Falha no Simplenote fez usuários acessarem anotações de outras pessoas

O Simplenote, aplicativo de anotações da Automattic, é um dos favoritos da casa por ser leve, multiplataforma e oferecer um sistema de sincronização rápido e confiável. Ou assim o era.

Na noite do último domingo (18), o leitor Rick postou no Órbita o relato de um evento que ele bem classificou de “muito bizarro”:

Loguei no Simplenote na web e estava me preparando para anotar algumas coisa quando, do nada, minha nota desapareceu e logo em seguida assisti a uma nova nota ser criada e alguém anotando coisas em inglês. Eu fiquei de cara, desloguei e quando loguei novamente, as anotações continuaram, mas agora em esloveno. Acabei escrevendo uma mensagem e obtive resposta; a pessoa me perguntando como eu estava e que não estava nem aí com o que estava acontecendo, hahaha.

Outros usuários do Simplenote relataram a mesma situação no fórum de suporte. Passado algum tempo, a equipe do aplicativo publicou uma atualização no tópico reconhecendo o problema, que, segundo ela, só teria afetado usuários do Simplenote na web — apps para celulares e computadores, não.

No mesmo dia, Rick e outros usuários afetados pela falha receberam um e-mail explicando o que houve e quais medidas foram tomadas para mitigar a falha. Segundo o comunicado:

Semana passada, alguns códigos errados foram implementados, o que fez com que autorizações de login fossem ligadas às contas erradas.

Todas as contas afetadas tiveram os acessos redefinidos e sessões foram fechadas. Em seguida, as desculpas padrões para esse tipo de situação.

Por mais que eu goste do Simplenote, não é um aplicativo indicado para guardar dados sensíveis. A documentação do aplicativo (que, reconheçamos, ninguém lê) diz expressamente que:

As anotações não são criptografadas em repouso [no servidor] devido a restrições do lado do servidor. Por esse motivo, recomendamos não usar o Simplenote para armazenar algo particularmente sensível.

Não que sirva de desculpa para um deslize grave como o dessa semana. Para alguns leitores, grave demais — eles disseram ter perdido a confiança no produto.

O que esperar da TV 3.0?

Está a pleno vapor a articulação para a “TV 3.0”, com previsão de lançamento já para 2026. No início de agosto, a Globo apresentou um protótipo, uma prévia do que esperar do novo salto tecnológico da TV aberta.

O Globo, jornal do grupo, deu a notícia. Entendi a proposta, mas para mim ela soou mais como uma ameaça:

A versão 3.0 da televisão digital vai permitir, através da conexão à internet, que o usuário participe de enquetes, votações e chats durante a exibição de novelas, programas e competições esportivas usando o controle remoto. Será possível ainda acessar funções especiais para comprar produtos exibidos na tela e enviar reações ao conteúdo, como ocorre nas redes sociais.

É raro uma lista de atrativos ser tão broxante. A parte que estimula alguma empolgação ficou mais para baixo:

[…] será possível assistir transmissões com resolução de até 8K, o dobro do atual 4K, e personalizar o áudio, isolando determinados ambientes como o barulho do público em um estádio, além de informações como horário, local e sobre a programação.

Assistir a um jogo de futebol sem os berros dos narradores e pitacos ruins dos comentaristas parece um sonho. Grande o bastante para trocar de TV? Hahaha, aí não.

Sentiu falta de algo? Ah sim, o fim do anonimato e a publicidade segmentada. No rodapé da notícia, Raymundo Barros, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre e diretor de Estratégia e Tecnologia da Globo (ufa!) dá a má notícia:

[…] A TV 3.0 tem tecnologia para reconhecer individualmente cada usuário.

[Barros:] “A TV 3.0 vai tornar a relação personalizada e capaz de gerar interação. Com isso, vamos prover experiências de consumo cada vez mais personalizadas, sem abrir mão dos conteúdos que têm apelo massivo. A TV digital na versão 3.0 não abre mão de mídia de massa, mas cria espaço que pode e será ocupado por pequenos e médios empreendedores.”

Sai o WhatsApp, entra o… BraZap?

A não-notícia da Folha de S.Paulo, que atribuiu supostos ilícitos à conduta do ministro do STF e ex-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, no enfrentamento dos atos golpistas de 8 de janeiro, reverberou no governo federal.

Segundo o próprio jornal, Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), “decidiu fazer uma licitação para contratar empresas nacionais que possuem aplicativos similares ao WhatsApp”.

O objetivo é nobre, mas a motivação carece de fundamento. Que pese o WhatsApp ser de uma empresa estadunidense e um software proprietário, ele usa o protocolo de criptografia do Signal, padrão ouro da área, sem histórico de brechas ou violações.

(Sempre é bom lembrar que criptografia de ponta a ponta não tem serventia quando uma das pontas é comprometida. Joesley Batista que o diga.)

O que me incomoda nessa proposta é ter como critério principal a nacionalidade do fornecedor. É preferível que seja uma empresa brasileira e poderia ser um requisito, mas o que mais beneficiaria a segurança e privacidade das comunicações seria a adoção de um protocolo aberto e confiável, como o Matrix.

O risco de responder sob pressão uma ameaça inexistente é trocar o WhatsApp por algo muito pior, mas com o selo “made in Brazil”. Quais as chances disso acontecer?

Comandos bobinhos no terminal do Linux

Eu adoro os detalhes da interface em linha de comando do Linux. Até dos mais bobos.

Já conhecia o uptime, que devolve o tempo em que o computador está ligado. Digite uptime no terminal, e a resposta será algo do tipo:

10:52  up 6 days, 18:33, 2 users, load averages: 1,41 1,59 1,71

Dia desses conheci o installation-birthday. Se você conhece um pouco de inglês, já deve ter sacado para que ele serve: dizer a data da instalação do sistema operacional.

No caso do meu humilde servidor doméstico, um mini PC rodando Debian 12 “Bookworm”, a resposta ao comando é:

I: Installation date: 2024-03-22

Se não funcionar de primeira aí, é porque o pacote não está instalado. (No Debian “minimal”, sem ambiente gráfico, não veio… o que faz sentido, certo?) Nada que um apt install installation-birthday (ou o comando correspondente da sua distro) não resolva.

Você conhece outros comandos nessa linha? Se sim, conte para mim.

Números enormes

De acordo com a Nielsen, o Brasil tem 10,4 milhões de influenciadores digitais. Para a consultoria, qualquer perfil com mais de mil seguidores é considerado influenciador. Esses números podem variar muito. Em 2022, a Adobe estimou esse número em 20,1 milhões — considerando quem tinha +5 mil seguidores e ganhava algum dinheiro com posts em redes sociais. / uol.com.br, news.adobe.com (em inglês)

***

Pela primeira vez em 12 anos (!), o Medium fechou um mês no azul. Com mais de um milhão de assinantes pagantes (a empresa não revelou os números exatos), o TechCrunch fez as contas e estimou o faturamento anual em US$ 50–60 milhões. / techcrunch.com

***

De acordo com o Banco Central, entre janeiro e maio deste ano os brasileiros mandaram US$ 7,3  bilhões em criptomoedas para o exterior — o mesmo valor gasto por brasileiros em viagens a turismo para fora do país. / investnews.com.br

Eu detesto IA generativa. Não gosto do que está acontecendo com a indústria, e não gosto do que ela está fazendo com os artistas. Não vamos introduzir nenhuma IA generativa em nossos produtos.

— James Cuda, CEO da Procreate.

A Procreate desenvolve aplicativos de criação para o iPad — um homônimo, de pintura digital, e o Dreams, de animação. A fala dele foi celebrada pela gente anti-IA. / x.com (em inglês)

Notícias da semana

Quarta, 21/8

Anatel e NIC.br assinaram um acordo para a criação de uma ferramenta de medição da velocidade de banda larga fixa. Ela poderá ser usada para rescindir o contrato sem multa caso a velocidade entregada esteja abaixo da prometida. / convergenciadigital.com.br

A Microsoft liberou uma correção para uma falha no GRUB de 2022 que quebrou instalações Linux em sistemas “dual boot”, ou seja, Linux e Windows na mesma máquina. O texto traz a gambiarra para reverter o estrago. / arstechnica.com (em inglês)

***

Quinta, 22/8

Na União Europeia, a Apple estenderá as categorias que podem ter apps padrões alterados no iOS e iPadOS 18, e deixará excluir apps hoje impossíveis, como Fotos e App Store. / developer.apple.com (em inglês)

Links legais

Já viu aquele meme de “como desenhar uma coruja”? Agora você pode colocar a mão (ou o mouse) na massa e desenhar a coruja você mesmo(a). / draw-an-owl.glitch.me

A última do nosso amigo Neal é uma batalha direta entre Sol e Lua — e você pode ajudar um dos lados. Ou os dois. / neal.fun

Saiu a segunda parte de “O som da Apple”, espécie de documentário em áudio da Twenty Thousand Hertz contando os bastidores de sons memoráveis da empresa. O tipo de material perfeito para um podcast. / 20k.org (em inglês)

O Web1.0 Hosting oferece hospedagem gratuita (até 100 MB) para sites estáticos, sem anúncios nem limitações sufocantes. Pontos extras pela estética alinhada ao nome do empreendimento. / web1.0hosting.net

O Post-Digital Publishing Archive (P—DPA) coleta, organiza e exibe experiências nos campos da arte e do design que exploram as relações entre publicações impressas e o digital. / p-dpa.net (em inglês)

Números enormes

Pesquisa do Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública constatou que os brasileiros enfrentam mais de 4.600 tentativas de golpes financeiros por hora. / folha.uol.com.br

***

Levantamento da AppMagic colocou o Google One como o aplicativo mais rentável dentro das lojas de aplicativos para celulares (App Store e Play Store), com faturamento de US$ 35 milhões entre janeiro e julho. O segundo lugar também é do Google, com o YouTube (US$ 21,8 milhões). / mobiletime.com.br

***

O valor da ação da Americanas desabou 57,6% no pregão desta quinta (15), batendo em R$ 0,14, após a divulgação do balanço do primeiro semestre vir recheado de más notícias. / valor.globo.com

Novidades e atualizações em aplicativos

A financeirização do Telegram continua forte, com “estrelas” (a criptomoeda disfarçada da plataforma) sendo enfiada em mais áreas do app. De resto, agora existem os “super canais” e o app do iOS ganhou um visualizador de documentos. / telegram.org

O app favorito dos pesquisadores, Zotero, ganhou “a maior atualização em 18 anos de história”. / zotero.org (em inglês)

O Google Meet ganhou uma nova interface, efeitos que podem ser somados e novas maneiras de iniciar chamadas. / blog.google (em inglês)

No TikTok, agora é possível criar grupos de mensagens com até 32 participantes. Mais um app de mensagens com grupos. Onde isso vai parar? / newsroom.tiktok.com

No Slack, que foi criado para mensagens em grupo, a notícia é de que “workspaces” gratuitos terão mensagens com mais de 1 ano excluídas a partir de 26/8. / slack.com

Pouco a pouco, o Threads vai ganhando cara de aplicativo da Meta. A rede ganhou uma aba de estatísticas, mais espaço para rascunhos e, em breve, agendamento de posts. / about.fb.com (em inglês)

Faz muito tempo que me perdi nas variantes de navegadores do Opera, o que não impede os chineses de continuarem lançando outros. Desta vez, é o Opera One para iOS. / blogs.opera.com (em inglês)

O Google decidiu que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, ir para casa mais cedo e trabalhar em casa era mais importante do que vencer.

— Eric Schmidt, ex-CEO e ex-chairman do Google.

A fala de Eric foi para justificar, a estudantes da Universidade de Stanford, por que o Google, mesmo à frente em pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial, está comendo poeira da OpenAI. / fortune.com (em inglês)

O vídeo foi excluído do YouTube após a repercussão negativa. Ao TechCrunch, Eric disse por e-mail que “Errei minha fala sobre o Google e a jornada de trabalho deles. Lamento meu erro”. / techcrunch.com (em inglês)

Notícias da semana

Segunda, 12/8

A Apple vai começar a morder 30% das assinaturas do Patreon feitas pelo app para iOS. Na ânsia de aumentar a geração de receita, a Apple achou uma boa “taxar” em 30% artistas, jornalistas e outros perfis pobretões que conseguem ser remunerados diretamente pela audiência. Boa sacada, Tim Cook. / news.patreon.com (em inglês)

***

Terça, 13/8

O Flipboard deu mais um passo na integração ao fediverso e agora dá para seguir qualquer um que esteja em outro serviço compatível com ActivityPub, como Mastodon, Pixelfed ou Threads. / about.flipboard.com (em inglês)

***

Quarta, 14/8

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar pedida pelo Ministério Público obrigando a Meta a, em até 90 dias, cessar o uso de meta dados do WhatsApp em outras plataformas da empresa, como Facebook e Instagram. / oglobo.globo.com

No iOS 18.1, a Apple vai abrir o acesso ao chip NFC e APIs de segurança a aplicativos de terceiros, permitindo interações sem contato (“contactless”) fora do Apple Pay e Apple Wallet. O Brasil será um dos sete países contemplados. / apple.com (em inglês)

A Meta encerrou o Crowdtangle, ferramenta de análise do Facebook e Instagram muito usada por pesquisadores e jornalistas. / npr.org (em inglês)

***

Quinta, 15/8

As AI Overviews, respostas geradas por inteligência artificial antes dos resultados do Google, chegaram ao Brasil. Aqui, foram batizadas de “Visões Gerais criadas por IA”. / blog.google

Links legais

Carros da Waymo, o braço de carros autônomos da Alphabet (do Google), começaram a buzinar do nada às 4h da manhã em um estacionamento em San Francisco. / youtube.com

E se em vez de escrever um comentário, você pudesse (ou tivesse) que desenhar? É a proposta do Dan Q em seu blog. / danq.me (em inglês, mas veja pelos desenhos)

Um gerador de gradientes super completo, cheio de opções. / learnui.design

A fonte Server Mono é inspirada em (respire fundo) máquinas de escrever, na San Francisco Mono da Apple, em arte ASCII, interfaces de linha de comando e ferramentas de programação. Gratuita e de código aberto. / servermono.com

Inventaram uma capa para teclados de notebook que permite a quem tem unhas grandes digitar melhor. Parece que funciona. Por ora, só para MacBook. / theverge.com (em inglês)