E-commerce é o novo banco

E-commerce é o novo banco, por Hugo Cilo na IstoÉ Dinheiro:

O executivo Tulio Oliveira, que comanda a fintech Mercado Pago, braço financeiro do maior site de classificados da América Latina, o Mercado Livre, vive uma espécie de crise de identidade profissional. Uma boa crise. À frente de um negócio que responde por 48% das receitas globais de US$ 2,6 bilhões da companhia no segundo trimestre, ele já não sabe se pilota um banco que tem um marketplace ou um marketplace que tem um banco. […]

O processo de bancarização do varejo ou de “varejização” dos bancos — a ordem dos fatores, neste caso, definitivamente não altera o produto — é um fenômeno que ultrapassa as fronteiras do Melicidade, sede do Mercado Livre, em Osasco (SP). Outras gigantes do e-commerce, como OLX, Magazine Luiza e Via (antiga Via Varejo, dona de Casas Bahia, Ponto e Extra.com.br) estão surfando na crista da onda dos serviços financeiros. A Lojas Renner tem a Realize, a Via tem o banQi, o Magazine Luiza tem o Magalu Pay, entre muitos outros. “O objetivo é garantir a inclusão financeira, criando conexão entre as lojas, o e-commerce e o marketplace”, disse André Calabró, CEO do banQi.

Outros jeitos de assistir a vídeos do YouTube

Não sei você, mas eu evito quanto posso o site e os aplicativos oficiais do YouTube. O algoritmo acerta? Sim, mas os riscos não compensam — tanto pelo lado ruim, ou seja, recomendações de vídeos esquisitos, quanto pelo menos ruim, quando você é tragado(a) por vídeos em sequência e só se dá conta após perder um tempão com bobagens.

Lá no YouTube (👀) já dei a dica do Invidious, um front-end alternativo mais leve, privado e sem a maioria dos problemas do front-end oficial.

Hoje, dou mais duas dicas: como rodar os vídeos em aplicativos desktop e como baixá-los para consumo offline. Além de evitar as recomendações do algoritmo, esses outros jeitos de assistir aos vídeos te livram da poluição visual e lerdeza do site do YouTube, dos anúncios e até mesmo do navegador.

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O novo avião turboélice da Embraer e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Após turistar no Apple Park, o ministro Fabio Faria e o presidente da Anatel, Carlos Manuel Baigorri, fizeram uma reunião no “metaverso” com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Constrangimentos à parte (cada passo do passeio do ministro pela Califórnia, basicamente), chamou-me a atenção o logo estampado nos óculos de realidade virtual usados pelo trio: Dual 360, uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar.

A Dual 360, sem surpresa, é uma empresa de realidade virtual. Em seu site, cujo domínio está registrado em nome de Alan Augusto Morais, ela destaca “treinamentos corporativos” em duas áreas: simulações de vendas e atendimento, e de segurança. Há também uma menção à plataforma Seniors, que oferece soluções em realidade virtual a idosos.

A empresa dona da marca Dual 360, Folk Promoções Ltda, foi registrada em 2018, usa o CNPJ 17.325.293/0002-60 e está sediada na Bela Vista, em São Paulo.

Por que “a primeira reunião de um presidente da República no metaverso” teve a marca de uma empresa privada estampada? Isso, infelizmente, uma pesquisa rápida como a que eu fiz não é capaz de responder.

Na chamada, Bolsonaro voltou a acenar aos jovens e às mulheres, duas demografias que mais o rejeitam nas pesquisas eleitorais, e a espalhar mentiras, como a de que o Brasil está na vanguarda do 5G — outros países já têm a tecnologia há dois anos. Via @fabiofaria/Twitter.

Os ~sinais no Instagram de Jeff Bezos se fizeram entender nesta sexta (5): a Amazon anunciou a compra da iRobot, fabricante dos robôs aspiradores de pó Roomba, por US$ 1,7 bilhão em dinheiro. Ótima maneira da Amazon “conhecer” as casas dos consumidores e ainda mais dos seus hábitos. O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas da iRobot e de órgãos reguladores. Via iRobot, CNBC, The Verge (todos em inglês).

Aquela série marxista da Apple

A série Ruptura (Severance, no original), do Apple TV+, é aquele tipo de entretenimento cheio de referências a temas profundos destiladas em obviedades. Não à toa (e, claro, não apenas por isso) ela esteja fazendo tanto sucesso.

Mesmo alguém não entendido (eu) em teoria marxista consegue sacar tal influência na história. Não tanto por mérito do espectador. É que Ruptura meio que esfrega isso na nossa cara: o trabalho é repetitivo, misterioso e ninguém ali consegue ver seu resultado ou mesmo saber para que ele serve, e os funcionários abrem mão da sua autonomia de um modo que os donos do capital só podem sonhar hoje em dia. É praticamente uma introdução à teoria da alienação de Karl Marx.

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O Winamp 5.9 RC1 Build 9999 já pode ser baixado aqui (apenas para Windows).

É a primeira versão do player de música em quatro anos, um trabalho que envolveu “duas equipes de desenvolvimento e um hiato motivado pela pandemia”, escreveu Eddy Richman no anúncio oficial.

E… bem, apesar da demora, não espere ver muitas novidades. “Ao usuário final”, explica Eddy, “pode não parecer que há uma grande leva de mudanças, mas a maior e mais difícil parte do trabalho foi migrar o projeto inteiro do VisualStudio 2008 para o 2019 e fazê-lo compilar corretamente.”

Ele diz que, feito esse trabalho de base, “agora podemos nos concentrar mais nos recursos, seja corrigindo/trocando antigos ou adicionando novos”.

A nova versão do Winamp — ainda uma “release candidate”, ou seja, não é a versão final/estável — traz pelo menos duas melhorias mais notáveis: suporte ao Windows 11 e à reprodução de streams via https. Há, ainda, um punhado de atualizações e correções de CODECs.

Esta atualização não parece ter relação com o prometido “relançamento” do Winamp envolvendo streaming e NFTs, anunciado em 2021. Alívio para o pessoal prestes a tomar a quarta dose da vacina da covid-19 e que, por qualquer motivo, ainda ouve música por arquivos MP3 — como nos bons tempos. Via Winamp (em inglês).

O GitLab, serviço que oferece ferramentas e espaço para o desenvolvimento colaborativo de software, planejava excluir automaticamente projetos hospedados na plataforma em contas gratuitas após um ano de inatividade.

A medida, descoberta via fontes pelo The Register, pegou muita gente de surpresa. Segundo essas mesmas fontes, a motivação do GitLab era financeira: a exclusão poderia gerar uma economia de até US$ 1 milhão por ano.

A notícia, porém, desceu quadrada entre desenvolvedores. O GitLab sempre se posicionou como uma alternativa mais aberta ao GitHub, o titã do setor que a Microsoft comprou em 2018 por US$ 7,5 bilhões. O GitHub nunca excluiu repositórios inativos.

O GitLab se pronunciou dizendo que projetos inativos serão movidos para um armazenamento mais lento, ou seja, não serão excluídos. O The Register afirma ter provas de que esse desfecho resultou da repercussão negativa e que o plano original era excluir em definitivo esses projetos. Via The Register (2), @GitLab/Twitter (todos em inglês).

O ministro-turista das Comunicações, Fabio Faria, anunciou pelo Instagram que a atualização que ativa o 5G standalone brasileiro nos modelos de iPhone compatíveis “chega em setembro”. Essa era a maior preocupação do ministro.

“Em setembro” chega o iOS 16 e não seria surpresa — na real, era algo esperado — que a compatibilidade com o 5G standalone brasileiro viesse no pacote de novidades da versão.

No vídeo, Fabio aparece na área externa do Apple Park, sede da Apple, ao lado do presidente da Anatel, Carlos Baigorri. Tudo indica que não rolou um encontro com Tim Cook, CEO da Apple, ou qualquer outro executivo da empresa. Nada de fotos para biscoitar nas redes.

Com quem será que Fabio obteve essa importantíssima e exclusivíssima informação que mudará a vida de milhões centenas de brasileiros e que demandou uma viagem oficial aos Estados Unidos? Meu palpite é de que foi com algum atendente da loja souvenires da Apple.

Ah sim: ainda segundo a dupla dinâmica, a Apple estaria interessada “em fazer uma parceria em relação à proteção da Amazônia”. Agora sim, a Amazônia, aquela que segundo o chefe dele não precisa ser salva porque “não pega fogo”, será salva! Será tipo a “ajuda” do Elon Musk? Tipo… ah, nem sei mais o que comentar. Via @fabiofaria.br/Instagram.

Achei que a estratégia de lançar aplicativos “lite” para celulares lentos era coisa do passado, mas a Microsoft acabou de soltar o Outlook Lite com 5 MB e a promessa de funcionar bem até em redes 2G. Apenas para Android e em alguns países, Brasil entre eles. Via TechCrunch (em inglês).

Post livre #328

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O Discord para Android passou a ser desenvolvido em React Native, um framework para desenvolver aplicativos multiplataforma criado pela Meta (sim, a do Facebook e Instagram).

Até aí, tudo bem. O problema é que os usuários detestaram a nova versão. No subreddit do Discord o carinho da torcida está intenso.

A ideia desses frameworks multiplataforma é otimizar o trabalho. Em vez de criar dois apps, um para Android, outro para iOS, com eles é possível escrever apenas um código e, com modificações mínimas, compilar aplicativos para dois ou mais sistemas.

O aplicativo do Discord para iOS já era feito em React Native. O do Android, com ferramentas nativas, usadas para criar apps somente para Android. Isso tornava o desenvolvimento do app para iOS mais ágil e gerava retrabalho — tudo o que era feito em um não podia ser reaproveitado no outro.
A adoção do React Native resolve esse problema dos engenheiros e programadores, mas cria outro para os usuários: o novo aplicativo parece bem pior.

Quando algo assim acontece, é raríssimo que a empresa volte atrás — há muito investimento de tempo e trabalho nessas transições.

No comunicado oficial, que o Discord intitulou “uma empolgante atualização para o Discord no Android”, a empresa afirma que “continuará trabalhando para tornar o app do Android o melhor que ele pode ser”. Via Discord, @sandofsky/Twitter (ambos em inglês).

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

Em ano eleitoral, governo Bolsonaro paga R$ 89 milhões em campanhas que elogiam a gestão

por Bruno Fonseca

A Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal (Secom) pagou quase R$ 90 milhões neste ano para três campanhas de publicidade positivas da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Com os nomes “Governo Fraterno”, “Governo Trabalhador” e “Governo Honesto”, as três são as mais caras pagas pela Secom em 2022 — o que representa quase 60% de todos os gastos da secretaria neste ano, que foi de R$ 150 milhões. Juntas, elas são a ação publicitária mais cara de todo a gestão Bolsonaro, que já gastou R$ 838 milhões pela Secom desde 2019.

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por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da jornalista Dannie Peng  para o South China Morning Post, o mercado chinês de tecnologia quântica, considerada uma das novas fronteiras tecnológicas, valerá cerca de ¥ 80 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) em 2023. Em 2018, o mercado valia apenas ¥ 32 bi (~R$ 24 bi).

Antes o setor era limitado ao governo, mas a iniciativa privada vem demonstrando gradualmente mais interesse na tecnologia, sobretudo empresas de telecomunicação, energia elétrica e transporte.

Durante o lockdown de Shanghai, por exemplo, a Acadêmia Chinesa de Ciências Ferroviárias entrou em contato com uma empresa especializada no setor para levar a comunicação quântica ao gerenciamento da malha ferroviária de trens de alta velocidade.

Apesar das dificuldades, como altos custos e baixa familiaridade, o futuro parece ser promissor para as jovens empresas que fornecem esse tipo de tecnologia.


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