Senadores dos EUA emparedam líder do Instagram sobre segurança de crianças

Adam Mosseri, executivo à frente do Instagram, foi ao Senado norte-americano nesta quarta (8.dez) explicar o que a rede social tem feito para não bagunçar as cabeças nem por em risco seus usuários menores de idade. Encontrou interlocutores mais bem preparados e menos receptivos às mesmas desculpas e promessas de sempre.

Naomi Nix explicou em sua coluna na Bloomberg que o tema do depoimento — a segurança das crianças — é muito sensível nos Estados Unidos, mais do que privacidade digital ou viralização de desinformação, tópicos mais recorrentes nos depoimentos de executivos ao Congresso. A postura dos senadores parece confirmar a opinião da colunista.

O Engadget relata que alguns senadores e seus assessores criaram perfis falsos no Instagram, se passando por adolescentes, para observar a experiência desse público na plataforma. Sem demora, depararam-se com “coaches de anorexia”, perfis que promovem distúrbios alimentares e hiperssexualizados. A senadora republicana Marsha Blackburn detectou uma falha: seu perfil falso, de uma adolescente de 15 anos, era público. Desde julho, perfis de menores são — ou deveriam ser — privados por padrão. Adam confirmou a falha, ocasionada porque a conta foi criada em um computador, e não no celular, e prometeu uma correção.

O grande trunfo que Adam trouxe para o depoimento foi uma proposta, mais concreta que qualquer outra já apresentada nessa frente pelo Facebook, para que as plataformas se autorregulem no tratamento de menores de idade. Isso se daria em um comitê criado para tal fim, envolvendo empresas do setor e representantes da sociedade civil, que estabeleceriam padrões para aspectos-chaves como verificação de idade, experiências apropriadas para cada faixa etária e controles parentais.

A proposta foi recebida sem entusiasmo: “Não será um corpo da indústria que definirá esses padrões; será o Congresso dos Estados Unidos”, disse a senadora Marsha, segundo o Washington Post.

Richard Blumenthal, senador democrata: “A mensagem bipartidária deste comitê é que leis estão a caminho. Não podemos mais depender da confiança [nas plataformas]. Não podemos depender de autorregulação. É isso o que pais e crianças estão demandando.” Ele também comentou os recém-anunciados recursos do Instagram para proteção de crianças e adolescentes: “Muito aquém do que precisamos”, avaliou. Trechos via Cnet.

Richard perguntou a Adam se a ideia do Instagram Kids, uma versão exclusiva para menores de idade que quase chegou a ser lançada, estava completamente descartada. Mosseri desconversou e se limitou a dizer que nenhuma criança entre 10 e 12 anos teria acesso ao app, se um dia ele for lançado, sem o consentimento explícito dos pais ou responsáveis.

Adam Mosseri aproveitou para anunciar que o Instagram trará de volta o feed em ordem cronológica, recurso originalmente presente no app, mas abolido em 2015.  Ele afirmou que a novidade deve ser liberada no primeiro trimestre de 2022 e que está sendo gestada “há meses”, mas não mencionou que em junho fez uma defesa pública do feed algorítmico. Ainda de acordo com Adam, haverá uma terceira versão do feed, somente com perfis favoritos. Horas mais tarde, o perfil oficial do Instagram no Twitter reafirmou o compromisso e esclareceu que o feed cronológico será opcional. Via Bloomberg, Engadget (2), Cnet, Washington Post, @instagram/Twitter (todos em inglês).

Em 2021, brasileiro pesquisou por Marília Mendonça e futebol e como ser uma pessoa fria no Google

Todo ano, o Google libera listas dos assuntos mais buscados em seu buscador. Como é líder de mercado, acaba sendo um raio-x do que atiçou a curiosidade das pessoas no período. Em 2021, o assunto mais buscado pelo brasileiro foi um recente: a trágica morte da cantora Marília Mendonça.

Fazendo jus à nossa fama, as outras quatro posições do ranking são relacionadas ao futebol: Eurocopa, Palmeiras, Libertadores e Brasileirão, nessa ordem.

No ranking global, dois clássicos do críquete, esporte popular na Índia, lideraram as buscas — Austrália e Índia, e Índia e Inglaterra.

Um assunto intrigante é o que liderou a lista “Como ser…”: como ser uma pessoa fria. O que fez com que nós, um povo caloroso, buscássemos tanto esse ideal aparentemente contraditório?

Veja as demais listas, incluindo a nova “Perto de mim”, nos links ao lado. Via Google Trends (Brasil), Google Trends (global), Blog do Google.

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Firefox 95

O destaque do Firefox 95, lançado nesta terça (7), é uma tecnologia de sandboxing chamada RLBox. Ela isola componentes do navegador a fim de mitigar falhas neles e, com isso, prevenir ataques — até mesmo as do tipo “zero-day”. Importante, ainda que não seja nada empolgante. A versão do macOS ganhou melhorias em velocidade e o botão do modo PIP (em vídeos) agora pode ser posicionado à esquerda do tocador. Via Mozilla (em inglês), Mozilla Hacks (em inglês).

Bloco de notas ganha nova versão no Windows 11

Print do novo Bloco de notas do Windows 11 em modo escuro, exibindo um texto sobre química em inglês.
Imagem: Microsoft/Divulgação.

A Microsoft reformulou o Bloco de notas no Windows 11. Visual moderno, modo escuro, “localizar e substituir” refeito e desfazer multi-nível — sem quebrar a compatibilidade com outros sistemas e fluxos de trabalho, embora ainda existam alguns problemas conhecidos. É a primeira vez desde… será que é a primeira vez que o Bloco de notas ganha uma nova versão? Por ora, apenas para testadores do Windows 11 e ainda sem previsão de chegar à versão final. Via Microsoft (em inglês).

Pegasus do NSO Group afeta computadores também?

Lamentável toda a situação envolvendo Thiago Tavares, presidente da SaferNet, que se exilou na Alemanha após sofrer ameaças e ter seu computador invadido, reflexo do recrudescimento do cenário brasileiro. Via Uol Tilt.

Na carta em que anunciou a decisão, um detalhe chamou a atenção: Thiago afirma que teve seu computador infectado pelo Pegasus, software espião da empresa NSO Group, sediada em Israel, no noticiário há alguns meses por uma série de casos do tipo, ou seja, em que foi usado contra ativistas, jornalistas e opositores.

O Pegasus é um software poderoso. Ele se instala discretamente e concede acesso a praticamente tudo que existe no celular da vítima. Segundo o NSO Group, o Pegasus é vendido (supostamente) apenas a governos e autoridades, e tem como alvos celulares — ele ataca os sistemas Android e iOS. No comunicado à imprensa em que anunciou que processaria a empresa israelense, a Apple sequer menciona o macOS, seu sistema para computadores.

No dia 3 de dezembro, o perfil da SaferNet no Twitter enviou uma mensagem aos perfis da Apple e da Adobe pedindo para que as empresas trabalhassem na correção do vetor de ataque usado pelo NSO Group.

Vale lembrar que a última falha explorada pelo Pegasus/NSO Group afetava iOS, macOS e watchOS a partir do iMessage. Até agora, porém, não se tinha notícia de um ataque ao macOS.

Fica a dúvida, então: ou a SaferNet confundiu-se, ou o Pegasus evoluiu. Sendo quem é, seria um deslize muito óbvio tal confusão.

O Manual do Usuário entrou em contato com a SaferNet pedindo esclarecimentos. Aproveito para prestar toda a solidariedade ao Thiago — aspectos técnicos chamam a atenção, mas não se sobrepõem à gravidade da situação como um todo.

Instagram anuncia vários recursos para proteger menores de idade

Depois de ameaçar e desistir de lançar uma versão do Instagram para menores de idade, o Instagram voltou a trabalhar na adequação do seu app principal a esse público. Nesta terça (7), Adam Mosseri, que lidera o aplicativo, anunciou uma série de novidades focadas na segurança de crianças e adolescentes:

  • A partir de março de 2022, pais e responsáveis poderão monitorar e impor limites às contas dos seus filhos.
  • Novo recurso “Dê um tempo” que interrompe o uso do app e sugere limites. Lançado em alguns países (Austrália, Canadá, EUA, Irlanda e Nova Zelândia), com previsão de ser liberado no resto do mundo no início de 2022.
  • Nova “experiência” para excluir, em lotes, conteúdo e comentários. Valerá para todos os públicos a partir de janeiro de 2022.
  • Limitação de etiquetas (tags) e de menções a menores a apenas contas que eles seguem.
  • Recomendações diversas (pesquisa, aba Explorar etc.) mais restritas a menores de idade.
  • Alertas de novos assuntos a menores de idade que estiverem muito tempo consumindo conteúdo monotemático.

As medidas parecem positivas, mas não confrontam o principal dilema: se crianças e adolescentes deveriam estar usando o Instagram. Via Instagram (em inglês).

Aplicativos para ouvir rádio: minhas recomendações

Não tenho rádio em casa, mas gosto de ouvir rádio. Para isso, uso aplicativos que tocam transmissões via internet, um recurso que ao menos as rádios mais populares oferecem há bastante tempo.

O primeiro app que usei para isso foi o TuneIn. Funciona, porém a interface é bastante carregada, com anúncios, podcasts e outras coisas que não me importam muito. Hoje, uso e recomendo outros apps para cada plataforma:

  • No Android, a melhor pedida é o Transistor (F-Droid, Play Store). É um aplicativo bem cru, mas que cumpre bem a sua função e que, por ser cru, acaba sendo leve e direto por tabela. Tem o código-fonte aberto e é gratuito.
  • No iOS, descobri dia desses e tenho usado o Radio Turner (App Store). Ainda é um tanto carregado, com várias listas de estações sem qualquer segmentação por localidade, mas permite acrescentar suas próprias rádios e funciona bem. É gratuito com anúncios, e tem duas compras in-app: para remover anúncios R$ 22,90) e para estender o recurso de gravação (R$ 4,90).

Tem algum outro que você use e goste? Fala para mim nos comentários.

Criminosos vendem por R$ 200 acesso a dados completos de milhões de brasileiros

Folha de S.Paulo e Uol revelaram sites que operam como “Netflix dos dados pessoais”: por uma mensalidade de R$ 200, concedem acesso irrestrito a diversas bases de dados de cidadãos brasileiros, de órgãos públicos e privados, alguns com dados bem sensíveis, como o do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Segundo a apuração, esses sites conseguem os dados usando credenciais de funcionários públicos, ou seja, embora os sistemas não sejam comprometidos, pequenas corrupções de pessoal ocasionam os acessos indevidos.

A essa altura, devemos considerar que nossos dados pessoais vazaram e agir de acordo. Não é por acaso a avalanche de tentativas de golpe (fui isca em um) desde o grande vazamento do início de 2021. Via Folha de S.Paulo.

WhatsApp permite mensagens temporárias por padrão — em todas as conversas

O WhatsApp ganhou um novo recurso que torna padrão o recurso de mensagens temporárias, que se apagam sozinhas. Ao ser ativado, ele passa a valer para novas conversas e pode ser alterado individualmente.

O Facebook aproveitou o ensejo para acrescentar dois prazos de validade além do que já existia (de 7 dias): 24 horas e 90 dias. É algo muit parecido — para não dizer idêntico — ao que o Signal lançou em agosto. Para ativá-lo, entre em Configurações, depois Conta, Privacidade e, por fim, Duração padrão. Via WhatsApp (2).

Ordem do Reino Unido para que Facebook venda Giphy abre precedente importante

A Autoridade de Competição e Mercados (CMA, na sigla em inglês) do Reino Unido, espécie de Cade de lá, determinou nesta terça (30.nov) o desfazimento da compra do Giphy pelo Facebook, negócio de US$ 400 milhões anunciado em 2020, porque ele “pode causar danos a usuários de redes sociais e anunciantes do Reino Unido” ao eliminar um concorrente no segmento de publicidade digital. Via Gov.uk (em inglês).

A Axios lembra que é a primeira vez que uma autoridade reguladora de fora dos Estados Unidos ordena uma big tech norte-americana a se desfazer de um ativo e que tal precedente pode animar outros países a seguirem o exemplo. Uma alternativa ao Facebook para manter o Giphy seria retirar-se do Reino Unido, mas a probabilidade disso é baixa. Via Axios (em inglês).

Procon-SP multa Facebook em R$ 11 milhões por apps fora do ar em outubro

O Procon-SP aplicou uma multa de R$ 11 milhões ao Facebook devido à pane de 4 de outubro nos aplicativos da empresa. A justificativa oficial do órgão é “má prestação de serviço” e que, embora os apps sejam gratuitos, a empresa lucra com eles.

O que me intrigou mais foram os números de usuários afetados: “[…] mais de 91 mil consumidores brasileiros do Facebook, mais de 90 mil do Instagram e mais de 156 mil do WhatApp.” O WhatsApp tem cerca de 120 milhões de usuários no Brasil; mesmo considerando apenas a cidade de São Paulo, o número de pessoas afetadas pela indisponibilidade foi bem maior.

O Facebook pode (e vai) recorrer. Via Procon-SP, Poder360.

Instagram pede aos usuários para criarem um segundo perfil

Usuários do Instagram estão se deparando com um pedido no app para criarem outra conta. Não é um dilema novo. Há alguns anos, a rede do Facebook (que agora se chama Meta) criou o recurso “Melhores amigos”, para restringir stories a pequenos grupos. A mensagem diz: “Mantenha contato com um grupo menor de amigos”, uma admissão do fracasso do Instagram em… ajudar a manter contato com um grupo menor de amigos.

O pedido institucionaliza um fenômeno espontâneo na rede, o das contas “finsta”, de “fake insta”, ou “Instagram falso”, que adolescentes criavam para poderem se expressar sem o escrutínio de muita gente, só para os amigos mais próximos.

Ao tentar ser tudo — rede social de contatos próximos, loja virtual, vitrine de celebridades, clone do TikTok, plataforma de marcas pessoais etc. —, o Instagram perde a sua identidade. É uma dor que redes focadas, como o HalloApp, podem remediar, mas que talvez seja mais fácil criar outra conta no mesmo Instagram. Via Wall Street Journal (em inglês).

Microsoft volta atrás e facilita alteração do navegador padrão no Windows 11

A Microsoft começou a testar um botão único para alterar o navegador padrão do Windows 11 — o Edge. Desde o lançamento do sistema, era necessário clicar em vários botões para alterar o navegador padrão para diversos formatos de arquivos, uma piora considerável em relação às versões anteriores do sistema. A Microsoft chegou a desabilitar aplicativos de terceiros que facilitavam o processo, como o EdgeDeflector.

Ainda não se sabe quando o novo botão será disponibilizado na versão estável do Windows 11. Via The Verge (em inglês), Windows Central (em inglês).