Vivendo no limite: Como ganhar espaço em celulares com pouca memória interna


8/3/16 às 9h24

Smartphone custa caro. Mesmo aqueles de entrada significam um gasto considerável. O pior é que, com raríssimas exceções, os modelos mais baratos são os que mais impõem dificuldades no uso — o conhecido “barato que sai caro”. Eles são mais lentos, têm telas ruins e oferecem pouco espaço para guardar arquivos e instalar apps. Como conviver com smartphones que chegam ao cúmulo de ter apenas 4 GB de memória interna?

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Com muito malabarismo. Embora as ofertas das fabricantes tenham avançado muito nos últimos tempos, com aparelhos, hoje à venda por valores acessíveis, similares em desempenho aos melhores de dois ou três anos atrás, a quantidade de memória interna não evoluiu na mesma passada. O mais estranho é que memória NAND flash, o tipo usado em smartphones, é barata. Num iPhone 6s de 16 GB, por exemplo, ela custa apenas US$ 6. Em um de 64 GB, US$ 23. Não é por custo que elas chegam caríssimas ao consumidor, é como fator de diferenciação e uma maneira fácil e suculenta demais para ser ignorada de aumentar o ASP1 do produto.

A Asus foi a única que se comprometeu publicamente a não lançar aparelhos com menos de 16 GB2. A novata Quantum, com apenas um modelo à venda, também adota a filosofia. LG, Motorola, Microsoft, Samsung, Sony e até a Apple ainda vendem por aqui smartphones com apenas 8 GB de espaço, valor baixo para os padrões atuais. E piora: Galaxy J1 (Samsung), Pixi 3 (Alcatel), Joy (LG), X400 (Positivo) e Studio C (BLU), todos lançados em 2015, conseguem ser mais muquiranas nesse aspecto, contando com parcos 4 GB.

Espera, ainda não acabou. Como a quantidade de memória anunciada é a total, ou seja, sem descontar o que o sistema e aplicativos pré-instalados ocupam, na prática esses números todos são ainda menores. Há casos em que essa distinção pesa bastante, como o do G4 Beat, da LG: dos 8 GB nominais, o usuário dispõe de apenas 3,6 GB. E nem é um dos smartphones mais baratos — seu preço sugerido tem quatro dígitos.

Se você vive no aperto, dando de cara com a famigerada mensagem de que não há espaço para instalar novos apps, salvar novas músicas ou até mesmo para tirar uma selfie, este post pode ajudá-lo. Vem comigo!

A dica óbvia

Mão segurando iPhone 6s na caixa, embalado.
Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr.

A dica mais óbvia para não se ver limitado por falta de memória é simplesmente comprar um aparelho que a ofereça em quantidade minimamente satisfatória.

Hoje, isso significa 16 GB. Com esse tanto de memória já dá para ter uma boa quantidade de apps, alguns jogos, músicas offline e alguns gigabytes reservados para fotos e vídeos. Ainda é apertado e exigirá backups e limpezas recorrentes, mas dá para respirar.

O “sweet spot”, melhor custo-benefício, é 32 GB. Vários topos de linha, inclusive, começam nesse patamar. É o caso dos últimos Galaxy S, linha G da LG e Xperia Z, da Sony. A Apple é uma exceção, já que não vende iPhone com 32 GB — depois do de 16 GB aparece o de 64 GB. Na época dessa mudança, em 2014 (iPhone 6), o preço do segundo “tier” foi mantido, ou seja, o iPhone de 64 GB ficou mais barato, no nível dos antigos de 32 GB.

Mas “iPhone barato” é uma contradição em termos e os outros citados no parágrafo anterior, embora mais em conta, ainda são bem caros. A realidade é ingrata e em muitos casos a dica óbvia não se aplica. Se você se viu forçado pelas circunstâncias a levar para casa um smartphone com 16, 8 ou até 4 GB de espaço interno, as outras dicas, abaixo, te ajudarão a ter menos dor de cabeça com a falta dele no dia a dia.

O amigo cartão microSD

Cartões microSD aumentam o espaço disponível em smartphones.
Foto: Manu Fernandez/AP.

Uma das grandes vantagens dos smartphones Android e Windows frente ao iPhone é ter suporte para cartões microSD — a maioria, pelo menos. Por cerca de R$ 40, é possível comprar um de 16 GB de marca conhecida (Kingston, Sandisk) em grandes lojas do varejo. Comprá-lo de um lugar com procedência é importante para evitar as falsificações, que costumam entregar menos espaço que o anunciado, velocidades baixíssimas e/ou chips de memória falhos, do tipo que corrompe qualquer arquivo inserido.

Existem outros dois fatores em jogo: o padrão de cartão suportado (SD, SDHC, SDXC), que implica no tamanho máximo suportado pelo dispositivo (smartphone) e a classe dele (quanto maior, mais rápido). Esses dados variam de smartphone para smartphone; antes de comprar um cartão microSD, dê uma olhada na tabela de especificações do seu aparelho para ver quais são compatíveis. A instalação é bem simples, basta encontrar o slot no corpo do aparelho (nos mais simples, geralmente embaixo da tampa de trás) e empurrar o cartão ali. Na dúvida, consulte o manual do smartphone.

Até o Android 5 “Lollipop”, o sistema enxergava cartões microSD como um passageiro de segunda classe. Alguns apps podiam ser movidos para ele, mas não todos; o uso mais útil, mesmo, era salvar diretamente no cartão fotos e músicas, coisas cujo espaço ocupado aumenta gradualmente com o uso. Não resolve todos os problemas, mas é um adianto em situações mais graves.

Para passar conteúdo de mídia da memória interna para um cartão microSD instalado, entre nas configurações, depois vá a Armazenamento, toque em “Mover mídia”, selecione os tipos de arquivos que deseja mover e confirme a operação.

A nova versão do Android, a 6 “Marshmallow”, permite que se use o cartão microSD como uma extensão da memória interna, aliviando com mais eficiência o problema da falta de espaço — afinal, todos os apps podem, dessa forma, aproveitar toda a capacidade extra provida pelo cartão3. É uma pena que ainda levará um bom tempo, e muito provavelmente a compra de novos aparelhos, para que os modelos mais necessitados usufruam dessa novidade. Dos males da fragmentação do Android…

Dicas para lidar com a falta de espaço

Independentemente do cartão microSD, algumas ações podem ser realizadas para ganhar fôlego no uso de smartphones com espaço limitado.

1. Ouça música por streaming

Em vez de armazenar as músicas no seu aparelho, prefira o streaming, que usa menos espaço e somente das músicas que você efetivamente ouve. Existem contras nessa abordagem — 3G é caro, então é bom ouvir música e fazer cache delas via Wi-Fi, e o streaming impacta mais a autonomia da bateria —, mas são problemas mais gerenciáveis que a falta de espaço.

2. Desinstale jogos e apps pouco usados

Imagem de divulgação do jogo Asphalt 8: Airborne.
Imagem: Gameloft.

Na real, não tenha jogos instalados — no máximo um desses de passar o tempo, como THREES ou Peak, para encarar filas e salas de espera. De qualquer forma, jogos mais elaborados (e grandes) já sofrem mesmo para rodar em smartphones mais simples, então não chega a ser um problemão. Tome, como exemplo, Asphalt 8: Airborne, da imagem acima. No Android ele chega a ocupar 1,5 GB, sem falar que seus gráficos, muito bonitos, exigem bastante do hardware. Em outras palavras, se o smartphone não está colaborando, esqueça esse jogo.

Apps, por sua vez, são mais complicados. Afinal, são a razão de se usar um smartphone em vez de um featurephone. Porém, cabe uma análise fria já que muitos apps são usados apenas ocasionalmente. Uma pesquisa da comScore nos Estados Unidos, em 2015, constatou que 42% do tempo gasto em apps pelos entrevistados se desenrolava em apenas um app; 80%, em somente três.

Com pouco espaço, a ordem é priorizar. Avalie quais apps você mais usa e mantenha-os instalados. Aqueles que só são abertos vez ou outra, desinstale.

3. Use a web

Comparação entre app nativo e versão web.
App nativo (esquerda) e versão web da Wikipédia.

Uma alternativa à política de priorização dos apps mais populares e eliminação dos nunca usados é recorrer à versão web desses últimos. A maioria dos que usamos possui uma versão web e grandes são as chances dela ser otimizada para dispositivos móveis. Em vez de, por exemplo, ter o app da Wikipédia instalado, acesse o site. Melhor: crie um atalho na tela inicial para o site da Wikipédia.

Para criar um atalho de site na tela inicial a partir do Chrome para Android, acesse o site desejado, toque no menu dos três pontinhos e, na lista, em “Adicionar à tela inicial”. Já no iPhone, usando o Safari, acesse o site desejado, toque no ícone de ações na parte de baixo da tela (o do meio) e, na fileira inferior das que surgem na tela, no botão “Tela de Início”.

A web é um tanto mais lenta e quase sempre consome mais dados ao ser acessada em comparação aos apps nativos, mas o ganho em espaço na memória local do smartphone compensa esses pequenos sacrifícios.

4. Mande as fotos para a nuvem

Além de uma boa dica de backup, enviar automaticamente fotos e vídeos para a nuvem ajuda a economizar espaço — se elas já estão salvas em algum servidor, pode apagar sem medo as cópias que estiverem em seu aparelho, ocupando espaço.

Everalbum, Flickr e Google Fotos oferecem espaço infinito na nuvem, embora apenas o Flickr preserve a resolução nativa das imagens sem cobrar por isso. O do Google, por sua vez, é proativo e oferece a opção de eliminar as cópias locais do smartphone caso haja pouco espaço livre. Já o Everalbum é mais eficiente na função de coleta: ele se conecta às suas redes sociais e puxa fotos de lá também, preservando-as caso algo aconteça — parece bobagem, mas o tanto de gente que ficou desesperada sem as fotos do Orkut justifica se ter algo assim. Ele também tem uma ferramenta que ajuda a eliminar fotos já salvas online.

Aos donos de iPhone, a Fototeca do iCloud tem uma opção dinâmica muito legal, que otimiza o espaço gasto com fotos de acordo com o disponível no iPhone, iPad e Mac. Em vez de salvar todas as fotos em resolução máxima, o serviço faz uma cópia local de baixa qualidade, economizando espaço. Caso o usuário abra a foto, o download da versão de melhor qualidade é iniciado. Veja aqui como habilitar a otimização de armazenamento das fotos.

5. De olho no WhatsApp

Só Whats A-Pê-Pê
Quadro do clipe da música Whatsapp, de Lude & Marcos.

Sempre fico estupefato com a capacidade de encher memória do WhatsApp. Todos aqueles vídeos e zilhões de imagens compartilhadas ocupam espaço, e ocupam rápido. É importante, pois, estar atento a isso, já que às vezes esse único app, provavelmente o mais usado no Brasil, se torna o maior vilão da pouca disponibilidade de memória.

Uma ação preventiva muito útil que pode ser feita é impedir que o WhatsApp baixe automaticamente imagens e vídeos. Por padrão ele baixa tudo quando conectado ao Wi-Fi e, na rede móvel, as imagens. O ideal é deixar tudo isso no manual. Assim, fotos e vídeos daqueles grupos super ativos, mas que você deixa no mudo e vez ou outra dá uma olhada, não serão baixados a menos que você queira — e, nesse caso, basta um toque para iniciar o download.

Para mudar esse comportamento, toque no menu dos três pontinhos e, depois, em Configurações. Na tela seguinte, entre em “Conversas e chamadas” e, no próximo menu, em “Download automático”. O WhatsApp prevê três situações: “Quando utilizar rede de dados”, “Quando conectado ao Wi-Fi” e “Em roaming”. Toque em cada um deles e desmarque tudo.

WashZap limpa imagens e vídeos do WhatsApp.Se o estrago já está feito, dê um pulo na galeria do sistema para fazer uma limpeza. No Android, o WhatsApp salva as imagens e vídeos numa pasta à parte, ou seja, é mais fácil separar o conteúdo recebido por ele de fotos feitas com a câmera e vindas de outras fontes. Ataque principalmente os vídeos, que consomem mais espaço que imagens.

Existem apps de terceiros que se prestam exclusivamente a limpar a bagunça gerada pelo WhatsApp. Curiosamente, um app que é parte de uma peça publicitária acaba funcionando de modo direto e sem trazer a tiracolo outras ferramentas de utilidade mais duvidosa. É o WashZap, da Brilux. Ele abre diretamente as fotos e vídeos recebidos pelo WhatsApp, permite selecionar múltiplos arquivos de uma só vez, tem pré-visualização de vídeos e, ao fim do processo, indica quantos megabytes ou gigabytes foram recuperados com a limpeza.

6. Elimine o cache

Muitos apps dependem de arquivos extras, que vão além dos necessários para ele funcionar, a fim de serem úteis. Um Spotify da vida, por exemplo, faz cache (baixa) cópias das músicas mais ouvidas de modo que, em vez de fazer streaming delas toda vez, nas subsequentes à primeira recorre aos arquivos locais, salvos previamente. Navegadores web têm seus próprios cache, cookies e outros arquivos que facilitam e aceleram o acesso aos sites. Apps como o Pocket salvam conteúdo para consumo offline. Até os menos suspeitos, como Facebook e Twitter, têm algum tipo de cache. “Cache”, nesse contexto, é sinônimo de “arquivos salvos localmente para agilizar a execução do app”.

O problema é que esse cache às vezes cresce muito e, embora continue sendo útil ao seu propósito, impacta outras áreas como o consumo de espaço. Nesses casos, vale a pena zerá-lo, especialmente porque, com frequência, os apps abusam do cache e consomem mais espaço do que seria necessário para funcionarem bem. Os primeiros acessos pós-remoção do cache talvez sejam mais lentos, mas em muitos casos o ganho de espaço compensa. A leitora Jéssica relatou uma experiência com o Pocket que ilustra bem isso:

“Neste último sábado tive um momento “Eureka!” no meu iPhone. O aplicativo Pocket estava ocupando nada menos que 2,8 GB no meu celular. Achei que fosse a memória dos textos offline, então reduzi de 1000 artigos pra uns 390. Mas a memória [consumida] não diminuía! Então, depois de chafurdar muito na Internet, ouvi falar dessa tal memória cache e fiz o que recomendaram: apaguei e reinstalei o aplicativo. Adivinha quanto espaço ele ocupa agora? 72,8 MB. Apenas 3% do espaço que ocupava antes.”

O iOS não oferece um meio de eliminar apenas o cache dos apps. Para ter esse resultado, a única saída é fazer o que a Jessica fez: apagar e reinstalar o app. Pelo menos o sistema móvel da Apple mostra, na ordem dos mais gastões, quanto de espaço cada app ocupa. Para encontrar essa lista, entre em Ajustes, depois toque em “Geral”, daí em “Armazenamento e iCloud” e, no primeiro bloco de opções (“Armazenamento”), em “Gerenciar Armazenamento”. A lista exibe o tamanho total (app + dados); para ver quanto cada app ocupa com arquivos, toque em um deles:

Gerenciamento de armazenamento no iOS.

Limpar dados e cache de app no Android.No Android é mais fácil. Entre nas configurações, depois em “Armazenamento” e, dali, toque em “Aplicativos (dados de aplicativo e conteúdo de mídia)”. Uma lista de apps, com o tamanho gasto por cada um, será exibida. Toque em um deles para ver detalhes. Nessa tela há dois botões que limpam o espaço ocupado pelo app sem que seja preciso desinstalá-lo. “Limpar cache”, mais abaixo, remove dados que podem ser removidos sem que o funcionamento do app seja afetado. O outro, “Limpar dados”, costuma dar mais resultado, mas tenha em mente que ele retorna o app ao seu estado original, ou seja, como ele era quando foi baixado, o que significa que será preciso fazer login e realizar outras ações do tipo.

Soluções paliativas

Todas essas são soluções paliativas e, muito provavelmente, do tipo que precisarão ser feitas regularmente, já que o espaço economizado em uma sessão mais profunda de limpeza será preenchido novamente em pouco tempo. Não existe solução definitiva, salvo espetar um cartão microSD ou trocar o aparelho por um de maior capacidade.

A vida é mais conturbada, mas não impossível. Espero que as dicas ajudem você, que lida com 16, 8 ou até 4 GB de memória, e caso tenha alguma outra útil que não aparece no post, compartilhe-a nos comentários.

  1. Average Selling Price, ou preço médio de venda na sigla em inglês.
  2. Mas nem tudo são flores. A Asus ainda não oferece 4G nesses smartphones intermediários, o que é uma pena.
  3. Embora a fabricante ainda tenha o poder de restringir essa possibilidade. O Galaxy S7, por exemplo, vem com Android 6.0, mas não permite o uso do cartão microSD para estender a memória interna.

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