Em outubro de 2020, o governo federal, entidades independentes e as operadoras lançaram a campanha #FiqueEsperto para “para alertar usuários sobre segurança e tentativas de golpes na internet.” A cada mês, a campanha aborda um tema específico para trabalhar junto à população.

O tema de fevereiro são as tentativas de fraudes com a utilização de links em mensagens. Recebi o comunicado esta manhã, contendo uma lista de dicas, entre elas verificar se o remetente é confiável e tomar cuidado com links.

A ironia? Uma das frentes da #FiqueEsperto consiste no disparo de mensagens de SMS, sem identificar o remetente, com links para seu site. O Henrique recebeu a deste mês e, embora certamente não seja, parece de propósito. Não cabe em palavras a ironia de alguém receber, de um remetente desconhecido e duvidoso, uma mensagem com link dizendo para tomar cuidado com links em mensagens enviadas por remetentes desconhecidos e duvidosos.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O O&O ShutUp10 é um pequeno utilitário com mais de uma centena de opções para tornar o Windows 10 menos bisbilhoteiro. Ele permite desativar recursos de telemetria e “inteligentes”, que embora possam ser convenientes, por vezes só o são à custa da privacidade do usuário. O app é gratuito para usuários domésticos e não precisa ser instalado, e oferece botões simples para fazer configurações em lote (“ativar configurações recomendadas” ou “ativar tudo”, por exemplo). Download aqui.

Fenômeno curioso se desenrola na internet em torno do Big Brother Brasil. No Telegram, canais e grupos têm arregimentado audiências enormes para acompanhar o reality show da Globo. O canal @Espiadinha conta com 101 mil inscritos e cada post chega fácil a 400 comentários. Já o @canalbbb tem 134 mil e ainda mais comentários por post. O grupo @chatbbb21 tem 7,4 mil membros e, na tarde desta segunda (1), 1,2 mil deles estavam online debatendo o programa. Dica do @pinguinsmoveis.

Há poucos perfis no Twitter com mais de 50 mil seguidores — a exceção é o @RadarBBB, com 239 mil. (Do Instagram não sei porque impossível verificar isso sem ter conta lá.)

Os super grupos e canais do Telegram são, sim, um risco à plataforma, mas também uma força para popularizá-la.

Começou nesta segunda (1) a primeira fase do Open Banking, iniciativa do Banco Central para aumentar a competitividade no setor bancário — e, com isso, baratear custos. Nessa fase, as instituições bancárias compartilharão entre elas dados gerais de operação, como canais de atendimento, produtos, condições e taxas cobradas. Via Metrópoles.

O cronograma do Open Banking prevê quatro fases, todas programadas para 2021. Leia esta matéria para saber o que esperar do Open Banking.

O desenvolvedor Allan Fernando Armelin da Silva Moraes criou o FuiVazado!, um site para que brasileiros consultem se seus dados (e quais deles) estão no mega vazamento de janeiro. Após alguns dias praticamente inacessível devido ao volume de acesso (quase meio milhão só no dia 29), na manhã desta segunda (1) ele não estava congestionado.

Especialistas divergem sobre a legalidade do site, porém. Para fazer a consulta, ele pede CPF e data de nascimento. Na tela seguinte, exige uma lista apontando quais dos 37 tipos de dados presentes no vazamento há os do usuário que fez a consulta. Via Uol Tilt.

Atualização (13h30): O Allan divulgou o código-fonte do site no GitHub.

Atualização (11h25): Muita gente levantou suspeitas da idoneidade do site FuiVazado!. Risco sempre existe, e se por um lado o fato do autor ter se identificado ajuda a mitigá-lo, por outro o código do site não ser aberto joga contra. Não me parece, porém, pelas declarações do Allan e seu histórico, que ele esteja por trás de algum plano mirabolante para coletar dados e/ou validar os do banco vazado. Em todo caso, o receio é compreensível e caso se sinta desconfortável com as circunstâncias do FuiVazado!, é aconselhável não fazer a consulta.

Toda semana acumulo links curiosos, vídeos ou coisas legais, mas que achei não valiam uma notinha. Descaradamente inspirado pelos link packs da Tina, decidi reuni-los numa lista e publicá-la aqui. Se funcionar, todo sábado sai um novo “Achados e perdidos”. Se não, ninguém viu ?


— Matty Benedetto desenvolve produtos desnecessários, ou inúteis. O último deles, acima, é um pote de álcool gel que se conecta ao iPhone 12 via MagSafe (em inglês).

— A Fujifilm lançou esta semana a X-E4, uma câmera mirrorless com lentes intercambiáveis bem compacta. Adorável, mas que cara! Detalhes no Digital Photography Review (em inglês).

— A Xiaomi está desenvolvendo um caixote capaz de recarregar celulares à distância (em inglês), sem fios. Ainda é só um protótipo, porém.

— Sempre atual (infelizmente) esta representação visual e em escala da riqueza. Prepare o dedo, porque tem que rolar muito, mas muito mesmo para chegar ao fim. (Dica do Vitor, no post livre.)

— Bem bonitos estes papéis de parede do Hector Simpson inspirados nos clássicos do OS X, mas modernizados. Seus por US$ 3.

— Por falar em papéis de parede, o Aquino, chapa deste Manual do Usuário, consolidou e relançou seu império de papéis de parede de games. Eles agora estão de casa nova, o My Game Wallpapers.

— O merchã chegando a locais nunca antes explorados pelo capitalismo: a Tramontina lançou uma linha de panelas oficiais (?) do filme Mulher-Maravilha 1984.

— Guy Dupont pegou um iPod Classic, de 2004, e o modificou para que ele rodasse o Spotify. O nome é tão genial quanto o projeto em si: sPot (em inglês).

O Banco Central pretende turbinar o Pix em 2021. As novas funcionalidades do sistema de pagamentos instantâneos são muitas e variadas — de movimentação em contas salário a saques, passando por parcelamento e débito automático (para viabilizar pagamentos recorrentes). Via LABS.

O mega vazamento de dados pessoais no Brasil já está sendo explorado por estelionatários, segundo o G1. Eles estariam usando o CPF e outros dados para se cadastrarem no INSS e, informando um e-mail falso, sacarem o FGTS. A dica para evitar transtornos é antecipar-se a eles e fazer o cadastro no Caixa Tem. Via G1.

Sem divulgar valores, nesta semana o Twitter anunciou a compra da Revue, um serviço de newsletters, e imediatamente implementou mudanças: liberou os recursos “Pro” para usuários gratuitos e baixou a comissão cobrada das newsletters pagas para 5%, metade da do Substack. O modelo de negócio da Revue é similar ao do Substack, rival que teve um crescimento meteórico em 2020. Para mudar essa história, o Twitter vai alavancar sua rede social para promover as newsletters da Revue. O histórico da empresa com aquisições do tipo não é bom, porém — lembra dos fiascos que foram as do Periscope e do Vine? Via Twitter (em inglês), @wongmjane/Twitter (em inglês).

Na primeira rodada de decisões do Comitê de Supervisão independente do Facebook, vimos resultados meio esquisitos. Em um dos casos julgados, o Comitê reverteu a exclusão de um post em Mianmar em que alguém dizia que muçulmanos têm algo errado na cabeça por não reagirem ao tratamento dado pela China aos uigures muçulmanos com a mesma intensidade com que reagem a caricaturas de Maomé na França. “Embora o post possa ser considerado ofensivo, ele não atingiu o nível de discurso de ódio,” diz a decisão. Via Comitê de Supervisão.

A grande polêmica, porém, foi a reversão na exclusão do post de um homem na França, publicado em um grupo em outubro de 2020, que reclamava do governo pela falta de autorização para o uso de hidroxicloroquina combinada com azitromicina no tratamento da COVID-19. O texto também questionava o que a sociedade tinha a perder ao permitir que médicos receitassem um “remédio inofensivo” quando os sintomas da doença aparecessem. O Facebook havia justificado a exclusão com as suas regras específicas de COVID-19 e de risco iminente de dano físico — o que, e o Brasil é prova disso, está correto.

Surpreendentemente, o Facebook informou, por nota, que não acatará a decisão do Comitê relacionada ao post da COVID-19. Provavelmente a coisa certa a ser feita, mas já na largada esse caso coloca em xeque o poder do Comitê.

Em tempo: é esse Comitê que decidirá o futuro de Donald Trump nas plataformas do Facebook.

Os aplicativos rivais do WhatsApp continuam aproveitando o momento. O Telegram 7.4, liberado nesta quinta (28), permite importar o histórico de conversas de outros apps — incluindo, obviamente, do WhatsApp. Via Telegram.

Enche o coração ver rico se dar mal, mas a história do r/WallStreetBets manipulando o valor de mercado da GameStop para lucrar em cima das vendas a descoberto (um “short squeeze”) de fundos hedge é mais complexa que isso. A história em si já é complexa; refiro-me ao contexto do evento.

As pessoas do r/WallStreetBets que organizaram o “hack” são niilistas com tendências antissistêmicas. Lembram sabe quem? Trumpistas/golpistas do Capitólio. Proto-terroristas do #Gamersgate. Jornadas de Junho/bolsonaristas ferrenhos. Tudo parece muito bonito, inspirador, até que a essência da coisa é subvertida (ou revelada) e nos deparamos com algo grotesco.

Não me entenda mal: o mercado de capitais é grotesco. Da ideia original de popularizar riscos e lucros, hoje ele é um fim em si mesmo. E é disso que decorre muitas das suas irracionalidades e injustiças, que o transforma em um cassino. (Não há maneira melhor de explicar a venda a descoberto do que sendo uma grande aposta.) O que o r/WallStreetBets fez foi instrumentalizar, na força bruta, algumas dessas irracionalidades para prejudicar os donos da banca e (importante dizer) enriquecer no processo. Há muito mais ressentimento e oportunismo do que senso de justiça norteando as ações deles.

Estamos (ou deveríamos estar) vacinados com o papo de “pior que tá, não fica”, e… bem, não precisa ir muito longe para sacar o ethos dos caras: a descrição do r/WallStreetBets é “Like 4chan found a bloomberg terminal illness.”

Da série pequenas ideias, grande utilidade, o WhatsApp passará a exigir autenticação biométrica para liberar o uso do app em computadores (aplicativo e versão web). Via G1.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

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