Com Vision Pro, Apple propõe um futuro estranho e solitário

O Vision Pro é o dispositivo eletrônico pessoal mais avançado já feito. As palavras são da Apple, mas a julgar pelas impressões de quem testou o headset de realidade mista da empresa, dá para acreditar que a frase de efeito não é só coisa do marketing.

Há anos objeto de rumores e vazamentos, o Vision Pro, a começar pelo nome, trouxe algumas surpresas ao ser revelado na última segunda (5). A imagem é cristalina, o “passthrough” (ver o exterior via câmeras) é excelente, o software é cheio daqueles detalhes deliciosos que só a Apple sabe fazer.

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Mais de seis mil comunidades do Reddit estão participando do apagão na plataforma nesta segunda (12). Elas pedem para que a plataforma volte atrás na cobrança da API — os preços anunciados inviabilizam aplicativos de terceiros, como o Apollo.

O site Reddark está monitorando todas as comunidades participantes do apagão.

A direção do Reddit não deu sinais, até agora, de que voltará atrás. Na sexta (10), Steve Huffman, CEO do Reddit, participou de um AMA (sessão de perguntas) desastroso, mantendo-se irredutível quando questionado sobre as medidas impopulares recentes.

Aos que se importam, a orientação é deslogar do Reddit e não acessar o site pelo menos até quarta-feira (14). Algumas comunidades voltarão nessa data; outras, continuarão fechadas por tempo indeterminado. Via r/Reddit (em inglês).

Na terça (6), completou-se dez anos das revelações de espionagem estatal, pela NSA (Estados Unidos) e GCHQ (Reino Unido), feitas por Edward Snowden. Hoje, Snowden vive na Rússia e sob o risco de ser preso caso saia de lá.

Em entrevista recente a Ewen MacAskill, um dos três jornalistas que noticiaram o vazamento de informações em 2013, Snowden disse não se arrepender e que “a tecnologia cresceu e se tornou enormemente influente”. E que:

Se pensarmos no que vimos em 2013 e nas capacidades dos governos hoje, 2013 parece brincadeira de criança.

Também no Guardian: o que realmente mudou dez anos após as revelações de Snowden? (em inglês).

A versão estável do Debian 12 “bookworm” foi lançada neste sábado (10). Fruto de quase dois anos de trabalho, a distribuição Linux chega com várias atualizações, pacotes não-livres nas imagens oficiais e a promessa de cinco anos de suporte. Via Debian (em inglês).

Bastou que Elon Musk abrisse a porteira da mesquinharia no Twitter para que outros executivos seguissem o mau exemplo.

Depois do Reddit, agora é a vez do YouTube. A plataforma de vídeos do Google enviou um e-mail ao projeto Invidious acusando-o de violar os termos de serviço da sua API.

(O Invidious é um “front-end” alternativo para o YouTube, mais leve e sem códigos de rastreamento nem anúncios. Veja este vídeo para entendê-lo.)

A mensagem padrão ignora que o Invidious não acessa APIs do YouTube. A resposta de um dos mantenedores do projeto foi bem direta:

Eles não entendem que nunca concordamos com nenhum de seus termos de uso/políticas, eles não entendem que não usamos a API deles.

E agora?

As coisas continuarão normalmente até não dar mais.

Via @iv-org/GitHub (em inglês).

Todas as demonstrações deles [Apple, do Vision Pro] eram de uma pessoa sentada em um sofá, sozinha. Essa poderia ser a visão do futuro da computação, mas não é a que eu quero.

Mark Zuckerberg, comentando o Vision Pro da Apple em uma reunião com funcionários da Meta.

Zuckerberg tem um argumento, mas talvez não seja a pessoa melhor posicionada para fazê-lo. Ficar sentado, sozinho, com um headset de realidade virtual não me parece muito melhor que ficar de pé, sozinho, com um headset de realidade virtual. Via The Verge (em inglês).

Christian Selig, criador e mantenedor do Apollo, aplicativo de Reddit para iOS, anunciou o fim da operação em 30 de junho. O motivo é a nova cobrança pela API do Reddit, que inviabilizará o negócio.

O comunicado de Selig detalha uma campanha suja que o Reddit encampou para manchar sua reputação. Selig fez bem o dever de casa, gravando as ligações para defender-se.

Ao contrário do Twitter, pioneiro nesse tipo de canalhice com desenvolvedores independentes, o Reddit não tem um substituto imediato pronto. Existe o Lemmy, mas ele é muito pequeno e pulverizado.

Talvez (e sendo otimista aqui), esse episódio lamentável se revele uma boa coisa e pequenas comunidades na web, como o nosso Órbita, ganhem um impulso com a dispersão de usuários do Reddit. Via r/ApolloApp (em inglês).

Atualização (9/6, às 7h47): Outros aplicativos também deixarão de funcionar em 30 de junho: ReddPlanet, Sync, Relay, RIF.

Em protesto à nova cobrança pelo acesso à API do Reddit, vários subreddits (como são chamadas as comunidades da plataforma) vão fechar por 48 horas ou mais na próxima segunda (12).

O maior subreddit do Brasil, o r/Brasil (1,4 milhão de usuários), aderiu ao protesto.

O protesto está sendo organizado no próprio Reddit, no r/Save3rdPartyApps.

Os novos preços da API do Reddit passam a valer em 1º de julho. Em uma postagem, o Reddit argumentou que as mudanças afetam aplicativos de “alto uso” ou que abusam da API. À Bloomberg, um porta-voz do Reddit disse que:

O Reddit precisa ser pago de forma justa para continuar suportando aplicativos de terceiros de alto uso. Nossos preços são baseados em níveis de uso que medimos para serem comparáveis aos nossos próprios custos.

O Reddit entrou em contato com esses desenvolvedores a fim de chegarem a um acordo. Foi numa dessas que Christian Selig, do aplicativo Apollo, revelou que o custo da API do Reddit — no caso dele, em torno de US$ 20 milhões por ano — inviabilizará o app.

Alguns subreddits estão comprometidos a sustentarem o apagão para além das 48 horas caso o Reddit não se sensibilize.

A medida do Reddit provavelmente tem a ver com o plano de abrir capital no segundo semestre. Além de fechar o cerco de apps de terceiros populares, o Reddit vai restringir conteúdo sexual nesses apps (a partir de 5 de julho) e, nesta terça (6), demitiu ~90 pessoas (5% da força de trabalho) e limitou novas contratações. Via Bloomberg, Wall Street Journal (ambos em inglês), Núcleo.

Virou uma espécie de tradição mórbida anual, após a abertura de uma WWDC, listar os dispositivos da Apple fadados ao ostracismo — aqueles que, mesmo ainda capazes, não receberão as novas versões recém-anunciadas dos sistemas operacionais da empresa.

Em 2023, as vítimas foram as seguintes:

  • iPhone 8, iPhone 8 Plus e iPhone X ficarão sem o iOS 17.
  • Todos os Macs lançados em 2017 (com exceção do iMac Pro) não receberão o macOS 14 Sonoma.
  • iPad Pro (1ª geração) e iPad de 5ª geração ficarão sem o iPadOS 17.
  • O Apple Watch passou incólume e todas as versões que rodam o watchOS 9 receberão o watchOS 10.

A Apple liberou, nesta terça (6), as primeiras versões beta dos novos sistemas para desenvolvedores. Elas não são recomendadas para uso no dia a dia. As versões finais, para uso geral, chegam no “outono” (do hemisfério Norte, primavera aqui), provavelmente em setembro. Via Apple (2) (3) (4) (todos em inglês).

Confirmando anos de rumores, a Apple apresentou nesta segunda (5) seus óculos de realidade aumentada, o Apple Vision Pro.

O Vision Pro se parece com óculos de ski e tem um cabo que o conecta à bateria, que é externa. A maior inovação parece ser uma espécie de tela externa na frente do headset, que exibe os olhos do usuário e dá pistas a quem está ao redor. A interação, baseada nos olhos e gestos, parece bem azeitada.

O Vision Pro parece um negócio que ainda não tem uma razão de ser. Por exemplo, a primeira aplicação que a Apple mostrou na demonstração foi abrir e ler sites.

Preço sugerido? US$ 3.499 (cerca de R$ 17,2 mil). Lançamento no início de 2024. Em instantes atualizo este post com o preço sugerido. Via Apple, @Apple/YouTube.

Tráfego, o ouro de tolo do jornalismo nos anos 2010

Em junho de 2015, Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed, foi à sede do New York Times explicar ao centenário jornal como essa coisa de internet funcionava.

Nas palavras do jornalista Ben Smith, então editor-chefe do braço de notícias do BuzzFeed, Jonah “era um mamífero explicando aos dinossauros como havia evoluído para além deles”.

O trecho ocupa um capítulo em Tráfego: Genialidade, rivalidade e desilusão na corrida bilionária para viralizar (tradução livre; ainda sem edição no Brasil), novo livro de Ben que conta a origem, ascensão e queda do BuzzFeed.

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Isto pode soar óbvio, mas vamos lá: nem todo tempo gasto com telas é ruim.

Uma pista de que essa métrica talvez não seja das melhores é o fato dela ter sido abraçada com entusiasmo pela indústria.

Há alguns anos, Apple e Meta enfiaram “medidores” de tempo gasto em celulares e aplicativos em resposta às críticas crescentes ao vício causado por seus produtos.

É quase consenso que passar horas rolando feeds no TikTok ou Instagram faça mal. Por outro lado — e pegando exemplos pessoais —, aquelas dez horas que passei com o tablet ligado lendo um livro, ou o tempo no celular ligando/conversando com pessoas queridas? Zero arrependimento.

Pensata inspirada neste post (em inglês), que propõe uma abordagem qualitativa em vez de quantitativa para o lance das telas.

Uma nova configuração padrão no Google Calendar tem causado transtornos para quem usa serviços de agendamento automatizados, como Calendly e Cal.com.

Há relatos de pessoas que perderam compromissos devido à alteração.

Recentemente, o Google Calendar passou a, por padrão, rejeitar convites de e-mails estranhos ao usuário, ou seja, com quem a pessoa não tenha interagido por e-mail previamente.

Esse recurso foi lançado em novembro de 2022, em caráter de testes e opcional. Agora, o Google está ativando a opção para todos os usuários.

(Entrei no Google Calendar e, de fato, aparece um pop-up informando a mudança.)

O objetivo do Google é conter o spam no Calendar, um problema crônico do serviço. Só que a solução encontrada afeta serviços de terceiros e chega em um momento curioso, logo após o Google lançar um produto similar ao das empresas afetadas pela mudança.

O CEO da Grain, que oferece um software que grava videochamadas, reclamou:

Esses movimentos são tão descaradamente anticompetitivos e anticonsumidor… e tudo sob o pretexto da “prevenção de spam”… que eles poderiam facilmente gerenciar para contas do Google usando software de reserva de terceiros.

Para reverter o Google Calendar ao comportamento antigo, entre nas configurações e, em Configuração de eventos, troque a opção Apenas se o remetente for conhecido para De todos. Via The Register, Cal.com (ambos em inglês).

A Meta anunciou o Quest 3 (em vídeo) nesta quinta (1º), poucos dias antes de a Apple — caso os rumores estejam certos — mostrar o seu aguardado headset de realidade mista.

É um movimento de defesa, ou reativo. O lançamento do Quest 3 ocorrerá apenas no final do ano, entre setembro e dezembro.

Parece uma evolução notável comparado ao Quest 2: perfil 40% mais fino, novas câmeras e sensores frontais, duas vezes mais rápido. O preço, de US$ 499, é ~66% mais caro que o do Quest 2, porém.

Tudo muito legal, mas: 1) A Meta não vende produtos da linha Quest no Brasil; e 2) É da Meta. Via Meta (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Ainda disponível somente em mandarim, o Relatório de Desenvolvimento da China Digital 2022 traz informações sobre a economia digital do país. O relatório indica que a China tem cerca de 60% dos usuários de 5G do mundo, como resume o Yahoo.

Outros dados interessantes são a expansão no âmbito de cibersegurança e que os serviços digitais do governo já tem mais de 1 bilhão de usuários.

Não deixe de ler junto com o “Plano para o desenho geral da construção de uma China digital”, lançado em fevereiro.

Vale também aproveitar a louça suja para ouvir este episódio (em inglês) do podcast China Global sobre a ascensão do país na ordem mundial digital.