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[Review] Kobo Aura H2O, o e-reader à prova d’água

Kobo Aura H20 à beira da piscina.

Um dos primeiros comerciais do Kindle, e-reader da Amazon, mostrava uma mulher à beira da piscina lendo um e-book sem ser atrapalhada pelo Sol. Era uma alfinetada na tela do iPad, que sofre com a incidência de luz solar direta. Quisesse, a Kobo poderia aproveitar a deixa para promover seu último e-reader, o Kobo Aura H2O. Com ele, você pode ler dentro da piscina.

O segmento de e-readers passa, desde a sua concepção, por transformações leves e previsíveis. Toda nova versão sempre traz alguma novidade e melhora características inerentes do formato, mas nada que o afaste tanto dos primeiros modelos de quase dez anos atrás. Foram-se os botões em prol de telas sensíveis a toques, por exemplo. O contraste e a velocidade de transição das páginas, sempre aumentam. As mais recentes mudanças foram o lançamento de produtos premium, com telas de alta definição e iluminação — uma carência notável dos primeiros modelos –, em paralelo aos modelos baratos de entrada.

O Kobo Aura H2O dá, de certa forma, mais um passo nesse sentido. Além de tudo o que seus antecessores trouxeram de mais sofisticado, ele é à prova d’água, classificação IP67 (entenda). Faz a diferença? É o que tentei descobrir lendo O Curioso Caso de Benjamin Button, um pedaço de Misto Quente e vários artigos salvos no Pocket.

Hardware enxuto (mesmo molhado)

O Kobo Aura H2O tem ângulos retos e é um pouco maior do que eu esperava. Não que seja ruim; há uma boa justificativa para essa surpresa. O tamanho advém da tela. Meio que padronizou-se as dos e-readers em 6 polegadas; a desse modelo tem 6,8. A diferença, porém, quase passa despercebida — a menos que você tenha um outro aparelho menor para fazer a comparação direta.

Formas geométricas formam a textura do Kobo Aura H2O.

O e-reader é de plástico, mas um de bom gosto, agradável ao tato. Atrás, as bordas têm relevos que o afinam em relação ao miolo. Não é algo suave ou constante como a linha de smartphones da Motorola (E/G/X); são formas geométricas bem destacadas. Apesar da diferença, funciona bem. O peso dá segurança no manuseio (nem tão leve, nem muito pesado) e o desenho industrial, no geral, é bem sóbrio e elegante. Um detalhe que me agradou muito foi a inscrição “Kobo” na parte inferior frontal, tão sutil que quase passa batido. Eu sei o nome do meu aparelho, não preciso ser lembrado dele toda vez que for usá-lo.

Na parte que mais importa, a tela, o Kobo Aura H2O se sai muito bem. Ela usa a versão mais recente da tecnologia da E-Ink, a mesma presente nos concorrentes Kindle Paperwhite (2ª gen) e Voyage (ainda não lançado no Brasil). A densidade é de 268 PPI, número que se traduz em fontes bem delineadas e legíveis, mesmo as menores. A distribuição da luz, cuja fonte reside na borda inferior, é uniforme e ela chega a níveis altos de intensidade. O painel touchscreen responde bem e a velocidade de transição das páginas é boa. Não tenho parâmetro, mas é rápido o suficiente para não deixar o usuário esperando a ponto de despertar impaciência ou irritação. Veja:

Existe apenas um botão físico, no topo — um ótimo lugar, aliás. A conexão microUSB e o slot para cartão microSD ficam na borda inferior, protegidos por uma portinhola. Motivo? Água.

Portinhola do Kobo Aura H2O.

Pode colocar o Kobo Aura H2O embaixo da torneira da pia? Sim. Levá-lo para o banho a fim de ler alguma coisa enquanto lava o cabelo? Tranquilo. Jogá-lo na piscina? Sim, e eu fiz isso. Não ficaram sequelas. Ele é à prova d’água mesmo.

Kobo Aura H2O mergulhado na piscina.

A única frustração, e motivada por um choque de tecnologias, é que embora ele aguente tomar uns banhos, não dá para efetivamente ler alguma coisa com água na tela. Ao detectar o líquido nela, o sistema emite uma mensagem meio assustadora pedindo ao usuário para enxugá-la antes de continuar com a leitura. Os comandos na tela são travados, afinal, touchscreen e água não combinam, e só lhe resta a opção de fazer o que o comando pede para voltar a ter o texto desejado na tela.

Talvez fosse o caso de incluir uma “chave” física para desabilitar a sensibilidade da tela e alguns botões, de apertar mesmo, para passar páginas. Embora fosse uma saída fácil, é compreensível as implicações que ela traria: mais botões aumentaria o trabalho de vedação contra água, e estimularia o uso prolongado numa situação que tem tolerâncias de profundidade e temporal bem restritas — no caso de equipamentos com classificação IP67, até um metro por 30 minutos.

Isso significa que o grande diferencial do Kobo Aura H2O tem um apelo bastante restrito. As chances dele cair acidentalmente na água são bem menores que as de um smartphone. A menos que você troque a cantoria no chuveiro por uma sessão de Machado de Assis enquanto se ensaboa, é bem provável que essa característica de ser à prova d’água passe batida durante a maior parte da vida útil do e-reader. Por sorte as demais são ótimas, o que tira o peso do recurso — apesar dele estar no nome do gadget.

Software agradável

Tela inicial do Kobo Aura H2O.

Mexer em um Kobo é fácil — mais que nos e-readers da maior rival. A tela inicial apresenta um mosaico com seus e-books, recomendações da loja, amostras e coisas salvas no Pocket. Há uma obsessão por números, como porcentagens de leitura e estimativas de horas restantes para cada livro. Um ou outro, especialmente o tempo previsto para terminar um capítulo, são úteis, mas no geral eles funcionam como massageadores de ego para quem gosta de se gabar por ler muito. Para esses, também, o sistema traz badges a la Foursquare, com “conquistas” de leitura. “AI MEU DEUS Eu li a Odisseia!” toma aqui seu troféu, digo, badge joinha.

Menu global do Kobo.

O menu global é organizado em duas colunas, é fácil de ler e de ser operado. No topo aparece um campo de busca (na livraria e na sua biblioteca). Em seguida, sem enrolação, aparecem as informações mais importantes: nível do brilho, da bateria, status do Wi-Fi e o tempo transcorrido desde a última sincronia. Há, por fim, atalhos para a ajuda e configurações. A tela de configurações também é direta e intuitiva. A Amazon definitivamente pode aprender uma coisa ou outra aqui.

Lendo, os recursos são abundantes. Um toque no topo ou no rodapé da tela abre os comandos — os mesmos globais em cima e, na parte inferior, os referentes à leitura. Dá para mexer na tipografia, espaçamento entrelinhas, margens e estilo do alinhamento. Tocando no botão “Avançado” o sistema oferece até um antes-e-depois das alterações tipográficas.

O comando para seleção poderia ser um pouco melhor, porém. Arrastar o dedo sobre uma frase não a seleciona; em vez disso, ele avança ou retrocede a página — como um tablet. Para selecionar uma frase é preciso segurar o dedo em cima de uma palavra e, aí sim, arrastar os seletores que surgem. O Kobo permite destacar trechos, escrever anotações e fazer pesquisas (no próprio livro, no Google e na Wikipédia). A mera seleção da palavra já abre a definição do dicionário, no topo.

Seleção de palavra no Kobo Aura H2O.

Seleção de trecho no Kobo Aura H2O.

Comprar pelo próprio e-reader também é tranquilo, mesmo que você ainda não tenha cedido os dados do cartão à Livraria Cultura. Fiz o procedimento e não tive problemas. A Kobo oferece apps para diversas plataformas também (Android, BlackBerry 10, iOS, OS X e Windows), e com aquele truque de continuar a leitura do ponto onde parou. Baixei o app moderno para Windows 8 e ele é um tanto frustrante — não permite selecionar palavras/trechos com o mouse, e sumiu com um livro da minha biblioteca. O do Android se saiu melhor, não apresentando os mesmos problemas, mas a oferta de fontes tipográficas é baixa — apenas duas. Senti falta de um app na web; sempre uso o Cloud Reader da Amazon para pescar citações e observações que deixo nos livros lidos lá.

Guerra de formatos (e o PDF no meio)

Integração suave com o Pocket, direto na tela inicial.

Em funcionalidades, ficam faltando apenas coisas mais específicas, como os modos Raio-X do Kindle. Coisas que, pessoalmente, nunca usei em situações reais. Como alguém disse em outro review, a troca dessas pela integração suave com o Pocket compensa: insira suas credenciais e o Kobo Aura H2O sincronizará automaticamente os artigos salvos no serviço para leitura offline. Alguns posts ficam estranhos com a paginação, mas funciona conforme o esperado — e é, de fato, uma mão na roda.

Falando em Kindle, talvez a diferença mais fundamental entre as duas famílias seja os tipos de arquivo suportados. Enquanto a Amazon se fecha num formato proprietário, a Kobo abraça o ePub. Isso significa que e-books comprados em qualquer lugar à exceção da Amazon funcionarão no Kobo. Para quem não quer se prender a uma fornecedora, por melhor que ela seja (e a Amazon é boa), é um fator decisivo.

Outro ponto que costumam perguntar muito é o suporte a arquivos PDF. O Kobo Aura H2O os lê, basta jogar os arquivos na raiz da memória interna conectando-o em um computador via cabo USB. Só que ele não faz milagres, nem nada próximo dos recursos disponíveis para e-books em ePub, como alterar a tipografia. As únicas opções são de zoom e orientação — é possível deixar o arquivo na horizontal, aumentando a área nesse sentido para facilitar a leitura de textos miúdos. Dependendo da formatação, e quase sempre ela não colabora, a leitura é desconfortável. Notei, ainda, maior lentidão ao lidar com arquivos em PDF.

Em outras palavras, se o seu objetivo primeiro é ler PDF, você estará melhor servido com um tablet.

Vale a pena?

Kobo Aura H2O: bom, porém caro.

É difícil encontrar problemas no Kobo Aura H2O. É um dispositivo de construção sólida, funcional e, de quebra, capaz de ficar bastante tempo longe da tomada (a Kobo garante até dois meses, com Wi-Fi desligado e sessões diárias de meia hora).

Nos EUA seu preço sugerido é de US$ 180, equivalente a ~R$ 540. O nosso não está tão distante e com impostos e logística, chega a ser justificável, mas isso não ajuda a mudar a percepção que se tem dele. Afinal, R$ 799 para ler livros, por melhor que seja o dispositivo, é um valor que inibe compras por impulso ou mesmo as mais racionais. Trata-se, pois, de uma categoria de produto em que os diferenciais dos premium em relação aos básicos não são tão vitais, ou mesmo significativos na atividade-fim.

Considerando que com R$ 299 dá para comprar um Kobo Touch — sem luz, sem resolução HD, muito menos proteção contra água, mas com palavras que formam textos que formam livros, e todo o ecossistema idêntico –, o mercado para o Kobo Aura H2O é restrito: gente que gosta de ler e a quem uns Reais a mais em qualidade não faz falta no fim do mês. Se você é um desses privilegiados, é uma compra recomendada e praticamente livre de ressalvas.

Imagem transparente do Kobo Aura H2O.

Compre o Kobo Aura H2O

Comprando pelo link acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

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54 comentários

  1. Tenho um Kobo H2O, ganhei ele da Kobo quando, depois de quase 3 anos, meu Kobo Glo resolveu morrer (na realidade a tela dele foi perdendo qualidade – mas ele continuava funcionando, mesmo com uma resolução beeeem menor do que a inicial).

    O H2O é um aparelho incrível, serve pra ficar no meio da piscina lendo e quando um amigo vem alertar sobre o risco do aparelho cair na água e quebrar ver a expressão do amigo quando o Kobo H2O é jogado na água.

    Fora isso o Kobo HD é suficiente.

  2. Vale a pena?

    Claro que não vale.

    “É difícil encontrar problemas no Kobo Aura H2O”. Piada, vou devolver o meu Kobo nesta próxima semana, porque foi difícil não encontrar problemas nele.

  3. Enquanto as empresas não tomarem vergonha na cara de produzir um equipamento com a qualidade ou versatilidade de um tablet, porém com a tela e-ink, não comprarei um subproduto do mercado tecnológico para desembolsar R$ 800,00, no Brasil, e não conseguir ler um livro em pdf com a comodidade de um tablet. E RECOMENDO QUE PENSEM BASTANTE ANTES DE ADQUIRIR UM PRODUTO DESSE TIPO (E-READER). Nada como o livro em papel, mesmo o tablet sendo uma ferramenta interessante, o mesmo não se pode dizer do e-reader.

  4. Rodrigo, chegou a testar a integração do Instapaper com o Kindle? Queria ter um parâmetro de comparação de quão boa é essa integração do Kobo com o Pocket. Uso o Kindle atualmente, transferi os dados do Pocket para o Instapaper e ativei a integração nativa com o Kindle. Estou gostando.

    1. Como você lê o Instapaper no Kindle? Teve um tempo que eu fazia isso, mas era um parto — entrava no Instapaper, criava um “livro” com 20 artigos mais recentes e transferia manualmente via cabo USB.

      Se estiver fazendo qualquer coisa parecida com isso, o Kobo+Pocket é infinitamente superior. Ele funciona como os apps do Pocket: você liga o Kobo e ele já sincroniza tudo automaticamente e o conteúdo fica disponível para você ler quando quiser.

      1. Bem, atualmente tem integração nativa. Basta inserir o email @kindle.com (e fazer uma configuração inicial na conta Amazon para autorizar o Instapaper – o serviço exibe um passo a passo), então você define a cada quantos artigos salvos você quer que o Instapaper te envie (pode escolher a cada novo artigo salvo e envio imediato, ou pode escolher a cada grupo de 3, 5 ou 10 novos artigos salvos e configurar uma hora do dia para o envio – ou envio imediato quando chegar no número de novos artigos salvos). O único inconveniente que senti foi ter que transferir tudo que eu tinha no Pocket para o Instapaper, não era usuário do Instapaper, mas de resto tem funcionado muito bem. Integrei o Instapaper no Feedly e não tenho queixas.

        1. Outra diferença do Kindle é o ecossistema, mesmo. Recentemente migrei minha conta Amazon brasileira para uma conta americana, e assim poder usar recursos que só estão disponíveis lá. Como a integração com o Goodreads. É perfumaria, mas é muito legal. Achei o Goodreads no Kindle excelente. Poder ver o que seus amigos estão lendo, ler avaliações deles, fazer avaliações, ver e fazer recomendações, enfim, bem bacana.

          1. Pode funcionar assim. Basta configurar para envio imediato a cada novo artigo salvo. Ou como eu faço, pedir para sincronizar numa hora do dia que acredito estarei mais livre para ler. A sincronização sem fio funciona perfeitamente, sempre na hora configurada os novos artigos chegam.

  5. Tenho um kobo touch e não fosse pelo preço que paguei nele, estaria bem arrependido da compra. É um bom aparelho, serve bem a única proposta que é leitura. E a vantagem com relação ao kindle é a central de “stats”, isso realmente me motivou e motiva a ler mais.

    Porém considero vende-lo para adquirir um kindle. É um aparelho melhor de fato, porém não por esse motivo, sim pela loja. O ecossistema amazon está muito a frente do que a livraria cultura consegue oferecer. Variedade e preço nos livros.

    Quanto ao kobo aura h2o. Muito caro.

  6. Ae Ghedin, bacana a sacada de deixar o manual dele para aqueles que vem perdidos pelo Google procurando respostas!

  7. Criou-se um mito de que não dá pra ler pdf em e-reader, mas a grande maioria pode ser convertida pra algum formato amigável. No caso do kindle, basta enviar por email com o subjetc “convert”, nem precisa de app. Em 80% dos casos, a conversão fica perfeita. Falha quando o pdf em si já é ruim, ou quando há tabelas.

    1. Dar, dá, só é ruim demais. Qualquer mudança na formatação estraga a conversão — mesmo textos bem formatados que contenham notas de rodapé ficam embaralhados na conversão.

      Mesmo com os contras (tela brilhante, bateria), ainda acho tablets melhores para PDF.

      1. Caro Rodrigo Ghedin,

        Você tem toda razão. Acabei de recebe o Kobo H20 que comprei pela Cultura e tamanha foi a minha frustração quanto ao produto (e-reader).
        Pontos que deveriam ser destacados:
        1. Péssima navegação;
        2. Erro no reconhecimento de arquivos em pdf;
        3. Lentidão no processamento;
        4. Falta de facilidade nos comandos de navegação do arquivo em leitura.
        5. Tamanho do equipamento.

        Aqui, poderia citar outras decepções que tive com o aparelho, mas creio que basta para o espaço. As pessoas deveria ser mais sinceras na análise (unboxing ou review) dos produtos, pois induzem-nos a comprar baseado em suas experiências. Como dizem, nunca existe a imparcialidade. Sem falar no preço de alguns que chegam a casa do R$ 800,00 no Brasil.
        Voltarei para o tablet mesmo com o problema da iluminação que causa cansaço visual.

        Ed, seu comentário é também muito pertinente.

        1. Grey, voce pode transformar o pdf em ebub no programa gratuito, calibre. Entendo todos os problemas q vc achou. Tbm tive os msms. Mas no quesito ler pdf. Nao eh taaao necessario. Transformar em epub por la eh rapido e da bem pra usar.

  8. Tenho um Kobo Glo desde 2013, e posso dizer que é o único dispositivo que já tive que vai ao inverso da “obsolescência programada”.

    Ele continua sendo constantemente atualizado, e percebi que a experiência que tenho atualmente com ele, é até melhor do que eu tinha quando comprei. O número de ‘travamentos’ diminuiu um pouco, alguns refinamentos na interface também ajudam a ‘errar menos o toque’ na tela. Também ganhou novas funções (mesmo que algumas não tão úteis).

    Enfim, gosto muito dele, mas parece não existir nenhum motivo para fazer o upgrade para a nova geração e nem para esta versão H2O…

    1. Comprei um também em 2013, mas não consigo ler nada nele que não sejam contos (ou seja, ficção mais ou menos linear curta). Para material acadêmico ou qualquer leitura mais densa ou extensa dependo de ter controle do total do livro, poder folhear a cada momento, etc — e, para além das limitações próprias do epub, esta dificuldade de lidar com leitura não-linear pelo aparelho só me deixa irritado. A qualidade da tipografia me desagrada bastante (além de fontes ruins, parece que vejo os “pixels” na tela). Mesmo no iPad com tela retina às vezes parece que vejo os pixels. Além disso, o software me parece MUITO lento quando comparado com o iBooks no iPad ou mesmo com os aplicativos do Kobo (para desktop e iOS). Aliás, os próprios aplicativos do Kobo para iPad me pareceram melhores do que o próprio ereader Kobo. É uma geração de Kobo já bastante antiga, mas tudo isso faz com que eu simplesmente não tenha vontade de comprar um novo.

      Por outro lado, detesto o brilho das telas do macbook e do iPad e adoro a materialidade da tela e-ink, quando bem iluminada por fontes externas ou ao ar livre. Adoraria uma solução intermediária, com software rápido, alta resolução e sem os problemas do brilho de tela de um tablet.

      Independente disto, acho uma pena que a o mercado de periódicos científicos ainda não tenha abandonado o PDF em favor do epub. Artigos científicos com algo em torno de 10 páginas seriam perfeitos para leitura em Kobos/Kindles.

  9. Engraçado, quando eu li pela primeira vez sobre o Kobo H2O, o lance de ser resistente à água me foi atraente, mas não pra ler dentro da água. Foi mais pra poder ler próximo a uma piscina sem medo.

  10. Precisa de muito processamento para ler um PDF?
    Qual é o real motivo de nenhum e-reader conseguir ler um PDF como em um tablet?

    Problema do tablet é bateria, tela e distrações.

    1. É um problema da tela mesmo, um PDF é formatação rígida pensada em uma folha de papel que é muito maior do que a tela de um Kobo. Se houvesse um leito de e-reader do tamanho de um iPad, por exemplo, a experiência já seria muito melhor.

      Para usar em telas menores é necessário usar o zoom muitas vezes e isso é muito mais prático em uma tela touchscreen tradicional.

    2. PDF exige mais processamento. Os arquivos podem (nem sempre é o caso) ser mais pesado e a renderização do texto, como apontou o @google-c1e8c4d9f770b920ebf66bcdfb1f7dec:disqus, é diferente.

      Só não sei se um e-readerzão seria melhor. A Amazon tinha um Kindle com tela enorme (9 polegadas, se não me engano) uns anos atrás, feito especialmente para acadêmicos, mas saiu de linha, ou seja, não deve ter vendido bem…

        1. Tem uma modificação (esqueci o nome) para o Kindle que corta as arestas da pagina no PDF. Mas não faz milagres, muitas vezes o texto continua pequeno.

          Editado: chama-se “Duokan”

          1. No Lev o milagre acontece… dá para redimensionar o texto, fica muito parecido com um e-book mesmo. Testei com umas apostilas de história, cheias de figuras, e ficou muito bom mesmo. Tem um ou outro probleminha, como um parêntese aberto no final da página e o conteúdo só aparece na próxima. Mas isso é nada perto dos problemas que seriam esperados na formatação de PDF.

      1. Vlw a dica, Amei o Kindle grandão :)
        Poderiam tirar o teclado físico e reduzir as bordas, mas é o que tem/tinha.

        Aqui no huehuebr estão vendendo por R$900 no ML.

        Quem lê muitos artigos cientificos com gráficos e figuras, sabe que não tem como usar no leitor de 6″

        https://youtu.be/CUCLyu-3bEE

      2. Vlw a dica, Amei o Kindle grandão :)
        Poderiam tirar o teclado físico e reduzir as bordas, mas é o que tem/tinha.

        Aqui no huehuebr estão vendendo por R$900 no ML.

        Quem lê muitos artigos cientificos com gráficos e figuras, sabe que não tem como usar no leitor de 6″

        https://youtu.be/CUCLyu-3bEE

        1. Isso, Kindle DX! Ele tem teclado porque na época todos os Kindle tinham — isso até 2010, mais ou menos… Não acho que vale a pena comprá-lo, pois está defasado. Muito menos por (ouch) R$ 900!

  11. Precisa de muito processamento para ler um PDF?
    Qual é o real motivo de nenhum e-reader conseguir ler um PDF como em um tablet?

    Problema do tablet é bateria, tela e distrações.

  12. A menos que você troque a cantoria no chuveiro por uma sessão de Machado de Assis enquanto se ensaboa e com isso, a pessoa vai gastar 1.000 litros de água, com 3 horas de banho :p

  13. Muito bom trazer um review desse tipo de aparelho, mas, tenho uma dúvida. Uma vez vi um comparativo da Tatiana Feltrin entre o Kobo e o Kindle, só que chamava a atenção o fato do leitor da Kobo ser lento para passar as páginas e demorar ao realizar seleções ou anotações. Isso continua?

        1. A transição de página está rápida. No nível dos Kindles recentes. A diferença que vi em reviews era na seleção de texto, destaques e marcações. Aparentemente bem mais lentas e imprecisas no Kobo.

  14. Qual e reader tenho que comprar para aproveitar os livros de todas as lojas? Tenho livros da loja da Apple e do google. E não quero dispensar os outros.

    1. Teoricamente, pode ser qualquer um.
      Mesmo o Kindle só aceitando o formato proprietário, existem apps que convertem ePud/PDF para esse formato. Não é o ideal, mas mostra que sempre pode-se dar um jeito :)

        1. Cara, o Google Play tem livros que podem não ser bem suportados em eReaders, não sei como seria a experiencia.

    1. Nunca nem vi um Lev, e isso restringe um pouco as comparações a serem feitas — daria para, no máximo, ficar nas especificações, o que nesse caso não me parece muito útil.

      Já pedi mais de uma vez à Saraiva para me mandarem um. Prometeram, mas até agora, nada…

      1. Uma pena mesmo. Eu tento ajudar a “indústria nacional”, mas eles mesmos não se ajudam. Tenho um lev que me atende muito bem e tem bom suporte aos pdfs.
        Uma sugestão de matéria seria de falar da tecnologia nacional, como a positivo, dell (não sei se e quantos componentes são fabricados aqui) etc. O lev pelo que eu sei é francês…
        Abraço!

      2. Também gostaria de ver uma comparação do leitor de PDF do Lev com outros. Já li alguns reviews dizendo que ele é bom, e é um recurso importante para mim também.
        Este Aura, se eu tivesse dinheiro sobrando, até que seria uma boa.

  15. Eu possuo um Kobo Aura HD, comprei a quase dois anos e paguei caro na época, foram 650 reais no modelo “café”. Contudo, não tenho do que reclamar, é um produto bem resistente, já chegou a despertar de alturas próximas a 1m e nunca apresentou nenhum dano ou defeito, porém a tela tem certa facilidade de acumular arranhões, mas eles nunca atrapalham. O sistema é excelente, compro algo no computador quando vou no Kobo o livro já está disponível à minha espera, as funcionalidades de fonte são muito bem vindas, assim como espaçamento e entrelinhas, alguns epubs, Graça Infinita, por exemplo, possuem uma formatação padrão estranha e a possibilidade de corrigir isso é ótimo. A tela de alta resolução é ótima; apesar de não ser ideal já li diversas HQs nele mesmo sendo horrível manipular as imagens de páginas e zoom.

    Gosto bastante das estatísticas dele, principalmente porque gosto muito de ler, mas leio muito pouco, e utilizo essas métricas como incentivo, me ajuda bastante essa “gameficação” da leitura, apesar de que acho as badges absolutamente desnecessárias e inúteis.

    Minha única crítica é o botão superior dele, há dois na verdade, um ativa a luz e o outro desliga, liga e põe em modo de “soneca”, este último botão você arrasta ele, como se você uma alavanca, e ele possui uma mola, e sempre tenho a impressão que é não é muito durável. De resto, só tenho tido alegrias com ele.

    Sobre o H2O: não tenho porque comprá-lo, é bacana a resistência à água, evita que acidentes na praia e em piscinas sejam fatais, ou aquele velho problema de você está a pé e um chuva imensa cair e molhar tudo na mochila. Contudo eu esperava mais, a possibilidade de ler no chuveiro seria interessante, mas esse bloqueio mata a idéia, faz sentido já que o touch não iria responder estando molhado, me lembra o Apple Watch que resiste a água mas não dá pra fazer nada nele molhado porque a tela não responde. Enfim, achei ele muito caro, só faz sentido aqui no Brasil porque a Livraria Cultura não vende mais o Aura HD, que mais barato canibalizaria as vendas do H2O.

    1. Essa ideia do botão físico para a iluminação parece ruim mesmo, tanto que o eliminaram no H2O. Mas quanto a ser tipo uma “mola,” não quebra fácil, não. O meu Kindle (2ª gen, de 2009) também tem o botão de liga/desliga nesse formato e está até hoje firme e forte.

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