Golpe do trabalho de meio período já causou prejuízo de pelo menos R$ 200 mil

Mantenho uma listinha com possíveis pautas para o Manual do Usuário. É normal, para o ritmo do site, que algumas fiquem ali por semanas, maturando, até entrarem em produção, outro processo longe de ser imediato — em geral leva alguns dias; às vezes, semanas.

Para o relato em que “caí” no golpe do emprego de meio período que prometia pagar até R$ 5 mil por dia, o intervalo entre a ideia e publicação foi de algumas horas.

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A Mojang, estúdio da Microsoft responsável por Minecraft, publicou uma enfática negativa ao uso de NFTs e de blockchains dentro do universo do jogo.

Segundo o comunicado, que é assinado por toda a equipe do estúdio, “NFTs criam modelos de escassez e exclusão que conflitam com as nossas diretrizes e o espírito de Minecraft”, em especial com o objetivo de manter uma comunidade onde todos tenham acesso ao mesmo conteúdo.

Transcrevo abaixo um trecho especialmente feliz do comunicado:

Cada um desses usos de NFTs e outras tecnologias de blockchain cria propriedades digitais baseadas em escassez e exclusão, o que não se alinha com os valores de Minecraft de inclusão criativa e de jogar juntos. NFTs não são inclusivas para toda a nossa comunidade e criam um cenário dos que têm e dos que não têm. A mentalidade de especulação e investimento em torno dos NFTs afasta o foco do jogo e incentiva o lucro, o que nos parece inconsistente com o prazer e o sucesso de longo prazo dos nossos jogadores.

Também nos preocupa o fato de que alguns NFTs de terceiros possam não ser confiáveis e acabar causando prejuízo aos jogadores que os compram. Algumas implementações de NFTs de terceiros também dependem inteiramente da tecnologia blockchain e podem exigir um gerenciador de ativos que pode desaparecer sem aviso prévio. Também houve casos em que NFTs foram vendidos a preços artificialmente ou fraudulentamente inflados. Reconhecemos que criações dentro do nosso jogo têm valor intrínseco e nos esforçamos para oferecer um mercado onde esse valor possa ser reconhecido.

Com destaque, a Mojang finaliza dizendo que “tecnologias de blockchain são proibidas de serem integradas às aplicações cliente e servidor de Minecraft e que não podem ser usadas para criar NFTs associados a qualquer conteúdo dentro do jogo, incluindo mundos, ‘skins’, itens ou outras modificações”. Via Minecraft (em inglês).

O homem de negócios Elon Musk vendeu 75% das reservas em bitcoin da Tesla entre março e junho, totalizando US$ 936 milhões. A revelação consta no balanço financeiro do segundo trimestre da Tesla, divulgado nesta quarta (20). Comprar na alta e vender na baixa: é isso o que os grandes traders fazem?

Coincidência ou não, o movimento interrompeu a tímida recuperação do bitcoin, cujo valor vem se deteriorando desde novembro de 2021, quando a máxima chegou próximo a US$ 69 mil. Nas últimas 24 horas, a criptomoeda desvaloriza ~4,4% e é negociada a US$ 22,6 mil, de acordo com o CoinMarketCap. Via Watchers News, Tesla (ambos em inglês).

Post livre #326

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

A Netflix esperava perder 2 milhões de assinantes no segundo trimestre de 2022. Perdeu 970 mil, e o mercado gostou — as ações dispararam ~8% no “after-market”. A previsão dada para o próximo trimestre, de ganhar 1 milhão de assinantes, ajudou a animar os investidores.

Na conversa com acionistas, a Netflix confirmou que lançará o novo plano mais barato e com publicidade no início de 2023 e que já está negociando com estúdios a manutenção dos filmes e séries nele. Via CNBC, Variety (ambos em inglês),

Antecipando-se ao Digital Markets Act (DMA), o Google anunciou que permitirá o uso de sistemas de pagamento alternativos a aplicativos (e só, não vale para jogos) na região da União Europeia. Nesse arranjo, os aplicativos terão que pagar uma taxa apenas três pontos percentuais abaixo da cobrada pelo Google em seu sistema de pagamento próprio.

O percentual é similar ao que a Apple descontando nos locais e circunstâncias em que tem sido obrigada a abrir a App Store para sistemas de pagamento alternativos, como para os apps de namoro na Holanda (de 30% para 27%) e para todos na Coreia do Sul (de 30% para 26%). Nesses termos, não parece uma saída vantajosa… Via Google, Apple (2) (todos em inglês).

Um dos últimos vestígios dos problemáticos teclados borboleta que a Apple usou em seus notebooks entre 2015 e 2019, o processo judicial que consumidores norte-americanos moveram contra a empresa, chegou ao fim.

A Apple concordou em pagar US$ 50 milhões, a serem distribuídos aos consumidores de acordo com o nível de chateação experimentado (até US$ 395, para quem teve que trocar o teclado várias vezes).

O teclado borboleta equipou modelos de MacBook, MacBook Air e MacBook Pro e era mais suscetível a falhas que o normal. Algumas teclas davam problema quando pequenos corpos estranhos minúsculos, como farelo e poeira, entravam no mecanismo, e a única solução para o problema era trocar todo o teclado e, por consequência, toda a carcaça do notebook.

A Apple, apesar do acordo e de ter abolido o teclado borboleta de todos os seus notebooks a partir de 2019, segue sustentando que não havia nada errado com ele. Via Reuters (em inglês).

Alguns sites e aplicativos usam parâmetros na URL para rastrear de onde seus visitantes vêm. Em geral, é tudo o que aparece depois de uma interrogação, algo assim: manualdousuario.net?utm_source=google&utm_medium=app.

Esses parâmetros não são necessários (você pode acessar o endereço sem eles), não trazem nenhuma vantagem ao usuário e podem representar uma brecha de privacidade, motivo que levou os navegadores Brave e Firefox a removê-los por padrão. (A mudança no Firefox é recente, veio na versão 102, lançada no final de junho.)

Em um movimento reativo, o Facebook alterou a estrutura dos links compartilhados dentro da rede para dificultar a remoção dos parâmetros. Agora, parte do que antes era parâmetro está embutido na URL, o que impede a remoção do rastreamento.

O GHacks, que detectou a alteração, oferece um exemplo:

https://www.facebook.com/ghacksnet/posts/pfbid0RjTS7KpBAGt9FHp5vCNmRJsnmBudyqRsPC7ovp8sh2EWFxve1Mk2HaGTKoRSuVKpl?__cft__[0]=AZXT7WeYMEs7icO80N5ynjE2WpFuQK61pIv4kMN-dnAz27-UrYqrkv52_hQlS_TuPd8dGUNLawATILFs55sMUJvH7SFRqb_WcD6CCOX_zYdsebOW0TWyJ9gT2vxBJPZiAaEaac_zQBShE-UEJfatT-JMQT5-bvmrLz7NlgwSeL6fGKH9oY9uepTio0BHyCmoY1A&__tn__=%2CO%2CP-R

Note que, antes do parâmetro, há um punhado de letras sem sentido e uma menção explícita ao domínio (ghacksnet). Ao remover o parâmetro, o link é alterado; em vez de cair em um post específico, ele leva à capa do site GHacks.

É mais um sinal da obsessão da Meta em rastrear e monitorar tudo o que for possível a fim de coletar dados e devolver anúncios segmentados aos usuários. Via GHacks (em inglês).

Publicadores de blogs minimalistas

Uns meses atrás, mencionei um serviço curioso na newsletter, o lists.sh. É uma espécie de blog, mas que publica apenas listas, e que funciona via linha de comando — com apenas dois deles, ssh e scp.

Faz alguns dias, o coletivo por trás do lists.sh lançou um serviço similar, o prose.sh. A proposta é a mesma, o que os diferencia é que o novo comporta posts completos escritos em Markdown. É isso, um sistema de blogs criado e gerenciado via SSH. Genial e, acho eu, um bocado elegante.

Existe uma sadia competição entre sistemas de publicação minimalistas. Acompanho-a com legítimo interesse, às vezes manifestado neste espaço.

Puxando da memória, acho que o único sistema que rivaliza o prose.sh nesse aspecto é o Shinobi, um script em Bash que gera sites baseados em arquivos *.txt. Após superar alguns entraves, como lidar com links e limitar o tamanho da coluna de texto, ele está mais apto a ser usado por aí.

O Shinobi é tão minimalista que nem seu criador aguentou usá-lo. Ele criou outro sistema, o pblog, que mantém a simplicidade de uso (é outro script em Bash), mas que gera arquivos no bom e velho HTML.

O Manual roda em WordPress; meu blog pessoal, no Jekyll. Fico tentado a experimentar esses sistemas (no blog pessoal; aqui as necessidades são muito maiores do que eles comportam), mas… né, é provável que seja fogo de palha.

O Instagram deu mais um passo para deixar de ser um aplicativo de fotos, como prometeu seu diretor, Adam Mosseri.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou um novo sistema de pagamentos para pequenos negócios nos Estados Unidos a partir das mensagens diretas (DMs) do Instagram. Por lá, será possível personalizar o pedido, fazer pagamentos e acompanhar a entrega pelas DMs. O pagamento será processado pelo Meta Pay. Via @zuck/Instagram, Meta (ambos em inglês).

Sem especificar um motivo, a Crunchyroll, streaming especializado em desenhos japoneses, anunciou uma redução de preço em 95 países. O Brasil está entre eles; por aqui, a mensalidade caiu de R$ 32 para R$ 19,99, redução de 37,5%. Talvez seja um reflexo da superpopulação de serviços de streaming pagos? Via Crunchyroll (em inglês).

A Netflix anunciou uma expansão dos testes de cobrança extra para compartilhamento de senhas.

A partir de agosto, o streaming cobrará um adicional por “residência” em cinco países latino-americanos: Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana.

O valor médio é de US$ 2,99 por residência extra. No plano básico, será possível acrescentar uma; no intermediário, duas; e no mais caro, até três. O sistema permitirá o uso em outros locais durante viagens.

Desde março, a Netflix testa outro modelo de cobrança adicional no Chile, Costa Rica e Peru. Segundo o Rest of World, esse teste tem sido confuso no Peru, com cobranças irregulares e sem atingir a maioria dos usuários nesses quatro países.

A Netflix sempre fez vista grossa ao compartilhamento de senhas, mas mudou de postura após um trimestre negativo. Nesta terça (19), a empresa divulgará os resultados financeiros do segundo trimestre de 2022. A julgar por esses movimentos (e pelo “guidance” dado no trimestre passado), as notícias não devem ser boas. Via Netflix, Rest of World (ambos em inglês).