Acrílico sobre tela
A pandemia aprofundou um incômodo que muitos já sentíamos antes: o tempo excessivo que passamos com os olhos grudados em telas.
É comum, quando se fala de alternativas a elas, que a pintura seja sugerida. Aqui mesmo, no Órbita, a atividade apareceu em quatro de pouco mais de 50 comentários.
Em janeiro, motivado a variar minha rotina, segui a sugestão dos amigos leitores e comecei a fazer aulas de pintura, uma vez por semana, em sessões de 1h30min, com todo o material necessário à disposição (exceto as telas, que são baratas).
As mesas de trabalho do Wolney Neto
Fala Galerinha! Meu nome é Wolney Neto, tenho 37 anos e sou de Aracaju (SE). Minha formação é jurídica por essência: tenho mestrado em Direito Constitucional, pós-graduação em Direito do Estado e graduação em Direito e também em Gestão Pública. Sou servidor público, exerço o cargo de Analista de Direito do Ministério Público do Estado de Sergipe e trabalho desde a pandemia de forma híbrida, razão pela qual estou apresentando minhas duas mesas de trabalho.
No meu tempo livre procuro ficar o mais distante o possível delas, utilizando-as eventualmente quando necessário ou para jogar, em casa, RPG (de mesa) online. No resto do tempo procuro me dedicar a esportes (atualmente paraquedismo, judô, jiu jitsu, muay thai, corrida de rua e tiro esportivo), música (toco guitarra em duas bandas, uma de punk rock e outra de samba/axé) e quality time com pessoas queridas, em especial a patroa.
Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.
O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.
A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.
Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.
(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)
Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.
Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.
Em 2019 dei uma olhada no Chromecast de terceira geração. Classifiquei o produto de “objeto de transição”, ou seja, categoria que seria varrida do mercado no futuro próximo.
Levou cinco anos para acontecer. Ao anunciar o Google TV Streamer, sua nova caixinha de streaming para o mercado estadunidense, o Google informou o encerramento da produção dos Chromecasts. A empresa alegou que a ampla oferta de smart TVs, streaming e a tecnologia Google Cast embarcada em milhões de outros dispositivos tornaram o dispositivo Chromecast obsoleto.
Tudo verdade, mas ainda existe uma lacuna nesse mercado: a da caixinha ou smart TV com foco em privacidade. O único dispositivo do tipo, ainda que com ressalvas, é o caríssimo Apple TV. A demanda pode até ser pequena, mas ela existe. Alguém disposto a supri-la?
R$ 1,5 bilhão
Levantamento da ACI Worldwide estima que criminosos desviaram R$ 1,5 bilhão com golpes do Pix em 2023 —aqueles em que a vítima é induzida a fazer a transferência para uma conta do criminoso usando as próprias credenciais. / folha.uol.com.br
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64%
A pesquisa TIC Educação 2023, do Cetic.br, revelou que 64% das escolas brasileiras restringem a horários e/ou locais o uso de celulares pelos alunos. Em 28%, a proibição é total, o que deixa apenas 7% das escolas com o uso liberado. / desinformante.com.br
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61,1%
Em junho, 61,1% das transações presenciais no Brasil foram feitas por aproximação/NFC, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em junho de 2021, esse tipo de pagamento presencial representava apenas 13,9% do total. / mobiletime.com.br
Telas iniciais “minimalistas” para celulares
O Light Phone faz mais sucesso como aspiração do que como o produto que é, o que é compreensível para um celular que, em 2024, promete nos dissuadir de olhar para telas sem perder funcionalidades.
Na esteira desse sucesso conceitual, alguns desenvolvedores se arriscaram a criar lançadores para Android e widgets no iOS que emulam a experiência de uso do Light Phone. A questão é: valem a pena?
No iOS, que me é mais familiar (é o que uso no dia a dia), existem apps como Dumb Phone, Dumbify e Blank Spaces. O Android é melhor servido graças ao suporte a “lançadores”, que substituem por completo a tela inicial do sistema, casos dos apps Olauncher (e variações), Flow e Niagara.
(Em telas OLED, que exibem um preto profundo/real, o efeito é ainda mais legal — vide a foto acima, do Olauncher em um Galaxy S9.)
Fora o preço (no caso do iOS; não encontrei app gratuito), fico pensando se lançadores e widgets do tipo não são mais uma representação daquele viés de achar que mais tecnologia resolve problemas criados pela tecnologia.
Afinal, as notificações, os aplicativos viciantes, o WhatsApp, tudo isso continua disponível, quando muito um pouco mais distante.
Focar na raiz do problema me parece mais promissor. Só depois disso eu me preocuparia com o visual.
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Novidades e atualizações
A System76 botou para jogo a versão alpha do Cosmic, seu ambiente gráfico para Linux. / system76.com (em inglês)
O Firefox 129 chegou com o “modo leitor” repaginado, HTTPS como padrão (achava que já era) e prévia de abas ao deixar o cursor sobre elas (liberação gradual). / mozilla.org (em inglês)
O Flighty 4.0 trouxe previsões de atrasos, status dos aeroportos em tempo real e outras funcionalidades relacionadas. / apps.apple.com
Notícias da semana
Segunda, 5/8
Em uma decisão histórica, a Justiça estadunidense condenou o Google por práticas monopolistas no mercado de buscas na internet. As punições ainda serão definidas. É só o começo: em breve começa outro processo, esse por monopólio do mercado de publicidade online. / apnews.com (em inglês)
A Anatel publicou o novo texto dos direitos de consumidores de serviços telecom. Destaque para a garantia de preço promocional por 12 meses e uma “etiqueta” de características dos planos. / convergenciadigital.com.br
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Terça, 6/8
O X (antigo Twitter) processou anunciantes que estariam promovendo um suposto “boicote sistemático ilegal” ao se recusarem a anunciar na plataforma. Digno de xadrez 4D processar seus próprios clientes para forçá-los a continuar sendo clientes. / techcrunch.com (em inglês)
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Quarta, 7/8
O governo começará a testar, neste sábado (10), um sistema alertas de desastres que independe de pré-cadastro. / mobiletime.com.br
O Google iniciou os testes do “bloqueio por detecção de roubo”, ou “modo ladrão”, em celulares Android no Brasil. / folha.uol.com.br
O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu a Apple e Google mais proteção a aplicativos de e-mail no iOS e Android. O e-mail é visado por criminosos que buscam invadir contas bancárias após furtarem ou roubarem celulares. / folha.uol.com.br
Links legais
Linamp é um tocador de música movido por um Raspberry Pi e, como o nome sugere, visual do Winamp 2. / hackaday.io (em inglês)
Esta mina recriou o famoso papel de parede “Bliss”, do Windows XP, no Paint. Não sabia (ou não me lembrava) que o Paint tem tantas limitações. / youtube.com/@CatherineGraffam (em inglês)
O Instituto Brasileiro de Museus, que destaquei recentemente no Manual, lançou uma “plataforma de promoção dos museus brasileiros”, a Visite Museus. / visite.museus.gov.br
Public Work é um novo motor de busca para conteúdo em domínio público. São +100 mil imagens livres de direitos autorais de fontes confiáveis. (E o site é lindão.) / public.work
Um milhão de screenshots — ou “prints”, que é a tradução extraoficial de screenshots para o português de zap. Use a rodinha do mouse, a busca ou o botão de site aleatório para navegar. / onemillionscreenshots.com
Relatório da moderação de comentários (julho de 2024)
Houve um aumento considerável, de 200% (de 3 para 9), de situações em que precisei intervir nos comentários em julho, no comparativo com o mês anterior.
Na maioria, achei a raiz das confusões similar à da maioria dos casos de junho: o fator “ser desagradável”.
Em parte, entendo. Todo mundo tem um dia meio azedo, em que acordamos dispostos a instaurar o caos. Controlar-se é possível, ainda que não seja fácil. Tento equilibrar as discussões a fim de fazer jus à nossa fama de lugar legal na internet. O último comentário do relatório questiona isso, talvez com alguma razão, embora eu ache que o saldo ainda é bastante positivo — em julho, foram quase 1,6 mil comentários publicados no total.
Reforço o convite à leitura das regras de convivência a todos que frequentam o Manual.
Museus abrem o caminho ao fediverso no governo federal
Em abril, após ataques de Elon Musk no X (antigo Twitter) direcionados ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, o presidente Lula, membros do alto escalão do governo federal e parlamentares retaliaram o bilionário — que é dono do X — criando perfis no Bluesky, uma rede social rival criada em cima de um protocolo aberto, o AT.
Se dependesse do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o destino teria sido outro protocolo descentralizado, o ActivityPub.
Lutando contra robôs de IA
Segundo as regras do capitalismo, só é pirataria se a parte (supostamente) desfalcada for uma empresa — vide os casos do Napster clássico e o trágico envolvendo Aaron Swartz. Se uma empresa se apropria da propriedade intelectual das pessoas para faturar alto, aí tudo bem, no máximo outra empresa grande a processa para ver no que dá.
A sede insaciável das big techs e startups de inteligência artificial generativa por mais conteúdo era questionável desde que descoberta. À medida em que outras empresas e pessoas donas de sites aumentam as defesas contra os robôs larápios das IAs (o número vem crescendo), os artifícios usados por elas se tornam mais eficientes e, com frequência, inescrupulosos.
A mesa de trabalho do Filipe Mendes
Meu nome é Filipe Mendes, sou formado em design de interiores e trabalho na área desde 2014. Desde 2019, porém, adotei o modelo de home office no meu dia a dia, pra facilitar a rotina. Por falta de um ambiente dedicado, eu mesmo desenhei a minha mesa de trabalho de maneira que ela ficasse bem adaptada ao meu quarto, ou seja, que mantivesse a atmosfera clean e servisse como uma mesa multiuso, tanto pra mim quanto para minha esposa. Eu uso esse computador para tudo, desde projetos de interiores a gerenciamento da minha empresa e burocracias familiares.
77%
Um estudo da Upwork, plataforma estadunidense de ofertas de emprego, descobriu que 77% dos trabalhadores de empresas que adotaram soluções de inteligência artificial disseram que a tecnologia diminuiu a produtividade e aumentou a carga de trabalho. Ao mesmo tempo, 96% dos executivos entrevistados acreditam que a IA vai aumentar a produtividade. Vários dados reveladores nesse estudo. / upwork.com (em inglês)
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US$ 1,4 bilhão
A Meta concordou em pagar uma multa de US$ 1,4 bilhão ao estado do Texas, nos Estados Unidos, por coletar e usar dados biométricos de milhões de cidadãos sem autorização. / folha.uol.com.br
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US$ 25 bilhões
Entre 2017 e 2021, a Amazon amargou prejuízo de US$ 25 bilhões com sua divisão de dispositivos, como as caixas de som Echo e outros cacarecos com a assistente de voz Alexa. A reportagem do Wall Street Journal não conseguiu dados de antes e depois. / wsj.com (em inglês)
Gear Lever facilita a integração de aplicativos AppImages no Linux

Quem usa Linux ganhou, nos últimos anos, três novos formatos de distribuição de aplicativos: Flatpak, Snap e AppImages.
De longe (e falando como leigo no sistema), os AppImages parecem os mais arredios. Eles são mais difíceis de integrar ao ambiente gráfico e têm outras arestas que precisam ser aparadas.
Enquanto isso não acontece, o app Gear Lever supre essas lacunas.
Entre outros recursos, com esse app é possível integrar AppImages com apenas um clique. Talvez seja a maior vantagem. O Gear Lever também ajuda a manter a organização dos AppImages e gerenciar atualizações.
No que talvez seja uma ironia, o Gear Level é distribuído pelo Flathub, uma loja de… Flatpaks.
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Novidades e atualizações
O GoodLinks 2 agora permite destacar trechos nos artigos salvos. A versão também inaugura um novo modelo de cobrança anual. / goodlinks.app (em inglês)
O leitor de feeds Unread ganhou uma versão para macOS. (Antes, estava disponível apenas no iOS/iPadOS.) / goldenhillsoftware.com (em inglês)
A versão 8.125 do Skype (em testes) remove de todos os anúncios que existiam no app. / answers.microsoft.com (em inglês)
Novos recursos lançados para o Google Maps deixaram o app mais parecido com o Waze — que também tem novidades. / blog.google
O Telegram continua sua transformação em “super app” e central de tecnologias questionáveis. Na nova atualização, ganhou um navegador de apps “web3” e loja de Miniapps. / telegram.org