[Review] Xperia Z2, mais do mesmo só que melhor

Xperia Z2.

Demorou apenas seis meses para a Sony atualizar seu smartphone topo de linha. As mudanças não são tão expressivas à primeira vista e, vendo o Xperia Z2 de relance corre-se o risco de confundi-lo com seu antecessor, o Xperia Z1. Tamanha semelhança tira o brilho do grande aparelho da empresa para 2014? É o que veremos nesta análise.

Mais do mesmo, só que melhor

A estrutura básica do Xperia Z2 é quase idêntica à do Xperia Z1. O smartphone é um sanduíche de vidro com uma moldura rígida de aço, materiais nobres bem-vindos. Em relação ao Z1, ele cresceu um pouco, ficou ligeiramente mais pesado e ganhou um acabamento mais claro nas bordas. Ah, e agora tem alto-falantes stereo frontais, com saídas no topo e na base, o que é sempre muito legal. No geral nada muito drástico, o que é bom para quem curte o design Omnibalance que já faz algum tempo é mandatário nos smartphones da Sony.

Mesmo sem grandes novidades visuais, o Xperia Z2 é um belíssimo aparelho. O iPhone prova há anos que bons designs resistem a dois ou mais anos; a Sony, reforça a ideia. Ele emana uma nobreza que outros topos de linha do universo Android, em especial os da linha Galaxy S, nunca tiveram, mas cobra seu preço por isso.

Sonzera da melhor qualidade.

Uma das coisas mais incômodas no Xperia Z1 era a ergonomia. E como pouca coisa mudou externamente no seu sucessor, não chega a ser surpresa constatar que o manuseio do Xperia Z2 continua desajeitado. É verdade que as bordas frontais diminuíram; o problema é que esse avanço não veio da diminuição do corpo, mas graças ao aumento da tela que de 5, passou para 5,2 polegadas.

O ponto de equilíbrio do Xperia Z2 (e do Z1, por extensão) é ruim. Usá-lo com uma mão é ruim. Ele é grande demais e os cantos não são arredondados o suficiente para amenizar esse incômodo. Aliás, evite usá-lo com uma mão. É quase sempre uma experiência que beira a frustração.

É uma pena porque essa é, talvez, a única crítica ao hardware do Xperia Z2 — e uma severa. De resto, ele é praticamente irretocável: vem com um atualizado SoC Snapdragon 801, 3 GB de RAM, 16 GB de memória interna (poderia ser mais) e slot para cartão microSD de até 128 GB e uma bateria monstruosa de 3200 mAh que permite passar o dia longe da tomada sem maiores preocupações.

O Xperia Z2 continua resistindo a mergulhos.

As boas características do Z1, como o receptor de TV digital e a capacidade de sobreviver a mergulhos e ambientes empoeirados (certificação IP58) fizeram a transição para essa sequência. E a tela, enfim, se livrou dos problemas que tanto irritavam algumas pessoas.

O maior alvo de críticas do Xperia Z1 e de outros smartphones da Sony recentes foi sanado. Saiu o painel TFT do Z1 e com ele se foram a perda de contraste e distorção de cores quando a tela é vista de lado, ainda que o ângulo seja mínimo. O novo painel IPS do Xperia Z2 eleva sua tela à mesma categoria dos seus pares. Não é a melhor, em absoluto, mas agora está dentro do que se espera de um topo de linha que custa mais dois mil Reais.

Em outros reviews li críticas bem duras à legibilidade da tela sob o Sol. Isso realmente acontece, mas não chega a níveis inaceitáveis. Existe muito reflexo e fica mesmo um pouco mais difícil ver elementos na tela quando há incidência direta de luz solar, mas não impossível, e não chega a ser algo capaz de fazer alguém desistir da compra.

Outra reclamação recorrente é em relação ao aquecimento do aparelho. Ocorre com frequência e afeta a parte de trás superior. O chato é que às vezes mesmo ações triviais, como uma seção mais prolongada vendo fotos no Instagram seguida de Facebook, deixa o Xperia Z2 esquentadinho. Muitos apontam o vidro como culpado e uns chegaram a relatar que o Android exibe uma mensagem de erro sobre o calor excessivo. Não consegui reproduzi-la aqui, mas mantenho o alerta: esquenta mesmo e às vezes com ações triviais.

Um outro detalhe chato que não li em outros locais, mas me incomodou um pouco foi o retrocesso nos botões físicos laterais. O de liga/desliga e os de volume estão menos confiáveis, com um feedback tátil mais fraco. Em outros termos, embora nunca tenham falhado, a pressão menor a que são submetidos me deixou por inúmeras vezes incerto se minha ação tinha sido completada. Sabe quando um botão do controle de Super Nintendo ficava “afundado” e você tinha que apertar mais forte para garantir que ele funcionaria? É mais ou menos isso o que rola. O que é estranho, já que os botões do Xperia Z1 eram bem bons.

Câmera vampiresca

20,7 mega pixels.

A Sony fez alguns ajustes no software da câmera do Xperia Z2 , mas o hardware — conjunto ótico, sensor e outras partes — é basicamente o mesmo do Z1. A resolução é de até 20,7 mega pixels, com aquela limitação de 8 MP para o modo automático. O mais estranho é que o “manual” continua assim, digno de ser escrito entre aspas, porque não dá muito poder ao fotógrafo, só os controles de exposição, equilíbrio de branco e modos especiais (HDR, alta sensibilidade, esportes, aquele festival típico de câmeras compactas).

É uma câmera bem boa no geral. Meio inconsistente, mas com sorte e um pouco de técnica é relativamente fácil conseguir fotos vívidas, com boas cores e tudo mais. Na hora de filmar, o foco poderia ser um tiquinho mais rápido. E bônus: agora há um modo de filmagem em 4K, ou UltraHD, para você gravar hoje vídeos (de até cinco minutos) que só verá daqui a alguns anos, quando der para comprar uma TV do tipo sem deixar um rim na loja.

O grande problema dessa câmera é quando as luzes se apagam e/ou o Sol se põe. Exigir muito de qualquer câmera de celular em condições tão adversas é crueldade, mas convenhamos: a Sony cria altas expectativas com essa do Xperia Z2. Na prática, as fotos são um tanto… ruins. Digo, boas por serem noturnas e feitas com um celular, mas fracas perto de concorrentes especializados em câmera, notadamente as feitas com iPhones e Lumias mais caros e recentes.

O Xperia Z2 apela para um pós-processamento absurdamente agressivo para compensar a falta de luz. É tão forte que compensa mais usar o modo “manual”: as fotos ficam mais escuras, ou colocando-as em contexto, mais naturais. No automático, é como se a câmera do Xperia Z2 fizesse surgir luz onde não tem e sem usar uma exposição tão longa para justificar a diferença. Não sei no que a Sony estava pensando quando decidiu seguir tal caminho. Essa configuração é desastrosa.

Veja algumas fotos:

Foto feita com o Xperia Z2.
Detalhamento fantástico. ISO 64, f/2, 1/1600s. Crop em 100%.
Árvore desfolhada contra céu nublado.
Mesmo com pouca luz, de dia a câmera se sai bem. ISO 50, f/2, 1/2000s. Redimensionada.
Foto em detalhe de uma revista.
Detalhe, ambiente interno, pouca luz. ISO 100, f/2, 1/32s. Redimensionada.
Prédios à noite, modo automático.
Foto noturna no modo automático. ISO 5000, f/2, 1/8s. Redimensionada.
Foto noturna no modo manual.
A mesma foto no modo “manual”. ISO 1600, f/2, 1/8s. Redimensionada.

Veja essas e outras fotos, em tamanho natural, neste álbum.

No mais, o app da câmera segue usando a metáfora de “apps” para efeitos diversos, dos úteis como modo panorama e o timeshift (vídeos com excesso de quadros para permitir trechos em câmera lenta), àqueles que só ocupam espaço e… né? ver dinossauros 3D no enquadramento deve ser legal para quem tem 13 anos.

O que aconteceu com esse Android?

Algumas telas do Android do Xperia Z2.
Cortina de notificações, Walkman e What’s New/Google Now.

Costumo elogiar a personalização do Android feita pela Sony pela baixa intrusividade e ganhos funcionais. O Xperia Z2 vem com a versão 4.4.2 e uma revisão da Xperia UI que, apesar de bem intencionada, ficou um tanto esquisita.

De longe, minha maior decepção foi constatar a remoção do painel de atalhos rápidos na cortina de notificações. Era perfeito no Z1: fino, não comprometia a área útil das notificações e ainda era personalizável. Agora, os botões foram renegados a uma aba secundária que demanda um toque extra na cortina para ser acessada.

Não sou usuário dos smartphones da Sony, então é difícil detectar mudanças mais profundas. Entretanto aqui e ali pude notar algumas coisas mudadas além dos atalhos rápidos citados acima. O comando para chamar o Google Now, por exemplo, divide espaço com um catálogo de conteúdo digital da Sony. Isso é chato e intrusivo. O teclado, que me agradava no Z1, ficou arrastado, tanto que me fez querer baixar um alternativo na Play Store.

Na parte estética, o retrocesso foi ainda maior. Logo na tela de desbloqueio aquela elegante animação de telhas deu lugar a fagulhas brilhantes bem bregas. O papel de parede padrão remete aos menus do PlayStation 3, acrescentando mais uma influência à bagunçada identidade visual da Xperia UI. Se ano passado ela já apresentava sinais de cansaço, com a consolidação de interfaces mais planas, como a Material Design do Google, hoje a do Xperia Z2 implora por uma atualização. A LG tratou de dar um tapa visual no G3 e até a Samsung, ainda que daquele jeito, também mexeu na TouchWiz do Galaxy S5. Sua vez, Sony.

O preço da SmartBand

O que vem na caixa do Xperia Z2.
SmartBand e fones de ouvido MH410c.

O Xperia Z2 ainda conta com uma inovação bacana: cancelamento de ruído ativo. Para funcionar ele precisa de fones de ouvido compatíveis, como o belo MDR-NC31EM que, lá fora, vem no pacote. A versão brasileira abdicou dele em prol da SmartBand, uma pulseira fitness que analisei em separado — e que, no fim das contas, é mais um penduricalho bonito do que algo realmente útil.

Na Sony Store o MDR-NC31EM sai por R$ 249 e, mesmo custando R$ 150 mais barato que a SmartBand, para mim os fones de ouvido parrudos são um brinde melhor. Especialmente porque os que acompanham o Xperia Z2, modelo MH410c, são bem medianos e parecem, esteticamente, algo que viria em um smartphone intermediário.

A hora da verdade: o Xperia Z2 vale a pena?

Um belo smartphone.

Por R$ 2.499, o Xperia Z2 não foge muito da média de preço dos smartphones mais caros do mercado brasileiro. Ele ainda conta com a SmartBand, que sozinha custa R$ 399. Está dentro da normalidade, ainda que haja motivos para questionar esse status de “normal” — nossos melhores smartphones são caros e não é de hoje.

O conjunto do Xperia Z2 é quase perfeito. Desempenho, beleza, autonomia, até câmera (com exceção do lance noturno), tudo é muito bom. É um aparelho que não deixa o usuário na mão e que só incomoda um pouco quando está na mão do usuário. Como não invetamos um jeito de usar celulares com outros membros do corpo, isso pode ser um problema. Mesmo não sendo um phablet, o tamanho e os ângulos agudos atrapalham um bocado.

Para aparelhos tão grandes é melhor um acabamento mais orgânico, como os da Samsung e LG. Uma mudança nesse sentido comprometeria o visual do Xperia Z2? Provavelmente sim, o que nos leva a essa sinuca de bico, esse dilema beleza vs. ergonomia. Quem tem mãos grandes talvez não se incomode, então é bastante recomendável olhar e pegar em um antes de bater o martelo e passar o cartão na loja.

Se não o Xperia Z2, qual então? No universo Android tenho uma inclinação para aparelhos com a bênção do Google, leia-se Moto X e Nexus 5. Além de ainda serem muito competentes, eles têm o fator preço a favor — custam menos da metade do que esse e outros lançamentos recentes. O G3, que acabou de sair no Brasil, está mais barato e vem com um carregador por indução na caixa. E o Galaxy S5, se a TouchWiz e a pobreza dos materiais não for problema, em promoção já pode ser adquirido por menos de R$ 2.000.

Opções não faltam e nesse mar quase homogêneo é bom ver a Sony tentando se diferenciar. O Xperia Z2 é único em vários sentidos: usa materiais nobres na construção, vem com a SmartBand na caixa e tem uma câmera que se destaca. Para boa parte do público, porém, são diferenciais sem muito apelo. Se não for o seu caso, se essas são características que você valoriza, é seguro dizer que o Xperia Z2 é uma boa compra.

Compre o Xperia Z2.

Compre o Xperia Z2

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

Todas as fotos por Rodrigo Ghedin, salvo quando especificado.

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6 comentários

  1. Comprei um Z2 e não sei desligar a voz que se inicia. o manual não explica muito adoraria algumas explicações sobre o aparelho pois não estou conseguindo nem fazer ligações. Obrigado

  2. Estou com o Z2 já há duas semanas e tenho gostado bastante. Saí de um S3 (adeus TouchWiz!) e não tenho muito do que reclamar da Xperia UI, a não ser os atalhos na área de notificações, que realmente fazem falta. A SmartBand é bem legal, estou sempre com ela, mas é mais por curiosidade do que por utilidade. Uma coisa que achei que seria melhorada no Z2 e não foi é a sensibilidade do microfone. Ao gravar vídeos a imagem fica muito boa nos 1080p e no 4K, mas o áudio deixa muito a desejar. Gravei alguns vídeos em um show e o áudio ficou muito “estourado”, a sensibilidade do microfone não é ajustada automaticamente e não há como fazer manualmente (pelo menos ainda não descobri como). Acredito que isso também aconteça com outros smartphones (no S3 era a mesma coisa), mas é meio decepcionante ver a qualidade da imagem melhorando a cada nova geração e o áudio ficando para trás.

    1. parceiro vc pode ter duas soluções a primeira, a é a compra do microfone separado da Sony modelo Stm10 que capta stereo e sem distorcimento no audio, e a outra solução pode ser a compra ou troca por outro smartphone como por exemplo o NOkia LUMIA, que na minha opinião é o melhor celular pra captação de audio em video que já conheci, e fora que a camera é um espetáculo. espero ter ajudado, abrass.. aa o microfone custa em média 100 reais , e se tiver disponível no Brasil, dê uma pesquisada ae.

  3. Ótima análise! Estou muito satisfeito com um Moto X, e não me vejo comprando um Smartphone sem se quer ter o Android Puro. Ano passado eu sofri com a TouchWiz, e criei uma certa birra com a Samsung, com a Sony nunca tive a oportunidade de ter uma experiência, mas, nunca fui fã dessa interface, na minha opinião todas as interfaces sendo elas da LG, Samsung ou Sony deveriam ser mais pensadas, pois nenhuma me atrai.

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