Alguns leitores sentiram falta da edição desta semana. Não teve mesmo. Falha minha não ter avisado (a explicação só foi no relatório de dezembro enviado aos apoiadores do site.)

Em 2021, o carro-chefe do Manual do Usuário continuará sendo as edições semanais, só que num ritmo menos forte, ou seja, serão edições, sem “semanais”. No ano passado, publiquei 46 (!) edições, um volume insano para uma operação tão pequena como esta. O reflexo disso foi uma espécie de gangorra qualitativa, com algumas edições muito boas permeadas por outras não tão boas, essas últimas publicadas quando faltou tempo para fechar matérias e a pressão do prazo me levou a publicar coisas não ruins, mas aquém do que poderiam ter sido.

Para 2021, minha intenção é colocar no ar algo entre 20 e 25 edições, sempre puxadas por uma reportagem ou artigo realmente bem trabalhado — como aquela do Open Banking. (O número não é por acaso; na curadoria do ano passado, há ~25 reportagens das do tipo que quero continuar publicando.) Com as notinhas diárias, acho que o espaçamento maior entre uma e outra edição não será sentido como abandono ou desinteresse pelo site.

Além de dar um respiro na produção, o espaçamento maior entre as edições traz outra vantagem: abrir espaço para experimentações. É esse tempo extra que viabiliza a produção dos vídeos do canal e dos podcasts da casa, e que me permite escrever o artigo de opinião da newsletter toda semana. (Tudo isso, aliás, segue com periodicidade semanal, com exceção do Tecnocracia, que continua quinzenal.)

Semana que vem, aliás, tem Tecnocracia. A próxima edição do Manual será publicada no dia 4 de fevereiro.

Uma pessoa de Piracicaba (SP) que comprou um iPhone novo foi à Justiça para obrigar a Apple a fornecer carregador de parede e fones de ouvido, acessórios ausentes das caixas dos novos iPhones desde o anúncio do iPhone 12. O pedido, porém, foi negado pelo juiz, que discordou da tese do cliente de que a Apple estaria forçando uma “venda casada”. O magistrado alegou que não cabe ao Estado interferir na política de preços da empresa, pois no Brasil vigora o capitalismo. Via Conjur.

Em janeiro, o navegador Edge baseado no Chromium completa um ano. Para celebrar, a Microsoft lançou uma grande atualização. Entre outras novidades, destaque para a expansão da sincronia multiplataforma, que agora contempla abas abertas e histórico, e o suporte a temas — mesmo que o esquema de temas seja dos mais simples; só muda a cor das abas e a imagem de fundo da tela inicial. Via Microsoft (em inglês).

A Alphabet, holding do Google, anunciou nesta quinta (21) que encerrará o Loon, uma das “grandes apostas” (“moonshots”) do conglomerado que tinha por objetivo prover conexão à internet via enormes balões. Segundo o comunicado da empresa, “o caminho para a viabilidade comercial se provou muito maior e mais arriscado do que esperávamos.” Via Alphabet (em inglês).

O Loon foi testado e usado em alguns países. No momento, fornece internet ao Quênia. O Brasil foi palco de testes em 2014.

A Globo fez barulho nesta quinta (22) para anunciar novidades em podcasts para 2021. A maior delas é a expansão do Globoplay para o formato: agora, os mais de 80 podcasts da casa estão acessíveis pelo aplicativo de streaming. Felizmente, eles seguem disponíveis em outras plataformas. “Ainda que a gente lance projetos especiais com o Globoplay, a grande maioria dos nossos podcasts permanecerá nas plataformas de áudio disponíveis,” disse Guilherme Figueiredo, head de áudio digital da Globo.

A expansão dos podcasts na Globo contempla o lançamento de programas gravados por gente de fora do grupo — Kaique Brito, Jeska Grecco, Samir Duarte e Amanda Dias — e parcerias comerciais com nomes fortes do setor, como a produtora B9 e Ivan Mizanzuki, do popular Projeto Humanos. Via Gshow.

Telegram e desinformação

Apesar da multiplicidade de alternativas disponíveis, o êxodo do WhatsApp tem beneficiado dois aplicativos em especial: Signal e Telegram. Por priorizar privacidade e segurança, o Signal come poeira do WhatsApp em experiência de usuário (UX). O Telegram, por outro lado, é muito mais do que o WhatsApp poderia ser. E isso pode virar um problemão agora que o aplicativo está sob os holofotes.

(mais…)

Duas crianças descobriram uma falha grave no Cinnamon, interface gráfica criada e mantida pelo pessoa da distro Linux Mint. Ao digitarem aleatoriamente e ao mesmo tempo nos teclados físico e virtual com o protetor de tela ativo (e a sessão, bloqueada), eles travaram o protetor de tela e, com isso, ganharam acesso à conta do papai sem precisar digitar a senha. A falha foi reportada e já foi corrigida. Via linuxmint/Github.

Os principais aplicativos do Google para iOS não são atualizados desde 7 de dezembro de 2020. Coincidência ou não, desde 8 de dezembro todos os novos apps e atualizações dos existentes submetidos à App Store precisam trazer o “rótulo nutricional” de dados que coletam. No início de janeiro, um porta-voz do Google garantiu ao TechCrunch que os apps da empresa seriam atualizados “nos próximos dias.” Duas semanas se passaram e… nada. Todos esperam que a lista de dados coletados dos apps do Google rivalize com a dos apps do Facebook, que escandalizou muita gente. Via MacMagazine.

A prefeitura do Rio de Janeiro publicou uma resolução no último dia 14 proibindo funcionários públicos de usarem o WhatsApp para se comunicarem com fornecedores e outros entes privados. Até aí, tudo bem. Estranha, porém, as alternativas apresentadas: “email institucional, carta, ofício e similar.” Nas redes sociais, funcionários disseram que a nova regra “não vai pegar.” Via Convergência Digital.

Não sem surpresa, o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde para auxiliar médicos e enfermeiros na pandemia de COVID-19, só recomenda remédios comprovadamente ineficazes no trato da doença, como ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e dois antibióticos (azitromicina e doxiciclina).

Nesta quarta (20), uma força-tarefa informal esmiuçou o código-fonte do ambiente de simulação do TrateCov, publicado no site do Ministério da Saúde. O jornalista Rodrigo Menegat extraiu o código-fonte e o hospedou no GitHub. O sistema, um grande formulário que pede dados e sintomas do paciente, um “teste do BuzzFeed de mau gosto”, como definiu o Gizmodo, devolve ao profissional de saúde uma pontuação do paciente analisado. O “tratamento precoce” é indicado àqueles com 6 ou mais pontos e, ao que parece, os remédios comprovadamente ineficazes sempre são sempre indicados, como observou Joselito Júnior no Twitter, mesmo em cenários surreais, como bebês com sintomas gripais. Após a repercussão, o Ministério da Saúde tirou o formulário do ar. Via @RodrigoMenegat/Twitter, @breakzplatform/Twitter, Gizmodo Brasil, Medscape.

Na segunda (18), o ministro Eduardo Pazuello mentiu em coletiva ao afirmar que nunca havia indicado remédios ineficazes contra a COVID-19. O TrateCov, anunciado na semana anterior pelo próprio, durante sua passagem por Manaus (AM), é mais uma prova do modo trágico, potencialmente criminoso, com que o governo federal tem enfrentado (ou ajudado?) a pandemia. Via Uol.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A empresa [LG] está considerando todas as medidas possíveis, incluindo venda, retirada e redução do negócio de smartphones.

— Representante da LG

Kwon Bong-seok, CEO da LG, enviou um comunicado aos funcionários avisando que a divisão de celulares da companhia, que acumula mais de cinco anos e ~US$ 4,5 bilhões em prejuízos, pode deixar de existir em 2021. O motivo, segundo nota de um representante da empresa enviada a um jornal coreano, seria a competição acirrada no mercado global de celulares. Via The Korea Herald (em inglês).

A Netflix fechou 2020 com 203,6 milhões de assinantes no mundo inteiro, crescimento anual de 21,9%. Talvez mais importante que essa marca seja a declaração dada aos acionistas de que a empresa “não precisa mais levantar financiamento externo para nossas operações cotidianas.” Na última década, a Netflix emprestou US$ 15 bilhões para financiar uma estratégia arriscada de sobrevivência: o investimento em produções próprias/exclusivas. No fim, parece que foi uma estratégia vencedora. Via Folha, CNBC (em inglês).

Dilema comum de quem vai às compras em busca de um celular novo: pego um intermediário deste ano ou um topo de linha do ano passado? A Qualcomm, que fornece os chips da maioria dos celulares à venda, vai tentar resolver o impasse com o novo Snapdragon 870 5G, anunciado nesta terça (19). Na prática, é o Snapdragon 865 Plus de 2020 rebatizado e com uma ou outra melhoria — e, possivelmente, um preço mais em conta. Via Android Police (em inglês), @pinguinsmoveis/Telegram.