É hoje, 30 de junho: último dia dos aplicativos de terceiros do Reddit mais populares, como Apollo e RIF. A partir de amanhã, só com o (terrível) oficial. Minha conta lá precede o uso do Apollo, mas só passei a frequentar o Reddit pelo e por causa do Apollo, que descobri em meados de 2018. Foi bom enquanto durou.
Primeiro a Meta e, agora, o Google, anunciaram que removerão links de publicações jornalísticas canadenses de seus produtos em resposta a uma lei recém-aprovada no país (inteiro teor) que exige que plataformas digitais paguem por links. Ainda que a demanda de fundo (garantir a sustentabilidade do jornalismo) seja legítima, o remédio é um veneno que vai matar o paciente. Ninguém deveria taxar links. É um dos elementos básicos da web. Via CBC, Google (ambos em inglês).
Estava lendo o perfil de @Fiatjaf, o misterioso criador do protocolo Nostr, quando descobri que ele é brasileiro, nasceu na região Sudeste e tem ~30 anos. Tem outras curiosidades no perfil escrito por Michael del Castillo, como a influência neoliberal (sem surpresa) na formação do programador e… números muito estranhos do Nostr, em especial o de usuários: 18 milhões. Tenho dificuldade em crer que um negócio que depende de pares de chaves criptográficas para ser usado tenha quase o dobro de usuários do Mastodon (que não é fácil, eu sei, mas achei mais fácil que o Nostr). Via Forbes (em inglês).
Muitos de vocês podem estar se perguntando como temos uma equipe no buscador que está iterando e construindo todas essas coisas novas e, de alguma forma, os usuários ainda não estão muito contentes.
— Prabhakar Raghavan, vice-presidente sênior do Google.
A CNBC obteve o áudio de uma reunião interna do Google em que a empresa debateu o impacto da crise do Reddit na satisfação dos seus usuários. Raghavan lidera o buscador do Google.
Faz algum tempo que uma galera acrescenta “reddit” aos termos da pesquisa para ir direto às comunidades do Reddit, onde pessoas reais escrevem, evitando o oceano de chorume escrito para SEO que polui o Google. Agora imagine o estrago que IAs gerativas tipo ChatGPT causarão… Via CNBC (em inglês).
O mundo Linux está em polvorosa com o anúncio da Red Hat de que passará a distribuir o código-fonte do Red Hat Enterprise Linux (RHEL) apenas para clientes, pondo em risco a continuidade de projetos que prometem compatibilidade com o RHEL, como Rocky Linux, AlmaLinux e a distro da Oracle.
Essa é uma história mais corporativa e jurídica que técnica, com implicações profundas para o ecossistema — profundas demais para o escopo deste Manual. A nós, o que importa é: e o Fedora, a distro para usuários finais patrocinada pela Red Hat? Aparentemente, ele está a salvo, pois deriva do CentOS Stream (a mesma “fonte” do RHEL), que continuará sendo distribuído abertamente. Turbulências na Red Hat, porém, podem ter algum impacto a longo prazo, visto que a empresa é a principal financiadora do Fedora e de vários projetos importantes para o Linux. Via The Register (em inglês).
Shein leva influenciadoras dos EUA à China e posts delas geram questionamentos
A Shein convidou seis influenciadores de moda e beleza estadunidenses para visitar seu centro de inovação em Guangzhou e um centro de distribuição em Zhaoqing. Até aí, normal.
O que causou alvoroço foram as afirmações que as jovens fizeram em seus posts: de que as condições de trabalho nas fábricas da marca seriam ótimas (“eles nem suam!”), que só ouviram depoimentos elogiosos dos funcionários e que dizer o contrário seria uma narrativa usada nos EUA contra a marca.
Muito rapidamente, seguidores começaram a encontrar indícios de que os cenários e pessoas escolhidas para a visita talvez não fossem tão autênticos quanto as jovens afirmavam e que elas estavam fazendo um trabalho de limpeza de imagem para a empresa — algo de que a Anitta também vem sendo acusada.
Talvez não tenha valido o investimento do time de marketing: algumas influenciadoras acabaram apagando as postagens ou mesmo se retratando, e as redes sociais receberam uma onda de comentários negativos sobre a empresa, relembrando notícias negativas sobre as condições trabalhistas associadas a seus produtos.
O Banco Central está desapontado com a falta de criatividade dos bancos na exploração do open finance, o sistema que permite aos clientes movimentarem seus dados bancários entre instituições. A declaração foi feita por Matheus Rauber, assessor sênior de regulação no BC, no evento setorial Febraban Tech. Os bancos, de seu lado, se justificam com o “dilema tostines”: não entregam produtos melhores porque os clientes não compartilham dados, e esses não compartilham dados por falta de produtos interessantes. Via Convergência Digital.
O diálogo é para melhorar uma regulação, para que ela não seja aparentemente boa, mas que possa vir a ser perversa para todo mundo. Essa é a nossa ideia.
— Fabio Coelho, presidente do Google Brasil.
O comentário refere-se a iniciativas como o projeto de lei 2630/20, empacado no Congresso, em parte, por pressão de Google e Meta. O que significam “aparentemente boa” e “perversa” para o Google, porém, suspeito que Coelho não diria em público.
O executivo falou a jornalistas durante o Google for Brasil, evento anual da empresa para o mercado local, nesta terça (27). Lá, o Google anunciou um bocado de coisas, como um novo escritório para o Google Cloud em São Paulo e projetos em parceria com o governo e empresas privadas. Via Folha de S.Paulo [sem paywall], Google.
Quando começará o processo de “merdalização” do WhatsApp?
Já são raras as oportunidades de lidar com uma pequena ou média empresa, ou com profissionais liberais, sem passar pelo WhatsApp.
No mundo inteiro, o WhatsApp Business é usado por 200 milhões de pessoas. O número é quatro vezes maior o de três anos atrás.
Com o empenho da Meta para gerar receita cada vez mais explícito (e esse crescimento vertiginoso é reflexo disso), fica a dúvida de quando começará o processo de “enshittification” do WhatsApp.
O termo, um neologismo que poderia ser traduzido como “merdalização”, foi cunhado por Cory Doctorow em um popular ensaio publicado no início de 2023. Ele resume o processo de degradação pelo qual passam plataformas digitais. Assim:
É assim que as plataformas morrem: primeiro, elas são bons para seus usuários; então elas abusam de seus usuários para melhorar as coisas para seus clientes corporativos; no fim, eles abusam desses clientes corporativos para agarrar de volta todo o valor para si mesmas. Daí elas morrem.
Chamo isso de “enshittification”. É uma consequência pelo visto inevitável, decorrente da combinação da facilidade de mudar a forma como uma plataforma aloca valor combinada à natureza de um “mercado de dois lados”, onde uma plataforma fica entre compradores e vendedores, mantendo cada refém do outro, coletando uma parte cada vez maior do valor que corre entre eles.
O ensaio todo (em inglês) é uma leitura indispensável.
A Apple aumentou os preços do iCloud+, assinatura que garante mais espaço na nuvem da empresa e alguns outros benefícios. O aumento foi expressivo: o plano de 50 GB foi de R$ 3,50 para R$ 4,90 (+40%); 200 GB foi de R$ 10,90 para R$ 14,90 (+36,7%); e 2 TB foi de R$ 34,90 para R$ 49,90 (+42,9%). Os novos valores já estão valendo. Via MacMagazine.
O PC do Manual, nosso espaço para aplicações web, ganhou mais uma: Libreddit, um front-end alternativo para o Reddit. Com ele, é possível navegar de maneira privada pelas comunidades e conversas do Reddit. Mais detalhes aqui. O PC do Manual é mantido por Jonatas “jojo” Baldin.
De volta ao Mastodon
Quando subimos um servidor próprio para a presença do Manual no fediverso, optei pelo Microblog em vez do Mastodon.
Isso pode soar complexo — como muitas coisas do fediverso —, mas vamos lá: no fediverso, diferentes softwares/aplicações podem “conversar” entre si usando o mesmo protocolo. No caso, o ActivityPub. Além desses dois, existem ainda o GoToSocial, Misskey, Calckey, Pleroma… só entre os similares ao Twitter. O fediverso é amplo.
O Microblog é uma aplicação mais leve que o Mastodon, feita para ser usada por apenas um usuário. Funciona bem, é compatível com bastante coisa do Mastodon/fediverso, mas, ao longo dos meses, parece ter sido abandonada. Tickets no fórum de suporte ficam semanas sem resposta, não por falta do que fazer, mas por falta de tempo dos desenvolvedores.
Por isso, nessa segunda (25) voltei ao Mastodon. No caso, estou no mastodon.social, o servidor dos desenvolvedores do Mastodon.
Fiz essa opção para evitar os dramas do fediverso brasileiro e, assim, manter abertos os canais de comunicação com o maior número de comunidades nacionais possível.
Quem já me acompanhava no Microblog ou em outros perfis no fediverso foi migrado automaticamente para o novo. Quem ainda não, é só pesquisar por @manualdousuario@mastodon.social e seguir o perfil.
Quinta passada (22), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) listou em um evento três frentes de trabalho para viabilizar a aprovação do PL 2630/20. Entre elas, uma alteração no texto para tornar a responsabilidade das plataformas por conteúdo impulsionado (pago) subsidiária, em vez de solidária — Google e Meta, por exemplo, só seriam responsáveis caso o anunciante infrator não fosse identificado. Via Convergência Digital.
Um aplicativo de mensagens chamado IRL fechou as portas após revelar que 95% dos seus 20 milhões de usuários eram robôs ou contas falsas. O mais bizarro dessa história é que, antes disso, a IRL havia convencido investidores a colocar US$ 200 milhões no negócio (85% do valor foi em uma rodada liderada pelo SoftBank) e chegou a ser avaliada em US$ 1,1 bilhão. Mais um unicórnio do chifre falso.
Fico imaginando o tanto de robôs, perfis falsos, contas abandonadas e de pessoas que morreram que não tem por aí. É difícil fazer essa análise por causa dos feeds algorítmicos, mas suspeito que sejam muitas. Elon Musk, antes de adquirir o Twitter, também achava isso. Via The Information ($), Fortune (ambos em inglês).
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