Anatel publica norma para reduzir custo de ligações entre operadoras distintas 

Da Anatel:

Quanto às reduções esperadas, até 2019 a VU-M deverá reduzir-se em mais de 90%, quando atingirá um valor médio em torno de R$ 0,02 (dois centavos de real). Hoje o valor médio de VU-M está em torno de R$ 0,23 (vinte e três centavos de real). Esta redução de preços de interconexão deverá se refletir nos preços dos serviços de telefonia ofertados pelas empresas ao consumidor, pois haverá aumento da competição no setor. Também são esperadas reduções significativas nas tarifas fixas (TUs) e valores de EILD.

As reduções nos valores de interconexão deverão impactar, também, os preços das chamadas fixo-móvel, que deverão reduzir-se substancialmente.

A orientação a custos dos valores e tarifas de interconexão é importante, ainda, para diminuir o chamado “efeito clube”. Com valores de interconexão altos, as chamadas para outras operadoras acabam se tornando caras. Assim, parentes ou amigos precisam ter o chip de uma mesma operadora para aproveitar os preços reduzidos de chamadas on-net.

Com a medida, espera-se que os preços off-net (para telefones fora da operadora de origem) se tornem mais próximos dos preços on-net. Assim, o consumidor não precisará de vários aparelhos celulares ou vários chips em um mesmo celular para realizar chamadas para outras operadoras a preços mais próximos às chamadas on-net.

A nova norma publicada pela Anatel deve tornar apps como o Operadora DDD, que acabei de citar, desnecessários. O “efeito clube” ao qual a agência se refere guia o mercado de telefonia móvel no país. É graças a ele que por aqui se proliferam celulares dual SIM e que algumas operadoras mantêm suas posições — mesmo com infraestrutura pior em dada região, há resistência entre as pessoas em mudar e, nessa, acabar pagando caro para manter contato com amigos e parentes.

A única coisa complicada é o prazo de cinco anos para que a redução se complete. Talvez em 2019 não estejamos mais tão preocupados em falar ao telefone, ou então, mais provável, que a Internet móvel vire uma uma via acessível ao VoIP. Para SMS o WhatsApp já faz esse papel.

App atualizado: Operadora DDD 

Das coisas que sinto falta no iOS, o Operadora DDD é uma delas. Esse app para Android faz todo o trabalho sujo de manter atualizado ou modificar números em tempo real de acordo com a sua operadora, uma forma de aproveitar os descontos que elas dão para ligações entre seus próprios clientes e evitar pagar fortunas quando se liga para os das concorrentes.

A nova versão do Operadora DDD ganhou um visual mais refinado e conta agora com um modelo de assinatura. Custa US$ 1 por ano e dá direito aos seguintes recursos:

  • Inserção do nome da operadora do contato em seu número na tela de discagem.
  • Restauração de backup.
  • Histórico de alteração de operadora de todos os contatos.

A versão gratuita continua funcional e deve ser suficiente. Pelo custo-benefício, porém, vale a pena assinar ainda que apenas para apoiar o ótimo trabalho do Denis Souza.

Dica do leitor Nelson Silva Souza. Valeu!

Autorizações simplificadas do Google Play representam um risco

O Google implementou uma mudança na política de permissões dos apps baixados na Play Store. Não é algo novo (faz pelo menos um mês que li sobre), mas o assunto continua rendendo e sem solução.

A mudança reflete na tela de permissões que um app exibe antes de ser instalado. É mais estética do que útil, já que esconde o detalhamento de cada grupo de permissões por padrão e exige o toque em cada um deles para que seja expandido. Veja o antes e depois:

Permissões dos apps na Play Store.
À esquerda, como era antes. À direita, o novo sistema.

Outra novidade é que agora os apps podem criar permissões próprias. Elas aparecem sempre no final da lista em uma categoria chamada “Outras”. O app do Twitter, por exemplo, traz o “solicitar acesso a sua conta do Twitter”.

Uma última que pegou carona nessa maquiada é a que tem as implicações mais sérias. O Google divide as permissões em grupos e, dentro deles, estipula outras granulares. Antes, quando um app era atualizado e passava a precisar de novas permissões dentro de um grupo já garantido precisava ser reaprovado pelo usuário. Agora, é oito ou oitenta: após conceder permissão a um app ele poderá ser atualizado com novas “sub-permissões” dentro dos grupos já liberados sem que o usuário sequer fique sabendo.

O exemplo prático de Chris Hoffman é bem claro:

(…) um app que queira ler mensagens SMS recebidas precisa da permissão “Ler mensagens SMS”. Quando você for instalá-lo na Play Store, ele pedirá a permissão do grupo “SMS”.

Instale o app e você estará dando acesso a todas as permissões relacionadas a SMS. O app pode, agora, ser atualizado automaticamente e ganhar a capacidade de mandar mensagens SMS sem pedir a você.

Existem outros cenários tão ruins quanto, e esse específico das mensagens SMS (e a análoga a ligações) é facilmente explorável por scammers que disponibilizam jogos e apps fraudulentos para lucrarem com ligações na surdina, encaminhamento de chamadas e mensagens SMS, tudo às custas da vítima.

Até agora, um mês depois dos primeiros sites denunciarem esse problema, o Google não se pronunciou. O sistema de permissões dos apps no Android nunca foi exemplo de implementação e, como se não bastasse, piorou.

Visão geral do ART (Android RunTime) 

O Android L marca a “virada na chave” do ART, ou Android RunTime, uma nova rotina que muda a forma com que o sistema manipula apps. Ela entra no lugar da máquina virtual Dalvik, geralmente apontada como a culpada pelos pequenos engasgos no Android.

A forma com que esse sistema lida com a execução de apps é única entre os modernos e, até agora, fonte de alguns inconvenientes — a maioria contornada de modo notável pelo Google. Só que tudo tem limite e em vez de continuar remendando a Dalvik, o ART surgiu como uma fundação sólida e escalável para o futuro do Android.

No AnandTech, Andrei Frumusanu faz um passeio completo e compreensível para leigos das vantagens do ART em relação à Dalvik. Alguns pontos chamam a atenção:

A grande mudança de paradigma que o ART traz é que em vez de ser baseado em um computador Just-In-Time (JIT) [“na hora”, em tradução livre], ele agora compila aplicativos Ahead-of-Time (AOT) [“antes da hora”]. De ter que compilar de bytecode para código nativo cada vez que você roda um app, para ter que compilá-lo apenas uma vez, e toda execução daquele ponto em diante é feita a partir do código nativo compilado existente.

Claro, essas traduções nativas dos apps tomam espaço, e essa nova metodologia é algo que é possível hoje apenas devido ao vasto aumento do espaço para armazenamento disponível nos dispositivos atuais, uma grande mudança dos primeiros gadgets com Android.

Se já era ruim lidar com smartphones de 4 GB (ou menos) de memória interna, agora mais ainda. Talvez isso sirva de última gota d’água para as fabricantes colocarem no mínimo 8 GB em seus aparelhos.

Frumusanu passa por outros ganhos mais complexos e termina essa primeira parte da matéria comentando o outro contra além do espaço extra necessário: mais demora na primeira execução de um app. Com os aperfeiçoamentos futuros no ART espera-se que esse tempo chegue aos níveis da Dalvik, ou até melhores.

A segunda página é toda dedicada a comparar os coletores de lixo da Dalvik com o do ART. “Coletor de lixo” é um recurso que libera do desenvolvedor a tarefa de endereçar memória e limpá-la quando o app termina de usá-la. Com exemplos práticos, a superioridade do ART é mostrada: ele perde menos tempo, gasta menos memória e é mais eficiente nesse trabalho.

Ainda há alguns comentários sobre a arquitetura 64 bits e diferenças na implementação do Google em relação ao iOS, mas o importante está quase no final:

Isso também significa que o Android está finalmente apto a competir com o iOS em termos de fluidez e desempenho de apps, uma grande vitória para o consumidor.

Amém.

Um mês com o celular mais desejado de 2004 

Ashley Feinberg, no Gizmodo:

Em julho de 2004, a Motorola lançou o RAZR V3, um dos celulares mais icônicos de todos os tempos. Exatamente 10 anos depois, deixei meu iPhone de lado para experimentar o mundo onde apps não existem e o T9 reina. Talvez eu tenha feito pela nostalgia. Talvez porque eu me odeie um pouquinho. De qualquer forma, uma coisa é certa: usar o melhor celular de 2004 em 2014 é um inferno.

Dependendo do referencial 2004 não parece estar tão longe. Pela maioria deles, não é mesmo. Mas na tecnologia…

Chamou-me a atenção o tópico sobre as senhas. Apps como o 1Password conseguem aquela união rara entre segurança e comodidade, mas acho que não me sentiria confortável em terceirizar o acesso de todas as minhas contas a qualquer lugar fora da minha cabeça.

Nos EUA, streaming e vinil sobem, arquivos digitais e CDs descem 

David Bakula, vice-presidente sênior da Nielsen:

“Com a transmissão sob demanda passando 70 bilhões de músicas nos primeiros seis meses de 2014, o streaming continua a ser uma parte significativa da indústria da música. O crescimento anual de 42% do streaming e o aumento de 40% dos vinis em relação ao recorde do ano passado mostram que o interesse em comprar e consumir música continuam altos, com dois segmentos bem distintos da indústria expandindo substancialmente.”

O relatório da Nielsen contempla as vendas de todas os formatos de música nos EUA dentro do primeiro semestre de 2014. No todo, o mercado encolheu 3,3%, porcentagem baixa e que somada aos números superlativos acima, mostram que embora a forma de se ouvir música esteja mudando, o interesse por ela segue estável.

CDs tiveram uma queda de 19,6% em relação ao mesmo período de 2013. Combinadas, as vendas de álbuns e faixas digitais (no modelo da iTunes Store) caíram 12%. Os 42% de aumento no consumo via streaming contemplam áudio e vídeo; sozinho, o de áudio teve um salto de 50,1% em um ano.

A fotografia virou uma forma universal de conversação 

Benedict Evans:

A fotografia virou uma forma universal de conversação, em vez da cristalização de um momento especial ou uma parte do conteúdo editorial profissional.

Antes de chegar a essa conclusão ele apresenta alguns números gigantescos sobre a fotografia digital — ele estima que em 2014 compartilharemos mais de um trilhão de fotos. Fotografamos mais do que podemos (e queremos); isso muda a função da fotografia. O registro visual vira palavra, como conclui Evans.

Esse novo paradigma não exclui o antigo, claro. A convivência entre os dois é perfeitamente possível, só que traz novos problemas a serem resolvidos. Sem dificuldade, dá para pensar em dois: a qualidade das imagens e a organização.

Sistemas que se propõem a colocar ordem de forma automatizada às toneladas de fotos que tiramos, como o Carousel, ThisLife ou Google+ devem ganhar mais atenção na medida em que as pessoas passarem a se dar conta da fragilidade desse material digital. Em paralelo, temos ainda as revelações, que resistem e têm aquela aura de materialidade que fascina mesmo quem nasceu digital.

Na hora de transformar bits em celulose, o outro problema surge: a qualidade. É situação recorrente, em eventos importantes e no dia a dia, vermos smartphones onde antes apareciam câmeras. A convergência e o preço explicam, mas não resolvem a qualidade média dessas imagens. Mesmo smartphones intermediários de qualidade ainda derrapam nesse setor e trazem câmeras que mesmo perto de modelos dedicados de entrada passam vergonha. Se a captação é ruim, não há milagre de pós-produção que melhore o resultado — e raramente existe qualquer tipo de pós-produção.

Segurança de dispositivos móveis: além das senhas, códigos e padrões

Quando o Windows era mais suscetível a vírus e outros tipos de malware, ter um antivírus instalado era imprescindível. A primeira característica analisada era a eficiência dos algoritmos de detecção e heurística, mas outro fator também “pesava”: o impacto do monitoramento em tempo real no desempenho do computador.

O equilíbrio entre proteção e transparência é uma das metas mais difíceis de se alcançar quando se fala em segurança digital, especialmente para consumidores domésticos. O desafio não é tornar um sistema seguro, mas alcançar isso sem comprometer muito a experiência de uso.

Em dispositivos móveis isso também é válido, embora o dilema tenha outro foco. Pela sua característica nata, a mobilidade, perdas e roubos são merecedores de maior atenção. O mecanismo mais básico e um dos mais eficientes para minimizar danos em casos imprevistos é o código de bloqueio da tela — numérico, alfanumérico ou por padrão. (mais…)

Qual o número ideal de seguidores no Twitter? 

Taylor Lorenz, no The Daily Dot:

82% dos usuários do Twitter tem menos de 300 seguidores e 391 milhões de contas no Twitter têm zero. (…) De acordo com a empresa de estatísticas Beevolve, o usuário médio do Twitter tem cerca de 208 seguidores. Entretanto, quase metade (44%) de todos os usuários nunca enviaram um tuíte sequer.

Números interessantes que introduzem um assunto ainda mais: até que ponto a audiência no Twitter influencia o comportamento de quem é seguido? Na matéria, há dois “checkpoints”:

  • 500: segundo Samir Mezrahi, responsável pelas redes sociais do Buzzfeed, esse é o ponto de equilíbrio no Twitter, uma quantidade de seguidores que não lhe deixa falando sozinho e que por outro lado não intimida a publicação de coisas menos planejadas, pensamentos soltos e meio malucos que teríamos receio de escrever a públicos maiores.
  • 3000: também segundo Mezrahi, a partir daqui toda ação gera uma reação. Com três mil seguidores, é bem provável que todo tuíte, por mais bobo que seja, gere alguma resposta.

O limite? Não existe, claro. E infelizmente não adianta escrever alucinadamente no Twitter para conseguir seguidores; não há uma relação causal entre as duas coisas e outros fatores, como notoriedade (gente famosa), influenciam mais do que conteúdo.

Google Play Services 5.0

O Google anunciou que a liberação do Google Play Services 5.0 foi finalizada. Para quem não conhece, é uma espécie de app com super poderes que permite à empresa atualizar componentes críticos do Android independentemente de versão — e, portanto, passando os processos burocráticos, lentos e muitas vezes inexistentes de atualização das fabricantes e operadoras.

A versão 5.0 substitui a 4.4 (indício da versão do Android L?) e traz algumas APIs inéditas e novos recursos a outras já existentes. No vídeo acima o rapaz do Google explica cada uma delas de modo meio constrangedor, mas eficiente.

As que me chamaram mais a atenção:

  • Android Wear: permite a comunicação entre smartphones/tablets e dispositivos que rodam o Android Wear, como relógios inteligentes. A nova seção da Play Store, com apps compatíveis com Android Wear, deverá crescer.
  • API para jogos salvos (criação de “snapshots”). Na prática, significa que o usuário pode pausar um jogo no smartphone e continuar do mesmo ponto em outro dispositivo, como um tablet.
  • Indexação de apps. Com essa API, o histórico de qualquer app pode ser incorporado à pesquisa do Google.
  • Google Cast. Agora o Chromecast é capaz de lidar com legendas.
  • O Google Wallet consegue ler e armazenar cupons de desconto na nuvem. O sistema é esperto e usa a localização do usuário para lembrá-lo de usar seus cupons quando estiver no local correto.

Adaptador de trava de segurança do Mac Pro 

Nos EUA, custa US$ 49. Aqui sai por R$ 229. Para quem paga R$ 14 mil em um computador, não é um valor que faça tanta diferença — e uma segurança extra para um equipamento tão caro.

Além de compatibilizar o Mac Pro com travas de segurança no padrão Kensington, o adaptador também protege a parte interna de bisbilhoteiros. Diz a Apple que a instalação é simples, não depende de ferramentas e não danifica o produto.

Sobreviventes do Orkut migram para a rede russa VK 

“O número de inscrições do Brasil nos últimos dois dias aumentou em 2.000% e continua a crescer rapidamente” escreveu George Lobushkin, relações públicas da VK, em postagem no serviço russo.

A VK já tem quase 200 mil brasileiros e cerca de 20 comunidades em português –a maioria sobre futebol ou que fazem menção à condenada rede do Google, como a “Sobreviventes do Orkut”.

Correndo o risco de ser espionado pelos asseclas de Putin, fiz um perfil na VK. Visualmente, lembra mais o Orkut que o Facebook mesmo, ou esse último nos tempos pré-Linha do Tempo.

A VK é a maior rede social da Europa, com mais de 100 milhões de usuários. Um detalhe interessante é o player de música: dá para ouvir qualquer (ok, muita) coisa gratuitamente; basta usar a pesquisa e dar play.

Não seria a hora de olharmos a Mirtesnet com mais atenção? Não? Ok.

Fim da linha para TVs de plasma da Samsung 

A Samsung anunciou que encerrará a produção de painéis de plasma em 30 de novembro desse ano.

A maioria dos comparativos de qualidade entre TVs, como do Wirecutter e Cnet, colocava modelos de plasma no topo da lista. O Wirecutter vai além: não recomenda um modelo específico de LCD por não ver nenhum que se destaque a ponto de merecer a honraria. Na página, os problemas dessa outra tecnologia em relação ao plasma são destacados: contraste menor, “borrões” em cenas de movimento e manutenção da qualidade quando não se está exatamente de frente à TV.

O fim da linha para as TVs de plasma da Samsung é o último prego no caixão da tecnologia. Ano passado ela já havia sofrido uma grande baixa com a saída desse mercado da Panasonic, até então referência. Entre as grandes, sobrou a LG, mas suas telas do tipo nunca foram tão bem cotadas.

Tanto Samsung, quanto Panasonic, alegam que a decisão foi tomada devido a “mudanças nas demandas do mercado” e, no caso da primeira, que passará a focar esforços em telas UltraHD e com tela curvada. Na prática, analistas dizem que é por outro motivo: painéis LCD são mais baratos e entregam margens de lucro maior. Há notícias, essas meio desencontradas, de que existem dificuldades técnicas de adaptação do plasma à resolução UltraHD (4K).

O mais curioso é que entre o público em geral é difícil encontrar fãs ardorosos do plasma. Uma boa parte dele, inclusive, evita telas do tipo devido ao estigma do “burn-in”, um problema das primeiras TVs do gênero que deixava marcados na tela elementos que ficassem estáticos por muito tempo — pense no logo das emissoras que fica no canto inferior direito, ou no placar dos jogos de futebol.

A série F8500, da Samsung, última de plasma da empresa, passou a valer bem mais do dia para a noite. Pena que por um motivo bem ruim.