O que chamou a atenção no Google I/O 2022

por Cesar Cardoso

Em software:

Em hardware:


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

O ano dos games no Linux

por Cesar Cardoso

Desde que a Valve começou a se aventurar no mundo Linux em reação ao fechamento do ecossistema Windows no Windows 8, todo mundo esperava que em algum momento todo o trabalho se transformasse em algo além de um importante recuo tático da Microsoft no Windows 10; mesmo o fracasso das Steam Machines, com a desistência da Valve de criar um ecossistema de PCs-consoles para competir com Playstation e Xbox, não abalou a fé de que estava chegando a hora de levar o Linux a sério como plataforma de gaming.

Então o Steam Deck foi anunciado, e entrou em pré-venda, e começou a ser vendido, e a ser vendido, e a ser vendido… semanas e semanas subindo nas paradas de sucesso; com pelo menos seis meses de espera para receber um console reservado hoje, não há sinal de que o ímpeto vai arrefecer.

Os patches quase diários garantem que, de um início meio turbulento, o SteamOS vem ganhando estabilidade para rodar os jogos que o gamer quer jogar; a comunidade vem desenvolvendo overlays, criando patches, abrindo issues, testando jogos novos, pedindo aos publishers para otimizar seus jogos para o SteamOS. E o SteamOS é Linux, portanto todo o trabalho é revertido para a comunidade.

O Liam Dawe, do GamingOnLinux, a docking station ganhou upgrades importantes.


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Raspberry Pi e a crise dos chips

por Cesar Cardoso

A crise dos chips está aí, todo dia temos notícias de fábricas paradas por falta de componentes, especialmente no setor automobilístico, fora que ter estoque de PlayStation 5, Xbox One S e as últimas GPUs da Nvidia se tornaram acontecimentos, com robôs vasculhando lojas online e tudo.

Já sabemos que a Raspberry Pi não está imune a isso tudo (lembra quando anunciaram um aumento de preços?) e também sabemos que a situação está em constante evolução, porque tudo muda a cada semana.

Nesta semana saiu mais um post falando da dificuldade de comprar os SBCs, e nele temos duas coisas interessantes:

  • O reforço de que é mais fácil conseguir o SoC dos Raspi 4/400/CM 4, por ser em 28 nm, do que o dos modelos anteriores, que é em 40 nm (que é, por um acaso, onde a falta de demanda está mais aguda).
  • A prioridade são os clientes comerciais e industriais. Os clientes domésticos/educacionais deveriam pensar com mais carinho no Raspberry Pi 400 (aliás, concordo com o Eben nesse ponto) e o pessoal maker/embedded deveria olhar com mais carinho para o Pico e o RP2040.

Talvez por isso tenha aparecido, assim escondido, na página de um fornecedor de soluções industriais baseadas na framboesa de Cambridge, o Raspberry Pi Compute Module 4S, é o formato SODIMM tão popular no mundo industrial, que vinha no Compute Module até o 3+ e foi abandonado com o CM 4… só que com o SoC do 4.

Em outras notícias, a atualização de abril do Raspberry Pi OS Bullseye tem o fim do usuário pi por padrão, suporte experimental a Wayland e versão nova do kernel.


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A nova OnePlus

por Cesar Cardoso

A chegada da OnePlus no mundo Android foi um grande surto coletivo, com o “never settle” e todo o hype de Carl Pei e Pete Lau. Carl Pei saiu (e levou a hype machine pra Nothing), a BBK uniu a Oppo e a OnePlus debaixo da asa de Pete Lau e, bom, a OnePlus queridinha do mundo nerd Android morreu, faleceu, foi de base.

Agora é uma marca querendo ser mainstream, talvez mais próxima de ser uma segunda marca global da BBK Electronics (a primeira está se encaminhando para ser a Realme) e aproveitar o espaço que surgiu a partir da saída da LG do mercado móvel; um sinal disso é que, em 2022, a expansão da marca promete ser agressiva fora de EUA/Europa Ocidental/Índia/China:

Gráfico em círculo mostrando os mercados de expansão da OnePlus.
Notaram ali “América do Sul”? Eu já tirei o cavalinho da chuva, não acredito que em 2022 a OP apareça além de Chile, Peru e Colômbia. Imagem: OnePlus/Divulgação.

Na prática dos telefones, depois de sair na China em janeiro, o OnePlus 10 Pro saiu para o resto do mundo esta semana; este topo da linha da nova OnePlus divide opiniões como a própria nova OnePlus, bastando ler as análises de Engadget e de The Verge.


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O Android 12L, ou 12.1, está entre nós

por Cesar Cardoso

E assim de surpresa, tal e qual o próprio anúncio, o Android 12L, ops, 12.1 saiu para os Pixels; para os tablets e dobráveis, fica para mais ao longo do ano, segundo Samsung, Lenovo e Microsoft (!) — tudo que tem de novo está aqui.

Junto com o 12.1, a promessa de que agora vai para os tablets Android e que os desenvolvedores deveriam se preocupar em fazer apps para tablets Android (seja num tablet “puro”, seja num dobrável, seja num Chrome OS). Como ninguém acredita mais em promessas do Google envolvendo tablets… o Google poderia fazer com que seus próprios apps funcionassem direito em tablets, até para dar o exemplo.


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Agora vai: Steam está chegando ao Chrome OS

por Cesar Cardoso

Já faz uns dois anos que o Steam está chegando no Chrome OS. Precisava estabilizar o Crostini, precisava suporte gráfico melhorado, precisava de um monte de coisas… que foram feitas.

Chegou a hora de — isso mesmo — aparecer código. Mais especificamente, aqui.

// The special borealis variants distinguish internal developer-only boards
// used by the borealis team for testing. They are not publicly available.
constexpr char kOverrideHardwareChecksBoardSuffix[] = "-borealis";

constexpr const char* kAllowedModelNames[] = {
    "delbin", "voxel", "volta", "lindar", "elemi", "volet", "drobit"};

constexpr int64_t kGibi = 1024 * 1024 * 1024;
constexpr int64_t kMinimumMemoryBytes = 7 * kGibi;

// Matches i5 and i7 of the 11th generation and up.
constexpr char kMinimumCpuRegex[] = "[1-9][1-9].. Gen.*i[57]-";

Eu sei que C++ é uma linguagem de programação quase alienígena. Por sorte, alguém no 9to5Google, que descobriu o commit, traduziu isso para os meros mortais. O Steam só rodará em dispositivos Chrome OS com Core i5 ou i7 de 11ª geração com pelo menos 8 GB de RAM, e ainda assim a placa-mãe terá que ser liberada pelo Google para rodar o programa.

(Lembrança eterna: todo o desenvolvimento do Chrome OS é orientado a placas-mãe, já que o Google certifica e suporta as placas-mãe que os OEMs podem usar.)

A lista de aparelhos elegíveis neste primeiro momento é bem curta (três Acer, dois Asus, um HP e um futuro Lenovo, todos topo de linha etc.), e que não deve se expandir muito já que a exigência da 11ª geração garante que somente Chromebooks lançados a partir de 2020 têm chance de serem suportados (embora, ao que parece, tem testes internos no Google com Intel Core de 10ª geração e chips AMD).

Agora só falta mesmo o anúncio oficial do lançamento. Talvez com um Chromebook com teclado RGB junto, porque afinal parece existir uma lei obrigando tudo gamer a ter RGB.


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Chrome OS Flex: o seu novo desktop Linux?

por Cesar Cardoso

Há pouco mais de um ano, o Google comprou a Neverware, produtora do CloudReady; um Chromium OS que você poderia baixar e instalar no seu computador, ou reaproveitar aquelas máquinas da sua empresa que já não conseguiam mais rodar Windows ou macOS sem fazer o utilizador passar raiva. Esta semana finalmente sabemos de um dos resultados da aquisição com o anúncio do Chrome OS Flex.

O Chrome OS Flex é o mesmo Chrome OS disponível nos dispositivos Chrome, com a mesma UI, o mesmo Chrome, as mesmas integrações… só não roda apps Android (e não tem suporte à Play Store) nem o Secure Boot tão robusto. Tanto é o mesmo Chrome OS que pode ser usado em Chromebooks, embora não resolva o problema do ciclo de vida do aparelho.

O Google está vendendo o Chrome OS Flex como uma solução para máquinas Windows e Mac mais antigas mas ainda perfeitamente capazes, que podem ser convertidas pela TI e administradas com o Admin Console; no entanto, nada impede que seja instalado pelos usuários em máquinas que estejam precisando… ou até mesmo como sistema principal (embora, hora de lembrar, que ainda está em Early Access e você não deveria fazer isso).

Um Linux “mais ortodoxo” (ao contrário, *cof cof*, do Android), com uma interface já conhecida, suportado por uma grande empresa… Parece bom, parece bom…


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Duas semanas para o Steam Deck

por Cesar Cardoso

Não é nenhuma hipérbole dizer que o Steam Deck é o console/computador Linux mais aguardado da história. E faltando 14 dias para 25 de fevereiro, os preparativos para a chegada do aparelho continuam a pleno vapor.

Um sinal da atividade em torno do aparelho é a quantidade de jogos com o selo Steam Deck Verified; a semana desta newsletter começou com 129 jogos verificados e, quando esta newsletter foi fechada (na noite desta quinta-feira), terminou com 243 jogos verificados, a busca no Steam Deck mostra mais títulos praticamente o tempo todo e se somarmos com os Steam Deck Playable (ou seja, jogáveis, mas precisando de alguma coisinha para terem o selo Verified), vamos a mais de 400 títulos. Qual console teve tantos títulos no lançamento na história?

Outro sinal é o patch para suporte ao controlador embutido do console/PC. Não vai dar tempo de entrar no kernel mainline antes de 25 de fevereiro, já que só deve entrar no kernel 5.18, mas não deixa de ser importante não apenas para diminuir o número de patches específicos do Steam Deck, mas também permitir que outras distros além do Steam OS possam rodar.

E um terceiro sinal é… comparações de tamanho. Sim, o Steam Deck é GRANDE. Não seria de outra maneira.


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O Google vai levar os tablets Android a sério pra valer?

por Cesar Cardoso

Desde o Ice Cream Sandwich, o Google não se importa muito com os tablets Android. Desde o fim do Nexus 7, o Google não se importa mesmo com os tablets Android e que o futuro seriam os tablets Chrome OS. No entanto, existem sinais, fortes sinais de que alguma coisa mudou dentro do Google em relação a tablets Android.

Não apenas pelo Entertainment Space, para os tablets usados como receptores de streaming, e o Kids Zone, para os tablets infantis, não apenas pelo Android 12L vindo aí — embora o 12L tenha como foco principal os dobráveis, muitos dos desafios dos dobráveis são exatamente os mesmos dos tablets —, mas também, e principalmente, por gente chegando.

Em algum momento do ano passado, beta 2 do Android 12L para o Lenovo P12 Pro.


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A máquina do Steam Deck começa a andar

por Cesar Cardoso

Já que a Valve prometeu que, sim, claro, agora vai, o Steam Deck começa a chegar em fevereiro.

A Valve viu que não dá para depender da Epic Games e sua boa vontade com Linux tendendo a -∞ para fazer o Easy Anti-Cheat funcionar perfeitamente no Steam Deck e teve que meter a mão na massa. A Epic continua hostil ao Linux e, portanto, ao Steam Deck, mas pelo menos agora as chances de Apex Legends, Fall Guys etc. e tal funcionarem no Proton aumentaram.

A Valve anunciou, assim, do nada, uma nova maneira de “cloud saves” funcionarem no Steam. Se funcionar conforme o anunciado, você vai poder iniciar um jogo no Steam Deck, simplesmente suspender o console no meio do jogo, chegar no seu PC de casa e voltar a jogar do exato ponto onde você parou. Por que choras, Switch? Por que choras, Xbox?

O Steam Deck aparece rodando God of War na mão de um executivo da Sony. God of War no Steam Deck. Ahn…

E…

A Valve finalmente anunciou que o Steam Deck será lançado oficialmente no dia 25 de fevereiro. Se você reservou seu console, receberá um e-mail a partir deste dia para fazer o pagamento e começar a receber dia 28 de fevereiro.


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O dia que a EFF elogiou uma ação do Google

por Cesar Cardoso

Não é zueira, não, é sério: 14 de janeiro de 2022, o dia que a Electronic Frontier Foundation (EFF) elogiou uma ação do Google. Motivo? O Android 12 permite desligar completamente o acesso a redes 2G.

A EFF tem feito campanha pelo desligamento das veneráveis redes GSM porque é um padrão de 1991, e em 1991 ninguém estava preocupado com coisas como torres falsas pra roubar informações dos usuários ou atacantes colocando sniffers na rede pra capturar informação de incautos (ou, sei lá, alvos).

Além disso, como notou o Xataka, ao desligar o suporte a 2G, ganha-se um pouco de bateria, já que o telefone não tentará se conectar a estas redes — e, dependendo do país, você poupa o telefone de procurar por redes que não existem.

O problema, como se sabe, é que nada que não dependa do Play Services é fácil no mundo Android. Se você tem um Pixel, tudo bem, mas se tem de outro OEM depende do OEM achar uma boa ideia colocar o botão de desligamento e, claro, em países onde as operadoras ainda vendem telefones bloqueados, a operadora tem que querer colocar o botão.

Bom, eu acho que… er… já não tem lá os padrões LTE pra M2M e IoT? Então, vamos usá-los e dar um enterro digno ao GSM clássico.


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Um pouco mais da nova Honor

por Cesar Cardoso

Desde que a Honor foi separada da Huawei, muito pouca coisa se sabe do que realmente os novos donos esperam da empresa, agora que não tem mais a Huawei como marca-mãe. Com a semana dominada pelo Honor Magic V, esta entrevista do Xataka com Pablo Wang, VP da empresa para a Europa, ganha importância porque, afinal, a nova Honor veio para disputar mercado e não mais ser uma sub-marca, e isto inclui disputar no topo de linha, lançar uma linha de acessórios etc e tal.

Por falar em Honor Magic V, lançado na segunda, é bem como a Honor quer ser vista: uma competidora de Apple e Samsung, no caso, competindo com o Fold 3; é o primeiro dobrável com Snapdragon 8 Gen 1 e, pelo menos à primeira vista, parece menos desconfortável para usar. Sem previsão para sair da China, afinal ambição sem base é sonho, e a Honor ainda está montando sua base internacional.


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O que já sabemos sobre o Android Go

por Cesar Cardoso

Nota do editor: Cesar Cardoso toca o Pinguins Móveis por e-mail, uma newsletter semanal que acompanha as idas e vindas do Linux e alguns derivados, como o o Android, em eletrônicos de consumo. Em uma edição recente, ele fez um ótimo “perguntas e respostas” do Android Go, a versão mais leve do Android destinada a mercados emergentes. Leia-o abaixo e não deixe de assinar (gratuitamente!) a newsletter do Cesar. (mais…)