrop√≥logo e psic√≥logo da Universidade de Oxford, Robin Dunbar. Partindo do estudo de primatas5, tal qual Cacioppo, Dunbar descobriu que uma pessoa conseguiria dizer o nome de um rosto para 1,5 mil pessoas. √Č a base da pir√Ęmide. O pr√≥ximo est√°gio s√£o cerca de 500 conhecidos. O pr√≥ximo, menor e mais √≠ntimo, envolve 150 pessoas ‚ÄĒ amigos que voc√™ chamaria para uma grande festa, por exemplo. A√≠ a pir√Ęmide vai afinando ainda mais. O pr√≥ximo passo √© composto por 50 pessoas que voc√™ convidaria para um jantar na sua casa. O pr√≥ximo s√£o 15 ‚ÄĒ pessoas com quem voc√™ pode se abrir ou confidenciar alguma dificuldade. O topo da pir√Ęmide n√£o √© maior que cinco ‚ÄĒ s√£o os que comp√Ķem seu grupo de suporte, a galera para quem voc√™ ligaria caso tivesse um infarto no meio da noite.

Os dados da pesquisa de Dunbar se mostraram surpreendentemente consistentes quando comparados com per√≠odos long√≠nquos da hist√≥ria humana. “O tamanho m√©dio de grupos entre as sociedades modernas de ca√ßadores e coletores (onde existem dados censit√°rios precisos) era de 148,14 indiv√≠duos”, diz outra reportagem da New Yorker que detalha a pesquisa da Dunbar. Isso quer dizer que a internet mudaria essa l√≥gica? N√£o. Diferentes estudos feitos por pesquisadores da Universidade de Indiana, da Universidade Estadual de Michigan e da Universidade da Calif√≥rnia Berkeley descobriram que, ainda que as m√≠dias sociais levassem a mais colabora√ß√Ķes profissionais, o n√ļmero de pessoas com as quais voc√™ mant√©m rela√ß√£o sustent√°vel √© o mesmo das pesquisas de Dunbar.

“Uma das coisas que mant√©m as amizades cara a cara fortes √© a natureza da experi√™ncia compartilhada: voc√™s riem juntos, dan√ßam juntos, tiram sarro dos comedores de cachorro quente na Coney Island juntos. N√≥s temos um equivalente nas m√≠dias sociais ‚ÄĒ compartilhar, curtir, sabendo que nossos amigos assistiram o mesmo v√≠deo de gatinho no YouTube que voc√™ viu ‚ÄĒ, mas falta a sincronicidade da experi√™ncia compartilhada”, explica a reportagem da Maria Konnikova na New Yorker. Voc√™ pode at√© acompanhar a vida daquela pessoa com quem voc√™ fez colegial e curtir as fotos do seu novo beb√™. De novo, conex√£o n√£o √© la√ßo profundo.

Relembre seus amigos ou amigas de verdade, aquela galera com a qual voc√™ pode ligar caso esteja fodido(a). Relembre como aquele la√ßo se criou. Provavelmente n√£o teve s√≥ momentos bons. Houve momentos compartilhados de ang√ļstia genu√≠na (neurose n√£o √© ang√ļstia genu√≠na) ou dificuldades pr√°ticas. Houve a certeza de que aquela pessoa se importa com voc√™, o que desengatilha aquela sensa√ß√£o boa de socializa√ß√£o, de ser querido, amado, cuidado. De n√£o estar sozinho(a) no mundo. Mas s√≥ se conclui isso quando se mergulha. Quando olhamos para a variedade online, h√° sempre a armadilha de n√£o se submeter a situa√ß√Ķes minimamente inc√īmodas, que n√£o se encaixem nas nossas expectativas para se arranjar outro, mas quase nunca se arranja6. La√ßo pressup√Ķe o m√≠nimo de esfor√ßo e um pouco de toler√Ęncia.

Estamos falando que a epidemia de solid√£o j√° tem anos, mas √© ineg√°vel que a quarentena a tornou ainda mais problem√°tica. Eu quero focar em uma parte espec√≠fica daquela pir√Ęmide de la√ßos que descrevi ali em cima. N√≥s temos muitos la√ßos corriqueiros de gente com quem trabalhamos, por exemplo. N√£o s√£o amizades profundas, mas t√™m o seu papel. Uma das maiores faltas que eu sinto da reda√ß√£o era aquela meia hora no meio da tarde para parar e tomar um caf√© jogando conversa fora com outras pessoas. As pessoas com quem eu mais fazia isso, em alguns casos, quase n√£o falei mais depois que sa√≠ de reda√ß√£o. Mas esse coleguismo, esse la√ßo com quem est√° dispon√≠vel ao seu lado, ainda que n√£o seja o amigo ou a amiga do peito, √© gostoso. O home office for√ßado pela pandemia barrou esse tipo de intera√ß√£o constante e, para uma galera, ajudou a descortinar a realidade de que a sua pir√Ęmide n√£o tem amigos, mas s√≥ colegas de trabalho. N√£o √© uma realidade agrad√°vel.

Se você ouviu o episódio e começou a se preocupar, existem alguns exercícios práticos bem simples para tentar entender o quão solitário se é. Porque, vamos deixar uma coisa clara aqui, é possível viver sozinho sem ser solitário e você pode morar com dezenas de outras pessoas e ser miseravelmente sozinho.

O primeiro caminho, com um relativo embasamento cient√≠fico, √© fazer o teste da Escala de Solid√£o da UCLA. Em uma escala de 1 a 4, sendo 1 nunca e 4 sempre, classifique como voc√™ sente nestas tr√™s quest√Ķes:

  • Sinto falta de companheirismo.
  • Ningu√©m me conhece de verdade.
  • Eu sou uma pessoa extrovertida.

O teste tem um total de 20 quest√Ķes nesse estilo. Ao fim, baseado nas respostas, ele te encaixa em uma escala. Tenha cuidado para n√£o fazer o teste em casa e se diagnosticar sozinho. Se voc√™ realmente est√° preocupado(a), busque ajuda profissional.

Um segundo caminho √© ter uma conversa brutalmente honesta consigo mesmo. Quantos amigos(as) de verdade voc√™ tem? Gente que correria para sua casa se voc√™ passasse mal? √Č uma pergunta dura cuja resposta pode n√£o te agradar muito, principalmente porque nem todo amig√£o ou at√© mesmo parente se sujeitaria a isso. Eu tive um momento muito pesado da minha vida em que acordei algumas vezes no meio da madrugada tendo ataques de p√Ęnico. Eu vivia sozinho. Foi nessa √©poca que eu fui for√ßado a elencar pessoas que, caso eu precisasse, estariam dispostas a me ajudar mesmo que fosse no meio da madrugada. Esse processo de finalmente admitir que gente muito pr√≥xima n√£o entraria nessa lista √© bem duro, mas necess√°rio na vida adulta.

Terceiro: enquanto eu escrevia esse epis√≥dio, fiquei com a impress√£o que j√° tinha dito algumas das coisas aqui. Ouvi novamente alguns epis√≥dios at√© entender de onde vinha a familiaridade: o epis√≥dio do Tecnocracia sobre raiva toca em alguns pontos muito semelhantes e ficou expl√≠cito para mim o quanto a raiva e a solid√£o est√£o de m√£os dadas. Gente que vive raivosa demais acaba isolada por se tornar intrag√°vel. Talvez a solid√£o seja s√≥ o sintoma de alguma coisa que est√° te comendo por dentro e condicionando suas a√ß√Ķes a uma repeti√ß√£o ad-infinitum.

Não à toa, o raivoso(a) vai, gradualmente, se isolando ou, após a popularização de redes sociais, encontrando guarida em grupos de outros raivosos/as, o que leva a uma radicalização ainda maior. Você acha que gostar da mesma série é razão para namorar alguém? Espere odiar a mesma coisa. Ou também tem o efeito de te tornar um misantropo que acha que todo ser humano é um babaca que não tem nada a te acrescentar.

Muitas vezes, a gente acha que aquelas rela√ß√Ķes sociais est√£o garantidas. Mas tudo √© foto. O que fez sentido h√° uns anos n√£o faz mais agora necessariamente. Voc√™ vai olhar o topo da pir√Ęmide descrita pelo Dunbar e descobre que est√° vazia. Rela√ß√£o √© tipo bicho: se n√£o alimentar, morre e deixa um cheiro f√©tido que empesteia tudo. √Äs vezes, gasta-se tanta energia para cumprir aquele ritual t√£o zeitgeist de criar personagem para os outros na internet que se esquece de alimentar as rela√ß√Ķes que efetivamente valem. Eu aposto uma torta de frango daquelas com massa podre que tem um monte de influenciador a√≠ com milh√Ķes de seguidores e um topo de pir√Ęmide empoeirado.

Como abrir-se de novo? Na entrevista dada ao Ezra Klein da Vox, Murthy pinta um caminho simples: ajudar o outro. Ao se protagonizar atos de generosidade, a gente tira o foco em n√≥s mesmos e voltamos a ter contato com o que √© ser humano. ‚ÄúT√°, Guilherme, mas o que eu fa√ßo?‚ÄĚ. Faz 10 marmitas e vai entregar para morador de rua ao lado da sua casa. Vai comprar cobertor que o inverno t√° chegando e √© assustador o n√ļmero de pessoas vivendo na rua. Bonito(a), o que n√£o falta no Brasil de 2021 √© gente precisando de ajuda. Ajudar o outro tamb√©m te abre para c√≠rculos sociais al√©m da sua bolha constru√≠da por algoritmos. A gente n√£o consegue s√≥ viver com gente que concorda 100% com a gente.

Esses atos de generosidade podem fazer o motor funcionar no tranco, mas ele s√≥ continua rodando com uma abertura gradual ‚ÄĒ o fermento de la√ßos mais profundos √© a vulnerabilidade, a espontaneidade, o n√£o querer se perfazer ou viver um personagem. Se voc√™ quer ter la√ßos mais profundos e contar com gente que est√° l√° para voc√™ quando precisar, abandone o CNPJ. Foca no CPF. Assuma sua condi√ß√£o humana ‚ÄĒ somos todos uns primatas falhos cheios de d√ļvidas se cagando de medo, mas com uns momentos salpicados de coragem.

Sair do digital tamb√©m √© fundamental. A pesquisa de Dunbar mostrou qu√£o importantes para os la√ßos afetivos s√£o os toques f√≠sicos simples, como uma apertada no bra√ßo ou uma m√£o no ombro. ‚ÄúN√≥s subestimamos a import√Ęncia do toque no mundo social. Palavras s√£o f√°ceis. Mas a maneira como algu√©m toca voc√™, mesmo casualmente, diz mais sobre o que ele(a) est√° pensando sobre voc√™‚ÄĚ. Lembrete √≥bvio: ainda estamos em uma pandemia. Tome cuidado ao se aproximar de outras pessoas.

Ainda que a solitude construtiva relatada pelo Thoreau e a epidemia de solidão que nos assola hoje sejam profundamente diferentes, há uma inegável ponto de contato: assim como um dos pilares do método relatado em Walden, qualquer mudança para a solidão que você sente só vai acontecer quando você olhar para dentro e começar a se cuidar. Não vai ser gostoso no começo, mas os resultados são excelentes. Você só consegue experimentar solitude quando resolve as causas que te levaram à solidão.

Por fim: se voc√™, enquanto lia ou ouvia esse epis√≥dio, se identificou demais com algumas descri√ß√Ķes ou se tocou fundo em algo dif√≠cil de articular sozinho/a, o melhor a fazer √© investigar isso. A psicologia ou a psiquiatria v√£o te ajudar a entender o que est√° acontecendo e como voc√™ talvez esteja repetindo alguns padr√Ķes que s√≥ prejudicam voc√™. Eu j√° tive um momento de vida bem parecido com o que descrevi aqui. Eu estava profundamente magoado, o que me levou a uma postura de ‚Äúreizinho na sua torre de marfim‚ÄĚ com impulsos misantropos, o ambiente perfeito para a solid√£o te corroer por dentro. Parece contigo? Procure ajuda profissional. A vida tem uma galera filha da puta, l√≥gico, mas √© sempre bom lembrar quando essa corja parecer maioria que n√£o √© – existem ainda mais pessoas boas, gentis, generosas, divertidas, interessantes, que te ajudam, que est√£o l√° para voc√™. √Č com gente assim que a gente resolve a solid√£o.

Nota do editor: Solidão em meio à tecnologia foi tema de uma das primeiras matérias do Manual do Usuário, quase oito anos (!) atrás. (Re)Leia ela clicando aqui.

Foto do topo: Vadim Artyukhin/Unsplash.

  1. O que a Luciana Gimenez chamaria de ‚Äúcherry-picking‚ÄĚ. ‚Ü©
  2. Surgeon General √© uma esp√©cie de chefe da sa√ļde p√ļblica nos EUA. N√£o √© a mesma coisa que o Minist√©rio da Sa√ļde. ‚Ü©
  3. Estou testando novos discursos comerciais. O deste epis√≥dio √© o “shameful”. ‚Ü©
  4. Ou o ‚Äúfight-or-flight‚ÄĚ. Beijos, Lu! ‚Ü©
  5. Especificamente dos h√°bitos dos macacos ao se pentearem, o que quer dizer que quando mandam Dunbar pentear macacos ele pode falar que conhece o ato com propriedade. ‚Ü©
  6. N√£o estou falando de viol√™ncias e crimes, por favor. Se voc√™ encontra algu√©m ‚ÄĒ na internet ou fora dela ‚ÄĒ com comportamentos violentos, agressivos ou preconceituosos, √© para cair fora mesmo. Eu sigo o lema de “n√£o sei lidar com louco e n√£o t√ī afim de aprender”. ‚Ü©

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8 coment√°rios

  1. Parabéns Guilherme Felitti pelo texto, aliás, pelos textos. Estou descobrindo o tecnocracia (e o próprio Manual do Usuário) a partir desse artigo, e digo que estou muito feliz com o que li. Faz falta a qualidade de argumento que você nos traz!
    Ao longo da leitura, aprendi, refleti, discuti, concordei, discordei… Me senti “em casa”, ou seja, com a percep√ß√£o de que estou ouvindo uma fala familiar, e de quem n√£o preciso ter medo mesmo quando meus pensamentos refutam.

    Obrigado por nos trazer isso!
    Grande abs, Arnaldo
    PS: “conex√£o n√£o √© la√ßo” ficou para sempre em mim. Um dia vai ser ep√≠grafe (devidamente identificada, √© claro) de algum texto meu.

  2. Thoreau na prática não estava tão sozinho, parece que tinha até uma escola infantil perto dele.
    fora que nem mesmo isolado estava e mantinha uma vida social razoavelmente intensa.
    para a solidão moderna, basta constituir família (casar e ter ou não filhos)

    para os idosos, não há solução. vão morrer sozinhos em asilos ou em casa

  3. Eu conheci o Thoreau quando eu estava lendo sobre o liberalismo e sobre o anarcocapitalismo – ele, assim como o Tesla, s√£o semi-deuses dos neoliberais modernos, n√£o sei porque – e mais tarde fui amplamente questionado pelas hipocrisias da vida e das a√ß√Ķes do autor.

    Jab√°? Ano passado eu topei com um texto da New Yorker sobre isso e traduzi: https://medium.com/pensamentos-rasos/os-julgamentos-morais-de-henry-henry-thoreau-204830123222

    √Č bom entender o Thoreau e fazer essa analogia, mas o autor lutava contra o que a gente v√™ hoje e antevia, de certa forma, a solid√£o “de consumo” que o enriquecimento global e o (super)capitalismo iriam trazer (ele n√£o usava esses termos, claro, mas os pensadores da √©poca j√° se entreolhavam em rela√ß√£o ao caminho que o capitalismo nos levaria).

  4. Conheci no epis√≥dio anterior e foi amor instant√Ęneo. Felitti conduz um roteiro como poucos na web hoje. Epis√≥dio excelente com uma pegada de terapia coletiva, haha.

    Sobre Thoreau, eu devo ser um dos poucos que não pirou com a leitura de Walden. Ele têm seus momentos, mas no geral achei repetitivo e prolixo.

    Abraço!

  5. Hoje já se sabe que a mãe do Thoreau lavava sua roupa e fazia sanduíches para seu filho recluso, que nem os liberais do séc. XXI.

  6. Noooossa… Quando vi a foto de capa eu pensei: “Thoreau!”

    Enfim, ainda não cheguei a ouvir o podcast nem ler a matéria, mas acho que o assunto desse episódio vai ser (ou já é) mais ou menos o que eu e minha avó estávamos falando há pouco tempo, cerca de meia hora atrás.

    Estava sentindo falta do Tecnocracia e quase sofrendo com o processo de abstinência (ahahahaha), e só de ler o título e ver a foto de capa já fiquei feliz e empolgado.