A Folha de S.Paulo contatou seis empresas responsáveis pelas maiores plataformas sociais no país: Meta (do trio Facebook, Instagram e WhatsApp), TikTok, Telegram, Twitter, Kwai e YouTube.

O jornal paulista queria saber detalhes dos preparativos para o período eleitoral. Entre outras perguntas, qual o tamanho da equipe de moderação que fala português do Brasil e investimentos feitos em pessoal na moderação e nos sistemas automatizados.

Telegram não respondeu. As demais tangenciaram e, embora tenham dado retorno, não responderam as perguntas diretamente.

Apenas o Twitter confirmou, ainda que de forma vaga, que durante as eleições dedica “mais esforços desses e de outros times, que incluem brasileiros, para monitorar as conversas”. Via Folha de S.Paulo.

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais 

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

[Elon] Musk aparentemente acredita que é livre para mudar de ideia, detonar a empresa, bagunçar suas operações, destruir valor dos acionistas e sair impune.

— Advogados do Twitter.

O argumento do Twitter na Justiça nos Estados Unidos para obrigar Elon Musk a cumprir sua palavra e comprar a empresa por US$ 44 bilhões é pesada.

A empresa afirma que não há base para a alegação de Musk de que o acordo foi violado, o que lhe daria uma saída do negócio que, a essa altura, está evidente ele não quer mais. Via Reuters, Bloomberg (ambos em inglês).

Sem muita surpresa — dados os últimos acontecimentos —, o advogado de Elon Musk, Mike Ringler, enviou uma carta à SEC (a CVM dos Estados Unidos) nesta sexta (8) demandando o rompimento do acordo de compra do Twitter, um negócio de US$ 44 bilhões.

Musk alega que o Twitter não lhe entregou dados relacionados ao volume de contas falsas/de spam na plataforma, que o Twitter afirma não ser superior a 5% do total, o que Musk contesta.

A desculpa, fajuta, desde o início foi encarada pelo mercado como uma desculpa para o arrependido Musk pular fora do negócio.

No Twitter, Bret Taylor, presidente do conselho do Twitter, disse que a empresa quer levar o negócio a cabo e que recorrerá à Justiça para que Musk cumpra sua palavra. Via SEC, CNBC, @btaylor/Twitter (todos em inglês).

Um abrigo para os textões

A tendência do progresso (entenda-o como quiser) é facilitar, democratizar as coisas. Nem sempre esse caminho é percorrido da melhor maneira, porém.

(mais…)

O Twitter começou os testes públicos das Notas, ou em bom português, da publicação de textos longos direto na plataforma.

Alguns usuários selecionados já podem publicar textos longos no Twitter. Depois de publicada, a Nota aparece como se fosse um link externo na linha do tempo do Twitter, mas ao ser clicada, o texto abre no próprio aplicativo ou site do Twitter. Não é preciso ter conta no Twitter para ler as Notas.

O textão do Twitter tem limites. Segundo a documentação oficial do recurso, títulos podem ter até 100 caracteres e os posts em si, 2.500. (Parece sistema de publicação de jornal velho.)

E, surpresa, é possível editar os textões, o que prova que o Twitter sabe como faz e só não libera a edição de posts convencionais, aqueles de 280 caracteres, porque não quer.

No Brasil, os links para as Notas publicadas ainda não estão funcionando. Via @TwitterWrite/Twitter, Twitter, The Verge (todos em inglês).

Estamos fazendo algumas atualizações na estrutura e cronograma da nossa equipe de produtos para o consumidor a fim de focar melhor em áreas que terão o maior impacto positivo no debate público.

— Twitter, em nota à Bloomberg.

Executivos do Twitter disseram aos funcionários que a empresa focará em duas áreas: crescimento e personalização. Para isso, ainda segundo a publicação de negócios, recursos e pessoal de “ambições de longo prazo”, como os espaços de áudio, comunidades e newsletters, reduzidos e/ou realocados para as duas áreas prioritárias. Via Bloomberg (em inglês).

Elon Musk no Brasil

Foto lateral, com Elon Musk ao centro, focado, ladeado pelo presidente Jair Bolsonaro falando ao microfone e o ministro Fábio Faria.

No dia 20 de maio, sem alarde, apesar dos rumores e questionamentos feitos ao Ministério das Comunicações, Elon Musk desembarcou no Brasil.

Na agenda estava um acordo com o governo federal para conectar escolas da Amazônia usando a Starlink, rede de satélites de órbita baixa que polui o céu noturno e leva internet a lugares remotos.

Na prática, porém, o evento serviu para o governo bajular o homem mais rico do mundo e alardear sua noção um tanto torta e perigosa de “liberdade de expressão”.

(mais…)

Atualização (14h30): Foi pior do que alguém poderia imaginar. A partir de agora, quando alguém pedir a definição de viralatismo, mostrarei o vídeo abaixo (via Uol):

Elon Musk tem um encontro marcado com o presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (20), em São Paulo.

A agenda oficial, segundo o ministro das Comunicações, Fábio Faria, consiste em “tratar com o governo brasileiro sobre conectividade e proteção da Amazônia” — manobra em que o governo interferiu indevidamente na Anatel para acelerar autorizações no Brasil da Starlink, de Musk.

Segundo a Folha de S.Paulo, “empresários de diversos ramos, como telecomunicações, finanças e energia, também foram convidados a comparecer”, e assessores de alguns desses empresários temem que o encontro vire palanque eleitoral para Bolsonaro.

N’O Globo, Lauro Jardim, que deu a notícia em primeira mão, lembrou que Musk virou uma espécie de ídolo da extrema-direita desde que anunciou a intenção de comprar o Twitter. “O bolsonarismo espera que, com Musk no comando, o Twitter fique mais amigável à extrema-direita.” O negócio está “temporariamente suspenso” por iniciativa de Musk, que (supostamente) desconfia do volume de contas falsas na rede social. Via O Globo, Folha de S.Paulo.

Parag Agrawal, CEO do Twitter, foi à rede explicar como a empresa lida com perfis falsos/de spam. Praticamente uma indireta bem direta a Musk, que na sexta (13) suspendeu temporariamente a compra da empresa para averiguar a situação desse tipo de perfil.

A explicação de Agrawal (em inglês) é bem interessante e, dentro do que um fio no Twitter permite, detalhada. Chama a atenção o fato de que, todos os dias, o Twitter suspende mais de meio milhão de contas e bloqueia preventivamente outras tantas para verificar se são legítimas ou não.

Provando-se detentor de elevado nível de maturidade, Musk respondeu o CEO do Twitter com um emoji de cocozinho (“?”). Em seguida, prosseguiu: “Então como os anunciantes sabem o que estão recebendo pelo seu dinheiro? Isso é fundamental para a saúde financeira do Twitter.” Via @paraga/Twitter, @elonmusk/Twitter (ambos em inglês).

Elon Musk “suspendeu temporariamente” o acordo de compra do Twitter para, aparentemente, verificar a incidência de contas de spam/falsas na plataforma. No aviso, publicado no Twitter, Musk se referiu a uma notícia da Reuters de 2 de maio em que o Twitter afirma ter menos de 5% de contas de spam/robôs.

Apesar da manifestação de surpresa de Musk, analistas apontam que esse percentual já era conhecido do mercado e que Musk provavelmente o conhecia.

Há quem diga que o argumento das contas falsas pode estar sendo usado por Musk para melar o negócio ou conseguir um desconto no valor de US$44 bilhões que prometeu pagar pelo Twitter. Caso desista do negócio, ele teria que pagar uma multa de US$ 1 bilhão.

O efeito nas bolsas foi imediato. O papel do Twitter desabou quase 20% no pré-mercado (as negociações antes de o balcão da Nasdaq abrir).

Já as ações da Tesla, que vêm sofrendo com o próprio negócio envolvendo Musk e o Twitter somado à queda generalizada dos papéis de tecnologia nos EUA, subiam ~6%. Via @elonmusk/Twitter, Reuters (2), New York Times (todos em inglês).

Bolsonaristas celebram mudança inexistente no Twitter e usam robôs para inflar número de seguidores

O sinal verde dado pelo conselho do Twitter para a venda da empresa ao bilionário Elon Musk foi comemorado pela extrema-direita de vários países.

No Brasil, além da celebração em grupos de Telegram e WhatsApp, conforme relatado no blog da Malu Gaspar, no jornal O Globo, o evento serviu de base para que políticos bolsonaristas espalhassem mais uma mentira nas redes.

Os perfis de Jair Bolsonaro (PL), seus filhos, ministros e ex-ministros e deputados ligados ao clã, como Carla Zambelli (PL-SP) e Hélio Lopes (PL-RJ), vêm ganhando mais seguidores que o normal desde segunda-feira (24).

O presidente Bolsonaro, que costuma ganhar 4,2 mil novos seguidores por dia no Twitter, chegou a receber 65 mil em 24h.

Christopher Bouzy, que em 2018 lançou o Bot Sentinel, uma ferramenta que analisa perfis no Twitter para distinguir pessoas de robôs, a fim de “lutar contra a desinformação e ódio direcionado”, revelou que ~93% dos novos seguidores de Bolsonaro é formada por robôs.

O indício mais forte é a data de criação dessas ~61 mil contas: a véspera do salto exponencial no volume de novos seguidores. Christopher disse, no Twitter:

Estão me perguntando via DM se acho que as novas contas seguindo Jair Bolsonaro são orgânicas, e a resposta curta é não. Não acredito que dezenas de milhares de brasileiros decidiram criar novas contas ao mesmo tempo e seguir Bolsonaro porque Elon Musk está comprando o Twitter.

Nada disso impediu os bolsonaristas de comprarem e turbinarem essa narrativa. Também no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu:

Em poucas horas, após o anúncio da compra do Twitter por @elonmusk, ganhei mais da metade de seguidores que normalmente ganho em 1 mês.  Algumas mudanças no engajamento já são perceptíveis. Era fato que o algoritmo anterior sabotava as contas. Entenderam?

E a deputada Carla Zambelli seguiu na mesma linha:

Quase 40 mil seguidores a mais aqui de ontem para hoje. O Brasil é conservador, só faltava transparência e liberdade.
Bem vindo, @elonmusk ??

Elon Musk ainda não é dono do Twitter. O que ocorreu na segunda (24) foi a recomendação (unânime) do conselho da empresa para que a venda se realize.

Os acionistas ainda precisam aprovar a compra por Musk e este, por sua vez, fará a chamada “due dilligence”, uma verificação das contas do Twitter para saber se está tudo em ordem. São procedimentos formais, quase de rotina, mas que podem, em casos excepcionais, inviabilizar o negócio. De qualquer modo, esse processo deverá durar, no mínimo, seis meses.

Além disso, segundo a Bloomberg, desde sexta (22) a direção do Twitter congelou a implementação de novos recursos para “dificultar que funcionários façam alterações não autorizadas” enquanto a negociação com Musk se desenrolava.

A medida foi tomada, ainda segundo a publicação, que ouviu fontes internas da empresa, para impedir que funcionários insatisfeitos com a perspectiva da venda a Elon Musk se rebelassem e fizessem alterações danosas ao produto. Via Folha de S.Paulo, O Globo, @cbouzy/Twitter (2), Bloomberg (em inglês).

Mastodon e Twitter: Breve guia das principais diferenças entre as duas redes sociais

Mastodonte, mascote do Mastodon, em primeiro plano, com pássaros do Twitter voando em uma paisagem com um sol ao fundo, uma estrada e campos verdes nas laterais.

Quem acessa o Mastodon pela primeira vez tem uma sensação de déjà vu: parece muito com o Twitter. A semelhança, porém, é superficial.

Sim, tal qual o Twitter, o Mastodon é uma rede social de posts curtos (até 500 caracteres, contra 280 do Twitter), mas há diferenças profundas entre os dois, que vão desde nomenclaturas e recursos simples, até uns lances bem técnicos e filosóficos.

(mais…)

Confirmando os rumores, o Twitter aceitou a oferta de Elon Musk e foi vendido ao bilionário nesta segunda (25). Musk pagará US$ 54,20 por ação, o que significa uma aquisição de quase US$ 44 bilhões. Após a conclusão do negócio, prevista para o final de 2022, o Twitter voltará a ser uma empresa de capital fechado.

O que será do Twitter? A essa altura, ninguém sabe. Em nota, Musk disse:

A liberdade de expressão é a base de uma democracia funcional e o Twitter é a praça digital da cidade onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade. Também quero tornar o Twitter melhor do que nunca, melhorando o produto com novas funcionalidades, abrindo o código fonte dos algoritmos para aumentar a confiança, acabando com os robôs de spam e autenticando todos os seres humanos. O Twitter tem um potencial tremendo — estou ansioso para trabalhar com a empresa e com a comunidade de usuários a fim de desbloqueá-lo.

Via PR Newswire (em inglês).

Depois de assegurar o dinheiro necessário para honrar a proposta de aquisição do Twitter — US$ 25,5 bilhões em empréstimos bancários e US$ 21 bilhões do próprio bolso —, Elon Musk está cada vez mais próximo de alcançar seu objetivo.

De acordo com fontes da Reuters, o conselho do Twitter se reuniu na manhã de domingo (24) e decidiu recomendar a venda para o bilionário da Tesla.

O anúncio da recomendação de venda pode ser feito ainda nesta segunda (25), mas “é sempre possível que o acordo colapse no último minuto”, segundo uma fonte. Via Reuters, CNBC (ambos em inglês).