Com cerca de dez funcionários, o Bluesky tem sofrido para apagar os múltiplos incêndios gerados pela sua pequena base de usuários, de ~60 mil pessoas.

  • Semana passada, uma falha no software da rede social combinada com inteligências artificiais gerativas e uma “trend” que inundou os feeds de fotos de bumbuns gerou o caos no Bluesky.
  • Antes disso, a chegada do jornalista norte-americano Matthew Yglesias, famoso por suas provocações gratuitas, gerou uma chuva de xingamentos e ameaças contra ele. Problema? O Bluesky ainda não tinha um botão de bloquear perfis.
  • Aqui e ali, há relatos de conteúdo e/ou posts indicando como lidar com neonazistas que teriam conseguido acesso à plataforma.
  • No sábado (6), talvez temendo dores de cabeça com as quais não pode lidar no momento, o perfil oficial do Bluesky anunciou uma proibição um tanto estranha: chefes de Estado estão proibidos de ingressar na rede.

Enquanto isso, a federação segue desligada, o que na prática faz do Bluesky uma rede centralizada no momento, com apenas um servidor ativo.

Sua mãe merece roupas da Insider neste Dia das Mães

por Manual do Usuário

Vamos combinar uma coisa? Neste Dia das Mães, está proibido dar jogo de potes de plástico ou panela de pressão para a pessoa maravilhosa que te deu à luz.

Em vez disso, a Insider traz algumas sugestões de presentes que farão sua mãe se sentir bonita e bem consigo mesma. Afinal, ela merece.

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Denúncias fajutas de manipulação algorítmica no Twitter e Google não ajudam na luta pela regulação das big techs

A boa crítica exige um conhecimento razoável do objeto que se quer criticar, sob o risco do crítico passar vergonha, gerar ruído e/ou tumultuar o debate.

Nos últimos dias, com o ambiente acirrado devido ao debate em torno do PL 2630/20, o PL das fake news, testemunhamos alguns deslizes meio… complicados.

No dia 1º de maio, Daniela Lima, jornalista da CNN, mostrou ao vivo que não conseguia publicar no Twitter uma mensagem favorável ao PL das fake news.

Naquele dia, o Twitter sofreu uma pane global, evento recorrente desde que Elon Musk demitiu 75% dos funcionários. A pane provavelmente explica a dificuldade que Daniela teve em postar a mensagem.

Ainda não fosse o caso, é preciso cautela antes de fazer esse tipo de acusação, gravíssima. Uma análise do contexto ajuda: o Twitter mal tem representação no Brasil e Musk não havia manifestado qualquer interesse — ou mesmo conhecimento — pelo debate do PL das fake news.

Print do Google mostrando a sugestão (“Você quis dizer”) de “lula corrupção” para uma pesquisa por “lula coroação”.
Print: @felipeneto/Twitter.
Dias depois, em 5 de maio, foi a vez do influenciador Felipe Neto ir às redes denunciar o Google por sugerir, em pesquisas por “lula coroação”, o termo “lula corrupção”. A mesma pesquisa por “bolsonaro coroação” era corrigida para “bolsonaro coração”.

O termo “coroação” estava em alta devido à coroação de Charles III, um evento anacrônico (e brega) ocorrido no Reino Unido no último sábado (6) e que contou com a presença de Lula.

Poderia ser parte da campanha ardilosa do Google contra o PL das fake news? Eh… acho que não.

Felipe afirma em sua postagem que “se trata de um erro algorítmico”, mas não é um erro; é como o algoritmo funciona. Muita gente já pesquisou por “lula corrupção”, o que desengatilha a sugestão do buscador para termos minimamente próximos daquele, como “coroação”. Para Bolsonaro, o “coração” provavelmente vem daquela pataquada de trazer o coração de Dom Pedro II de Portugal para servir de cabo eleitoral na sua fracassada campanha à reeleição.

A denúncia fajuta repercutiu em muitos jornais. Até o relator do PL das fake news, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), retuitou Felipe em tom indignado.

Em resposta, e mesmo sem culpa, o Google removeu as duas sugestões, de Lula e Bolsonaro.

Ainda hoje, porém, se você pesquisar por “bolsonaro machadinha”, o buscador sugerirá “bolsonaro rachadinha”. Felipe ou qualquer um do lado governista defenderia a tese de que Bolsonaro é perseguido pelo Google?

Nenhuma dessas denúncias equivocadas parece ser intencional, feitas de má-fé. Isso não as isenta de serem classificadas como incorretas, mentirosas, no mínimo carentes de comprovação, o que, em qualquer caso, é grave.

A essa altura do campeonato, são deslizes bobos, equívocos óbvios, e esse pessoal, que deveria ser letrado em internet, parece ter desligado os filtros diante de qualquer evidência, por mais frágil que seja, quando os ânimos acirraram.

Livro anti-Amazon, rede social só para robôs e outros links legais

Existe rede social para tudo e para todos, e na maioria delas robôs são um problema. Não na Chirper: trata-se de uma rede social exclusiva para robôs/inteligências artificiais.

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Discord entra no servidor Brasil

No último domingo (30/4), o Brasil conheceu o Discord. Em uma longa reportagem, o Fantástico da Rede Globo denunciou a existência de grupos na plataforma que estimulam e assediam adolescentes a cometerem atos cruéis contra si mesmos.

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O Google virou a chave e habilitou as passkeys, ou chaves-senha, para a Conta Google. A ideia desse novo padrão é substituir senhas e o segundo fator de autenticação por um dispositivo: o próprio celular torna-se uma chave física, protegida por biometria ou código de desbloqueio.

A iniciativa é apoiada por todas as gigantes da tecnologia — a Apple implementou suporte às chaves-senha no iOS 16, Chrome e Android já suportam… A promessa é de mais conveniência e maior segurança.

O desafio, porém, é comunicar isso e explicar os cenários improváveis, mas críticos, como o que acontece em caso de perda ou roubo do celular. Até mesmo em publicações especializadas, como o The Verge, muitos leitores/comentaristas manifestam dúvidas e confusão com o padrão.

Caso queira ativar a chave-senha em sua Conta Google, basta entrar nesta página e seguir as orientações. Via Blog de segurança do Google (em inglês).

Em entrevista à Bloomberg, Arvind Krishna, CEO da IBM, disse que a empresa suspenderá contratações de cargos que ele acha podem ser substituídos por inteligência artificial. Nas contas do executivo, em áreas que não lidam diretamente com clientes, como recursos humanos, cerca de 30% dos trabalhadores podem ser trocados por uma IA. São cerca de 7,8 mil cargos que, ainda de acordo com Krishna, serão desativados nos próximos cinco anos. Via Bloomberg (em inglês).

A Automattic anunciou o fim da integração do WordPress.com e do plugin Jetpack com o Twitter. No comunicado oficial, a empresa disse ter tentado, de boa-fé, chegar a um acordo com o Twitter em relação à nova política e aos preços do acesso da API, o que não ocorreu. É uma perda relevante para o Twitter: cerca de 40% dos sites ativos da web usa WordPress.

E é assim, com quebras, interrupções e desacordos, que o Twitter vai deixando de ser uma espécie de “cola” que conectava a internet para tornar-se um depósito de lixo radioativo.

Ah, detalhe: no mesmo comunicado, a Automattic avisou que vem aí a integração dos seus serviços com o Mastodon. Via Jetpack (em inglês).

O Banco Central anunciou duas novidades para melhorar a segurança do Pix:

  1. Notificação de infração, que permitirá às instituições financeiras rotular usuários e chaves Pix como suspeitos de fraudes com detalhamento do tipo de fraude e razão da notificação.
  2. Uma reformulação nos dados disponibilizados às instituições para análises antifraude. Além de um conjunto mais amplo de dados, como os citados acima, o período dos dados disponíveis será ampliado de seis meses para até cinco anos.

As novidades começam a valer a partir de 5 de novembro. Via Banco Central.

A pedido do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), adiou a votação do PL 2630/20, o PL das fake news. Embora tivesse a prerrogativa para tomar a decisão, Lira ouviu as lideranças da casa. A maioria apoiou o relator. Em seu pedido, Orlando pediu mais tempo para analisar as mais de 70 emendas ao projeto feitas por outros deputados desde a apresentação do parecer final, na última quinta-feira (27). Via Câmara.

O Mastodon mexeu em um aspecto importante do aplicativo oficial. Agora, novos usuários são direcionados à instância dos desenvolvedores, mastodon.social, em vez de serem apresentados à infinidade de instâncias públicas. Talvez seja reflexo do calor que o Bluesky vem dando ou do #maystodon, a campanha para apresentar o Mastodon a mais gente. Embora controversa, acho a mudança boa. O conceito de instâncias/servidores pode ser confuso e sem dúvida afasta muita gente de lá. Via Mastodon (em inglês).

Senacon determina mudanças em campanha do Google contra o PL das fake news

A Senacon determinou, com base no Código de Defesa do Consumidor, que o Google sinalize como publicidade o link que incluiu na página inicial do buscador contrário ao PL 2630/20, o PL das fake news que deve ser votado esta semana na Câmara.

O texto do Google ora dizia “O PL das fake news pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil”, ora “O PL das fake news pode piorar sua internet”, e levava a conteúdos no blog do Google contrários à aprovação do PL 2630/20.

A medida cautelar também prevê multa de R$ 1 milhão por hora em descumprimento e a obrigação de um link de “contrapropaganda”, com conteúdo oposto ao dos materiais do Google, com igual destaque. Leia o texto na íntegra (PDF).

O Google removeu prontamente o link após a coletiva de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no início da tarde desta terça (2).

Nos últimos dias, o Google subiu o tom da sua campanha desleal contra o PL 2630/20.

No YouTube, donos de canais se deparam com um link no YouTube Studio para outro post com teor terrorista da empresa.

Em paralelo, o Ministério Público Federal de São Paulo solicitou informações ao Google a respeito de possível manipulação de resultados, favorecendo conteúdos contrários ao PL 2630/20. A empresa tem dez dias para responder.

A Meta também publicou um texto crítico no dia 29 de abril, não assinado, ao PL das fake news. A empresa afirma que a corresponsabilidade pelo conteúdo pago aumentará custos e prejudicará principalmente pequenos negócios. Via @JusticaGovBR/YouTube, G1, Agência Brasil.

Atualização (17h32): Corrigido o link para o PDF da medida cautelar da Senacon e alterado o título que, no original, dizia incorretamente que a Senacon determinou a remoção do conteúdo publicitário do Google.

Jaqueta de teclado, o reforço high-tech da Guarda Municipal de Sumaré (SP) e outros links legais

BeReal e Clubhouse, startups de um truque só?

Reza a lenda que quando Steve Jobs tentou comprar o Dropbox, então uma pequena startup, o ex-CEO da Apple argumentou que o Dropbox era um recurso, uma funcionalidade, e não um produto.

O Dropbox ainda está aí, como toda boa empresa de tecnologia: capital aberto, demitindo centenas de pessoas e apostando tudo em inteligência artificial, provando que talvez Jobs estivesse errado.

Outras empresas, porém, parecem estar provando que às vezes uma boa ideia é só isso, uma boa ideia, e não serve de base para a constituição de uma empresa.

Tomemos o BeReal, a rede social francesa que ganhou tração limitando os usuários a uma postagem por dia, todas feitas no mesmo horário.

O BeReal ascendeu e caiu no ostracismo sem lançar um mísero recurso novo. Alguém lá dentro deve ter se tocado disso, o que levou à divulgação de uma novidade: agora, os usuários podem postar não uma, mas três vezes por dia. Oportunidade perdida e um forte indício de que toda a criatividade da equipe foi consumida pela ideia inicial.

O Clubhouse foi outra. Em janeiro de 2021, perto do pico de ansiedade provocado pela pandemia de covid-19, um delírio coletivo apontou as salas públicas de áudio como o futuro da internet. Milhões investidos, rivais pesos-pesados copiando recursos e… você se lembra do Clubhouse?

Nesta quinta (27), o Clubhouse demitiu metade dos funcionários para “reiniciar” a empresa que, dizem os fundadores, está construindo algo de que “o mundo precisa” e, por qualquer motivo, só conseguirá isso com 50 pessoas trabalhando em vez de 100. Via BeReal, Clubhouse (ambos em inglês).

O texto final do PL 2630/20, o PL das fake news, foi apresentado na noite desta quinta (27) pelo relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

A proposta cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, com regras e responsabilidades para plataformas que tenham mais de 10 milhões de usuários no Brasil.

Entre as novidades, ficou de fora a criação de uma entidade autônoma de fiscalização das plataformas, ideia que enfrentava forte oposição na Câmara. Outra que chamou a atenção foi a obrigação permitir o acesso gratuito a dados das plataformas para pesquisas, no que parece uma resposta direta a mudanças recentes no Twitter. Infelizmente, a imunidade parlamentar estendida às redes sociais foi mantida no texto.

O Núcleo fez uma boa análise dos principais pontos do texto, que vai à votação em plenário na próxima terça (2/5). Leia aqui (PDF) a íntegra do texto final e o parecer preliminar. Via Câmara.