O que já sabemos sobre o Android Go


23/2/18 às 11h37

Nota do editor: Cesar Cardoso toca o Pinguins Móveis por e-mail, uma newsletter semanal que acompanha as idas e vindas do Linux e alguns derivados, como o o Android, em eletrônicos de consumo. Em uma edição recente, ele fez um ótimo “perguntas e respostas” do Android Go, a versão mais leve do Android destinada a mercados emergentes. Leia-o abaixo e não deixe de assinar (gratuitamente!) a newsletter do Cesar.


O básico

O que é o Android Go?
O Android Go é uma configuração do Android; não é uma versão diferente (Android Wear, Android TV) nem uma ROM customizada. Não por acaso o nome oficial da atual versão é “Android Oreo (Go edition)”.

Qual é o alvo do Android Go?
Smartphones com pouca RAM e pouco espaço de armazenamento — por exemplo, o conhecido conjunto 1 GB de RAM/8 GB de armazenamento.

Segundo o próprio Google, uma instalação padrão do Android Go deve ter o dobro de espaço livre num dispositivo com 8GB de armazenamento, com apps ocupando 50% a menos de espaço; não há nenhuma informação sobre memória RAM, mas acredita-se que o Android Go deve rodar bem mesmo com 512MB.

Gráficos comparando a redução de memória ocupada com o Android Go.
Imagem: Google/Divulgação.

Qual é a diferença entre o Android Go e a versão original do Android One?
Enquanto o Android One original pensava em levar uma experiência unificada de software com atualizações enviadas diretamente pelo Google a um preço-base de US$ 100, o Android Go se preocupa mais com tornar os smartphones ainda mais baratos usáveis.

Até agora, não há nada no Android Go que envolva uma interface de usuário customizada ou compromisso de atualização, embora um smartphone sair com Android 8 significa que terá que suportar o Project Treble.

(É importante notar que, recentemente, o Android One se tornou algo mais parecido com o substituto da antiga linha Google Nexus.)

O pacote Go

O que tem na configuração Android Go?

  • Otimizações no gerenciamento de memória;
  • Otimizações no uso de espaço por apps e pelo sistema;
  • Melhoras no gerenciamento de consumo de dados;
  • Play Store apresentado proeminentemente os apps otimizados para o Android Go;
  • O que vamos chamar de “Google Apps Go”.

“Google Apps Go”?
Junto com o Android Go, o Google anunciou uma série de apps e customizações de apps existentes:

  • Google Go, refeito para ser mais leve que a versão “cheia” — e sem o Feed, o que pode ser uma vantagem mesmo sem o Android Go;
  • Google Assistant Go, uma versão mais leve e limitada (só tem suporte a voz, não suporta controle de smart home nem Actions on Google) do Google Assistente;
  • Google Maps Go, que é um PWA;
  • YouTube Go, que além de ser mais leve que o app original permite download, visualização e compartilhamento de vídeos offline;
  • Files Go, um gerenciador de arquivos que permite a limpeza do armazenamento interno e compartilhamento de arquivos via Wifi;
  • Datally, um gerenciador de consumo de dados móveis;
  • Gmail Go, o mais novo da família (saiu na terça de Carnaval), com metade do tamanho e praticamente tudo o que tem na versão “full” do Gmail;
  • Apps com customizações especiais para economizar memória e/ou dados (Gboard, Chrome).

Os apps e as customizações do Chrome para economizar dados não são exclusivos para telefones Android Go, podendo ser instalados em qualquer Android, respeitando a versão mínima (Assistant Go e Gmail Go, por exemplo, são apenas para Oreo). Em especial, o Files Go e o YouTube Go conseguiram se firmar em smartphones que passam longe do Android Go.

O que NÃO é alterado no Android Go?

  • Os apps Google Play Services e Google Play Store;
  • Os serviços Google Play, como (e especialmente) o Play Protect.

Os objetivos não-técnicos

Onde o Google quer chegar com o Android Go?
O objetivo declarado de Sundar Pichai é que smartphones com Android Go possam ser vendidos a partir de US$ 30 na Índia (lembrando que a Índia é o mercado-chave do Android Go).

Para alcançar esse valor (que não parece muito na perspectiva classe média urbana brasileira, mas é muito na Índia rural), o sistema deverá ser usável até mesmo em configurações como 512 MB de RAM e 8 GB de armazenamento.

Então quer dizer que o Android Go é para a Índia?
Não. O Android Go começa na Índia porque é a última corrida do ouro de conversão de novos usuários de smartphones.

Mas uma versão para smartphones de gama baixa e superbaixa também é super bem-vinda na América Latina, na África, no Sul e Sudeste da Ásia, na China rural…

Na prática

Quais smartphones sairão com Android Go?
A rigor, qualquer smartphones com pouca RAM e pouco armazenamento com Android 8.1 pode ser Android Go, bastando o fabricante fazer a parte dele — por exemplo, o sempre falante chefe de produto da HMD Global anunciou que o Nokia 2 pulará para o Oreo 8.1 para aproveitar o trabalho feito, ou os esperados Nokia 1 e Asus X00RD.

Mas é óbvio que, neste primeiro momento, o Google vai se juntar a fabricantes indianos para fazer o hype, caso do Bharat Go, da Micromax, o primeiro smartphones a ser anunciado com Android Go. Também sabemos que a Reliance Jio, operadora local (e fabricante do Jiophone, o telefone que ressuscitou os featurephones ao dotá-los de LTE), vai lançar seu Android Go.

Eu posso converter meu telefone atual para Android Go?
Sim, é possível em parte agora. Inclusive já tem gente trabalhando em ROMs com as otimizações do Go.

Imagem do topo: Google/Divulgação.

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