A redescoberta dos celulares com câmeras frontais — ou para “fazer selfies”


30/7/14 às 15h35

Foto do tweet mais popular da história.
Foto: TheEllenShow/Twitter.

Correm rumores de que a Microsoft está preparando um Lumia com “câmera para selfies”. Ele traria uma câmera frontal de 5 mega pixels, resolução bem maior do que a média de 2 mega pixels vista na maioria dos smartphones topo de linha.

No Brasil, fabricantes locais ou que lutam pelo consumidor menos endinheirado pegam carona na popularidade do termo “selfie” para levar a segunda câmera a modelos de entrada. O S440 (que nome!) da Positivo e o recém-anunciado Pop C3 da Alcatel Onetouch entregam o recurso por R$ 470 e R$ 349, respectivamente, sem revelar quaisquer especificações da câmera frontal.

Essa movimentação da indústria marca a redescoberta da câmera frontal, perdida por diversas fabricantes no caminho rumo a smartphones mais acessíveis ao bolso do consumidor. Afinal, uma câmera extra não é tão essencial e na hora de cortar custos ela acaba sendo uma das primeiras vítimas.

Só que desde que “selfie” foi eleita a palavra do ano por um dicionário, tornou-se o tweet mais popular da história, termo popular na mídia e lugar comum em qualquer ambiente onde duas ou mais pessoas se reúnem e pelo menos uma delas está com um celular no bolso, a demanda pela câmera para fazer selfies aumentou. É o que o povo quer, certo? É hora, então, de responder a esse anseio e levá-la a produtos mais em conta.

Antigamente câmeras frontais eram bons espelhos para ver se tinha sobrado aquela alface entre os dentes depois do almoço, ou se o nariz estava sujo. Hoje, apps como Instagram e Snapchat e serviços de vídeo chamada a la Skype são justificativas melhores ao custo de se colocar uma outra câmera em cima da tela. O que quero dizer é que apesar da sensação de frescor e de hoje os motivos para se ter uma serem melhores, câmeras selfies, ou frontais não são exatamente novidade. A primeira data de 2003.

A camada superior dos smartphones, com aparelhos que trazem o que há de melhor na indústria, já demonstra sinais de comoditização. São sintomas disso a presença de tantos recursos duvidosos e mimos externos na safra desse ano: contadores de batimentos cardíacos pouco confiáveis, mega resoluções de tela que não fazem tanta diferença aos olhos, acessórios muito legais que agora vêm na caixa, como parte do pacote. Eles já têm tudo o que se espera, hoje, de um smartphone — inclusive a câmera frontal, que nunca os abandonou e lá em 2007, com o saudoso N82, eu já usava para aquelas situações nojentas descritas ali em que um espelho era útil.

Nas camadas inferiores, porém, ainda há espaço para evoluções mais significativas. A primeira e mais óbvia é continuar empurrado os preços para baixo. Hoje não é difícil encontrar smartphones usáveis por cerca de R$ 350 e a tendência é que esses fiquem cada vez melhores. O segundo passo, já sentido em menor grau, é levar recursos de segmentos superiores a aparelhos mais simples. Exemplo recente: a tela de alta definição do Moto G. Ainda hoje a maioria dos smartphones intermediários vêm com telas WVGA ou qHD, mas não deve demorar para a HD se tornar padrão. A câmera frontal em smartphones básicos, de entrada, deve seguir o mesmo curso.

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4 comentários

  1. Pingback: cat 4 brother
  2. Eu não abro mão de smartphone com câmera frontal: no início de 2012 eu ia comprar um Lumia 800 e acabei por escolher um iPhone 4S por causa desse quesito.

    Pagar 1.700 reais à época para ter um celular sem a tal câmera me seria um pessímo negócio, fora que o Windows Phone 7 ficou por ali mesmo.

    E sobre o Moto G, a versão 4G dele me é o smartphone Android que tem o melhor custo-benefício de longe. Isso embora eu prefira o iOS, mas adoraria arriscar pegar o Moto G 4G.

    1. Pode “arriscar” sem medo! É mais sensacional que o iphone 4s com certeza, a exceção do design, que é algo subjetivo. E ainda tem pequenas vantagens que na soma ficam grandes. Isso que, vendendo o 4s, você desembolsará pouco para adquirir o Moto G 4G novo.