O Wall Street Journal obtive um documento interno da Meta, intitulado “Creators x Reels State of the Union 2022”, com dados suculentos da rixa entre Instagram e TikTok. Destaques de lá:

  • A audiência acumulada dos Reels, a resposta do Instagram ao TikTok, é de 1/10 do rival chinês: 17,6 milhões de horas por dia consumidas em Reels no Instagram contra 197,8 milhões de horas por dia no TikTok.
  • Nos EUA, apenas 20,7% dos cerca de 11 milhões de criadores de conteúdo do Instagram estão produzindo Reels.
  • Cerca de 1/3 dos Reels publicados no Instagram são originários de outras redes sociais, em especial o TikTok.
  • O engajamento dos usuários do Instagram com Reels tem caído. Em agosto, data da publicação do documento, a audiência dos Reels estava em queda de 13,6% em relação às quatro semanas anteriores.
  • Do documento: “A maioria dos usuários de Reels não têm qualquer engajamento.”

A Meta disse, via porta-voz, que os números são desatualizados e não refletem a realidade. Só não especificou qual realidade, se a nossa ou a em que Mark Zuckerbergh parece estar vivendo. Via Wall Street Journal (em inglês).

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, analisou o impacto psicológico do uso do Twitter.

Os pesquisadores descobriram que o uso do Twitter está associado com diminuição do bem-estar, aumento da polarização, aumento do senso de pertencimento, aumento da indignação e aumento do tédio.

Apesar disso, eles não recomendam o abandono do Twitter, porque variações no modo de uso da rede resultam em efeitos distintos, às vezes contrário aos relativos à média. Leia o paper (em pre-print, em inglês) na íntegra clicando aqui.

O AdGuard, empresa especializada em soluções de bloqueio de conteúdo/anúncios, lançou a primeira extensão do Chrome adaptada ao Manifesto V3, a nova (e polêmica) API de extensões do navegador do Google que limita a ação de bloqueadores de anúncios e será obrigatória a partir de janeiro de 2023.

A extensão ainda tem caráter experimental. Ciente disso, baixe-e aqui.

Em um post no blog oficial, a empresa explica detalhadamente todos os entraves que o Manifesto V3 impôs ao desenvolvimento de uma versão da extensão do Chrome compatível — alguns, intransponíveis. Apesar da dor de cabeça, ela conclui que:

Embora a extensão experimental não seja tão efetiva quanto sua antecessora, a maioria dos usuários não sentirá a diferença. A única coisa que você talvez note são anúncios piscando devido ao atraso na aplicação de regras cosméticas.

Via AdGuard (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Em mais um capítulo da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, Washington mandou a AMD parar de vender seu chip de inteligência artificial mais avançado para a China, medida que se estendeu também à Nvidia.

Pequim considerou o banimento um ato de “hegemonismo tecnológico”, mas representantes do setor na China consideram que, apesar das dificuldades iniciais, a decisão dos EUA deve impulsionar a indústria chinesa de chips. Mas, em contraste, as restrições ao compartilhamento de tecnologia com a Huawei foram aliviadas para conter o avanço chinês na padronização tecnológica global, segundo apurou a Bloomberg.

De todo modo, os EUA estudam ainda limitar os investimentos feitos por empresas do país em companhias de tecnologia da China: o governo Biden estaria negociando com o Congresso a formulação de uma lei que exija a divulgação antecipada de investimentos em determinados setores industriais chineses e que dê ao governo o poder de vetá-los.

Ainda no campo da tecnologia, autoridades chinesas acusaram os EUA, especificamente a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), de tentarem hackear a Universidade Politécnica do Noroeste em Xi’an. A instituição participa ativamente em pesquisas envolvendo os programas aeronáutico e espacial chinês. Será que o jogo virou?

Falando de relações China-EUA, a pesquisadora Yuen Yuen Ang publicou um excelente texto na revista Noema sobre o que está em jogo na competição das grandes potências. Segundo a autora, longe de um “confronto civilizacional” ou de uma “nova guerra fria”, Pequim e Washington estão em uma corrida para domar os excessos do capitalismo, cada um a seu modo. Vale um cafezinho.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

TikTok e Kwai levam desinformação sobre urnas e Forças Armadas ao WhatsApp

por Agência Pública

Por Laura Scofield e Nathallia Fonseca.

“Togados, vagabundos, preparem-se”, alertou um homem em um vídeo feito no Kwai, rede social chinesa que existe para criar e compartilhar vídeos curtos. “Nós não vamos só invadir o STF [Supremo Tribunal Federal] não, nós vamos pendurar vocês de cabeça para baixo”, ameaçou.

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Um alerta do tipo “first world problems”, mas… né, importante: se você tem um iPad ou Mac além do iPhone, talvez seja uma boa esperar para atualizar o celular para o iOS 16, a nova versão disponível ao público nesta segunda (12).

O iPadOS 16 e o macOS 13 Ventura saem mais tarde, provavelmente em outubro. Nesse ínterim, usar o iOS 16 no celular pode causar algumas anomalias na sincronização entre esses dispositivos, daí a recomendação para adiar a atualização do iPhone.

Às vezes, essas incompatibilidades são sutis e difíceis de detectar. Mês passado, por exemplo, notei que o Safari do meu MacBook não estava sincronizando com o celular e o tablet. Daí vi que o notebook era o único do trio que ainda não estava na versão mais recente, que corrigia umas falhas, entre elas uma no Safari. Bastou atualizado o macOS e o Safari voltou a sincronizar direito.

O iOS 16 traz algumas novidades relevantes, com destaque para a nova tela de bloqueio personalizável e com suporte a widgets. Apesar disso, eu escolhi esperar.

Como criptografar arquivos e diretórios em qualquer nuvem — Dropbox, Google Drive, iCloud, OneDrive etc.

A maioria dos serviços comerciais de nuvem, como Dropbox, Google Drive, OneDrive e iCloud, só criptografa os arquivos e diretórios/pastas em trânsito. Isso significa que seus arquivos podem ser vistos por pessoas que tenham acesso aos servidores e manipulados por sistemas automatizados.

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DJ Alok contra os lasers destruidores de câmeras no Rock in Rio e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Da empresa que se diz preocupada com o meio ambiente: capinhas da linha iPhone 13 não podem ser reutilizadas no iPhone 14 por questão de milímetros e alterações no posicionamento dos botões laterais. O iPhone 14 “comum”, por exemplo, é 0,15 mm mais grosso que o iPhone 13. Via 9to5Mac (em inglês).

O marketing terrorista e o novo consumidor aspiracional da Apple

Depois do terrorismo clínico, mais uma vez reforçado na apresentação de novos produtos nesta quarta (7), com outra leva de relatos de usuários do Apple Watch salvos por seus relógios de ataques cardíacos e de ursos, o marketing da Apple ampliou os tipos de terrorismo a que sujeita o consumidor na ânsia de vender mais telefones e relógios.

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Post livre #333

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O Bitwarden, aclamado gerenciador de senhas, anunciou o recebimento de uma rodada de investimentos de US$ 100 milhões (~R$ 520 milhões) nesta terça (6).

A empresa foi bastante cautelosa no comunicado, reforçando em vários momentos que nada deverá mudar para os usuários finais. “Este investimento representa uma forte afirmação do modelo de negócio existente do Bitwarden e um compromisso em dar continuidade aos nossos valores principais”, diz o texto assinado por Michael Crandell, CEO do Bitwarden.

O Bitwarden é bem quisto pela comunidade por ter o código aberto e oferecer uma versão gratuita bastante generosa, a ponto de tornar dispensável a paga — e mesmo essa custa pouco, US$ 10 por ano. É, de fato, uma ótima solução para gerenciamento de senhas.

O dinheiro será “investido sabiamente” em áreas adjacentes, como gerenciamento de autenticação e tecnologias sem senha, com foco em clientes corporativos. A empresa também pretende gastar na expansão internacional, incluindo a América Latina.

Não é à toa o cuidado na comunicação. Muita gente correu para o Bitwarden depois que o 1Password levantou US$ 620 milhões e iniciou uma série de alterações hostis aos usuários finais, como acabar com a versão “self-hosted”, mudar o modelo de negócio de venda única para assinatura, e converter o aplicativo nativo do macOS para um baseado em Electron. Via Bitwarden (em inglês).

A revista Real Life anunciou o encerramento das suas atividades nesta terça (6). O comunicado foi feito na newsletter e, segundo o editor Rob Horning, o fim se deve à falta de financiamento.

A Real Life surgiu em 2016, bancada pela Snap (do Snapchat). Não sei se nesses seis anos a revista diversificou sua fonte de receita, mas o anúncio coincide com um momento delicado da Snap: semana passada, a empresa anunciou um corte de 20% da força de trabalho e o fim de várias iniciativas paralelas ao aplicativo principal. Se for o caso, é mais um projeto editorial bancado por uma empresa de tecnologia que é abandonado ao primeiro sinal de crise — em junho, aconteceu com o LABS/Ebanx.

Era uma ótima publicação. O Manual do Usuário mantinha uma relação frutífera com a Real Life, traduzindo e republicando alguns ensaios fascinantes (veja o arquivo). O arquivo da revista, em inglês, ficará disponível por tempo indeterminado.

Fará falta. Via Real Life (newsletter), The Verge (ambos em inglês).

A Senacon, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, proibiu a Apple de vender iPhones no Brasil e aplicou uma multa de R$ 12 milhões à empresa devido à ausência do carregador de parede na caixa do celular.

No despacho (leia a íntegra) publicado no Diário Oficial da União nesta terça (6) e assinado pela diretora Laura Postal Tirelli, a Senacon alega que a Apple infringiu dispositivos do decreto nº 2.181/97, como a prática de venda casada e venda de produto incompleto.

Além de proibir a venda em território nacional, a Senacon também pediu a cassação das homologações junto à Anatel de todos os modelos de iPhone a partir do iPhone 12. Do despacho:

Vislumbra-se que, mesmo com aplicação das multas administrativas levadas a efeito pelos PROCONs do país, e das condenações judiciais aplicadas no território nacional, a Apple Computer Brasil não tomou nenhuma medida com vistas a minimizar o dano, permanecendo até a presente data vendendo aparelhos celulares sem carregadores. E como se vê da Nota de Repúdio anexada, avalizada por todos os Procons Estaduais e demais integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, a prática da representada de retirar os carregadores das embalagens dos smartphones comercializados é veementemente repudiada pelos órgãos e entidades de defesa do consumidor atuantes em território nacional.

Via Estadão.