Após muita pressão dos protestos, o Reddit anunciou um cronograma de melhorias em acessibilidade para as ferramentas de moderação dos seus aplicativos para Android e iOS, entre 1ª de julho e agosto. Medida tardia e que não aplaca a perda dos aplicativos de terceiros, mas bem-vinda mesmo assim. (E quem diabos é u/joyventure? Desde quando apelido no Reddit substitui o nome verdadeiro de diretores de empresas?) Via r/modnews (em inglês).
No Estadão, Daniel Weterman e Julia Affonso relatam os bastidores da ofensiva de Google e Meta contra o PL 2630/20, o PL das fake news. Muito dinheiro (R$ 2 milhões só do Google), união com a bancada evangélica do Congresso, diretores passeando pela Câmara e fake news religiosa com ameaças de mordaça contra parlamentares, caso o projeto de lei passasse. Mais de 30 deputados mudaram de voto. O PL 2630/20, antes prioritário, acabou caindo em um limbo. Arthur Lira (PP-AL), o poderoso presidente da Câmara e favorável ao PL, culpou as big techs pelo travamento da pauta. A atuação delas, segundo Lira, “ultrapassou todos os limites do contraditório democrático”. Via Estadão [sem paywall], CartaCapital.
Controle de video game e gambiarras
Chegou ao fim, da pior maneira possível, a aventura de cinco homens ricos que queriam ver de perto os destroços do Titanic, afundado em 1912 durante sua viagem inaugural após se chocar com um iceberg.
Destroços do Titan, submersível da empresa OceanGate usado pelo grupo para descer até o Titanic, foram encontrados nesta quinta (22), dias após ele perder contato com o resto do mundo. A Guarda Costeira dos Estados Unidos informou que a embarcação implodiu.
O Banco Central divulgou o cronograma do Pix Automático, modalidade para pagamentos recorrentes que poderá ser usado no lugar do débito automático e do cartão de crédito. A previsão é que seja lançado ao público em abril de 2024. A proposta parece bem amarrada, com gratuidade para os pagadores e controles do limite máximo permitido e cancelamento unilateral. Via Banco Central.
Para OpenAI, risco existencial de inteligências artificiais é só na dos outros
Quando o governo decide regular um setor emergente, é sinal de que as coisas estão prestes a sair do controle — se já não saíram.
A União Europeia — a exemplo do Brasil — está debatendo uma lei para regular a inteligência artificial, chamada lá de AI Act.
Sam Altman, CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, fez um tour pelo continente em maio e, revelou nessa semana a revista Time, muito lobby para modificar o texto aprovado pelo Parlamento Europeu no último dia 14.
O lobby deu certo: as IAs gerativas generalistas, como o GPT-3/4 e o DALL-E 2, não são consideradas de “alto risco” pelo texto do AI Act, classificação que demandaria mais transparência, rastreabilidade e supervisão humana.
Como disse Timnit Gebru, Altman e seus pares, os cavaleiros do apocalipse, adoram alardear que a inteligência artificial representa um risco existencial à humanidade, mas só a dos outros — a IA deles, não. Via Time, @timnitGebru@dair-community.social (ambos em inglês).
O Reddit não confirmou quando questionado pelo The Verge, mas há indícios de que a empresa começou a destituir moderadores ainda engajados no “apagão” contra a cobrança da API. Algumas comunidades grandes em inglês, como r/TIHI, r/MildlyInteresting e r/interestingasfuck, que haviam alterado o status para “NSFW” (de conteúdo sexual), estão sem moderadores. Via r/ModCoord, The Verge (ambos em inglês).
A FTC abriu um processo contra a Amazon nesta quarta (21). O órgão, espécie de Cade dos Estados Unidos, acusa a Amazon de enganar consumidores a fim de forçá-los à assinatura do Prime e de dificultar seu cancelamento. Esse procedimento, segundo reportagem do site Insider, é conhecido dentro da Amazon como “Ilíada”, referência ao trabalho homérico exigido do consumidor que não quer mais o Prime. Via FTC (em inglês).
Comitê de Supervisão publica primeiro relatório comentando decisões de moderação do Manual
O primeiro relatório de transparência do Comitê de Supervisão do Manual do Usuário pode ser baixado clicando aqui (PDF).
***
Uma comunidade é reflexo do cuidado que se tem com ela. Fomentar debates, estimular trocas saudáveis e combater abusos são tarefas indispensáveis em qualquer ambiente digital que reúna pessoas e se queira agradável.
Desde a sua concepção, o Manual do Usuário dedica tempo e esforço para cultivar um espaço nos comentários. É um trabalho perene e, no geral, tranquilo. Vez ou outra uma discussão mais acirrada ou o surgimento de “trolls” demandam a minha interferência, porém.
Em abril de 2023, algumas decisões minhas na moderação dos comentários geraram questionamentos legítimos de leitores. Relatei a situação aos assinantes e um deles sugeriu uma espécie de “comitê de supervisão”. Achei a ideia ótima.
Este relatório é o primeiro fruto daquela ideia. A cada dois meses, o comitê revisará as minhas decisões. Todo ano, um novo comitê será eleito entre os assinantes.
Moderar implica na tomada de decisões a todo momento, com um poder muito maior que os leitores regulares têm. Não quero que o Manual seja visto como o domínio de um ditador; isso afastaria vozes dissonantes e, no fim, empobreceria os nossos debates. O comitê é mais uma medida para evitar que tal situação se configure.
Agradeço à Cíntia Reinaux, ao Emanuel Henn e à Michele Strohschein por terem topado essa iniciativa e pelo excelente trabalho realizado.
O pacto anti-Meta
Não é mais segredo que a Meta prepara uma nova rede social para aproveitar o vácuo que Elon Musk criou após destruir, digo, assumir o Twitter.
O Projeto 92 — provável nome comercial Threads — já teve imagens vazadas e, ouviu-se da boca de um executivo da Meta, será compatível com o ActivityPub, o protocolo por trás do Mastodon e de outras aplicações do fediverso.
No último fim de semana, um burburinho insinuava que administradores de grandes servidores do Mastodon teriam se encontrado, em segredo, com representantes da Meta.
A suposta notícia virou uma bola de neve com centenas de administradores assinando um “pacto anti-Meta”: desde já, eles se comprometem a bloquear a nova rede social da Meta assim que ela for lançada.
Entendo essa postura. Se tem uma empresa nessa área que não é confiável, é a Meta. Há todos os motivos do mundo para desconfiar das suas intenções. Imaginar que Mark Zuckerberg ameace a existência do fediverso não é um delírio; é uma avaliação sensata de um risco real.
Só a escala com que a Meta é capaz de lidar, e que provavelmente terá no primeiro dia da sua nova rede (ela será derivada do Instagram, com +2 bilhões de usuários), já coloca em xeque a sobrevivência da maioria dos servidores no fediverso. Uma conexão abrupta com um par gigantesco pode sobrecarregar sistemas e nocauteá-los.
Lembremo-nos da migração em ondas do Twitter para o Mastodon, que, em uma escala muito menor, fez muito servidor suar para continuar de pé.
Por outro lado — e corro o risco de estar sendo ingênuo —, pesa o genuíno interesse em estabelecer contato com gente que apenas não se importa tanto a ponto de buscar alternativas às redes sociais comerciais e saber ou aprender o que é “Mastodon”, “ActivityPub” e “fediverso”.
Essa galera é maioria e continua no Instagram, no Facebook, no Twitter. A perspectiva de ficar onde estou e poder interagir, daqui, com mais gente, é empolgante.
Até onde sei, duas instâncias brasileiras, bantu.social e nuvem.lgbt, assinaram o pacto anti-Meta. O meu humilde servidor monousuário, não. Seguirei atento.
O WhatsApp ganhou uma tela chamada Controle/Verificação de Privacidade (dentro da aba Configurações, Privacidade) que apresenta as várias opções do tipo de outra maneira, organizadas por tópicos. Achei intuitiva, com rótulos e conjuntos que fazem mais sentido. Por que não é assim por padrão? Via WhatsApp.
Assinaturas pagas de Facebook e Instagram chegam ao Brasil
A Meta lançou no Brasil, nesta terça (20), sua assinatura paga para contas no Facebook e Instagram, a Meta Verified. Ela dá direito a um selo de verificação, proteção proativa contra contas fraudulentas e acesso a suporte humano.
A assinatura custa R$ 55 por mês em cada rede. O valor será mais em conta quando o serviço for disponibilizado na web — no momento, só é possível assinar, no Brasil, pelos aplicativos para Android e iOS.
Tem duas lacunas curiosas nesse anúncio:
- Empresas não são cobertas pela novidade, ou seja, só pessoas físicas podem assinar. Os benefícios me parecem mais interessantes a empresas do que a pessoas físicas, exceto o grupo na mira da Meta — influenciadores e similares.
- Contas verificadas à moda antiga não perderão o selo azul, mas a Meta não explica como convergirá todos os perfis em um modelo unificado. O comunicado à imprensa informa que “estamos aprimorando o significado de contas verificadas nos nossos aplicativos para que possamos expandir o acesso à verificação e mais pessoas possam confiar que as contas com as quais interagem são verdadeiras”.
Alguém animou em fazer a assinatura? Via Meta.
TripMode limita o consumo de dados no macOS
O aplicativo TripMode é daquelas coisas que deviam ser nativas no sistema operacional.
Ele funciona como uma espécie de firewall simplificado, bloqueando aplicativos e partes do sistema de se conectar à internet. Não por segurança, como é o caso dos firewalls nativos de sistemas como macOS e Windows. O TripMode ajuda a controlar o gasto da franquia de dados.
Usar o celular como hotspot é uma maravilha, mas, a depender das tarefas pendentes no sistema, pode consumir rapidinho giga bytes de tráfego. Com o TripMode ativado, é possível bloquear por padrão toda a comunicação do computador com a internet e ir liberando, caso a caso, apps e funcionalidades.
Precisei de algo assim dia desses e funcionou bem aqui. A licença custa ~R$ 85, e é possível usá-lo por sete dias gratuitamente — foi o que eu fiz.
Existe uma versão para Windows do TripMode, mas ela está abandonada.
Procurei por alternativas, encontrei só outros para macOS: Radio Silence (~R$ 42) e LuLu (gratuito). Se alguém souber de aplicativos do tipo para Linux e Windows, sou todo ouvidos.
Com toda a comoção em torno do Reddit na última semana, as alternativas abertas no fediverso, Lemmy e Kbin, alcançaram 73 mil usuários ativos nesta segunda (19).
É bastante para esses projetos — os desenvolvedores do Lemmy estão sobrecarregados, bem como diversos servidores com o sistema —, mas algo muito distante de fazer cócegas no Reddit, com seus quase 500 milhões de usuários. Algumas comunidades têm feito um esforço para migrarem, mas talvez o grande lance do Reddit seja o fato de que “todo mundo” já está lá.
Contra o Lemmy/Kbin pesa também o fato de serem ainda mais complicados de usar que o Mastodon.
O Snapchat tem um chatbot parecido com o ChatGPT, o My AI. De diferente, tem a apresentação — ele usa um avatar de pessoa. O My AI usa o mesmo modelo de linguagem do ChatGPT.
A Snap, dona do Snapchat, disse à Bloomberg que 150 milhões de pessoas conversam com o My AI e que já trocaram 10 bilhões de mensagens. Todo esse material está sendo analisado para personalizar anúncios, e parte da publicidade será inserida no próprio My AI, como se fosse parte da conversa.
O Snapchat avisa, antes de iniciar uma conversa com o My AI, que o conteúdo ali poderá ser usado para esses fins. De qualquer forma, vale o lembrete: chatbots não são nossos amigos, são só mais uma troca faustiana que topamos fazer com a big tech. Via Bloomberg [$$$] (em inglês).
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