Hey, este é o Manual do Usuário

Tenho que melhorar isso mesmo!!!

Fiquei bem contente com o comentário do leitor Igor e, ao mesmo tempo, um pouquinho preocupado. Como divulgar minha página? Como?, eu me pergunto.

Não manjo muito dessa área, na verdade, então o que posso fazer por ora é apresentar trabalho. Tomemos o dia de hoje. Foi um atípico por aqui, com muitos posts publicados. Apesar de ter mudado sensivelmente a linha editorial em relação ao início do blog, o compromisso de ser diferente se mantém. Acompanhe-me nesta sucinta reflexão:

Vários sites nacionais falaram do @brwikiedits, mas eu fui falar com o cara que fez a parada. O anúncio do armazém da DealExtreme em Curitiba tinha saído em um post bem de nicho, sobre RaspberryPI, e ganhou mais exposição ao ser pinçado aqui. O Bleep foi pauta no mundo inteiro ontem, mas hoje consegui testá-lo e escrever um hands-on — no Brasil, não vi ninguém fazer.

São exemplos que trago não para me gabar, mas sim demonstrar o valor do Manual do Usuário. Nas redações de sites maiores certas urgências impedem esse trabalho marginal e por vezes mais demorado. Como não tenho o mesmo compromisso deles, consigo ir atrás dessas histórias. Já temos Gizmodo, Tecnoblog, Olhar Digital e Tecmundo, sem falar nos sites de tecnologia em inglês, cobrindo hard news e produzindo conteúdo original de qualidade; não quero competir, quero somar.

O Manual é um blog atípico por um monte de motivos, do modelo de negócio ao visual, passando pela abordagem e seleção dos assuntos de que trata. Este post é só um lembrete disso e um pedido a você para:

  • Ajudar a divulgar o blog. Vale um post no Facebook, um tweet, até o boca a boca. Concordo com o Igor, acho que deixo a desejar na promoção disso aqui, então qualquer reforço nessa área é bastante útil!
  • Assinar. O plano mais básico custa US$ 1 por mês, menos que um cafezinho. Pagando um pouco a mais, o preço de um cafezinho e um pão de queijo, você recebe a newsletter que todo mundo adora (amanhã sai uma nova), acompanha as gravações do podcast ao vivo e, o mais importante, me ajuda continuar tocando isso aqui. Considere assinar o Manual do Usuário.
  • Se faz parte de alguma startup, agência ou empresa, entrar em contato para levar seu produto aos meus super leitores. Ideias não faltam, o que falta é pintar alguém afim de apostar nelas.

@brwikiedits monitora alterações anônimas feitas na Wikipédia a partir de IPs de órgãos públicos

O bot dedo duro do Twitter.

Segunda-feira, neste post, citei o @congressedits, bot que monitora alterações anônimas feitas na Wikipédia a partir de IPs do Congresso norte-americano e as divulga no Twitter, como uma solução elegante e esperta para o problema. Por que não uma versão brasileira?

Pois bem, eis o @brwikiedits. Ele faz a mesma coisa do original britânico (@parliamentedits) e da variante do hemisfério norte citada acima, só que monitorando as redes das seguintes instituições brasileiras: Senado, STF, Câmara, Serpro, Procuradoria Geral da República, Dataprev, Petrobras, BCB, BB e Caixa.

O bot foi criado por Pedro Felipe (@pedrofelipee), desenvolvedor de 18 anos. Por e-mail, ele revelou como a ideia surgiu:

Há algumas semanas, pesquisando na Wikipédia, acabei caindo nas alterações das páginas e percebi que todas as edições anônimas tinham seus IPs registrados. Me veio à mente que algum serviço poderia monitorar e reportar mudanças feitas a partir da rede do nosso Governo e suas estatais. Logo depois o @congressedits surgiu e a etapa de desenvolvimento já estava eliminada, uma vez que o script por trás dele tem código aberto e qualquer um pode contribuir.

Até comecei a coletar alguns endereços que editam páginas do Palácio do Planalto e Câmara dos Deputados para tentar descobrir o intervalo de IPs. Foi frustrado, não consegui muita coisa e não era o bastante para começar o monitoramento, então deixei a ideia de lado. No começo dessa semana o escândalo explodiu e eu não poderia perder o timing.

Em vez de fazer a coleta dos intervalos de IP manualmente, o Pedro usou outra abordagem. Ele mesmo explica:

Todos os IPs estão registrados em nome de algum provedor, certo? Não sei se vou explicar com os termos corretos, mas os AS [sistema autônomo de roteamento] controlam vários intervalos de IPs. Todo provedor tem um.

Não foi tão simples como no exterior, onde os IPs de vários órgãos do governo americano estão disponíveis no Wikipédia, por exemplo. O que eu fiz foi buscar alguma lista com todos os AS brasileiros e caçar nomes dos órgãos e estatais. Com o código AS em mãos (ex. AS28629 Senado Federal), foi mais simples descobrir quais IPs estão sob seu controle.

Com o script em mãos, fiz algumas modificações, adicionei os IPs coletados, criei um perfil no Twitter e subi uma nuvem para monitorar. Ele funciona monitorando o IRC do Wikimedia, que publica todas as alterações anônimas com seus respectivos IPs num canal.

Ele diz que criou o perfil para dar mais transparência à questão e, também, pela diversão. As várias alterações que o pessoal da Petrobras fez hoje cedo na página do Digimon (!) são um exemplo.

O mais importante, porém, é que o @brwikiedits passa a monitorar instituições públicas importantes para eventuais alterações de viés político na Wikipédia. Especialmente agora, no período eleitoral, soluções do tipo contribuem bastante para tentarmos manter o nível das campanhas.

DealExtreme abrirá armazém no Brasil

Os Correios estão fechando o cerco contra pessoas físicas que importam de lojas chinesas como AliExpress e DealExtreme. Além de instituir uma taxa fixa de R$ 12 para o recebimento de pacotes internacionais, a empresa vai automatizar o sistema para cobrar impostos na fonte. O empenho é tamanho que armazéns serão abertos em Hong Kong e Miami, pontos estratégicos, para agilizar a distribuição e acabar com a loteria que é ser taxado ou não em compras internacionais.

Todas essas medidas devem diminuir um pouco o entusiasmo do brasileiro, que tomou gosto por esse comércio cujo preço, sempre ridiculamente barato, compensa a demora, às vezes de meses, para receber mercadorias que saem do outro lado do mundo. Nos últimos cinco anos o volume de encomendas do tipo cresceu 400%.

Quem não deve estar contente com todo esse empenho dos Correios são as lojas chinesas. Tanto que a DealExtreme anunciou que abrirá um armazém em Curitiba para não perder clientes brasileiros. Com ele o tempo de entrega cairá (média de 3~5 dias úteis), todos os produtos serão rastreáveis de início, aquela taxa de R$ 12 dos Correios não será cobrada e haverá uma equipe de atendimento ao cliente especializada para a operação local.

Todo esse investimento se refletirá em aumentos, e apenas uma parte do catálogo estará disponível no site brasileiro. Apesar disso, a DealExtreme garante que os preços continuarão competitivos e muito abaixo dos varejistas nacionais.

Via EverPi.

Este é o Bleep, o bate-papo super seguro da BitTorrent

Ontem a BitTorrent começou a liberar convites para o Bleep, novo app de bate-papo. “Mais um!?” Mais um, esse com a promessa de segurança máxima graças ao protocolo descentralizado (dispensa servidores, a comunicação é P2P) e anonimato como opção (se quiser, pode usá-lo sem qualquer tipo de identificação, como e-mail ou telefone).

Fui agraciado com um dos convites e tratei de instalar o Bleep aqui — por ora, só funciona no Windows 7/8.X, mas a expectativa é que no futuro ele tenha apps nas plataformas mais populares. A interface é um tanto feia e seu jeitão lembra o dos apps feitos com Adobe AIR, o que não é exatamente um elogio.

É assim que é o Bleep.

Os recursos são bem rudimentares. Existe uma lista de contatos e, ao lado, o espaço para bate-papo, uma organização similar à do iMessage do OS X. Tem um botãozão na parte de baixo para adicionar pessoas (via e-mail, telefone ou chave pública) e, em cima, abas para a lista de contatos e opções. Nessas, destaque para a busca por contatos salvos no Google, chave pública (para quem quer permanecer anônimo) e o botão do desespero, que apaga todas as mensagens.

Dá para conversar por texto e voz, o que é bem legal. Nos meus rápidos testes, porém, a conversa por voz não funcionou. Ficamos, eu e o Rics, quase dois minutos na chamada sem que conseguíssemos ouvir um ao outro. Depois, o botão de ligar sumiu e não foi mais visto. Meh.

O Bleep está em fase pré-alfa, ou seja, ainda tem muito chão para se desenvolver. O pessoal da BitTorrent alertou, no último comunicado, que ele é um trabalho em progresso e muita coisa deve mudar até chegar à versão estável. Apps do tipo com foco em segurança começaram a surgir ano passado (Telegram, Sicher, Cryptocat), mas o Bleep, pelo nome que tem por trás e seus diferenciais, pode fazer barulho quando estiver mais polido e acessível.

Robôs (tuitando) entre nós 

Zachary M. Seward, na Quartz:

Quando o Twitter se preparava para seu IPO ano passado, 7% dos seus usuários ativos usavam a API [leia-se não acessavam o serviço pelos clientes oficiais]. A empresa também disse (p. 49) que esperava que essa porcentagem “diminuísse com o tempo, especialmente na medida em que o uso dos nossos aplicativos móveis crescesse.”

Na verdade, a porção dos usuários ativos por mês do Twitter que usa a API dobrou, para 14%. Aquele segmento de usuários cresce muito mais rapidamente do que os usuários ativos por mês que não usam a API do Twiter. Eles representam hoje 37,9 milhões de contas ativas, 148% a mais do que no ano passado.

Quarta o Twitter revelou o balanço financeiro do trimestre e, ante o aumento de 6,3% na base de usuários (271 milhões), suas ações dispararam. O humor dos investidores parece estar atrelado a esse critério, embora seja um bem ruim dadas as peculiaridades do serviço — problema bem explicado no texto acima.

Mais curioso, porém, é como a presença de bots em ambientes considerados humanos na Internet vem aumentando. Se no Twitter os bots formam uma parcela considerável, na web eles já são maioria. Em dezembro do ano passado, pela primeira vez na história a quantidade de bots/scripts navegando em sites superou a de seres humanos. A Incapsula, uma empresa especializada em rastrear bots, aferiu que 61,5% do tráfego na web era realizado por máquinas.

O próximo Internet Explorer do Windows Phone terá gostinho de maçã 

Paul Thurrott, sobre as novidades do IE no Windows Phone 8.1 Update:

O que eles mudaram? Primeiro e mais importante, aceitaram a realidade: páginas web modernas são projetadas e construídas para o iOS (Safari) e Android (Chrome), e não para os padrões abertos aos quais o IE recorre.

O mesmo Internet Explorer que ditava o rumo da web há dez anos, hoje faz gambiarras para exibir corretamente páginas que usam soluções proprietários de Apple e Google. E não só: o IE do Windows Phone 8.1 passará a se identificar aos sites como se fosse o Safari.

O blog oficial do IE traz informações mais técnicas e vários exemplos de “antes e depois”.

O mundo dá voltas.

Quais dos 27 apps gratuitos para Android oferecidos pela Amazon valem a pena?

Mais uma vez a Amazon negociou com desenvolvedores e conseguiu tornar um punhado de apps para Android gratuito por dois dias. No total, segundo a empresa, o valor somado deles passa dos R$ 230, mas o que importa saber é quais são boas pedidas.

Tem muita coisa esquisita e ruim. Como é de graça, de repente até vale experimentar — numa dessas por trás de uma carinha feia está um app útil. Dos que valem o download sem pensar muito, tem o Instapaper, que salva artigos da web para serem lidos posteriormente, e o dicionário inglês da Oxford, cujo preço normal é de R$ 77 (!). O PDF Max, apesar de comentários mistos no Google Play, também não é dos mais baratos, normalmente custa R$ 17, mesmo caso do veterano Docs To Go (preço regular de R$ 23). E tem o jogo de corrida do Sonic; pelo menos na versão para consoles ele é bem bacana.

Aqui você confere todos os apps. Para baixá-los é preciso instalar o app da Appstore no seu smartphone; o passo a passo se encontra aqui. E se você conhece alguma pérola que deixei passar, comente aí embaixo.

Com Facebook, Wikipédia e serviços úteis disponíveis gratuitamente, app da Internet.org é lançado na Zâmbia

A iniciativa de Mark Zuckerberg para democratizar a Internet começa a ganhar contornos concretos com o lançamento do app da Internet.org. Disponível para Android e em versão web, ele garante acesso gratuito ao Facebook, Wikipédia, pesquisa do Google e outros serviços úteis.

Inicialmente, o app foi disponibilizado na Zâmbia em parceria com a operadora local Airtel. O funcionamento é similar ao do Facebook Zero, que desde 2010 oferece uma versão limitada da rede social sem qualquer ônus financeiro: o usuário pode acessar todos os serviços listados no app gratuitamente e, caso queira extrapolar esse cercado e ir em busca de conteúdo não contemplado pelo Internet.org, passa a pagar pelo tráfego de dados.

A seleção de serviços é bem bacana e não fica restrita ao Facebook e superficialidades do tipo. Além da Wikipédia, que é um adianto, e do Google, tem previsão do tempo, busca por vagas de emprego, informações sobre HIV, direitos das mulheres, legislação da Zâmbia e um canal do Unicef com dicas de higiene e saúde.

Existe uma queda de braço entre ativistas da Internet livre e o Facebook. Os primeiros acusam a iniciativa de ser uma forma do Facebook controlar ainda mais a Internet; Zuckerberg e seus parceiros ressaltam o aspecto beneficente da iniciativa. De qualquer forma, uma coisa é certa: o Facebook é tão grande que precisa trazer mais pessoas à Internet para continuar crescendo. É o tipo de problema que só um serviço com 1,32 bilhão de usuários tem.

Rumo à expansão internacional, Xiaomi precisa rebater críticas sobre privacidade e plágio

Apresentação do Mi 4 teve 'one more thing'.
Jobs se revira no túmulo. Foto: sascha_p/Twitter.

A Xiaomi vai bem na sua terra natal, mas quer mais — quer o mundo. A expansão internacional, capitaneada pelo ex-Google Hugo Barra, é de conhecimento geral e deverá passar pelo Brasil. Antes disso, porém, a fabricante chinesa precisará rever algumas práticas e ganhar a confiança do consumidor ocidental.

Ontem, Barra publicou em seu perfil no Google+ um FAQ sobre privacidade em resposta a denúncias de que o smartphone Redmi Note enviaria secretamente dados do usuário a servidores na China. Segundo o executivo, o que o MIUI (variação do Android usada pela Xiaomi) faz é sincronizar dados pessoais com a nuvem e outros dispositivos, nos mesmos moldes de ofertas concorrentes como Dropbox, Google+ e iCloud. O recurso pode ser desativado e o compromisso da Xiaomi, ainda de acordo com Barra, é com a transparência:

(…) Não enviamos informações e dados pessoais sem a permissão dos usuários. Em uma economia globalizada, fabricantes chinesas de dispositivos vendem bem no mercado internacional, e muitas marcas de fora são igualmente bem sucedidas na China — qualquer atividade ilegal seria bastante destrutiva para os esforços de expansão global da empresa.

Não é de hoje que a China é um pólo de tecnologia. A diferença é que agora as empresas do país estão avançando para outras partes do globo. As restrições que a Internet sofre por lá, somadas a suspeitas de colaboração das empresas de tecnologia com o Partido Comunista, são motivos de preocupação deste lado do mundo.

Por exemplo, a Huawei. Fornecedora de boa parte da infraestrutura que move a Internet no mundo, em 2012 ela foi acusada pelo governo dos EUA de infiltrar software espião nos equipamentos comercializados por no país — e, ironia das ironias, no fim era a Huawei quem estava sendo monitorada pela NSA.

Outra frente onde que a Xiaomi terá trabalho será para se livrar das críticas às “inspirações” que toma, notadamente da Apple. Há três, quatro anos, a sul coreana Samsung passou pela mesma situação e acabou tendo que resolver a briga em disputas judiciais nas cortes de vários países. Terá a Xiaomi o mesmo destino?

Mera coincidência?
Montagem: Cult of Mac.

Já encontraram o ícone do Aperture (!), software da Apple, no material de divulgação do Mi 3, outro smartphone da Xiaomi. Na mesma página de divulgação do produto, fotos protegidas por direitos autorais podem ser vistas nas screenshots da galeria — e aqui, além de se apropriar do trabalho alheio a empresa ainda engana os consumidores colocando como exemplos de fotos feitas com o smartphone imagens que, na real, foram capturadas por câmeras profissionais. No Cult of Android, Killian Bell encontrou um punhado de similaridades com produtos, práticas e materiais de marketing da Apple. Nem o “one more thing”, marca registrada do falecido CEO da Apple, Steve Jobs, escapou.

Hugo Barra rebate as críticas enfaticamente: “Se você tem dois designers com habilidades similares, faz sentido que eles cheguem às mesmas conclusões. Não importa se alguém mais chegou à mesma conclusão. Não estamos copiando os produtos da Apple. Ponto final.” Mas é difícil encerrar a discussão com fatos tão escandalosos, bem como acreditar que eles são frutos de mera coincidência.

A Xiaomi fabrica smartphones, tablets e alguns outros eletrônicos que, dizem, são de ótima qualidade e custam pouco. Na China, ela ultrapassou Samsung e Apple em vendas no primeiro semestre desse ano e quando chegar a outros mercados deverá fazer barulho. Resta saber se esse barulho será apenas das caixas registradoras e dos clientes satisfeitos, ou se o martelo dos juízes também se fará ouvir.

A redescoberta dos celulares com câmeras frontais — ou para “fazer selfies”

Foto do tweet mais popular da história.
Foto: TheEllenShow/Twitter.

Correm rumores de que a Microsoft está preparando um Lumia com “câmera para selfies”. Ele traria uma câmera frontal de 5 mega pixels, resolução bem maior do que a média de 2 mega pixels vista na maioria dos smartphones topo de linha.

No Brasil, fabricantes locais ou que lutam pelo consumidor menos endinheirado pegam carona na popularidade do termo “selfie” para levar a segunda câmera a modelos de entrada. O S440 (que nome!) da Positivo e o recém-anunciado Pop C3 da Alcatel Onetouch entregam o recurso por R$ 470 e R$ 349, respectivamente, sem revelar quaisquer especificações da câmera frontal.

Essa movimentação da indústria marca a redescoberta da câmera frontal, perdida por diversas fabricantes no caminho rumo a smartphones mais acessíveis ao bolso do consumidor. Afinal, uma câmera extra não é tão essencial e na hora de cortar custos ela acaba sendo uma das primeiras vítimas.

Só que desde que “selfie” foi eleita a palavra do ano por um dicionário, tornou-se o tweet mais popular da história, termo popular na mídia e lugar comum em qualquer ambiente onde duas ou mais pessoas se reúnem e pelo menos uma delas está com um celular no bolso, a demanda pela câmera para fazer selfies aumentou. É o que o povo quer, certo? É hora, então, de responder a esse anseio e levá-la a produtos mais em conta.

Antigamente câmeras frontais eram bons espelhos para ver se tinha sobrado aquela alface entre os dentes depois do almoço, ou se o nariz estava sujo. Hoje, apps como Instagram e Snapchat e serviços de vídeo chamada a la Skype são justificativas melhores ao custo de se colocar uma outra câmera em cima da tela. O que quero dizer é que apesar da sensação de frescor e de hoje os motivos para se ter uma serem melhores, câmeras selfies, ou frontais não são exatamente novidade. A primeira data de 2003.

A camada superior dos smartphones, com aparelhos que trazem o que há de melhor na indústria, já demonstra sinais de comoditização. São sintomas disso a presença de tantos recursos duvidosos e mimos externos na safra desse ano: contadores de batimentos cardíacos pouco confiáveis, mega resoluções de tela que não fazem tanta diferença aos olhos, acessórios muito legais que agora vêm na caixa, como parte do pacote. Eles já têm tudo o que se espera, hoje, de um smartphone — inclusive a câmera frontal, que nunca os abandonou e lá em 2007, com o saudoso N82, eu já usava para aquelas situações nojentas descritas ali em que um espelho era útil.

Nas camadas inferiores, porém, ainda há espaço para evoluções mais significativas. A primeira e mais óbvia é continuar empurrado os preços para baixo. Hoje não é difícil encontrar smartphones usáveis por cerca de R$ 350 e a tendência é que esses fiquem cada vez melhores. O segundo passo, já sentido em menor grau, é levar recursos de segmentos superiores a aparelhos mais simples. Exemplo recente: a tela de alta definição do Moto G. Ainda hoje a maioria dos smartphones intermediários vêm com telas WVGA ou qHD, mas não deve demorar para a HD se tornar padrão. A câmera frontal em smartphones básicos, de entrada, deve seguir o mesmo curso.

Windows Phone 8.1 Update é oficial: veja o que há de novo

Telas da próxima atualização do Windows Phone.

O Windows Phone 8.1 já apareceu no seu smartphone? Então sente-se que lá vem mais novidades: a Microsoft oficializou o Windows Phone 8.1 Update, uma atualização menor mas, ainda assim, cheia de novidades.

A principal é a expansão da Cortana. Em beta, ela aprendeu a falar chinês e pegou o sotaque britânico, além de ganhar status alpha no Canadá, Índia e Austrália. Nos EUA, ganhará novos truques como uso de mais termos em linguagem natural, botão soneca para lembretes e modo hands-free quando o smartphone estiver pareado via Bluetooth com um carro.

A tela inicial ganhará suporte nativo a pastas, e parece um negócio bem melhor que a implementação via Pasta de Aplicativos, app exclusivo da Nokia para a mesma finalidade. O mais legal é que elas não anulam a dinamicidade dos blocos, ou seja, ainda dá para ver notificações nos blocos dinâmicos que estiverem guardados em uma pasta. Falando em blocos dinâmicos, o da Loja agora será um.

O Xbox Music, duramente criticado no WP 8.1, está recebendo tratamento especial e deve melhorar significativamente: terá bloco dinâmico, sincronia em segundo plano, novos gestos e melhorias gerais no desempenho. Antes mesmo dessa atualização, o app deverá ganhar alguns aperfeiçoamentos via atualização direta na Loja.

Para fabricantes, a Microsoft acrescentará suporte a capas físicas para permitir interfaces personalizadas, como as do One M8, da HTC, e G3, da LG. Novas resoluções também passam a ter suporte: qHD (960×540) e 1280×800 — essa última, somada à adição de suporte ao protocolo NTP, é um forte indício de que o Windows Phone logo surgirá em tablets pequenos, de 7 polegadas.

O sistema também passará a enviar notificações via Bluetooth, uma etapa necessária para conversar com gadgets vestíveis, e dará suporte a VPNs em conexões públicas. O padrão QuickCharge 2.0 da Qualcomm, que acelera a recarga da bateria, também será habilitado — alguns aparelhos como os Lumia 930 e 1520 suportam a tecnologia e se beneficiarão dela.

Existem outras alterações menores, várias direcionadas ao público corporativo, todas contempladas no blog oficial do sistema e nesta lista de Paul Thurrott. Para quem está naquele programa de desenvolvedores (saiba como entrar), o Windows Phone 8.1 Update chega semana que vem. Para os demais, a versão final estará disponível “nos próximos meses”.

Spam eleitoral via WhatsApp

Lauro Jardim, na Veja:

Nada como um ano eleitoral para aguçar a criatividade das pessoas. Se o eleitor já era importunado com mensagens eleitorais no celular, agora as empresas miram o WhatsApp para oferecer planos mirabolantes aos candidatos. A última oferta irrecusável foi enviada por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados.

A empresa que presta o (des?)serviço tem sede em Belém e cobra de sete a onze centavos por mensagem, dependendo do volume contratado — de 500 mil até 10 milhões. A oferta chegou por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados com a garantia de listas de números atualizados em todos os estados. O objetivo é servir de reforço para as campanhas eleitorais.

Dada a popularidade do WhatsApp não é de se espantar que ferramentas do tipo existam. Na verdade demorou para elas aparecerem. Elas provavelmente burlam os termos de uso do serviço; o WhatsApp até oferece um mecanismo de broadcasting, mas ele é limitado a 50 destinatários (no smartphone, pelo menos). Pela rápida pesquisa que fiz aqui, os spammers usam um software chamado WhatsApp Panel, WhatsApp Bot ou WPanel e confiam em proxies para atingir o objetivo.

Pensando pelo lado positivo, de repente esse spam via WhatsApp pode ser uma boa para escolher em quem não votar.

Atualização (20h30): É assim que o spam de um candidato ao governo do Rio de Janeiro chega ao WhatsApp dos eleitores:

https://twitter.com/vinnysacramento/status/494241313559433217

Como o Facebook, OkCupid também fez experimentos nos usuários — mas quase ninguém se importa 

Christian Rudder no OkTrends, o blog de dados e estatísticas do OkCupid, após um hiato de mais de três anos:

Notamos recentemente que as pessoas não gostaram quando o Facebook “experimentou” com seu feed de notícias. Até o FTC [o CADE dos EUA] se envolveu. Mas adivinhe só, pessoal: se você usa a Internet, você está sujeito a centenas de experimentos a qualquer hora, em todos os sites. É assim que os sites funcionam.

Aqui estão alguns dos experimentos mais interessantes que o OkCupid já conduziu.

Neste post, Rudder revela três mudanças na interface que o OkCupid fez para entender como as conversas e relacionamentos se formam. Em um, removeu as fotos dos usuários; sem esse feedback visual o site notou que as conversas entre estranhos aumentaram. Em outro, diminuiu de dois (um para beleza outro para personalidade) o sistema de notas para os usuários; somos, afinal, seres bem visuais e quase ninguém lê aquele perfil enorme (e se lê, dá pouca importância comparado à foto de perfil).

O último foi uma tentativa de ver até que ponto o sistema de compatibilidade, que atribui uma porcentagem de simpatia aos outros usuários, funciona. O OkCupid mentiu aos usuários dizendo que usuários com 30% de compatibilidade tinham 90%. A pesquisa notou, porém, que o maior índice de engajamento se deu entre pares que tinham de fato e foram informados terem 90% de compatibilidade — ou seja, de alguma forma o algoritmo funciona.

A reação da Internet à revelação do OkCupid foi mais amena do que a daquele experimento do Facebook. Não que tenha sido unânime; alguns sites, como o Gigaom, criticaram duramente a postura de Rudder. Só que no geral pouca gente se manifestou indignada, e na tentativa de entender o porquê algumas teorias surgiram.

O tom da revelação foi mais ameno. Em vez de um paper acadêmico, um post bem humorado em um blog. (Referir-se aos resultados como “contágio de humor” também não ajudou o Facebook.) O OkTrends historicamente usa (ou usava) dados gerados pelos usuários do OkCupid para tirar conclusões. Foi para isso que ele nasceu e o motivo pelo qual é adorado.

A motivação para os testes também pesa. O OkCupid fez vários testes A/B, ou seja, mudanças sutis na interface para ver como os usuários reagiriam. Rudder diz, no post, que queria averiguar algumas suspeitas que seu pessoal tinha do serviço, em especial (no terceiro e mais polêmico teste) se o algoritmo de compatibilidade faz diferença por si só ou se as pessoas conversam com outras compatíveis apenas porque o site diz isso.

O experimento do Facebook foi mais agressivo. O site deliberadamente alterou o feed de notícias para deixar o usuário triste. Uns até classificam isso como teste A/B, mas ele extrapolou a funcionalidade do site e correu o risco de gerar consequências perigosas na vida dos usuários. A intenção era danosa não como possibilidade ou desvio, mas como etapa para observar os resultados.

Outro aspecto relevante é o papel que OkCupid e Facebook têm na sociedade. Enquanto a rede social é praticamente obrigatória em vários círculos, o OkCupid é marginal.

A repercussão desse e de outros testes tornados públicos recentemente tem servido também para observar a recepção deles pelo público em geral. Ontem, depois que publiquei o post sobre o Fingerprint Canvas, algumas reações no Twitter me surpreenderam.

Parece que estamos ficando mais condescendentes com esse tipo de experimentação, em sermos objetos de pesquisas sem anuência prévia, independentemente do quão nefastas essas sejam.