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Está ouvindo? É o Clubhouse, a nova rede social de áudio

Foto em close de um iPhone num ambiente escuro, com ícones do Clubhouse (em destaque/focado), Instagram, Twitter e Facebook na tela.

Não se fala em outra coisa. Na última semana, o Clubhouse, uma nova rede social norte-americana, não saiu dos trending topics e dos jornais, atraindo milhares de anônimos e famosos, todos com seus iPhones na mão e AirPods nos ouvidos. Sob o risco do hype baixar tão rápido quando subiu, o que tornaria este artigo um registro histórico mais do que um jornalístico, faço essa tentativa mesmo assim.

Primeiro, vamos ao básico. O Clubhouse é uma rede social baseada em áudio. Não há trocas de mensagens de texto nem vídeo, é tudo por áudio mesmo. É a vingança dos adoradores de áudio do WhatsApp, sempre criticados por todo mundo, incluindo muitos que agora batem cartão todo dia no Clubhouse.

Ao abrir o app (por ora, só para iPhone), o usuário se depara com salas listadas de acordo com quem ele segue e quais interesses indicou no cadastro. Cada sala tem um tema/título, moderadores, “speakers” (quem pode falar) e a plateia. Toque em uma e você começa a ouvir a conversa e pode ver, na tela, os rostos de todo mundo que está lá dentro. Também é possível criar uma sala; não há qualquer restrição nesse sentido.

É tudo muito exclusivo e imperdível no Clubhouse. Para entrar, você precisa ser convidado, um lance meio Orkut em 2004. Lá dentro, você só tem dois convites à disposição, limitação que estaria gerando um mercado paralelo de convites. (No Mercado Livre, vejo aqui, os preços variam de R$ 30 a R$ 120.) Embora a versão para Android esteja nos planos, no momento o Clubhouse só tem aplicativo para iOS (iPhone), o que exclui mais da metade da pessoas que têm celulares. Estar no Clubhouse, hoje, é para poucos, e nesse clube restrito há muita gente famosa, como José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, que apareceu do nada em uma sala para responder perguntas do Big Brother Brasil no último fim de semana, evento que pode ser considerado o marco inicial do Clubhouse no país.

(Os convites do Clubhouse são atrelados a números de telefone e o app tenta, de diversas formas, ganhar acesso à sua lista de contatos no celular e em outras redes sociais. Ah, e proíbe pseudônimos. A gente não aprendeu nada mesmo!)

Essa é a parte do exclusivo. A do imperdível (e talvez devesse escrever “imperdível”, entre aspas) se revela na arquitetura do Clubhouse. As salas podem ser programadas ou criadas na hora e em ambos os casos, quando alguém que você segue está nela, o app dispara uma notificação. Tem que ser assim, porque as conversas são ao vivo e não são gravadas, ou seja, quem ouviu, ouviu; quem não ouviu não ouve mais. Tem duas salas que te interessam rolando ao mesmo tempo? Paciência, escolha uma e conviva com a sua decisão.

Print do Clubhouse mostrando as duas salas comentadas no parágrafo.
Imagem: Clubhouse/Reprodução.
O clima no Clubhouse, nesses primeiros dias, é o de uma conferência infinita, com salas/mesas redondas de variados assuntos, mas que invariavelmente se voltam a três temas: o Clubhouse em si, marketing digital e produtividade. Gargalhei quando vi, na terça (9), uma sala intitulada “PROIBIDO FALAR DE MARKETING DIGITAL PELO AMOR DE DEUS”. Abaixo dela, o assunto era “Selo de verificação do Clubhouse: como garantir o seu?” (Não existe selo de verificação no Clubhouse.)

Algumas salas ficam abertas por horas. Mesmo naquelas em que o assunto não envolve a tríade citada acima, fiquei com a impressão de que, fora os famosos (já vi Astrid Fontenelle e Otaviano Costa interagindo ali), todos os demais “speakers” eram publicitários, startuperos ou “growth hackers”. Essa leva inicial de entusiastas pode ser a bênção ou a maldição do Clubhouse.

Outro paralelo que tem sido feito é com podcasts, esse formato tão 2020. As salas realmente se parecem com podcasts ao vivo, mas com a possibilidade de participações dos ouvintes. A maioria daquelas lives de YouTube que explodiram na pandemia, com três ou mais pessoas falando sobre um assunto enquanto encaram a webcam, fariam total sentido aqui, e com vantagens — áudio é mais leve que vídeo e o app do Clubhouse continua funcionando quando a tela do celular está apagada.

Rohan Seth (ex-Google) e Paul Davison, os fundadores do Clubhouse, já sacaram esse potencial. Um dos pilares da expansão do aplicativo, que estima-se já levantou US$ 112 milhões em duas rodadas de investimento, é a criação de recursos como assinaturas, gorjetas e ingressos para salas. O que leva a um aspecto interessante da operação, o de não recorrer, pelo menos a princípio, à publicidade para se financiar. Se dará certo, o tempo dirá.

A popularidade repentina do Clubhouse não foi localizada no Brasil. O app foi lançado em abril de 2020, mas explodiu só nas últimas semanas, depois que gente famosa como os empresários Elon Musk e Mark Zuckerberg lotaram salas (capacidade máxima: 5 mil pessoas). Ele também fez barulho na Alemanha e já foi bloqueado na China, o que no Ocidente sinaliza, de uma maneira meio torta, que uma rede social se tornou popular. Segundo a startup, na penúltima semana de janeiro, portanto antes da grande onda de novos usuários, dois milhões de pessoas usaram o Clubhouse.

Os planos são ambiciosos e, dependendo da sua bolha, pode parecer que todo mundo está no Clubhouse. Mas não é bem assim. É realmente legal esbarrar com nomes conhecidos trocando ideias livremente, sem filtros, e no momento o app borbulha — dia desses o abri às 6h da manhã e já tinha salas, no plural, com centenas de pessoas. Por outro lado, muitas conversas (a maioria?) rapidamente ficam cansativas, arrastadas. Na comparação com podcasts, as salas do Clubhouse muitas vezes são “mesacasts” sem qualquer edição. Fazer ao vivo é uma arte que poucos dominam e, acredite, você talvez não ouvisse os seus podcasts favoritos se eles não fossem editados.

O Clubhouse se encaixa no cenário. Um app de conversas públicas por áudio, ao vivo e para grandes audiências faz sentido e é algo que não existia. Resta saber se, passada a empolgação inicial (e a segunda onda, quando a versão para Android sair), o que sobrar será suficiente para sustentar a operação e satisfazer os 180 (!) investidores da startup. E também como a chegada da concorrência afetará esse cenário. O Twitter já testa um clone chamado Spaces e o bilionário Mark Cuban está financiando outro com foco em podcasts ao vivo. Por ora, há muito falatório e poucas certezas no e sobre o Clubhouse.

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Foto do topo: William Krause/Unsplash.

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3 comentários

    1. Não usei o recurso do Telegram, mas, se entendi bem, é meio walkie-talkie, certo? Cada um fala um trechinho e os outros vão ouvindo na ordem? O Clubhouse parece mais uma call do Zoom/Skype, só que pública.

      1. Eu já usei o bate papo de áudio do telegram algumas vezes e ele funciona como uma conferência somente de áudio (similar a um skype ou outra ferramenta do tipo).

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